30 de mar de 2007

Ah, programas ao vivo...

Visto no Jacaré Banguela.



Inter 0 x 0 Velez

Estádio Beira Rio, Porto Alegre, Rio Grande do Sul

Após os noventa minutos de jogo, a maioria da torcida colorada deve ter respirado fundo e pensado que o resultado não foi tão ruim assim. Porém, provavelmente nenhum torcedor deve ter pensado que terminaria assim a noite de ontem.

Isso aconteceu graças à qualidade do time argentino aliada à polêmica expulsão de Christian, antes dos trinta do primeiro tempo, por simulação. Polêmica porque o não-pênalti foi duvidoso, assim como foi duvidosa a interpretação do árbitro em dar um amarelo no caso de a falta não ter ocorrido. Com um jogador a menos, o que era difícil tornou-se uma tarefa hercúlea. E o Velez soube aproveitar bem a situação, chegando a criar as maiores chances de gol da partida e fazendo com que um dos destaques fosse o Clemer (!). Destaque negativo para o árbitro, que após a expulsão se perdeu e deixou de marcas centenas de faltas e alguns pênaltis para ambos os lados.

Forte na marcação, mas ineficaz no ataque (ainda mais depois do Abelão ter tirado um atacante para pôr outro, isolando assim o Alexandre Pato lááá na frente, ao invés de tentar algo mais ousado), o Inter conseguiu pelo menos um pontinho. Agora os colorados vão torcer com tudo para um empate entre Nacional e Emelec, o que garantiria ao time do Beira-Rio uma situação paradoxalmente tranqüila no grupo. Mas, cá entre nós, o torcedor quer torcer nos jogos do seu time e não nos outros do grupo.

(Para a visão gremista da partida, clique aqui)

28 de mar de 2007

A arte visual, contemporânea e pós-moderna do homo sapiens

Parece que começaram as inscrições para ser mediador da Bienal desse ano, aqui em Porto Alegre. Isso me fez lembrar o quanto eu não gosto de arte contemporânea (ou pós-moderna, sei lá o nome disso, porque a Bienal é de "Artes Visuais").

Segundo o Aurélio, "arte" pode ser "Atividade que supõe a criação de sensações ou de estados de espírito de caráter estético, carregados de vivência pessoal e profunda, podendo suscitar em outrem o desejo de prolongamento ou renovação". Pois bem, eu acrescentaria que tais sensações ou estados tenham que ser criados a partir de algo que o acaso ou outro animal não possa criar. Acho que isso, por si só, já encerra a questão.

Caso você ainda não esteja satisfeito, vá nesse site e tente adivinhar se o quadro foi pintado por um famoso artista pós-moderno/contemporâneo/visual, por um elefante ou por uma criança. Basta selecionar o texto dentro do quadrado para ter a resposta. Eu ia escrever um monte de outras coisas sobre o tema, mas achei uma tirinha dos Malvados que resume bem o que penso sobre isso:

Grêmio 1 x 0 Tolima

Estádio Olímpico Monumental, Porto Alegre, Rio Grande do Sul
Gol: Tuta 21' 1T

É, o Grêmio ganhou. Do jogo de ontem se tiram duas conclusões, uma positiva e uma negativa.

A negativa é que, apesar da vitória, foi um jogo chato - de novo. Burocrático, parecia que o time gremista tinha ordens para ganhar por um gol de diferença e nada mais. E seguiu à risca essa ordem, porque nem as falhas medonhas da péssima zaga colombiana fizeram com que o placar fosse mais elástico. Falando em gols, o Grêmio precisa urgentemente de outro atacante, porque só o Tuta é pouco. E quando ele se machucar ou for suspenso? Não há substituto. E nem vou falar do camisa 10 tricolor porque esse não entrou em campo.

A positiva tem um pouco de obviedade: o Grêmio ganhou, faturou três pontos, é líder junto com o Tolima, etc. Mas isso é muito importante, porque o que vale agora, na real, é passar à próxima fase. Isso porque a partir das oitavas-de-final é outro campeonato, um campeonato em que o tricolor está muito mais acostumado a jogar - e ganhar.

Mesmo assim, jogando desse jeito as chances não serão muitas. É preciso melhorar.

