3 de out de 2008

VMB 2008

Ontem era um daqueles dias que eu estava com vontade de ver TV, mas não tinha nada que prestasse. Eis que vejo que em pouco tempo ia começar o Video Music Brasil, premiação da MTV que eu acompanhei durante muito tempo na minha adolescência. Tá aí, vou assistir. Assisti e agora passo para vocês algumas impressões:

- O Marcelo Adnet é muito bom mesmo. Além de ter o melhor programa da MTV na atualidade (o 15 Minutos) e saber imitar uma porrada de gente, o cara tem uma capacidade de improvisação fantástica, testada e comprovada na noite de ontem, quando foi desafiado em cada final de bloco a cantar com uma voz escolhida na hora e com algumas frases pré-determinadas também na hora.

- Colocar qualquer um para apresentar prêmio é foda. Se houvesse premiação para pior apresentação de prêmio ontem, certamente ela iria para Cesar Cielo e Fofão, que protagonizaram uma dupla sem o menor timing para falar a piada que estava ensaiada - que já era, ao natural, péssima.

- Programa ao vivo é sempre uma tentação para dar merda, e premiação da MTV ao vivo ainda mais, por causa das inconstâncias dos artistas. Quem não se lembra, por exemplo, do piti do Caetano Veloso no VMB de 2004? Bom, e o que não faltou nessa edição do VMB foram momentos de vergonha alheia lamentáveis que desde já entraram para a história da premiação. Em primeiro lugar, a apresentação do Bloc Party, sensação indie que a MTV anunciou aos quatro ventos como grande atração internacional da festa. Quando eu vi, não acreditei: os caras entraram e fizeram um playback horroroso, de fazer a Britney Spears ficar vermelha de vergonha! Na primeira música (sim, porque eles ainda tocaram outra...) eles estavam completamente desanimados e dava para ver claramente que não era ao vivo, porque a boca do vocalista não acompanhava o som, assim como os movimentos do baterista - que, aliás, exibiu um look de dar inveja ao Freddie Mercury. Fim da primeira música, vaias do público. E eu com aquela sensação de vergonha alheia pelos caras, pela MTV, pelo cara que teve essa idéia idiota, na verdade eu estava com vergonha alheia por sei lá quem, porque a culpa era de todo mundo ali mesmo... Começa a segunda música, o vocalista Kele Okereke tira a guitarra e começa a sair correndo pela platéia (talvez na tentativa de agitar o público, talvez para fugir dali, não sei), cantando de forma ridícula a música - em playback, claro. Enquanto isso, as câmeras focalizavam os outros integrantes, que tocavam seus instrumentos de forma air* de uma maneira ridícula e descompromissada. Quando não podia ficar pior, eis que o vocalista está voltando para o palco, erra o passo e CAI no espaço entre a platéia e o público... Lamentável. Termina a segunda música, vaias maiores. EU já queria me esconder naquele momento, quando o Marcos Mion, apresentador da noite, entra no palco e solta um irônico "quem sabe faz ao vivo", ganhando aplausos da platéia e completando "ah, vocês também notaram? Achei que só eu tivesse percebido".

- Outro momento lamentável foi a apresentação de uma banda que eu não conhecia, o Bonde do Rolê. Cara, aquilo é muito ruim, parece uma esquete do Hermes e Renato, só que de verdade. Auxiliados (?) pela péssima equalização que existe em TODAS as edições do VMB, os integrantes do grupo estavam acompanhados de uns caras bombados e cantaram três músicas (Deus...) que, felizmente, não tinham como ter suas letras ouvidas. Um tempo depois da apresentação foi a vez de a MTV anunciar o prêmio de Artista do Ano e darem a vitória ao NX Zero. Até aí tudo bem, os caras comemoram e vão em direção ao palco para agradecer. Então vem uma mulher do nada querendo pegar o microfone dos caras, que a empurram para o público (o vocalista do NX Zero ainda soltou um "ó o mosh, galera") e continuam o discurso. A mulher volta pro palco e tenta pegar de novo o microfone. Quando finalmente ela consegue se apropriar do dito cujo, grita - grita não, berra - "vocês roubaram o nosso prêmio"! Então eu a reconheço: é uma das integrantes do Bonde do Rolê! Mais nonsense que isso, só dois disso.

- Só pra constar, estou desatualizado em relação às bandas do momento, mesmo as gringas. Quando anunciaram o vencedor do prêmio de Banda Internacional, não tinha a menor idéia de quem era Paramore e o que eles tocavam. Aliás, continuo sem saber.

- Para encerrar a noite, a MTV fez um especial a la "We are the world", com vários artistas nacionais cantando "Furfles feelings", música genérica que o Marcelo Adnet criou em uma das edições do 15 Minutos e que deu tão certo que valeu esse encerramento. Muito legal a idéia, que diminuiu um pouco a minha sensação de vergonha alheia que me tomou ao longo da premiação.

* forma air é aquele jeito que algumas pessoas tocam, quando não têm o instrumento nas mãos, fazendo mímica. Mais informações aqui.

Um comentário:

Leo disse...

Cara, foram RIDÍCULOS os shows do Bloc Party e do Bonde do Rolê. Quando vi o playback do primeiro, achei que nada ia superar... mas ae entrou essa maldita banda depois... PQP, e tem gente que gosta!

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