24 de dez de 2008

Os animais são mais humanos III

Em 1969, John Rendall e seu amigo Ace Berg compraram um filhote de leão em Harrods, Austrália, o levaram para casa e o batizaram de Christian. Em pouco tempo, o filhote cresceu muito e ficou grande demais para a casa em que moravam. A única coisa que podiam fazer era tentar levar o leão de volta ao seu habitat natural, na África, e reintroduzi-lo ao mundo selvagem. Foi o que aconteceu.

Um ano depois, eles decidiram visitar Christian, mas foram alertados pelos guias que agora ele era o líder de um grupo de leões e que já estava completamente adaptado à vida selvagem, o que poderia fazer com que não lembrasse dos seus "pais". Após horas de procura pelo grupo de Christian, isto foi o que aconteceu quando eles finalmente encontraram o leão selvagem (a parte mais importante vai até 2 minutos e 10 segundos, mas vale a pena ver tudo):




O outro animal que aparece no encontro era a "esposa" de Christian, que ele fez questão de apresentar aos "pais". O acontecido está devidamente documentado no filme "Christian, the Lion at World's End", que infelizmente acho que não foi lançado por aqui. Para mais informações, visite este site (em inglês).

Resolução de ano novo

Atualizar o blog mais vezes...

15 de dez de 2008

Os animais são mais humanos II

Está aí embaixo o primeiro vídeo desta nova série do MD. Trata-se de um programa da National Geographic, "O Olho do Leopardo", que mostra um leopardo matando um babuíno para se alimentar, como todos da sua espécie fazem na selva. Porém, quando está levando sua caça para um local seguro, o bichano percebe algo mais no animal morto. E aí... Bem, veja você mesmo:



Eu não consigo assistir sem chorar. Simplesmente não consigo.

12 de dez de 2008

Os animais são mais humanos

Eu sempre fui pessimista em relação à espécie humana. Sempre fui mais Hobbes que Rousseau. Para mim, os humanos, que conseguem pensar com a dita "razão", de maneira "racional", são os animais que fazem as coisas mais estúpidas, seja ao ingerir coisas que ele sabe que fazem mal a ele até matar outro da própria espécie - ou de outra espécie - sem a intenção de se alimentar. Somos a espécie mais iluminada do planeta, porém a mais predadora, a que mais ameaça o andamento da vida no planeta - a única, eu diria. E, pior de tudo, achamos que somos donos de tudo; criamos explicações teológicas, metafísicas e espirituais para nos assegurarmos, sem culpa, de que tudo o que fazemos é por um bem maior. Ignoramos que a nossa espécie é um neném na Terra, geológica e biologicamente falando, e que como tal ainda fazemos cocô nas fraldas. Porém, fazemos merda orgulhosos de nós mesmos, e continuamos engatinhando - e por muitas vezes rastejando - nas próprias fezes. Essa espécie estúpida, que se auto-proclamou dona do mundo, deixaria o mundo bem melhor se deixasse de existir.

Digo tudo isso para concluir que sempre achei os animais (é impressionante como chamamos todos os outros bichos de "animais", como se não o fôssemos) melhores do que os humanos em quase todos os aspectos, particularmente naqueles... humanos. Aliás, quando uma pessoa é uma honrada, sensata e faz tudo certo ela é considerada humana, mas quando faz um ato monstruoso é um animal. Essas duas concepções nunca fizeram muito sentido pra mim, visto que, em primeiro lugar, somos nós mesmos que achamos isso - e portanto rebaixamos todos os outros animais e nos elevamos -, e em segundo lugar, os comportamentos mais "animais" são encontrados nos humanos como regra e, os mais "humanos", como exceção.

Não vou ficar aqui enchendo a página com argumentos para defender o que disse. Em vez disso, vou mostrar alguns vídeos que ilustram bem como os animais podem ser muito mais "humanos" do que nós - e, se considerarmos que o comportamento dos bichos não varia muito segundo as condições de personalidade dos seres humanos, com esses vídeos podemos admitir que esse comportamento "humano" deles é a sua regra.

Até amanhã, porque ainda tenho que preparar os textos que antecedem os vídeos.

7 de dez de 2008

C***lho!!!

Um espírito entra em campo e derruba jogador. Só pode ser isso.



Se existisse justiça nesse mundo, esse pênalti não entraria NUNCA.

30 de nov de 2008

Os Estranhos

Da Wikipédia: Slasher é um sub-gênero de filmes de terror quase sempre envolvendo assassinos psicopatas que matam aleatoriamente. Pecando em vários sentidos em sua produção tanto no roteiro quanto na atuação, edição, fotografia, música e envolvendo muito sangue. Normalmente são feitos com baixo orçamento, daí são constantemente nomeados como "terror b".

Clichê é uma idéia relativa a algo que se repete com tanta frequência que já se tornou previsível e repetitiva dentro daquele contexto.

Acho que o estreante diretor e roteirista Bryan Bertino leu principalmente a segunda frase dessa explicação sobre o gênero slasher quando pensou em fazer Os Estranhos. O filme conta a história de um casal (Kristen e James, Liv Tyler e Scott Speedman, respectivamente) em crise, que vai passar uma noite na casa de veraneio dos pais de James, que fica no meio do nada, e então começam a ser aterrorizados por três estranhos de máscara, tendo que lutar por sua sobrevivência.

Começo a crítica falando sobre um dos únicos méritos do filme: tensão e sustos. Através de uma edição eficaz e uma trilha sonora alta e aguda (principalmente nos momentos de sustos), Bertino consegue deixar o clima tenso principalmente ao longo da primeira metade do filme. Porém, existem dois poréns: primeiro, muitos dos sustos existentes são aqueles totalmente clichês de slashers (como a mão no ombro do mocinho, juntamente com a trilha sonora alta e aguda, que depois revela-se apenas como a mão da mocinha) - só faltou o clichê dos clichês, o gato preto saindo do armário; segundo, a tensão e os sustos não conseguem segurar o filme sozinhos, por causa principalmente do maior erro do filme: atribuir poderes divinos aos três "estranhos".

Sim, isso mesmo: poderes divinos. Os três invasores são oniscientes, onipresentes e onipotentes ao longo de todo o filme. Entretanto, são - ou deveriam ser - pessoas comuns, de carne e osso! Em O Grito, por exemplo, temos um ótimo filme de sustos e tensão, que tem momentos absolutamente cagantes que prendem o espectador graças à edição eficaz e à trilha sonora alta e aguda, mas também ao enredo, que faz sentido dentro da lógica proposta pelo filme (afinal, é um filme de fantasma, então a maneira com que os fantasmas agem faz sentido, pois eles são fantasmas, ora bolas). O problema aqui, em Os Estranhos, é que os personagens-título antecipam todos os passos dos mocinhos, entram e saem da casa sem fazer barulho (corrigindo, fazem barulho quando querem, porque alguns barulhos são importantes para dar sustos) e parecem ter o poder de se teletransportarem, o que é de um absurdo extremo e que retira da tensão e dos sustos o foco do filme, trazendo-o para esses erros de lógica e furos do roteiro - um pecado, infelizmente. Não que o roteiro de O Grito seja lá essas coisas, mas pelo menos tem lógica interna - o que esse Os Estranhos não tem.

Alguns exemplos: tem uma cena em que James vai buscar seu celular no seu carro, que está estacionado do lado de fora da casa. Ele chega no carro, abre a porta e se debruça para procurar o telefone. Então uma mão chega por trás dele e toca o seu ombro. Assustado, ele se vira para trás, mas não vê nada. Olha no banco de trás e nada. Sai do carro e olha ao redor e nada. Ah, e a tal mão fez tudo isso sem fazer barulho algum. Depois ele volta pra dentro da casa, fica um pouco lá, e quando volta para o carro este está todo amassado na frente e com os vidros quebrados. Porém, ninguém havia escutado barulho algum de dentro da casa (detalhe: a casa fica no meio do nada e qualquer barulhinho, quando é pra assustar, pode ser escutado). Aí ele olha pra frente e tem uma mulher ali, a uns vinte metros dele. James pergunta a ela o que eles querem, e Kristen aparece na porta, pedindo pra ele entrar. Ele se vira para dizer a ela que volte para dentro e, quando se vira de volta, A MULHER NÃO ESTÁ MAIS LÁ!! O último exemplo que vou dar (mas que não é o último do filme, juro) é um spoiler que conta um trecho importante do filme; portanto, se você não quer que a história se estrague, vá direto para o próximo parágrafo. Não tem a ver com os super-poderes dos estranhos, mas sim com a falta de lógica que serve para dar sustos: dois meninos entram na casa, depois de todos os acontecimentos, e vêem o casal no chão, todo ensangüentado, imóvel. Um dos meninos se aproxima de Kristen e vai encostar no seu braço, quando ela arregala os olhos e solta um berro. Fim do filme! Ora, quem está na situação dela não fica imóvel e sem fazer barulho, dando um berro quando alguém se aproxima. Essa parte só entrou no filme para fazer com que o espectador saia do cinema com um último (e inverossímil) susto.

Bem, pra não dizer que eu só falei mal do filme, os primeiros quarenta e cinco minutos, que mostram os problemas do casal, são bem amarrados e montados, nos fazendo importar com o destino dos personagens. As atuações não são ruins, mas têm o mesmo problema da maioria dos filmes do gênero: a mulher que fica histérica boa parte do filme e o cara que tenta resolver tudo, mas que só faz mais merda (exemplo e clichê dos clichês: deixar a mulher dentro de casa, sozinha, enquanto vai no celeiro ver um rádio velho; é o velho "fica aí sozinha com o(s) assassino(s) que eu vou até ali fazer uma coisa sozinho e provavelmente ser morto. Afinal, se separar é o melhor a fazer nesses casos, né?").