(Para a visão gremista da partida, clique aqui)

26 de mar de 2007

Net Neutrality

Ainda falando sobre o cinzento futuro da pretensa revolução democrática que a Internet poderá oferecer para a humanidade nos próximos anos, é importante citar um debate acirrado em torno de um assunto que se convencionou chamar "Net Neutrality". O assunto é tão convenientemente obscuro por aqui que nem nome em português tem direito: em alguns lugares se usa o termo "Neutralidade da Internet", mas mesmo assim ainda não é consensual. Aliás, não é obscuro só por aqui, mas no mundo todo, pelo menos entre o que se pode chamar de "senso comum da Internet", ou seja, os usuários padrão - aquele que lê blogs, e-mails, joga, essas coisas. Mas o que diabos é isso? O conceito é teoricamente simples: todos os sites devem ser tratados da mesma forma. De maneira porcamente simplificada, ela envolve uma tentativa advinda das grandes empresas de telecomunicação e que tem como objetivo estabelecer dois andares para a Internet: o de cima como categoria preferencial, e o de baixo, com "o resto" - literalmente. A categoria preferencial teria acessos preferenciais em relação ao tráfego de informações, funcionando muito mais rápido do que os de baixo. As definições de quem fica em cima e quem fica em baixo seriam feitas pelas empresas de telecomunicação através de critérios econômicos, nos quais basicamente quem pagar mais terá o acesso mais privilegiado. Na prática, o andar de cima ficaria destinado apenas para as grandes empresas e mega portais, que teriam prioridade no tráfego de informações, passando por cima das informações lançadas por pequenas empresas, blogs, sites de compartilhamento de conteúdo, etc.

Com isso diríamos adeus ao sonho de ter enfim algo realmente democrático no planeta. Mas por quê? Simplesmente porque atualmente todos têm acesso igual à Internet. A diferença só existe na banda de cada um, o que é uma coisa pessoal, que tem a ver com o plano que se escolhe para o acesso à rede. Isso significa que você escolhe o que quer ver, na hora em que quer. Caso essas alterações sejam implantadas, serão as grandes empresas de comunicação que poderão escolher quem - e o mais importante - e O QUE - vai ter prioridade, independente da banda que o usuário tem. Até o Google já se manifestou sobre o assunto.

A discussão atualmente está mais concentrada no nível político americano. Isso porque está em tramitação no congresso dos Estados Unidos um projeto de lei que pretende regular o assunto. Como qualquer alteração nas leis referentes à internet feitas nos EUA deve influenciar a legislação em nível mundial, é importante estar atento ao debate de lá. E conhecendo a atual política conservadora e altamente tendenciosa em favor das grandes corporações que ajudam o governo americano, não é muito difícil prever um futuro nebuloso para a Internet, a não ser que um milagre acontecesse e a grande comunidade virtual se unisse. Infelizmente, o assunto é convenientemente mal divulgado e os usuários da Internet - como a sociedade em geral - encontram-se dispersos e desarticulados.

Em suma, cito um trecho esclarecedor de um artigo sobre o tema: "este quesito -de neutralidade- será objeto de uma gigantesca tentativa de manipulação, nos próximos anos, por todo tipo de agente de grande porte, centralizador, que tem interesse em inserir de volta, na internet, o modelo do programador central, que “sincroniza” a sociedade ao seu redor. o impacto da internet na mídia [e nas empresas] clássica[s] vem do seu poder de conectar as pontas, as beiras, em velocidade e qualidades que só estavam disponíveis, em passado bem recente, para o centro".

É, acho que eu não sou tão pessimista assim...

21 de mar de 2007

C***lho!!!

O que acontece se um bêbado/chapado tenta andar de skate?



Não esperaria nada mais do que isso.

MD Recomenda

Tem uma safra de "novos humoristas" atualmente no Brasil que, graças à Internet, podem mostar seu trabalho a todos nós sem o crivo de um periódico ou de um programa humorístico à la Zorra Total. Tem o Raphael Salimena e o André Dahmer, que eu já indiquei anteriormente, e como eles muitos outros por aí, que conforme os posts passam eu vou indicando a vocês. Hoje vou falar de um dos caras mais geniais da atualidade: Arnaldo Branco. O cara é cartunista, escreve uma coluna para a revista Bizz e também mantém um blog pessoal no qual mostra o seu trabalho. Dono de um humor crítico ácido e sofisticado, Arnaldo não perdoa nada nem ninguém; graças a isso, deve ser muito mais odiado do que amado. Mas se a porcentagem de "odiadores" é maior do que a de "amadores", esses o fazem em maior intensidade do que aqueles.

Enfim, uma amostrinha do humor fora de série de Mr. Arnold White:

Tem um arquivo .doc no meu computador chamado "false_starts", com primeiras frases e parágrafos para colunas que acabei não escrevendo. Como parecem pequenas pensatas, achei que valia a pena publicá-las aqui. As tais:

Gaúchos chamam pênis de tico, expressão que no resto do Brasil quer dizer pequeno. Quer dizer, tem que admirar a coragem desses caras.

