28 de out de 2009

Como motivar uma equipe (ou como fazer jornalismo de merda)

O Inter não é mais o favorito para ganhar o Campeonato Brasileiro há algum tempo, e por culpa dele mesmo. Esse mimimi a respeito da suposta "dúvida" em relação à qualidade da equipe não vem de um preconceito do centro do país, vem dos resultados pífios que a equipe vem colhendo ao longo dos últimos meses e das arrancadas de outros times.

Coluna nova no Imparciais. Clica aqui e vai.

23 de out de 2009

Coisas que influenciam a Humanidade (pelo menos a minha)

SEMPRE que eu ando na rua calçando tênis, o cadarço se desamarra com facilidade. Tenho que amarrá-los duplamente para evitar que isso aconteça. Pergunta:

- Seria por causa do meu jeito de caminhar?

- Seria por causa da confecção moderna dos cadarços, feitos de um material porcaria que não fica preso com apenas um nó?

- Seria pela minha inabilidade em conseguir amarrar um cadarço como uma pessoa normal?

Criacionistas, agora eles estão vindo pegar suas crianças

Imagine que você é um professor de História Romana ou de Latim, ansioso para transmitir o seu entusiasmo pela Antiguidade Clássica – pelas elegias de Ovídio e pelas odes de Horácio, pela vigorosa economia da gramática latina como exibida na oratória de Cícero, as belezas estratégicas das Guerras Púnicas, o gênio estratégico de Júlio César e os excessos voluptuosos dos últimos imperadores.

Este seria um grande empreendimento que tomaria muito tempo, concentração e dedicação. Ainda assim você encontraria o seu tempo continuamente prejudicado, a atenção da sua classe distraída, pelos latidos de uma matilha de ignoramuses (que como professor de latim você entenderia que seria o jeito certo de declinar ignorami) [1] que, com apoio político e especialmente financeiro, espalham aos quatro ventos que os romanos nunca existiram. Que nunca houve um Império Romano. Que o mundo inteiro veio a existir apenas um pouco antes do tempo de que temos memória. Que o espanhol, o italiano, o francês, o português, o catalão, o ocittânico e o romanche, todas essas línguas e os dialetos que as constituem surgiram espontânea e separadamente, e que nada devem a um ancestral chamado latim.

Ao invés de devotar toda a sua atenção para a nobre vocação de ser um erudito e professor, você é obrigado a investir parte do seu tempo e energia para a retrógrada defesa do pressuposto de que os romanos realmente existiram: uma defesa contra a exibição de um preconceito ignóbil que poderia fazê-lo chorar caso você não estivesse tão ocupado lutando contra ele.

Se a minha analogia sobre o Professor de Latim lhe pareceu por demais irreal, aqui está um exemplo mais realista. Imagine-se um professor de história mais recente, e que as suas lições sobre a Europa do Século XX são boicotadas, impedidas ou interrompidas de outra forma por grupos bem organizados e bem financiados assim como grupos políticos musculosos de negadores do holocausto. Diferente dos meus improváveis negadores do Império Romano, os negadores do Holocausto realmente existem. Eles se expõem razoavelmente, são superficialmente preparados e adeptos do aprendizado aparente[2]. Eles recebem apoio do presidente de pelo menos um grande estado atual, e contam com o apoio de pelo menos um bispo da Igreja Católica. Imagine que, como professor de História da Europa, você é continuamente encarado com exigências beligerantes tais como a de “ensinar a controvérsia” e a dar “tempos iguais” para a “teoria alternativa” de que o Holocausto nunca aconteceu e que foi inventado por um bando de farsários sionistas.

Os adeptos da moda do relativismo intelectual seguem o rastro afirmando que não existe verdade absoluta: que acreditar que o Holocausto aconteceu ou não é uma questão de crença pessoal, que ambos os pontos de vista são igualmente válidos e, portanto, devem ser igualmente “respeitados”.

Este é apenas o início de mais um grande texto de Richard Dawkins, sobre o mesmo assunto de duas postagens atrás. É grande, mas vale muito a pena ler tudo.

Comentários

Os comentários voltaram. Espero que dê certo agora. Torçamos...

A Origem da Estupidez

2009 está sendo comemorado como o "ano de Darwin", graças aos 200 anos de seu nascimento e aos 150 anos da publicação de "A Origem das Espécies", talvez o livro que tenha impactado de maneira mais definitiva o pensamento humano a partir do século XIX. Marx e Engels, por exemplo, que homenagearam Darwin em suas obras ("O Capital" e "Sobre o papel do trabalho na transformação do macaco em homem", respectivamente), impactaram o mundo também, particularmente durante o século XX. Sigmund Freud, em "A Interpretação dos Sonhos", também causou uma revolução de ordem mundial ao promover suas ideias que fundariam a psicologia analítica. Porém, se ainda hoje acompanhamos discussões acerca de temas/obras de Marx/Engels e Freud, nenhum tema ou autor causa mais discussão - e tem mais potencial "revolucionário", eu diria - do que os que "A Origem das Espécies" implica.