Para o maior lançamento de Hollywood do ano no gênero, a gente entende porque o Japão e a Espanha continuam como os maiores produtores de filmes de terror da atualidade.

FICHA TÉCNICA

Os Estranhos - Nota C

Direção e roteiro: Bryan Bertino. Com: Liv Tyler e Scott Speedman

27 de nov de 2008

Mais um texto

Continuando a série de falta de criatividade misturada com tempo para ler textos dos outros, recebi este por e-mail, que no mínimo oferece uma pequena reflexão sobre como as coisas funcionam. Não sei quem é o autor, mas com certeza não é o Veríssimo ou o Jabor, os campeões de "acusações de autoria" dos e-mails:

É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas. Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos.
Os slides se sucedem. Êxodos de populações inteiras. Gente faminta. Gente pobre. Gente sem futuro.'Vou fazer um slideshow para você. Está preparado?

Durante décadas, vimos essas imagens. No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados. São imagens de miséria que comovem.

São imagens que criam plataformas de governo. Criam ONGs. Criam entidades. Criam movimentos sociais.

A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza. Ano após ano, discutiu-se o que fazer. Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta. Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo.

Resolver, capicce? Extinguir.

Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta. Não sei como calcularam este número. Mas digamos que esteja subestimado. Digamos que seja o dobro. Ou o triplo.
Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.

Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse. Não houve documentário, ong, lobby ou pressão que resolvesse. Mas em uma semana, os mesmos líderes, das mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia.'

24 de nov de 2008

Da série...

...textos que eu queria ter escrito (é grande, mas vale a pena):

Uma Insuspeita Relação entre Política e Astrologia
Paulo Irineu

Desde os primórdios da humanidade, pessoas como nós têm buscado as mais diversas mentiras para crer. A julgar pela disseminação desta prática, deve existir alguma propensão genética do ser humano para acreditar em tudo o que não é verdade. É como se o nosso cérebro identificasse, através de um mecanismo primitivo, a essência mentirosa das coisas e, imediatamente, se fiasse nelas. Contudo, não nos precipitemos em chamar de estúpidos os homens por suas fraquezas; se eles escolhem os erros, é porque sabem que são erros.

“Mas”, você pergunta, “de que diabos esse cara está falando?!” Ora, amigo, estou falando de você. A menos, é claro, que você não seja humano (nesse caso, entre em contado comigo). Estou aludindo, em verdade, a duas coisas que por ora me vêm à cabeça: o voto, como obrigação patriótica, e a crença nos signos, como refúgio espiritual.

Comecemos pelo primeiro. Quem já não ouviu a velha crítica ao hábito brasileiro de esquecer as misérias que lhes são impostas diariamente para, uma vez a cada dois anos, dirigir-se às urnas para fingir que o seu voto vale alguma coisa? Como podem acreditar que algum candidato, em meio à costumeira corja de carreiristas pilantras, possa ser um salvador iluminado, e que, bastando identificá-lo e elegê-lo, poder-se-á garantir um futuro brilhante para o nosso país? A televisão tem feito insistentes campanhas para incentivar o voto consciente, como se escolher o candidato menos pior fosse sinônimo de consciência política; como se fosse possível identificar o perfil do político por suas promessas – que são iguais a de todos os seus oponentes –, ou pelas ideologias que alegam ter seus partidos – cuja essência constitui-se precisamente na ausência de ideologias. O voto nulo, este que parece ser a escolha mais correta (quando não se tem nada de bom para escolher), é um tabu, associado aos alienados ou aos anarquistas.

As pessoas querem acreditar que o país, um dia, “irá para frente”. Perder a esperança no futuro glorioso do Brasil é heresia social, horror dos patriotas, sinal infalível da derrota moral e da ignorância. Quando escreveu “Brasil, o país do futuro”, o europeu Stefan Zweig desviou-se de suas temáticas preferidas para relatar suas impressões sobre o nosso país, tamanho fora o seu deslumbre; para ele, os brasileiros obteriam um papel central no desenvolvimento mundial, em algumas décadas, tal era a sua propensão para o sucesso. Zweig suicidou-se, pouco tempo depois, e não pôde avaliar as proporções do seu equívoco. Não o culpo, no entanto. Hoje, decerto ele teria outra idéia das coisas que visse; os brasileiros, esses sim, mantêm-se iludidos e contentes em viver no Brasil, onde abunda o carnaval, a bunda e o futebol.

Se, como se sabe, todos os candidatos prometem melhorias em todas as áreas em que se sabe haver déficit, acreditar neles seria o mesmo que considerá-los todos ótimos e enormemente competentes. Mas, nós sabemos, eles não o são. Então, talvez nos reste avaliá-los não pelas suas promessas de campanha, mas pela ideologia de seus partidos. Tentemos isso, porém, e veremos que não há a menor coerência entre propostas partidárias e metodologia de governo. As ações políticas já não são baseadas em ideologias, mas em interesses circunstanciais. Ora, o que podemos fazer é escolher nossos candidatos pela competência que pareçam demonstrar. Para tanto, temos duas opções: ou acompanhamos a vida política do sujeito, o que resultará em total perda de tempo, ou o julguemos pelas feições do rosto.

Se, contudo, não pudermos avaliá-lo segundo tais conceitos, escutemos nas ruas as músicas de campanha e votemos naquela que não for de tão mau-gosto. Se, ainda, nós pensarmos que todas as músicas são ruins, ou que todas são igualmente boas, podemos votar naqueles que tiverem pago mais pessoas para hastear bandeiras nas esquinas, o que, eles devem pensar, representa grande mérito político e sem dúvida nos daria indícios de sua competência inata. Se, afinal de contas, nós não prestamos atenção nas bandeiras, vejamos o logotipo dos partidos e a legenda de cada um, decidindo-nos pela cor mais jeitosa, ou pelo nosso número da sorte. Não importa o que façamos, o país quer que façamos uma escolha. Só não vale votar nulo: só os alienados fazem isso.

Perdoe-me. Às vezes, simplesmente não consigo evitar o sarcasmo.
Tenho que admitir, de todo modo, que ter esperanças no futuro brilhante do Brasil é atitude mais cômoda do que se tornar um pessimista, e que os pessimistas, em geral, são menos felizes. Afinal, não saberia dizer qual o melhor caminho a se tomar com relação às eleições. O que é certo é que as coisas têm sido duras para a humanidade desde que ela começou, e não há razões para se acreditar numa mudança drástica – o que só não se aplica aos comunistas. O fato é que, bastando o Estado dizer, o povo se enfileira e segue estupidamente às urnas, participando da fraude mais bem estruturada da América Latina. Os brasileiros são feitos de palhaço. Vá votar com um nariz vermelho.

Agora, passemos para o segundo tópico: o horóscopo.
Até mesmo nos mais respeitáveis meios de comunicação, pode-se encontrar quem manifeste opiniões baseando-se nos preceitos do zodíaco; o que você pensa disso? Por acaso, você acredita que a gravidade dos planetas tem alguma influência sobre o desenrolar da sua vida? Se sim, por quê? Alguma vez você já teve alguma impressão própria de que os planetas guiavam a sua vida? Você teve algum indício disso pessoalmente? Afora as coincidências que as pessoas acumulam na memória para defender suas crendices, nada indica que o ser humano tenha seus pensamentos, atos e humores orientados pelos astros. Não há razão nenhuma para se induzir uma idéia dessas. Se você acredita nisso, é por duas razões: primeiro, porque você leu em algum lugar ou alguém lhe disse; segundo, porque você quer acreditar. De modo geral, você acredita porque quer saber quem você é, para se sentir seguro, e conhecer as características do seu signo, o que o poupa do trabalho da auto-descoberta, fornecendo um perfil pronto no qual você tentará se enquadrar.

Com pouco esforço, você irá decorar a personalidade-padrão do seu signo e irá convencer-se de que ela é perfeitamente compatível com suas propensões naturais. É enormemente mais provável que a alma humana não seja enquadrada em padrões tão pobres e limitantes quanto uma seqüência de doze quadros místicos, inventados há mais de dois milênios por astrólogos que acreditavam que a terra era chata e que os planetas consistiam em deuses luminosos. Mas a alusão a esses fatos, é claro, lhe deve ser incômoda e ofensiva. Paremos por aqui.

É evidente que a humanidade, em pleno século XXI, continua tão imatura quanto em seus primeiros dias. Se a evolução das espécies constitui-se em uma adaptação ao meio, e não em um aperfeiçoamento das virtudes, como se pensava antigamente, assim também é com a evolução da civilização: ela muda, se adapta aos tempos, mas não se torna melhor a cada século – apenas se transforma. As tolices de milênios atrás ainda são praticadas pelas pessoas mais inteligentes de nosso tempo. Nas palavras de Millôr Fernandes, a mentira passe a ser considerada, depois de um ano, como “apenas uma outra faceta da verdade. Se persistir, dentro de dez anos será um rapto de imaginação da pessoa que a pronunciou. Um século depois já ninguém mais se lembrará de quem disse a mentira e ela será parte fundamental da sabedoria popular, se transformará em fantasia, em canto, em ode, em épico, em conceito geral de eternidade filosófica.”

Portanto, não tenhamos vergonha de ir votar no ladrão mais respeitável, nem de consultar o horóscopo para nos sentirmos menos infelizes; bastaria que, como o nome de nossa espécie sugere (homo sapiens sapiens = homem que sabe que sabe), nós tivéssemos consciência do que fazemos.

Tirei daqui.

19 de nov de 2008

Músicas do Mês

Oasis - The Shock of the Lighting - Primeiro single do novo álbum da banda, Dig Out Your Soul, esta música muda o meu humor. Posso estar para baixo, triste, mas quando a escuto tudo muda: começo a balançar a cabeça e a caminhar como um Gallagher. Muito boa música, um rockão de primeira em um álbum que, como eu li em algum lugar, é talvez o último em CD que as pessoas esperaram ansiosamente para comprar.