O politicamente correto nos obriga a chamar negro de afrodescendente, aleijado de deficiente e o Brasil de país em desenvolvimento.

Se Josef Mengele tivesse sido investigado pelo Conselho Regional de Medicina, eles teriam lhe dado uma multa.

Viver bem é a melhor vingança, e a vingança é um prato que se come frio. Das duas uma, ou isso quer dizer que é melhor ficar rico quando velho ou que viver bem implica em não comer pratos quentes, duas afirmações que, convenhamos, são mentirosas.

Millôr Fernandes gosta muito de repetir uma frase do Somerset Maugham: "se você diverte o público, ninguém vai respeitá-lo, mas se o aborrece, todos vão levá-o a sério". Considerando o tanto de gente que se dedica a aborrecer, podemos perceber uma preocupação geral pela posteridade.

Preta Gil é a prova de que nem o talento e nem o gosto por comida macrobiótica são hereditários.

Tudo passa, mas o vendedor da Amway volta.

Deve ser meio humilhante para a Luana Piovani saber que o Caetano nunca vai fazer uma música para ela, e que a Regina Casé tem uma, "Rapte-me Camaleoa". Tudo bem que nela a Regina Casé é chamada de réptil e o preço foi dar para o Caetano, mas mesmo assim.

Viva rápido, morra despenteado.

O termo "amadoras" em sites de pornografia se refere às fotos?

Muitos sábios recomendam que se mantenha elevado o pensamento, e acrescento que geralmente é melhor não deixá-lo descer para a boca.

Como diz o desafeto do homem-bomba, quem é ruim se destrói sozinho.

20 de mar de 2007

Ele é o cara

Romário é o cara. Ele é o melhor atacante que eu vi jogar. Daqueles que dentro da área não perdoa, mata. Percebam que estou utilizando o verbo no presente, porque apesar de ter mais de quarenta anos o baixinho continua jogando e fazendo gols. Se não me engano ele é o maior artilheiro do ano até agora no Brasil. Enfim, dentro de campo ele é matador.

Fora de campo, pode-se dizer que Romário pertence àquele seleto grupo de jogadores encrenqueiros. Mas ele não arruma só confusão, como o Edmundo, por exemplo - aliás, outro dos melhores jogadores que eu vi jogar. Ele pertence também à categoria dos jogadores que sabem se auto-promover, com entrevistas polêmicas e jeito marrento. É dele, entre outras coisas, a frase "o cara lá de cima olhou pra mim quando eu nasci e disse: esse é o cara". É dele a agressão a um torcedor que o xingou em um treino. É dele a voadora em um jogador adversário em uma Libertadores, ao defender Edmundo. É dele o tapa na cara em Andrei, próprio companheiro de time. É dele... enfim, vocês entenderam.

Matador, encrenqueiro e marrento, Romário alega estar a dois gols do milésimo gol da carreira. Bem, isso não deixa de ser mais uma genial jogada de marketing pessoal do baixinho, visto que ele é o jogador mais falado do Brasil na atualidade (mesmo com mais de quarenta e quando parecia que ele já se aposentadoria). Mas a verdade é que ele só está próximo do gol mil na sua própria contagem. Isso porque ele contabiliza 77 gols como amador e 21 de jogos entre amigos, praticamente peladas. Mas, uma mentira contada várias vezes vira verdade...

Mesmo assim, ele já atingiu 900 gols como profissional, marca que só ele e Pelé têm na história do futebol, o que não é pouca coisa (Friedenreich não tem nem 600 gols, mas isso é para outro post). Mas Pelé não conta, porque é o Rei. Ele tem, se contar os gols feitos pela seleção do exército (quando já era profissional), 1281 gols. Se tirarmos esses e deixarmos só os "realmente" profissionais, ficaremos com 1269.

Com mil gols ou não, Romário já está no Panteão dos Deuses do Futebol como um dos maiores matadores de todos os tempos. Tanto que o Vasco já anunciou que quando Romário se aposentar ninguém nunca mais vestirá a camisa 11. Enfim, fica aí uma pequena amostra de 11 dos melhores gols já feitos por ele:


19 de mar de 2007

Bush Idiota

A Wikipedia é um site legal para iniciar uma pesquisa sobre algum tema ou para tirar uma dúvida rápida. Mas, como tudo na internet, é preciso ter certos cuidados. No caso específico dessa página, trata-se de uma enciclopédia em que qualquer um pode colaborar na confecção de novos ou velhos verbetes. Portanto, mesmo havendo revisores "qualificados", alguma coisa sempre pode passar. Como é o caso do que está escrito em cima da foto do presidente dos EUA, George W. Bush. Clique na foto para conferir direto na fonte:

Uma cerimônia. Um encontro. Um vácuo.