Nos EUA, uma guerra nada silenciosa está sendo travada há um bom tempo entre ateus e criacionistas pelo que pode ser ensinado nas escolas norteamericanas, particularmente nas aulas de História e Biologia. Resumidamente, os ateus - e cientistas em geral - querem que apenas a Teoria da Evolução seja ensinada nas escolas, juntamente com a Pré-História - ambas ancoradas por métodos científicos, os mesmos utilizados na produção das matérias dadas em Matemática, Química, Física, etc. Já os criacionistas exigem que seja ensinado o Criacionismo, vertente NADA científica que acredita que Deus criou o universo em sete dias e há cerca de seis mil anos (mais precisamente, no ano de 4004 a.C.).

Veja bem, a questão não é ensinar o Criacionismo nas aulas de Religião - o que deveria ser o seu lugar (na minha opinião, nem deveria ser ali, mas...). É ensiná-lo nas aulas de Biologia e História, subvertendo completamente teorias científicas e fatos comprovados cientificamente para que UMA das MUITAS versões religiosas sobre a criação do mundo seja ensinada.

Talvez não sintamos tanto isso aqui no Brasil, país eminentemente católico e de uma passividade e tolerância religiosas que beiram a preguiça - no melhor dos sentidos, certo? Errado. Em 2004, a governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Garotinho, tentou implementar aulas de religião criacionistas nas escolas da rede pública do estado, mas o projeto não vingou (graças a Deus?). Mas em várias escolas particulares, as coisas estão piores. Várias escolas no Brasil já fazem isso, ou no mínimo ensinam a Teoria da Evolução E o Criacionismo, lado a lado, nas aulas de Biologia. E não são escolas quaisquer; tratam-se de escolas do calibre do Colégio Presbiteriano Mackenzie e do Colégio Batista Brasileiro, ambas de São Paulo.

A postagem já está ficando longa e outro dia eu escrevo mais sobre as implicações que uma barbaridade dessa tem para a humanidade em geral, apesar de ter certeza que os poucos leitores deste blog já devem saber. O que eu queria falar realmente é que, no dia 19 de novembro, criacionistas distribuirão cópias de "A Origem das Espécies" nos EUA com um prefácio de 50 páginas com bullshits religiosas. Saibam mais no vídeo a seguir e leia mais aqui:

“A autora do vídeo é uma romena chamada Cristina. Ela critica a iniciativa de Kirk Cameron e Ray Comfort de distribuir exemplares de “A Origem das Espécies”, de Darwin, com uma introdução de 50 páginas, expondo a visão dos criacionistas sobre o assunto”.


13 de out de 2009

Novo fenômeno?

Se dá pra dizer que [REC] foi um novo Bruxa de Blair, parece que já fizeram o novo [REC]. Trata-se de Paranormal Activity, filme do estreante Oren Peli, que foi exibido pela primeira vez em 2007, no festival de filmes de terror Screamfest. Nesse e em outros festivais especializados, o filme surpreendeu positivamente a plateia, e o boca-a-boca gerado fez com que a Paramount decidisse distribui-lo, em circuito limitado, nos EUA. O lançamento do filme foi neste fim de semana, e ele ocupou o quinto lugar nas bilheterias, com 8,28 milhões de dólares. Considerando que o filme foi lançado em apenas 160 salas (com uma impressionante média de 44 mil dólares/sala!) e custou apenas 15 mil dólares, ele tem grandes chances de bater o recorde de Bruxa de Blair como filme mais lucrativo da história.

O filme conta a história de um casal que recém se muda para uma casa em que coisas suspeitas acontecem, o que os leva a colocar câmeras para vigiar o ambiente e descobrir se trata-se de uma casa mal-assombrada.

Além de utilizar a câmera em primeira pessoa (assim como Bruxa de Blair e [REC]), Paranormal Activity ainda guarda mais uma semelhança com eles: o seu marketing. Nos EUA está rolando uma campanha para que mais cinemas passem o filme, o que obviamente aumenta o boca-a-boca e o disse-me-disse em torno dele. Mas o que mais me chamou a atenção foi um dos trailers do filme, utilizando a mesma ideia usada em [REC]: filmar as reações da plateia. O resultado vocês veem abaixo:



Será que todo esse hype se justifica? É o que veremos a partir de 4 de dezembro, quando ele deve estrear por aqui.

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