Pearl Jam - I Got Id - O que esperar de uma música feita pelo Pearl Jam junto com o Neil Young? Tinha que dar nisso: uma baita canção, que começa lenta, depois estoura com guitarras distorcidas e, de repente, tu te dá conta que o refrão ainda não chegou e, quando ele chega, melódico e genial, tu pensa: "Pqp!!". Acho que isso é um ótimo resumo de I Got Id (aquele Id freudiano, não de "documento de identidade").

16 de nov de 2008

Coisas que só acontecem em São Paulo

Na sexta-feira passada, fui abordado por duas senhoras que me perguntaram se eu era um ator da Globo...
(modo vaidade on: será que me confundiram com o Gianecchini?
modo vaidade off: por favor, não comentem...)

Língua presa

Um pequeno exemplo que eu peguei dia desses de como o lugar das palavras em uma frase pode alterar o seu sentido:



Não parece que trata-se de uma garagem de carros estranhos?

12 de nov de 2008

Proposta 8 e a Democracia

Li no blog do Pablo Villaça um depoimento emocionante a favor do casamento entre homossexuais. O texto está aqui, junto com um vídeo. Essa postagem me fez pensar, entre outras coisas, no papel da Democracia nessa questão, e eu resolvi fazer um comentário por lá. O comentário ficou grande e achei que merecia uma postagem própria aqui no Moldura.

O que eu pensei na hora que li a postagem do Pablo foi na democracia e suas implicações práticas para as maiorias e as minorias. Ora, parece claro que, em um regime democrático, temos a vontade da maioria - pelo menos em teoria -, já que é quase impossível haver um consenso entre a totalidade da população. Logo, é preciso votar as questões que são de interesse de todos e acatá-las ou tentar mudá-las (no plano legal, não estou me referindo a revoluções ou protestos armados ou algo que o valha).

No caso específico da Proposta 8, a maioria venceu. O problema é que quando alguma intolerância (seja ela política, religiosa, o que for) acontece por conta de um pessoa (seja um xá, um ditador, um rei), aí a primeira argumentação que ocorre à maioria dos ocidentais democratas é "viu, se fosse numa democracia...". Mas, quando isso acontece num regime democrático, dentro das normas democráticas (o que é o caso da Proposta 8 e, mais além - e para tornar a coisa mais complexa -, o caso da eleição e manutenção no poder do Hugo Chávez), aí ninguém questiona a instituição da Democracia, mas se revolta e utiliza argumentos com base em xingamentos às pessoas que votaram contra as suas vontades (reacionários, xiitas, comunistas, direitosos, etc.). Veja bem, e se a maioria da população da Califórnia fosse nazista e votasse a favor da eliminação de todas as minorias? Ou se a minoria da Califórnia fosse nazista e exigisse uma eleição a favor dessa eliminação, aí perdesse e ficasse falando "que isso interessa a você?" (vejam bem, eu sei que essa argumentação, para o caso nazista, é rídicula, mas se atentem ao exemplo - extremo, mas ainda um exemplo).

Eu sou completamente a favor do casamento gay e da democracia. A questão é que, nesse caso, venceu o voto da maioria, o que mostra, no mínimo, o grau de preconceito explícito que existe na cabeça do norte-americano médio. Mostra também como a Democracia, normalmente tão incondicionalmente defendida, tem as suas questões e problemas, que são difíceis de resolver. Ruim com ela, pior sem ela? Ou existiria alguma solução prática que ajudaria nesse assunto? Porque, no momento, a maioria das pessoas na Califórnia (a maioria que votou e venceu) está contente com o resultado do pleito. E a democracia se baseia, em princípio, na maioria.

8 de nov de 2008

E daí? (II)

Após tratar da questão de um negro alcançar a presidência dos EUA pela primeira vez (e não quero desfazer esse fato, apenas quis relativizá-lo com relação à toda esperança colocada nisso), vamos tratar da interrupção dos republicanos no poder, e a suposta melhora que isso trará para o país e o mundo.

Uma vez, assisti uma entrevista com a Luciana Genro em que ela falava da "americanalização" da política brasileira, ao citar a ilusão de se ter o PT no governo federal. Dizia ela que, nos EUA, dois grandes partidos se revezam no poder, ambos servindo aos mesmos interesses, com poucas diferenças básicas entre eles. Isso daria uma ilusão de democracia, já que haveria um sentimento de mudança a cada troca de partido. Porém, no frigir dos ovos, não haveria grandes mudanças estruturais no país.

Na maioria das opiniões políticas a respeito da última eleição norte-americana à presidência, sempre aparece o discurso de que a eleição de um democrata significará uma grande mudança nos EUA. O próprio slogan da campanha de Obama dizia isso ("We can change"), o que mostra bem o imaginário da maior parte das opiniões sobre a polarização política nos EUA. Um exemplo que sempre é dado é que o novo presidente retirará as tropas norte-americanas imediatamente do Iraque. Porém, Obama nem assumiu ainda e já disse que não será bem assim, que talvez tenha que retirar as tropas aos poucos - se retirar. No fundo, o mesmo discurso do seu antecessor, o Bush, e de seu adversário, McCain. Isso sem contar a sua política econômica, que vai se voltar para conter a crise, mas nunca em tentar mudar estruturalmente as engrenagens que movem a economia do país - aliás, é importante lembrar que o pacotão de 700 milhões de dólares que o Bush aprovou recebeu grandes críticas dos republicanos, e só saiu do papel graças ao lobby democrata no congresso.

Em suma, existem diferenças entre republicanos e democratas, mas elas se limitam a um certo ponto dentro de uma grande área em comum: uma área neoliberal, belicista, anticomunista (ou melhor, anti qualquer coisa que não seja do pensamento norte-americano), protecionista e intervencionista que existe há, pelo menos, oitenta anos. Por isso, a eleição de um democrata ou de um republicano pode mudar alguma coisa, mas não tanto quanto parece.

Isso, aliado ao que já foi exposto na outra postagem, serve para relativizar um pouco a euforia que a eleição de um negro democrata causou no mundo. A eleição de Barack Obama tem relevância sim - inclusive relevância histórica -, mas é preciso tentar enxergá-la da forma mais racional possível.

6 de nov de 2008

A propósito...

...[REC], o filme, vai finalmente estrear nos cinemas brasileiros no dia 14 de novembro. Não perca, vale muito a pena ver na tela grande esse grande terror. Caso queira ler a minha crítica, clique aqui.

E daí?

Então o Barack Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos. Mas e daí? Bem, e daí que é o primeiro negro a conseguir esse feito na história daquele país, e significa a quebra de oito anos de hegemonia republicana. Sim, mas e daí?

A questão racial nos EUA é muito diferente da questão no Brasil. Aqui, temos um racismo polido, meio britânico, do qual quase temos orgulho. Lá, a coisa é bem mais punk - vide, por exemplo, a Ku Klux Kan, ainda hoje com mais de 3000 homens, e os tumultos de Los Angeles em 1992 (http://en.wikipedia.org/wiki/1992_Los_Angeles_riots). Portanto, a vitória de um negro para o cargo de presidente nos EUA pode ser comparada, guardadas as devidas proporções, com, digamos, a eleição de uma pessoa oriunda das classes populares no Brasil. Toda a expectativa em torno do que uma pessoa assim, tão "diferente" do padrão que até então vinha tomando o poder, faz com que pareça que basta a ela subir ao poder para instaurar a felicidade, a igualdade e a fraternidade.

E é exatamente nesse ponto que eu gostaria de tocar: da mesma forma que a eleição de um ex-metalúrgico pernambucano fez com que muita gente acreditasse que finalmente teríamos igualdade no Brasil, lá nos EUA (não só lá, mas enfim) acredita-se que Obama, por ser negro, filho de queniano, etc. e tal, vai acabar com a crise financeira internacional, mudar radicalmente a política externa belicista norte-americana e ajudar o mundo todo. Infelizmente, acredito que esses segundos ficarão tão desapontados quanto os primeiros ficaram.

Sim, porque se o Lula deixou os pobres menos pobres, deixou também os ricos muito, mas muito mais ricos, aumentando ainda mais a desigualdade social no país; além disso, durante o seu governo ele vem tomando várias atitudes que antes ele e seu partido abominavam. Por que ele faz isso? Porque ele é malvado? Porque ele é de origem humilde? Porque ele é nordestino? Não, é porque ele é um homem só, assim como Obama.

Infelizmente, quanto mais eu estudo História mais eu vejo que uma andorinha só realmente não faz verão. Não basta somente alguém chegar, cheio de vontade de mudar o status quo, para que as coisas mudem. É preciso haver mais, é preciso ter um conjunto de características, locais e globais, conjunturais e estruturais, que aqui vou didaticamente chamar de "Winds of change". Não basta, claro, haver somente o vento; porém, não basta somente o homem. Entretanto, parece que não é isso que pensa a imprensa internacional, que vê em um homem como Obama a figura que vai mudar tudo. Claro que, havendo esperança no imaginário das pessoas, pode haver alguma mudança. O problema é que não será nem um milésimo dessa mudança que vem sendo prevista pelos mais otimistas - e por outros nem tão otimistas assim.

Muito em parte, isso tem a ver com outro assunto relacionado, que voltarei a abordar amanhã: o fato de Obama ser do partido rival daquele que governa os Estados Unidos há quase oito anos. Afinal, se eles são rivais, isso quer dizer que devem ser praticamente opostos, não?

Tentaremos chegar a uma conclusão amanhã.