Nove Segundos e Vinte e Sete Frames, de Terêncio Porto e Camila Marquez. Nenhuma câmera na mão, uma idéia na cabeça e um show na edição. Sensacional!

16 de mar de 2007

Passagens escolares, benefícios sociais, etc.

Hoje fui retirar minhas passagens escolares pela primeira vez no ano. Fui então para a nova sede de retirada de passagens do Centro, que agora está localizada na Uruguai. E que sede! Daria para jogar futebol de salão lá dentro, tamanho o espaço livre lá dentro. Na parede, três televisores sei-lá-quantas polegadas wide-screen LCD. Nos guichês, monitores 15" LCD. Dentro do saquinho de passagens, novas passagens, cor-de-rosa.

Boas as mudanças, não? Parece que o seu propósito principal tem a ver com a implantação, a partir de 2008, da TRI - Passagem Integrada em Porto Alegre. Esse programa pretende criar cartões com créditos para substituir as passagens convencionais - e o dinheiro. Ainda vai dar para pagar com din-din, mas quem escolher o cartão poderá usufruir de uma vantagem: se você pegar dois ônibus, no segundo pagará 50% do valor da passagem. Ao que parece, o emprego de cobrador não está ameaçado e os estudantes não poderão escolher entre passagens escolares convencionais e o tal cartão, terão que migrar para o sistema novo.

Até aí, tudo bem. O problema é que algumas questões ainda são nebulosas a respeito do TRI - Passagem Integrada. Uma delas diz respeito a um boato que corre por aí de que a EPTC quer limitar o uso diário de passagens por dia para estudantes, assim como o uso diário da isenção aos idosos. Isso significa que, se você é estudante e compra 50 passagens por mês, não poderia utilizar três passagens no mesmo dia. Isso quer dizer que, se a sua situação for parecida com a minha (mora num canto da cidade, estuda no outro e faz estágio - que é atrelado ao curso, veja bem - em outro), vai ter que começar a praticar exercícios por obrigação.

A questão da meia-passagem para estudantes freqüentemente é debatida por neoliberais de plantão. Os estudantes recentemente ganharam uma valiosa batalha quando da aprovação da meia-entrada em certos dias nos cinemas, teatros e outros estabelecimentos culturais. Mas é preciso estar atento para não perderem a guerra, que anda em um nível maior. Há tempos se escuta pelos cantos que os benefícios aos idosos e estudantes são um atraso para a sociedade - assim como todos os outros benefícios sociais, se quem estiver falando for a Veja. A primeira reforma da previdência já taxou os aposentados - o que é um absurdo, já que eles contribuem exatamente para terem direito a ela; logo, quando se aposentam, não há porque continuar contribuindo. As próximas reformas - tributária, universitária, a segunda previdenciária - tendem a seguir mais ou menos a mesma lógica: a retirada de benefícios sociais em prol de... de... ah, de descarregar o Estado dessas obrigações que, afinal de contas, não são dele.

Daí, quando a gente não tiver mais nenhum benefício social, vamos continuar pagando impostos altíssimos e contribuições compulsórias à la CPMF para sermos atendidos em um posto de saúde com telões de plasma que agendarão uma consulta para dois anos depois.

Tolima 1 x 0 Grêmio

Estádio Manuel Toro, Ibagué, Colômbia
Gol: Perlaza, 33' 2º

Mais um brasileiro perde a invencibilidade na Libertadores 2007. Em mais um jogo ruim (o Grêmio parece estar se especializando nisso), o tricolor gaúcho deixou de ganhar, no mínimo, um pontinho na competição ao perder para o Tolima.

É preciso deixar claro que o time colombiano não é bom, e isso é preocupante porque é o segundo jogo seguido na Libertadores que o Grêmio não joga bem contra times fracos. Mais uma vez deixou-se envolver pelo adversário, mostrando-se apático demais para um time com a sua tradição em uma competição tão importante. Em nenhum momento chegaram a assustar os colombianos, e houve um longo momento no segundo tempo em que o Tolima esteve mais próximo de fazer o segundo gol do que de tomar o gol de empate. Os dois argentinos do tricolor até tentaram armar um bolo, mas infelizmente isso não é suficiente para ganhar uma partida - caso contrário, o Uruguai já seria pentacampeão do mundo. É preciso ter também qualidade - coisa que os times argentinos têm, por exemplo -, que é exatamente o que o Grêmio parece ter esquecido em Porto Alegre, dentro de algum jogo do Gauchão.

O time gaúcho tem muito potencial, o suficiente para ainda passar com folga para a próxima fase da Libertadores. A situação do Grêmio não é tão complicada quanto à do Inter, mas é preciso se cuidar para não acabar tendo de torcer pelos adversários. Até porque não dá vontade de torcer para nenhum deles, tamanha é a qualidade do seu futebol.

(Para a visão gremista da partida, clique aqui)

15 de mar de 2007

Velez Sarsfield 3 x 0 Internacional

Castromán 16'1T / Escudero 20'1T, 35'2T
Estádio José Amalfitani, em Buenos Aires (ARG)

Os dois últimos jogos pelo Gauchão mostraram que o Inter estava, de fato, com problemas. Afinal, ganhar um ponto em seis dentro de casa contra times sem tradição parece ser um sinal de alerta. Mas parece que o alarme não tocou alto o suficiente para o técnico do colorado, que resolveu começar a partida de ontem com uma escalação no mínimo equivocada. O Inter tem hoje mais da metade do time composta por jogadores medíocres: Michel, Clemer (que entregou o segundo gol, pra variar), Maicon, Gabiru (que deveria ficar do lado do troféu de campeão do mundo), Wilson (lutador de luta greco-romana, acertou um pontapé no umbigo de um jogador argentino e não foi expulso) e Edinho formam um conjunto que poderia integrar o Íbis.

Quanto ao jogo, há pouco a dizer, só que o Velez ganhou NA BOLA, sem apelações, apenas não sendo superior nos primeiros quinze minutos. No mais, os argentinos dominaram a partida, cozinhando-a em banho-maria após fazer os dois primeiros gols. Se a situação ficou complicada, o consolo é saber que apenas o jogo contra o fraco Emelec é fora de casa. Isso quer dizer que o Inter tem boas chances de ganhar os seis pontos em casa - e conseqüentemente tirar pontos importantes dos que estão a sua frente. Mas mesmo assim, a regra agora é torcer para o Emelec, mesmo.

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13 de mar de 2007

Coisas de auto-ajuda

Auto-ajuda, segundo o Aurélio: Método de aprimoramento pessoal em que o indivíduo pretende buscar, sem ajuda de outrem, soluções para problemas emocionais, superação de dificuldades, etc.

Paradoxalmente, muitas pessoas buscam auto-ajuda em livros de auto-ajuda, ou seja, buscando a ajuda de outrem. Enfim, não era isso que eu queria falar agora, mas sim sobre a capacidade que certas coisas têm para nos fazer bem ou pelo menos melhorar um dia ruim.

Pode ser um filme, uma frase, uma música - o que é mais comum no meu caso - ou outra coisa. De repente a gente se sente imerso por um sentimento bom que, se não resolve nosso problema real na prática, ao menos faz a gente se sentir melhor por instantes suficientes para que possamos seguir em frente e enfrentar o tal problema. Nesse sentido, respeito os livros de auto-ajuda. Muitos "entendidos" os consideram sub-literatura ou algo do gênero (ou sub-gênero), mas o que importa nesse caso parece muito mais o fim do que os meios. Sim, nesse caso eu entendo até as religiões - até a do Missionário R. R. Soares, mas isso fica para um outro post, senão esse fica muito longo. Por ora, só o que interessa é entender que às vezes as pessoas encontram força e motivação em coisas um tanto quanto incomuns - uma pedra, uma religião, um duende, um partido político, um time de futebol.

Toda essa introdução foi para mostrar o alento que um simples livro pode causar a uma pessoa. Vejam essa carta que foi encontrada dentro do livro “O Presidente Machado de Assis” de Josué Montello, da Coleção Machado de Assis - A Obra Completa. Ela nos dá, entre outras coisas, a medida exata da máxima relação entre obra e leitor, quando um se amalgama no outro. Nesse caso específico, a obra estabelece uma relação tão pessoal com seu receptor que não é possível tratar apenas como "auto-ajuda"; este levará aquela para sempre no coração, na cabeça, na alma. E essa sensação, ah, como é boa... Enfim, clique na figura para vê-la maior:

"Machado de Assis:

Em 1960, acometeu-me obstinada moléstia. Desesperado, numa meia-água, minhas mãos trêmulas mal conseguiam traçar algumas linhas de esperança da vida.

A par da doença física, atormentava-me, quiçá, o ambiente psicológico da solidão.


Foi então que, em determinado dia, entra-me porta a dentro a obra completa de Machado de Assis.


A convivência com Quincas Borba, o excêntrico filósofo e com o fabuloso Brás Cubas restituiu-me como por encanto à saúde que teimava em não voltar.


Ainda hoje, na tristeza, conforto-me com a leitura de Machado de Assis. Não sei que afinidade, que aproximação espiritual, que reciprocidade transformam-me a tristeza
em encantamento, em poesia, em enlevo, dando-me consolo, com o desconsolo dos livros, me devolvem para a vida.