31 de out de 2008

Pontos corridos

Quando o Campeonato Brasileiro começou a ser disputado em pontos corridos, em vez do antes tradicional os-oito-melhores-disputam-um-mata-mata, muito se falou. Alguns criticaram, outros apoiaram. Até hoje se fala muito se essa é realmente a melhor fórmula para um campeonato no Brasil.

Eu, particularmente, prefiro o modo antigo: as equipes se enfrentam em turno e returno e, após o término das partidas, as oito melhores vão para as quartas-de-final, até o campeão ser conhecido em dois jogos finais de parar o país. Porém, não dá para negar que, em 2008, estamos acompanhando o Campeonato Brasileiro mais equilibrado de todos; temos cinco equipes com chances reais de ser o campeão, isso a seis rodadas do término da competição. É claro que por esse motivo os entusiastas dos pontos corridos estão gritando Brasil afora: "Viu, eu sempre disse que esse era a melhor forma de disputa!".

Basta ver TODAS as outras edições para esmagar esse argumento. Desde que começou a ser disputado, o Brasileirão de pontos corridos tem dado mais sono do que emoção no torcedor, que tem que assistir, faltando umas dez rodadas para acabar o campeonato, dois times na faixa intermediária jogarem entre si por absolutamente nada, visto que não têm pontos suficientes para entrar na Libertadores, mas possuem pontos de sobra para já se garantir na primeira divisão. Tem a Sul-Americana, claro, mas ninguém dá muita bola para ela mesmo, o que mais vale é a disputa de cima e a de baixo da tabela. Esses mesmos dois times, se disputassem o Campeonato "Old School", ainda teriam chances de chegar pelo menos em oitavo, o que faria o jogo ter grande importância.

Outro exemplo de jogos no final do campeonato: veja os casos de Vitória, Goiás, Coritiba, Botafogo e Internacional em 2008. Os cinco times não têm mais chances de ganhar o Campeonato, nem sequer de tentar a Libertadores. Porém, já estão com a vaga na Sul-Americana praticamente garantida, o que faz com que o Brasileiro já tenha perdido a graça para eles. Isso faz muita diferença em um confronto contra um time lá de baixo (que precisa ganhar para escapar do rebaixamento) e um lá de cima (que quer vencer o campeonato). Temos então a disputa entre um time que quer alguma coisa contra outro desmotivado por estar no meio da tabela. Se fosse no modelo antigo, TODOS os times ainda teriam algo a disputar, motivando a todos e tornando essas últimas rodadas empolgantes para todos SEMPRE, e não somente a cada seis anos. Sem contar que, se hoje houvesse o campeonato antigo, até o Sport (11º colocado), todos teriam chance de chegar à fase final.

Eu sei que muitos vão argumentar que a fórmula de pontos corridos é a mais justa, porque privilegia e equipe mais organizada, mais equilibrada, etc. e tal. Para isso, digo duas coisas: time campeão tem que saber jogar tanto pontos corridos quanto mata-mata, e por isso a fórmula antiga parece ser a ideal; e se fosse pela organização, como o Palmeiras, o Flamengo e o Grêmio estariam onde estão nesse ano?

28 de out de 2008

Pequeno pensamento

Já não aconteceu contigo de andar pela rua e ver uma pessoa vindo na tua direção, te olhando de um jeito que parece que ela gostaria de ser tua amiga?

Se não aconteceu com ninguém, acho que estou ficando megalomaníaco...

Frase do Dia

"O grande consolo das velhas anedotas são os recém-nascidos".
Mário Quintana

24 de out de 2008

Todos iguais

Neste ano, estou acompanhando mais as eleições de São Paulo do que as de Porto Alegre, o que me permite traçar alguns paralelos entre as duas. Porém, o que mais me chama atenção neste ano - na verdade, nos últimos anos - é a pasteurização das campanhas.

Durante boa parte do século passado, os partidos políticos, quando existiam no Brasil, podiam ser claramente divididos, principalmente entre esquerda e direita - graças, em boa parte, à Guerra Fria. Até durante a ditadura, com a ARENA e o MDB, havia uma clara diferença de posicionamento. Após vários fatores diferentes, como o fim da URSS e da Guerra Fria, a volta da democracia e o advento do neoliberalismo, tudo começou a mudar nas campanhas e discursos políticos. Vou citar duas grandes diferenças no cenário político, que também significaram mudanças de comportamento nas engrenagens que movem o sistema da política brasileira e, a meu ver, também podem ter outras conseqüências não muito boas para os partidos.

Em primeiro lugar, cada vez mais publicitários começaram a ser contratados para gerenciar as campanhas eleitorais, fazendo do horário político uma verdadeira campanha de marketing em que o candidato é "vendido" como um "produto" e suas façanhas e fracassos são maquiados para uma maior aceitação por parte do eleitor. O grande marco, para mim, foi quando o PT contratou o Duda Mendonça para fazer a campanha do Lula para presidente de 2002. Automaticamente, aquele cara de aparência suja, ex-metalúrgico, que falava tudo errado, deu lugar para um senhor de barba branca, fala mansa e que até apreciava bons vinhos, veja só. Não foi só por isso que o Lula se elegeu, mas que isso ajudou, ajudou. E então, cada vez mais as agências de publicidade descobriram esse filão (ou foram descobertas por esse filão, não sei), fazendo o Maluf parecer um cara para casar com a tua filha. Isso, é claro, foi causando uma certa padronização das campanhas eleitorais; afinal, ninguém mais quer se envolver com assuntos espinhosos antes de se eleger. O maior exemplo, nesse caso, é o das falsas promessas de candidatos a prefeito que dizem que cumprirão os quatro anos de mandato e que não vão sair antes para concorrer ao governo do estado. Só para citar dois casos, o Tarso Genro, em Porto Alegre, se elegeu para prefeito em 2000 c0m a promessa de que ia cumprir os quatro anos, sob acusação da oposição de que ia é sair dois anos depois para concorrer ao governo. Em 2002, quem era o candidato a governo do RS pelo PT? Genro, claro. Não se elegeu, bem feito. Sorte maior teve o José Serra, que se elegeu prefeito de São Paulo em 2004 dizendo que não ia concorrer ao governo ou à presidência em 2006 - ele chegou a fazer uma declaração em cartório. Não é que o seu Serra conseguiu se eleger governador de São Paulo em 2006? Tsc, tsc. No caso das campanhas para prefeito de São Paulo este ano, é nítido que, junto ao discurso do candidato (cada vez mais igual ao do adversário) está associado uma grande peça publicitária, um grande "show" de imagens, músicas e fontes que , a princípio, não têm nada a ver com uma campanha eleitoral.

Em segundo lugar, ocorre uma "prostituição" das ideologias políticas; cada vez mais os candidatos adequam suas campanhas por conveniência e não por inclinação partidária ou política. Um bom exemplo pode ser visto nas eleições para prefeito em São Paulo: no primeiro turno houve quase um empate técnico entre Marta Suplicy (PT) e Gilberto Kassab (DEM), mas com votos predominantemente vindos das camadas mais pobres para a primeira e com a maioria dos votos das classes A e B para o segundo. Pois bem, a estratégia de campanha da candidata do PT para o segundo turno foi mostrar que ela também vai fazer muito para os empresários e empresas, assim como para os bairros mais nobres da cidade, enquanto que Kassab se concentra em mostrar que fez e fará muito mais pelos pobres de São Paulo. Ora, se temos dois candidatos que vão governar para os ricos e para os pobre da melhor forma possível, que vão se concentrar no social, mas também dar apoio às grandes empresas, qual é a diferença entre os candidatos? A suposta diferença que os publicitários das duas campanhas querem nos vender está na competência; um acusa o outro de não ter feito isso ou aquilo durante seu mandato e já emenda que fez ou vai fazer melhor do que o outro. Novamente, não há nenhum indício de inclinação ideológica nos seus discursos, apesar de um partido ser declaradamente de direita, e o outro, de esquerda.

Particularmente, penso que essas novas características do mundo político de hoje são muito nocivas para a democracia, visto que supostamente não há muitas opções de mudança para a população. Cada vez mais escutamos as pessoas falarem que não vão votar em ninguém ou vão votar em qualquer um porque "é tudo igual", o que não deixa de ser cada vez mais verdade. Em Porto Alegre, a Manuela se aliou ao PPS, o que seria inadmissível há alguns anos. Hoje, é algo quase natural, criticado apenas por algumas mentes supostamente atrasadas. Infelizmente, parece que quem mais perde com isso é a esquerda, que já vem perdendo há algum tempo, desde que começou a jogar o jogo político com as regras da direita. Perde tanto que chego a me perguntar: estaremos presenciando o fim da esquerda no Brasil? Mas isso é assunto para outra postagem...

21 de out de 2008

C***lho!!!

19 de out de 2008

Do Surra

Incluído no novo pacote de salvação a ser votado pelo Congresso estadunidense: Estímulo ao desenvolvimento de energias renováveis, à compra de carros híbridos, etc. Se a história se repete, vem aí mais uma bolha. Se você tem algum projeto de produção de biodiesel a partir de meleca, está na hora de abrir sua start-up. Mas lembre-se de sair antes que a nova bolha estoure. A bolha imobiliária foi diretamente resultante da implosão da bolha da Internet. O Governo americano conseguiu diluir o crash das pontocom reduzindo os juros e fechando os olhos para a farra das hipotecas. E está agora tentando alternativas para uma nova bolha. Bill Clinton, no David Letterman ontem à noite, mencionou isso e deu como alternativa à saída da bolha via hipotecas nos idos de 2000, advinhem, o investimento em energias alternativas. A vantagem, segundo ele, é que esse tipo de investimento cria uma economia real, com empregos reais. É assim que os EUA resolvem suas recessões: investindo tudo em bolhas. E a propósito, Nouriel Roubini, no HardTalk da BBC de hoje: "É o início do fim do Império Americano". Com todas as letras. Sintetizou isso explicando que todos os grandes impérios ruíram quando passaram de grandes credores a grandes devedores, citando o próprio Império Britânico. Os EUA vão sair dessa devendo 700 bilhões a outros países (ironicamente, China, Rússia -- até Oriente Médio e, pasmem, Brasil). 700 bi além dos 9 trilhões do atual déficit, diga-se de passagem.
(update: link para a entrevista do Roubini: www.bbc.co.uk)

Como diz o título, tirado do Surra.

17 de out de 2008

Porto que me alegra II

Quando cheguei em Porto Alegre, depois de estar morando há um bom tempo em São Paulo, a primeira impressão que tive foi a de respirar um ar diferente do que vinha respirando antes. Não se trata somente de poluição; além da qualidade superior (com menos poluição, mas com poluição, é bom lembrar), também é o friozinho do ar, aliado a uma sensação de estar em casa que não encontra eco em nada que eu tenha vivido até hoje.

É estranho passar por lugares que significaram tanto para mim e continuar sentindo essa sensação de importância, mesmo tendo passado praticamente um ano sem vê-los, mesmo tendo vivido outras experiências muito longe dali, mesmo tendo, de certa forma, dado as costas para esses lugares que me causaram tanta emoção - e ainda me causam. Ler os poemas de Mario Quintana sobre Porto Alegre agora me atinge de outra forma, me identifico muito mais na sua retórica saudosista, nostálgica, e no seu toque encantador e reverente à cidade.

É assim que me sinto em relação a todo mundo que conheço por essas bandas. Já que não posso dizer isso aos lugares, então me dirijo a todos os amigos que tenho em Porto Alegre e arredores (na verdade, por todo o Rio Grande do Sul) para dizer que não só não esqueci vocês, como penso em vocês todos os dias. Lembro-me de incidentes, casos e momentos engraçados, curiosos, marcantes e tocantes que passamos juntos, e isso funciona como um alento aqui na cidade cinza de São Paulo. Espero rever todos vocês, dos melhores aos piores amigos, o mais breve possível, e espero que o tempo e a distância não façam nada além de fortalecer ainda mais nossos laços. Aproveito também para pedir desculpas a todos os que devem ter se sentido um pouco esquecidos desde que me mudei e dizer que a culpa é toda minha, que por inexperiência ou imaturidade - ou ambos - não soube administrar as amizades à distância (para mim é um saco atualizar Orkut ou conversar por e-mail estando longe de vocês). Prometo tentar melhorar nesse quesito e espero que essa postagem sirva como um mea culpa.

16 de out de 2008

Porto que me alegra

Nunca fui um desses caras que se orgulham de ser gaúcho, que gritam "Ah, eu sou gaúcho", que dizem com a boca escancarada que tomam chimarrão, adoram churrasco e amam a Polar. Eu adoro churrasco, mas adoro tanto quanto adoro pizza, lasanha e tantas outras maravilhas culinárias, e adoro por achar ótimo e não por ser do Sul. Nunca gostei tanto assim de chimarrão, tomo de vez em quando, mas se nunca mais tomasse não sentiria falta. Não bebo cerveja, mas mesmo assim meto meu bedelho onde não conheço e acho que a Polar é uma baita jogada de marketing de algum publicitário esperto, aproveitando a onda do tal orgulho gaúcho; se bobear, é uma Antártica com outro rótulo e com efeito placebo. Entretanto, mesmo assim não tenho como descrever a sensação de dizer, em São Paulo, que sou gaúcho, sem falar em orgulho. Sinto muito orgulho em ser gaúcho e muito orgulho da nossa capital, desse lugar maravilhoso que tem o tamanho certo para mim, que tem o ar perfeito para eu respirar, que tem as pessoas certas para se conviver. Isso é muito estranho para mim, visto que eu nunca fui um empolgado pelas nossas tradições - e continuo não sendo. Apenas percebi que não há lugar melhor do que aquele que a gente elege para o nosso coração, e parece que todos os gaúchos fazem isso ao nascer: elegem Porto Alegre, mesmo que seja preciso sair de lá para ter consciência disso - o que foi o meu caso. Essa espécie de homenagem a Porto Alegre continua no próximo post.

O que eu vi enquanto não atualizava o blog

Achei várias coisas interessantes durante o tempo em que o Moldura ficou sem atualizações. Aqui vai uma sugestão:

Wagner & Beethoven - Este é um blog de tirinhas que tem como protagonistas os compositores clássicos Wagner e Beethoven, em diálogos absurdos e absolutamente geniais sobre assuntos diversos.

13 de out de 2008

Músicas do Mês

Músicas do Mês, no meio do mês.

Eddie Vedder - Society -
O filme Na Natureza Selvagem tem dois predicados que me fizeram querer muito assisti-lo: é dirigido pelo Sean Penn e tem como trilha sonora 11 músicas do Eddie Vedder. Após ter visto o filme percebi que esses predicados anunciavam mesmo o filme que eu esperava ver. Bem, mas como a coluna aqui é sobre música, vamos nos atentar a ela: das 11 canções do disco, a que eu mais escutei até agora foi, disparado, essa Society. Composta com um minimalismo grandioso, possui uma letra muito boa e que "conversa" muito bem com o tema do filme. Linda, de ouvir de olhos fechados.



Manic Street Preachers - Send Away the Tigers - A mais executada no meu mp3 no mês de setembro, esta música é foda! Desde a sua estrutura, com dois versos inteiros antes do refrão (tem músicas que funcionam muito bem assim, e esta é uma delas), passando pelo próprio refrão, ela tem muitas qualidades que a tornam fácil de escutar repetidas vezes. Talvez o único problema dela seja o clipe (que eu não conhecia), que é uma bosta.

7 de out de 2008

Capitalismo natural

Esses dias, vendo o Saia Justa, programa da GNT em que todas as apresentadoras parecem saber tudo sobre todos os assuntos, elas estavam discutindo sobre a crise da economia mundial e Mônica Waldvogel soltou a seguinte frase (foi mais ou menos assim): "Eu acho que o capitalismo nunca vai acabar, ele é tão... natural". Na hora eu fiquei muito irritado, porque essa é mais uma das inúmeras falácias do capitalismo, a de ser natural e infalível. Afinal, o mercado é auto-regulável e o Estado deve ser mínimo, não é?

Então por que o pessoal que passou anos enchendo o saco de todo mundo que criticava as privatizações e a ideologia neoliberal agora está apavorado e defendendo a entrada do Estado no tal "Mercado-que-se-auto-regula"? Estou tentando acompanhar de perto a cobertura da imprensa brasileira a respeito da crise (é difícil, mas eu tento) e o que mais aparece nas entrevistas com economistas é o papo do "pelo amor de Deus, os governos dos países ricos precisam ajudar os pobres bancos, ou a economia vai ruir!". Quer dizer que os grandes capitalistas podem viver às custas de especulações à vontade, até que um dia tudo que poderia dar errado efetivamente dá errado (na verdade, na verdade, os sinais estavam aí há meses, mas ninguém queria ver) e então aquele que antes era o vilão, o retrógrado, o errado - o Estado - tem que interferir com centenas de bilhões de dólares para acalmar os mercados e salvar as suas peles?

Resumir a crise para um leigo é tarefa fácil: nos últimos anos houve muita liquidez no mercado (ou seja, tinha muito dinheiro disponível), entrando a uma taxa, vamos dizer, constante, no valor imaginário de X. Dessa forma, os sabichões da economia começaram a emprestar dinheiro a torto e a direito, aumentando o crédito disponível no mercado (afinal, sempre entrava X por mês). Nos EUA, isso se ilustrou muito bem no crédito imobiliário, que fez com que muitas pessoas/empresas pegassem dinheiro emprestado para comprar um imóvel. Esse crédito tinha juros baixos, o que fez com que gestores de fundos e bancos super inteligentes comprassem títulos das instituições que fizeram o empréstimo, o que por sua vez fazia entrar mais dinheiro para elas, que, geniais como só elas, emprestavam mais dinheiro ainda, sem ter recebido de volta nada do primeiro empréstimo. Aí, quem pegou empréstimo começou a não ter como pagar (por vários motivos diferentes), o que gerou uma reação em cadeia que foi prejudicando aqueles nobres especuladores e agiotas modernos, terminando por fim a causar uma retração no crédito, porque o mercado ficou todo cagado de emprestar mais dinheiro.

No mundo globalizado de hoje, créditos vindos dos EUA podem ser utilizados para gerar ativos em qualquer lugar no mundo, e os investidores europeus, sempre brilhantes, fizeram isso sem dó. Quando começou a crise de crédito, eles foram ficando cada vez menos sem dinheiro. Eis que várias empresas começaram a dizer que estavam com problemas de caixa, simplesmente porque contavam com o dinheiro que ainda não tinham e, quando ele não apareceu, a coisa apertou. Para piorar, nenhum banco ou fundo de investimento divulga quanto dinheiro tem investido nesse tipo de investimento (créditos de alto risco) - se bobear, nem eles sabem. Isso fez o mercado ficar paralisado de medo e os investidores saírem da Bolsa - que é muito instável e suscetível a frescuras do mercado.

Pronto, a merda tava feita. Bancos grandes, enormes, começaram a quebrar da noite pro dia, e os capitalistas de plantão, em vez de fazer o que sempre fazem e dizer que estava tudo bem, que era só uma crise conjuntural, se borraram e foram pedir ajuda ao papai Estado, que no início até relutou um pouco para ceder - no caso dos EUA -, mas acabou dando ajuda. Até agora não se sabe se essa ajuda vai ajudar, e vários países da Europa estão providenciando dinheiro também - até a Islândia está se fu!