16.03.68"


9 de mar de 2007

Inovações Tecnológicas e Mudanças Sociais

O pessoal do Cataclisma 14 tem, nas últimas semanas, feito inúmeras reportagens interessantíssimas a respeito das novidades na área de informática e seu impacto agora e amanhã na vida das pessoas. Lá eles já falaram do projeto One Laptop Per Child, de sistemas operacionais online e muitas outras coisas novas que estão acontecendo e que podem revolucionar o mundo tal qual o conhecemos hoje. "Revolucionar", no caso, significa melhorar a condição de vida das pessoas e proporcionar uma sociedade democrática direta, ao contrário da nossa "representativa".

Porém, mesmo reconhecendo o caráter revolucionário dessas criações, não consigo vislumbrar qualquer mudança que não seja direcionada por uma força maior - governos ou empresas. Enfim, teorias de que as mudanças na informática levarão a sociedade à Anarquia (capa da Superinteressante de outubro de 2006) ou a um mundo socialista ou a um mundo melhor ou qualquer coisa assim não me parecem muito verossímeis. Olhando para trás, temos vários exemplos de novidades tecnológicas com grande potencial revolucionário que foram apropriadas pelos modelos em voga para seu próprio proveito, o que me faz ter um pé atrás com relação à tão propagada "revolução".

A invenção da imprensa deveria ter revolucionado a sociedade a partir do século XI, tornando-a mais igualitária. O que se viu quando a poeira baixou, porém, foi ela ser utilizada para servir de base ideológica para uma série de regimes que, em maior ou menor grau, defenderam seus próprios interesses, exploraram economicamente o povão e alienaram todo mundo (Se você não pensa assim, provavelmente é um alienado. Ou talvez eu seja um conspiratório-paranóico).

Mais tarde, no fim do século XIX e início do século XX, inúmeras invenções fizeram o Ocidente regozijar-se de finalmente alcançar o progresso e varrer a "barbárie" para longe. Tirando o fato de estabelecer o que é "bárbaro" e o que é "civilizado" - mal do qual a gente padece até hoje -, as mesmas invenções foram utilizadas para explorar mais, matar mais e aprofundar mais o abismo entre países e pessoas ricos e pobres.

Ao longo do tempo o capitalismo conseguiu catalisar esse processo. Michael Hardt e Antonio Negri, escritores de O Império, analisam o sistema capitalista de uma forma que ajuda a entender melhor tudo isso. Para eles o capitalismo já passou de uma fase transcendente para uma fase imanente. Isso quer dizer que hoje em dia ele não é mais uma coisa "externa" a nós, mas algo que perpassa cada poro de todos. Ele hoje é parte do que somos. Entre outras conseqüências, isso faz com que toda idéia "revolucionária" concebida na segunda-feira seja incorporada na sexta e na outra segunda já esteja na propaganda de alguma multinacional ou nas camisetas dos mais descolados.

Novas tecnologias, ao mesmo tempo em que apontam para mudanças sociais pertinentes, dão condições para que o sistema vigente delas se aproprie para melhor continuar sua sobrevivência. Os principais governos do mundo já falam em censura na Internet (a China efetivamente já faz isso), cadastramento e arquivamento de dados dos navegadores, enfim, controle de conteúdo. É bom que usemos a experiência do passado para tentar não cair nas mesmas armadilhas e finalmente tentar implantar melhorias significativas de inclusão e equiparação social. Porque dar acesso à Internet para as pessoas acessarem apenas os Megaportais não adianta em nada.

Mas, para terminar esse post pessimista de uma maneira pessimista, esse sentimento de exploração parece ser inerente ao homem. Como já dizia Hobbes, o "homem é o bicho do homem". Parece que o problema não é o sistema econômico ou as novas tecnologias, mas sim o bicho homem.

8 de mar de 2007

Repostando...

Em virtude do dia de hoje, reposto do Devaneios, o blog antigo:

Dia Internacional da Mulher

Hoje no centro vi uma mulher receber uma flor e um "Feliz Dia da Mulher". No seu rosto eu podia contemplar uma expressão de contentamento que a preenchia por completo. Naquele momento, ela se orgulhava de ser mulher. Se orgulhava de ter um dia para ela. Mas, infelizmente, também aceitava o fato de os homens terem os outros 364 dias para ele.