Duas coisas que eu quero extrair do que está aí em cima: a primeira é que é curioso que os veículos de comunicação dêem as notícias claramente torcendo pela aprovação de todos os pacotes possíveis de ajuda aos bancos e nunca dando explicações de por que a crise está desse jeito, ou de quem é a culpa nisso tudo. Parece sempre que quem nega auxílio aos bancos é o vilão e que ninguém teve culpa, aconteceu tudo sozinho, do nada.

A segunda coisa é que não existe sistema infalível, nunca existiu e nem vai existir. O capitalismo não é um ente natural, ele existe há bem pouco tempo na História da humanidade e nada indica que ele vá permanecer para sempre. É lógico que para os contemporâneos sempre é mais difícil perceber isso (se desse para voltar no tempo e perguntar para um romano, no auge do Império Romano, se aquilo um dia iria acabar, certamente escutaríamos um retumbante "não", tal qual o da Mônica Waldvogel), mas feliz ou infelizmente, a nossa opinião não vale muito perante a força dos acontecimentos. Não estou dizendo que o capitalismo está para acabar, mas esse tipo de crise serve para cada vez mais deixarmos de ser ingênuos e acreditar cegamente nas leis de mercado (que são feitas por homens para parecerem naturais, tais quais as leis religiosas).

Língua presa

Para quem não sabe, estou me aventurando desde o início do ano no mundo da tradução - e estou adorando. Entre outras coisas, o que mais me maravilha nessa atividade são as descobertas, quase diárias, de curiosidades lingüísticas. Isso fica mais evidente ainda na tradução técnica, em que novos termos aparecem a todo momento. Ao contrário do que poderia ser para a maioria das pessoas, saber que não sei tanto assim nas línguas - inclusive no português - me encoraja mais ainda a aprender, e o aprendizado diário faz com que não exista monotonia nessa atividade.

Enfim, toda essa introdução pra dizer que vou, aos poucos, compartilhar com vocês algumas "descobertas" em várias línguas - principalmente no português. Vou começar com uma curiosidade: sabe aquela ferramenta que serve para levantar carros, conhecido aqui no Brasil como macaco? Pois é, o nome em português já é uma viagem; afinal, é o nome de um animal que não tem NADA a ver com a tal ferramenta. Se ela não é nem um pouco parecida com um símio, o que dirá com um felino? Pois em espanhol, o seu nome é gato! Quer loucura maior? Então tá: o macaco (em português) ou gato (em espanhol) tem um nome "próprio" em inglês: jack. Isso mesmo, jack. Que nem o Palace, o Nicholson, o estripador. Adoraria buscar a etimologia dessas palavras para descobrir porque foram utilizadas para esse instrumento. Curioso, né?

Mais curiosidades nas próximas edições.

5 de out de 2008

Google Translator é um fanfarrão

Esses tradutores instantâneos da internet não são bons. Aliás, tem uns péssimos. E de vez em quando ainda tem umas curiosidades neles. Olhem essa aqui: vão até o Google Translator e escrevam “USA é o país que mais polui no mundo.”, aí peçam para traduzir do português para o inglês. Vejam o que sai na tradução (eu não vou dizer aqui para atiçar a curiosidade de vocês...).

Roubado do Sedentário.

Um dos piores videoclipes de todos os tempos

Cara, não pode ser de verdade...

3 de out de 2008

VMB 2008

Ontem era um daqueles dias que eu estava com vontade de ver TV, mas não tinha nada que prestasse. Eis que vejo que em pouco tempo ia começar o Video Music Brasil, premiação da MTV que eu acompanhei durante muito tempo na minha adolescência. Tá aí, vou assistir. Assisti e agora passo para vocês algumas impressões:

- O Marcelo Adnet é muito bom mesmo. Além de ter o melhor programa da MTV na atualidade (o 15 Minutos) e saber imitar uma porrada de gente, o cara tem uma capacidade de improvisação fantástica, testada e comprovada na noite de ontem, quando foi desafiado em cada final de bloco a cantar com uma voz escolhida na hora e com algumas frases pré-determinadas também na hora.

- Colocar qualquer um para apresentar prêmio é foda. Se houvesse premiação para pior apresentação de prêmio ontem, certamente ela iria para Cesar Cielo e Fofão, que protagonizaram uma dupla sem o menor timing para falar a piada que estava ensaiada - que já era, ao natural, péssima.

- Programa ao vivo é sempre uma tentação para dar merda, e premiação da MTV ao vivo ainda mais, por causa das inconstâncias dos artistas. Quem não se lembra, por exemplo, do piti do Caetano Veloso no VMB de 2004? Bom, e o que não faltou nessa edição do VMB foram momentos de vergonha alheia lamentáveis que desde já entraram para a história da premiação. Em primeiro lugar, a apresentação do Bloc Party, sensação indie que a MTV anunciou aos quatro ventos como grande atração internacional da festa. Quando eu vi, não acreditei: os caras entraram e fizeram um playback horroroso, de fazer a Britney Spears ficar vermelha de vergonha! Na primeira música (sim, porque eles ainda tocaram outra...) eles estavam completamente desanimados e dava para ver claramente que não era ao vivo, porque a boca do vocalista não acompanhava o som, assim como os movimentos do baterista - que, aliás, exibiu um look de dar inveja ao Freddie Mercury. Fim da primeira música, vaias do público. E eu com aquela sensação de vergonha alheia pelos caras, pela MTV, pelo cara que teve essa idéia idiota, na verdade eu estava com vergonha alheia por sei lá quem, porque a culpa era de todo mundo ali mesmo... Começa a segunda música, o vocalista Kele Okereke tira a guitarra e começa a sair correndo pela platéia (talvez na tentativa de agitar o público, talvez para fugir dali, não sei), cantando de forma ridícula a música - em playback, claro. Enquanto isso, as câmeras focalizavam os outros integrantes, que tocavam seus instrumentos de forma air* de uma maneira ridícula e descompromissada. Quando não podia ficar pior, eis que o vocalista está voltando para o palco, erra o passo e CAI no espaço entre a platéia e o público... Lamentável. Termina a segunda música, vaias maiores. EU já queria me esconder naquele momento, quando o Marcos Mion, apresentador da noite, entra no palco e solta um irônico "quem sabe faz ao vivo", ganhando aplausos da platéia e completando "ah, vocês também notaram? Achei que só eu tivesse percebido".

- Outro momento lamentável foi a apresentação de uma banda que eu não conhecia, o Bonde do Rolê. Cara, aquilo é muito ruim, parece uma esquete do Hermes e Renato, só que de verdade. Auxiliados (?) pela péssima equalização que existe em TODAS as edições do VMB, os integrantes do grupo estavam acompanhados de uns caras bombados e cantaram três músicas (Deus...) que, felizmente, não tinham como ter suas letras ouvidas. Um tempo depois da apresentação foi a vez de a MTV anunciar o prêmio de Artista do Ano e darem a vitória ao NX Zero. Até aí tudo bem, os caras comemoram e vão em direção ao palco para agradecer. Então vem uma mulher do nada querendo pegar o microfone dos caras, que a empurram para o público (o vocalista do NX Zero ainda soltou um "ó o mosh, galera") e continuam o discurso. A mulher volta pro palco e tenta pegar de novo o microfone. Quando finalmente ela consegue se apropriar do dito cujo, grita - grita não, berra - "vocês roubaram o nosso prêmio"! Então eu a reconheço: é uma das integrantes do Bonde do Rolê! Mais nonsense que isso, só dois disso.

- Só pra constar, estou desatualizado em relação às bandas do momento, mesmo as gringas. Quando anunciaram o vencedor do prêmio de Banda Internacional, não tinha a menor idéia de quem era Paramore e o que eles tocavam. Aliás, continuo sem saber.

- Para encerrar a noite, a MTV fez um especial a la "We are the world", com vários artistas nacionais cantando "Furfles feelings", música genérica que o Marcelo Adnet criou em uma das edições do 15 Minutos e que deu tão certo que valeu esse encerramento. Muito legal a idéia, que diminuiu um pouco a minha sensação de vergonha alheia que me tomou ao longo da premiação.

* forma air é aquele jeito que algumas pessoas tocam, quando não têm o instrumento nas mãos, fazendo mímica. Mais informações aqui.

2 de out de 2008

São Paulo, a loucura

Hora do rush, São Paulo, Estação da Sé de metrô.



Ruim, né? Mas como tudo na vida, poderia ser pior; poderia ser em Bombaim, Índia:

1 de out de 2008

Sistemas operacionais

Pois bem, tempos atrás resolvi dar uma pesquisada a respeito de vários sistemas operacionais alternativos ao Windows XP - como estou falando de PC, estou falando principalmente de sistemas Linux. Pesquisei muito, procurei em fóruns pela internet, li bastante e resolvi testar dois deles: o Kubuntu, que é uma distro (abreviação de distribuição) derivada do Ubuntu, só que em KDE, e o Mandriva, cuja suposta facilidade de uso me atraiu. Baixei os dois SOs e gravei em dois CDs Live (CD com o qual você pode inicializar o sistema operacional sem ter que instalá-lo, ótimo para testar sem ter que avacalhar os HDs). Coloquei o do Kubuntu no drive, tentei abrir o Live CD e nada de funcionar. Tentei algumas vezes, mas parece que os deuses da informática não estavam conspirando a meu favor. Ejetei o CD e tentei então o do Mandriva, que abriu e instalou direitinho. Inicializei o computador e me vi diante da mesma interface gráfica do Fedora (quem trabalhou na Traça sabe do que estou falando), que é, digamos, mais feia, em comparação ao Windows. Fui começar a usar para ver como era e de cara achei um problema: ele não identificou minha rede. Tentei de todos os jeitos fazer com que ela fosse identificada, mas não teve jeito; ao final, o Mandriva pedia para eu entrar em um site (?) para baixar um driver e TENTAR fazer a rede funcionar. Como eu entraria em um site sem ter acesso à internet ele não me explicou, então pensei que, se teria que reiniciar o computador para usar o Windows para acessar a internet e baixar um driver para depois rereiniciá-lo, para inicializar o Mandriva e TENTAR fazer a rede funcionar, para enfim testar um sistema operacional que já se mostrava meio torto e que era mais feio que o Windows, era melhor ficar no Windows mesmo.