Existem vários meios simbólicos (o que Roger Chartier chamaria de representação) para um grupo manter o domínio sobre o outro. E é de longa data que os homens mandam e desmandam no mundo, em detrimento às mulheres. Pois é, mesmo com as mulheres atualmente ocupando um espaço até então inédito, as representações da superioridade masculina permanecem - e com elas, o sentimento masculino de superioridade e o feminino de inferioridade. E tudo se condensa na invenção do Dia Internacional da Mulher, que engana a maioria das mulheres, que se contentam com isso.

Uma das coisas mais úteis que as feministas poderiam fazer pelas mulheres era lutar para que o Dia Internacional das Mulheres fosse abolido, ao invés de comemorá-lo com flores. Isso porque esse dia representa uma licença dos homens para com as mulheres: "olha só, nós vamos comemorar um dia por ano a mulher, e daí vocês ficam quietas no canto de vocês, tá?". Basta pensar em todas as datas comemorativas que existem por aí: Dia do Índio, Dia do Negro, Dia do Orgulho Gay... Todos dias de minorias. Por que não temos um Dia Internacional do Homem Branco Heterossexual? Porque não precisa, todo dia é dia dele. O melhor jeito de acabarmos com os preconceitos é acabando com os seus símbolos. Me desculpe quem não concorda, mas esse Dia da Mulher é tão simbólico quanto o ato de, no Japão, o homem andar na frente da mulher.

7 de mar de 2007

Homem-Aranha 3 vem aí

Para quem ainda não sabe, Homem-Aranha 3 estréia dia 04 de maio no mundo inteiro. Quando adolescente Peter Parker era o meu super-herói favorito, disparado. Seus problemas existenciais eram complexos, se comparados com outros - vide Super-Homem e Batman, por exemplo. Isso me atraía muito, além do fato dele ter elementos "reais" que faziam eu me identificar com ele. Portanto, fiquei muito contente ao ver que o diretor Sam Raimi havia conseguido manter a essência dos quadrinhos no cinema. E fiquei mais contente ao perceber que as pessoas que conheciam a HQ também pensavam isso e que a maioria das pessoas que não a conhecia havia gostado do filme.

Enfim, o sucesso do primeiro filme acabou gerando uma lucrativa franquia que agora chega ao terceiro filme, com expectativa de ser o mais lucrativo deles. Isso graças ao sucesso dos anteriores e a uma mídia fortíssima em cima dele. Além de trailers rolando nos cinemas desde metade do ano passado, inúmeros teasers, fotos e cartazes já foram disponibilizados para deixar qualquer um com água na boca, em uma campanha publicitária pra lá de agressiva. A última cartada - até agora - foi disponibilizar, via NBC, um trailer de sete minutos que mostra três longos trechos do filme: um diálogo entre Peter Parker e Mary Jane, outro entre Parker e sua tia May e uma luta de tirar o fôlego entre o Aranha e o novo Duende Verde. E, no final, um segundo de Venom, o mais sensacional inimigo do amigo da vizinhança. Bem, vejam por vocês mesmos:


Hola!

Site oficial de Liza Minelli diz que Buenos Aires fica no Brasil

Uptade: Já consertaram a cagada.

6 de mar de 2007

C***lho!!!

Antes foi o fla-flu, agora é o boliche...

5 de mar de 2007

Rogério Skylab

Sugestão para quem não conhece: Rogério Skylab. Louco para alguns, Maluco para outros. Para mim, o cara é foda com "F" maiúsculo. O conheci como a maioria das pessoas: através do Programa do Jô, em uma das suas muitas entrevistas de dois blocos. Já tinha ouvido falar através de amigos, mas confesso que não havia me chamado a mínima atenção. Porém, ao ver sua performance e, principalmente, sua inteligência, não resisti e virei fã.

Dono de um humor absolutamente autêntico, Skylab mistura vários ritmos para colocar suas letras, hum, digamos, diferentes. Poeta como poucos, ele faz composições altamente identificáveis, nos quais mistura o lírico com o grotesco de maneira única, através de uma estética, hum, digamos, trash. Muito provavelmente é por essa maneira diferente de compor que ele não tenha estourado nas rádios. Para ter uma idéia, mesmo sendo "apenas" um ídolo no underground, existem algumas músicas suas censuradas.

Skylab já lançou sete álbuns (Fora da Grei e Skylab I ao VI). Seus planos são lançar mais quatro "Skylabs" e depois se aposentar, por achar um despropósito continuar a falar. Sinceramente, espero que ele mude de idéia. Deixo duas mostras da poesia única do cara, na letra de Naquela Noite e numa apresentação ao vivo, no Jô, de um trecho do megahit Matador de Passarinho:



Naquela Noite

Naquela noite cheia de estrelas,
Ela passava cheia de graça,
A segurei pelos cabelos
E enfiei uma porrada.
Ela gemia, ela chorava,
E a lua cheia iluminava...

Depois peguei um caco de vidro
E enterrei no seu umbigo,
Ela urrava, ela gemia,
Um passarinho batia as asas.
Um violino tocava valsa,
E a lua cheia iluminava...

Com um alicate eu retorcia
Os seus mamilos tão delicados,
Ela pedia pra que eu parasse
E eu sentia uma estranha calma.
Os vaga-lumes contracenavam
E a lua cheia iluminava...

E fui puxando fio por fio
Dos seus cabelos castanho claros,
Em cada fio que eu arrancava
Era uma lágrima, era outra lágrima.
Os arvoredos de cor de prata
A lua cheia iluminava...

E com a perícia de um obstetra
Em meio a um bosque cheio de flores
Eu extirpei de dentro dela
Um bicho horrível chamado homem,
Os passarinhos em revoada
A lua cheia iluminava...

A minha vida é essa história,
Por mais que eu pinte é sempre escura,
Pro que eu pergunto não há resposta
Mas de repente levei um susto,
Olhei pra dentro da minha alma
E a lua cheia iluminava...

2 de mar de 2007

Idéias Além das Palavras

Mais uma sugestão de blog para quem quer navegar com qualidade. Trata-se do Idéias Além das Palavras, que ainda está começando mas tem um belo potencial pela frente tratando de temas variados. Infelizmente, parece tratar-se de mais um blog infestado de gremistas. Mas tudo bem, é de lá que tiro esses números para reforçar o caráter extraordinário de Alexandre Pato, do colorado:

5 jogos
4 gols
3 assistências
327 minutos jogados
1 gol a cada 81 minutos
1 assistência a cada 109 minutos
5 vitórias e 100% de aproveitamento

Rio Body Count em um mês

E nos primeiros trinta dias de contagem (vinte e oito de fevereiro mais dois de março), o número do Rio de Janeiro em fevereiro é:

249 mortos e 132 feridos.

Em um mês, em um estado. Moral da história: no Rio de Janeiro, entre mortos e feridos não se salva ninguém.

1 de mar de 2007

C***lho!!!

Você já jogou ou joga fla-flu? Acha que é bom? Dá uma olhada nisso, então.

Músicas do mês

Cardigans - Communication - E o Cardigans marca presença novamente. Fazia tempo que uma banda não me pegava em cheio como essa me pegou. O pior é que tudo começou meio sem querer, vi um clipe, gostei, consegui dois álbuns, comecei a escutar aos poucos, e aí já era. Baladinha maneira, Communication começa lentinha, quase sem bateria, e aos poucos vai enchendo a sala de ruídos harmoniosos (inclusive a bateria). Tem uma letra legal (for 27 years I've been trying / to believe and confide in / different people I found / some of them got closer than others / and some wouldn't even bother / and then you came around), um solinho tranqüilo e um final matador. Grande música, grande banda.

Supergrass - Grace - Música mega pra cima dessa ótima banda britânica (estou começando a achar que "ótima banda britânica" é um pleonasmo) que a Cachorro Grande sonha ser. Típica música para animar defunto, Grace mostra pra que veio logo de cara, nos versos animados do início. O refrão, então, é pra ficar o dia inteiro cantando sem enjoar - tá, depois da milésima vez talvez a gente enjoe.

Internacional 3 x 0 Emelec

Estádio Beira Rio, Porto Alegre, Rio Grande do Sul
Gols: Perdigão 25' 1T, Índio 10' 2T, Alexandre Pato 21' 2T (Int)

E o Inter finalmente estreiou na Libertadores. Precisava vencer ou se complicaria definitivamente na competição, e venceu com sobras. Tá certo que o Emelec é o adversário mais fraco do grupo, mas a boa atuação da equipe espantou aquele sentimento de "já era" que tinha ficado depois do jogo contra o Nacional. Porque futebol é assim: jogou bem uma partida, é o melhor do Brasil; jogou mal, a crise se instala. Nada melhor do que uma goleada então.

O André comentou outro dia sobre como o futebol se transformou em negócio. Com isso, entre outras coisas nós perdemos aquela identificação com os jogadores (tipo Zico e Flamengo, por exemplo). Pois é, mas como é bom assistir um jogo esperando para ver um cara lá, jogando. É assim que eu vi o jogo ontem, esperando ver o Pato jogar. E cá pra nós, o guri é bom mesmo. Rápido e inteligente, infernizou a zaga do Emelec, deu o passe para o segundo gol e marcou o terceiro, um golaço. Destaques também para Perdigão, Índio e Clemer - este último por não ter comprometido.

Estamos dentro novamente.

(Para a visão gremista da partida, clique aqui)

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