Resumo da ópera: instalei o Vista e vários gadgets que me fizeram um bem danado; inclusive estou escrevendo esta postagem por meio de um deles, o Blogger Buddy, sem precisar entrar em nenhum navegador. O Vista até agora não travou (como o XP NUNCA tinha travado comigo) e eu tenho quase certeza que nunca vou pegar vírus (afinal, não basta apenas um SO inseguro para alguém pegar vírus; tem que haver alguém para apertar o enter e instalá-lo, e isso eu não faço mais).

O que eu quero dizer com esse relato pessoal, que o Linux é uma merda e o Windows é uma maravilha? Nada disso! O que eu quero dizer é que hoje em dia existem muitas opções de SOs por aí, muitas mesmo (no caso das distros Linux, literalmente centenas), para todos os gostos. Para o meu gosto, o ideal seria um Mac OS/X da Apple, mas como eu não tenho dinheiro para isso, acredito que o Windows satisfaça minhas necessidades. Não acho que quem utilize o Linux seja melhor ou pior do que eu, apenas possui características de usabilidade diferentes das minhas, que são atendidas de forma mais eficaz por tal SO. O importante é encontrar as melhores formas para utilizar seu computador, seja com programas pagos ou free, fechados ou open source; o que não dá é dizer que um programa é ruim porque é free ou pago ou open ou fechado, só por isso e pronto. Eu fiz os meus testes e cheguei à conclusão que o Vista é o que melhor atende minhas necessidades no momento. Não estou com saco para testar outras distros por ora, mas isso não impede que mais tarde eu descubra uma que me encante.

PS: Este não é um post patrocinado. Tio Gates não me pagou um centavo por eu escrever isto.

"Meu joelho dói, e não há nada a fazer agora"

Pessoal, deu tudo certo na cirurgia de ontem. Para quem não sabe, eu havia rompido o ligamento cruzado posterior do joelho direito (ui!) e, durante os exames, ainda foram descobertas algumas lesões no menisco. Ontem os médicos retiraram um tendão da minha perna e colocaram no lugar do ligamento, unindo-o aos dois ossos do joelho por meio de dois parafusos. Além disso, retiraram cerca de 20% do menisco do joelho direito. Agora só me resta me recuperar, e, se a previsão para voltar a correr é bem otimista (um mês, sem contar que já estou colocando o pé no chão), para voltar a jogar futebol ainda vai demorar um pouco mais: seis meses.

Pelo menos a lesão foi de craque...

29 de set de 2008

Aviso

Pessoal, vou operar o joelho amanhã. Se tudo der certo, volto depois de amanhã com a programação normal. Enquanto isso, fiquem com este vídeo para passar o tempo:

28 de set de 2008

Nota colorada

O Grêmio ainda até pode ser o campeão brasileiro esse ano, mas nós não vamos nos esquecer desta goleada que o tirou da ponta...

Ainda [REC]

Respodendo ao comentário do André na última postagem, aqui tem um link para baixar o [REC], sem legendas. Para as legendas, tente alguma das que estão aqui. E, por favor, comentem sobre ele, caso assistam!

Voltei, desta vez para ficar...

Voltei, e agora para ficar! Darei continuidade quase diária a este blog, que já estava um tanto quanto abandonado. Agradeço, desde já, aos inúmeros (por que não milhares?) pedidos de volta, seja pelo Orkut, por e-mail, pensamento, etc., e aproveito a oportunidade para dizer que não atualizava nada por aqui por um misto de desânimo, preguiça, cansaço e falta de inspiração. No momento, acho que só me sobrou o cansaço, mas penso que dá pra tocar o blog com esse predicado mesmo...

Falta de inspiração... Ela é o assunto número um dos colunistas e escritores em geral quando estes estão com falta de inspiração; afinal, nada melhor do que escrever sobre a única coisa que passa pela tua cabeça, não é? Pois bem, apesar de eu não padecer dela por enquanto, resolvi escrever um pouco sobre o assunto - talvez para parecer original.

É certo que o ser humano é movido pela inspiração, e isso é mais certo ainda quando se fala de escrita. Afinal, as idéias que vão para o papel têm que sair de algum lugar, e é aí que entra a dita cuja. Ela é tão importante que já foram criadas várias deusas para ela (googleia aí que tu acha), muitas vezes em poemas suplicando sua aparição. Mas o que faz uma pessoa ter inspiração (ou não ter)?

Acredito que essa pergunta não tenha uma só resposta, mas que esteja em um conjunto de coisas que acontecem com uma pessoa em um determinado momento. No meu caso, acredito que o maior problema para postar de novo não tenha sido a falta de inspiração, e sim a preguiça mesmo... Às vezes eu pensava em alguma coisa para escrever, mas aí chegava perto do computador e me dava uma preguiça... Enfim, o lance é que agora estou escrevendo de novo e espero que com esse post eu consiga, finalmente, voltar à velha forma.

Em breve, novos posts! ;)

30 de jul de 2008

Explicações

Tá, eu nunca mais prometo atualizar o blog. Ele será atualizado - e espero que com uma certa freqüência, mas sem promessas. Me sinto culpado em não conseguir atualizá-lo, juro. Porém, estou com pouco tempo útil para isso... Estou pensando em algum jeito de resolver isso, então aguardem!


Ah, e sobre os comentários do [REC], baixei o filme via Torrent. Nada mais justo, visto que ele não saiu no Brasil. Caso alguém tenha dificuldades em conseguir baixá-lo, deixe um comentário que eu vejo o que dá pra fazer. Esse filme merece ser visto...

11 de jul de 2008

[REC]

Para ter uma idéia do que tu vai ler nos próximos parágrafos, veja esse vídeo:




Trata-se do trailer de [REC], que não mostra uma cena sequer do filme, apenas as reações das pessoas a sua pré-estréia na Espanha.


Se tu gosta de filme de terror/suspense, tem que ver esse filme. Se tu gosta de cinema, também. [REC] é a mais recente surpresa do cinema espanhol, que nos últimos anos vem se destacando principalmente nesse gênero, desde Guillermo del Toro e seu A Espinha do Diabo, passando por O Labirinto do Fauno e O Orfanato (de J. A. Bayona), além de outros. Definitivamente a Espanha desbancou o Japão como principal Cinema do gênero, apostando em qualidade técnica e inovações em temas que aparentemente já estavam batidos. Vamos ao caso específico de [REC] e seus méritos em relação a inovar o já batido.


Resumidamente, dá pra dizer que o filme é uma mistura de Dawn of the Dead (e todos os filmes de mortos-vivos que vieram na seqüência) com A Bruxa de Blair. Ou seja, um filme de zumbi com uma câmera na mão. Nada original, né? Aí que está um dos méritos do filme: a falta de originalidade é magistralmente driblada com um elenco de primeira, aliado a um roteiro inteligente e à competência da direção, que precisou ensaiar muito bem algumas cenas em que simplesmente tudo tem que dar certo em planos-seqüência de alguns minutos, no escuro e em corredores apertados. Ou, como diria Stephen King: “não importa a história, mas sim o narrador”.


[REC] mostra uma tentativa de reportagem de um programa de TV espanhol, que acompanha por uma noite o trabalho dos bombeiros. Um câmera e uma repórter vão passar a noite num quartel de bombeiros e mostrar um pouco da rotina de trabalho deles. O início do filme é propositalmente monótono, visto que mostra apenas cenas dos bombeiros ali, parados, dando entrevista, comendo, jogando basquete, e nada acontece. A repórter chega a dizer para Pablo, o cameraman, que deseja que aconteça alguma coisa para que a matéria se torne mais interessante. Pouco depois, um chamado leva uma equipe de bombeiros (sempre acompanhada pela de TV) a um prédio de seis apartamentos mais uma cobertura no qual os vizinhos não conseguem dormir graças aos gritos histéricos de uma moradora. Até aí, nada de mais, a não ser depois que essa moradora quase mata um policial e um bombeiro e que, ao tentarem sair do prédio com os feridos, todos dentro do prédio descobrem que este foi recém lacrado pela vigilância sanitária, que pede calma a todos e diz que aguardem ali dentro enquanto ela executa alguns procedimentos.


Obviamente, a partir daí temos grandes momentos de tensão, que vão aumentando gradativamente. Funciona mais ou menos assim: início do filme, monotonia; depois, um momento tenso, seguido de outro; depois, mais uma calmaria; por fim, tensão subindo gradativamente até chegar ao ponto de tu querer parar de assistir por não agüentar o suspense. Sério, fazia muitos anos que um filme não me assustava tanto - aliás, não sei se algum jamais me assustou a esse ponto. O diretor faz grande uso da perspectiva da câmera na mão: Pablo filma tudo que pode, tanto por curiosidade (mórbida) quanto por “amor” à profissão e também como uma tentativa de sobrevivência naquele terror. Sua câmera, após várias pancadas, começa às vezes a ter o som falhado, o que torna a ação extremamente incômoda em alguns momentos, tornando o suspense mais acentuado. Em outro momento, as luzes se apagam e o único recurso para enxergarmos é a luz da câmera de Pablo, tornando o clima ainda mais claustrofóbico. E quando a luz da câmera começa a falhar, então? A câmera de Pablo torna o filme muito mais próximo ao espectador, que se sente mais dentro do filme, o que obviamente aumenta - e muito - a tensão.


Outro fator que eleva a carga de tensão é saber, desde o início da apresentação aos “zumbis”, que esses lembram muito mais aqueles de Extermínio do que do já citado filme de George Romero: aqui eles correm, arrombam portas, enfim, agem com inteligência quase humana (com o perdão do trocadilho) para conseguir o que querem: atacar os não-infectados. Além de dar mais realismo, esse recurso é muito, mas muito mais assustador.


O roteiro é magistralmente construído para alternar momentos completamente sem ação com outros absolutamente angustiantes que os seguem imediatamente e sem transições graduais, fazendo com que o seu coração entre em uma montanha-russa dos infernos, e ainda nos entregar aos poucos o que está acontecendo. Isso sem contar nos momentos que o espectador acha que vai levar um daqueles sustos batidos e nada acontece, apenas para que um momento depois ele seja levado a pular da cadeira com o que aparece na tela. Os últimos dez minutos do filme, aliás, são absolutamente assustadores; se você for assistir [REC], prepare o seu coração (como diria Galvão Bueno), porque ele vai tentar saltar pra fora do seu corpo nesses minutos finais, que entram pros anais do Cinema assim como os vinte primeiros minutos de O Resgate do Soldado Ryan.


Infelizmente o filme, que saiu em novembro na Europa, não chegou aqui no Brasil – nem sei se vai chegar. Portanto, pode baixá-lo sem culpa.


Hollywood, preguiçosa que só ela, já está providenciando um remake de [REC]. Chama-se Quarantine e deve estrear por lá no fim do ano.


FICHA TECNICA


[REC] - Nota A


Direção e roteiro: Jaume Balageró e Paco Plaza. Com: Manuela Velasco.

Ode aos Ratos na Terra dos Mortos

São Paulo é uma cidade estranha, às vezes. Socialmente falando, é o reflexo da desigualdade existente no Brasil, país com uma das menores distribuições de renda do mundo. Favelas e periferia rivalizam com os condomínios mais luxuosos, fazendo da cidade um estranho mosaico social. Aqui se pode comprar de tudo, do mais barato ao mais caro; do R$ 1,99 a Daslu, tem de tudo em São Paulo. O exemplo mais recente disso tudo é esse condomínio que está sendo construído por aqui, de onde os seus moradores supostamente não precisarão sair quase nunca, se quiserem. Afinal, ele contará com parque, shopping (o mais luxuoso do Brasil, diga-se de passagem), enfim, toda a infra-estrutura necessária para manter o conforto de seus caros habitantes (trocadilho proposital). Ah, e tem a segurança, também: será de primeiro mundo (ou seria de terceiro mundo, visto que no primeiro não há tamanha necessidade de segurança privada?), tão segura que os seus moradores só saberão do que se trata depois de já estarem lá.


Enfim, esse condomínio me lembrou Terra dos Mortos, que é muito mais do que um apenas um filme de zumbis; trata-se de uma metáfora precisa do que acontece por aqui, no Brasil – e do que pode vir a acontecer. Ou, como diria Chico Buarque em “Ode aos Ratos”, Dos canos de esgoto pro topo do arranha-céu. 

10 de jul de 2008

Músicas do Mês

Como essa sessão não apareceu mês passado (foi mal...), vou postar duas vezes em julho. Aí vai a primeira:


Kleiton e Kledir – Capaz – Eu nunca gostei de Deu Pra Ti, principalmente por causa do “tchu tchu” que tem na versão original. Isso foi o suficiente para eu nunca me aprofundar muito na obra dessa dupla gaúcha de muitos anos de estrada. Mas eis que assisto o DVD Kleiton e Kledir Ao Vivo e me vejo encantado pelas suas músicas, inclusive por Deu Pra Ti (que não tem “tchu tchu” nessa versão). Capaz é uma música com uma melodia muito boa (como todas as deles) e uma letra que, resumidamente, fala que, com todos os problemas mais prosaicos que temos, não dá muita vontade de pensar em outras coisas, digamos, “menos importantes”, como por exemplo se ETs existem ou se o mundo vai acabar. Tudo isso utilizando fartamente o “capaz”, o termo mais rico em significados da língua gaúcha. Para se ter uma idéia do quão difícil é explicá-lo para pessoas de outros estados, na tradução em inglês do DVD (sim, eu assisti tanto esse show que até prestei atenção nas legendas em outra língua) o “capaz” está como “maybe”, o que é absolutamente errado. Enfim, capaz de um dia eu escrever uma postagem só sobre o capaz. Capaz...

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Snoppy Dogg – Sensual Seduction – Eu confesso, gostei dessa música. O motivo é um só: o videoclipe, absolutamente fantástico, que faz uma homenagem aos clipes toscos meio blackspotation do fim dos anos 70 e início dos anos 80, com direito a teclado-de-mão (sei lá o nome desse negócio, só sei que o Polegar tinha um) e chroma-key mal feito pra dedéu. Simplesmente demais, já está pra mim no mesmo nível de paródia/homenagem do clipe embaixo desse, que é do Backstreet Boys(?) e se chama Just Want You To Know




7 de jul de 2008

Mais uma lista...

Tá, prometo que essa vai ser a última lista de 100 melhores filmes de todos os tempos por algum tempo... Aliás, muito nada a ver, serve só como sugestão de filmes para ver.

3 de jul de 2008

Poupar ou não poupar?

Ainda não foi desta vez. O Fluminense não conseguiu vencer a Libertadores e entrar no seleto clube dos times brasileiros que conquistaram a América. Não vou escrever aqui sobre a raça que o Flu teve, o baita jogador que é aquele ponta da LDU (que inclusive já foi vendido pra Europa) ou a ironia que é ser o autor dos três gols que salvam o teu time e o levam à prorrogação e aos pênaltis, mas também ser o cara que perdeu uma das cobranças e que é ao mesmo tempo um dos responsáveis pelo fracasso da noite. Vou, na verdade, utilizar o Fluminense como exemplo para refletir sobre uma ação cada vez mais cotidiana no futebol brasileiro: poupar jogadores em certas competições, visando a ganhar outra.


O Fluminense é um ótimo exemplo por dois motivos: primeiro, é o mais atual. Segundo, é o que melhor corrobora a minha tese. E qual é a minha tese mesmo? É de que poupar jogadores é arriscado e desnecessário. Vamos aos argumentos.


É claro que já houve épocas em que poupar jogadores era necessário. Basta lembrar do dia em que o Grêmio jogou TRÊS jogos no mesmo dia. Todavia, hoje em dia isso já não acontece mais; temos no máximo dois jogos por semana para cada time. A CBF chegou a tirar da Copa do Brasil os clubes que disputam a Libertadores para evitar maiores estresses. É perfeitamente possível jogar duas vezes por semana E ainda por cima ir bem. Vejam só: jogando assim, o time pega ritmo e entrosamento e dá ao treinador a oportunidade de testar na prática todas as possibilidades que ele quer. 


Quanto ao argumento de que não poupar o time é arriscado porque pode gerar lesões nos jogadores, ah, por favor... O futebol atual, de fato, é mais competitivo que antigamente, tem mais força física, blá, blá, blá. Porém, a preparação física e a medicina esportiva também tiveram avanços fantásticos, a ponto de deixar as coisas mais ou menos empatadas. Por mais que se diga que um jogador hoje em dia sofre mais do que antigamente, um dado prático que enterra esse argumento é a idade média com que os jogadores se aposentam: se, antes, aos trinta anos os atletas já estavam se aposentando, agora temos Romários, Edmundos, Marcelinhos Cariocas, Jardels, etc., todos provando que dá pra chegar aos quarenta jogando bola profissionalmente.


Todo mundo sabe que a nossa sociedade tem o que eu vou chamar de “síndrome do único vencedor”. Isso quer dizer que apenas o primeiro lugar entrará para os anais da História e será lembrado. Como diria Nelson Piquet, “o segundo lugar é o melhor último colocado”. Como diria Quincas Borba, “ao vencedor, as batatas”. No futebol, isso se reflete basicamente no final das temporadas. Quando termina o ano e os torcedores, dirigentes e jogadores fazem o balanço da temporada, fica muito chato se um time grande não venceu nada. Nessa hora, qualquer torneiozinho tá valendo, até aquele estadual que no início do ano ninguém dava muita bola. Por isso, ao priorizar um torneio grande em detrimento a outro, menor, o time corre o risco de não conquistar o maior e prejudicar o seu andamento no menor, não conquistando nada. Por outro lado, se a equipe se dedicar igualmente aos dois, tem mais chance de ganhar pelo menos o campeonato de menor expressão (esse é o caso, principalmente, dos estaduais), terminando o ano campeão de alguma coisa, pelo menos. O Fluminense, por exemplo, não ganhou porra nenhuma no ano e foi vice-campeão da Libertadores. Alguém acredita que no final do ano alguém vai comemorar esse vice-campeonato?


Por último, vejam a situação atual do Fluminense e reflitam se a decisão de poupar jogadores foi boa: o time das Laranjeiras não conseguiu vencer a Libertadores, título que almejava ao disputar o Campeonato Carioca e o Brasileiro com times ora mistos, ora reservas. Ainda por cima, não venceu o Carioca e está em último lugar no Brasileiro, com três pontos em oito jogos, pior campanha de um time no Brasileiro enquanto disputava a Libertadores, desde que começaram os pontos corridos. Agora a moral de todos por lá está baixa e provavelmente esse vice-campeonato ainda sirva para fazer com que os clubes europeus comprem alguns jogadores e desmontem o time no segundo semestre. E é nessa situação que o Fluminense tem de disputar o único torneio que lhe resta, correndo um risco ainda moderado (mas que em breve pode tornar-se grave) de cair para a 2ª divisão. Tudo isso por poupar jogadores para não ganhar nada.


Só pra constar, o Colorado já venceu duas competições em 2008...

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