30 de abr de 2008

Mais uma lista...

...dos 100 melhores filmes de todos os tempos. Clique aqui.

"Arte" contemporânea

Recebi um e-mail dias atrás, falando de um “artista” contemporâneo que usou um cão de rua, faminto e doente, em uma instalação de “arte”, que morreu ali por inanição e falta de cuidados veterinários. A princípio, achei a história absurda demais para ser verdade e fui atrás de mais informações. Qual não foi minha surpresa ao constatar que, além de a história ser verdade, ele ainda foi escolhido para representar a Costa Rica na Bienal Centroamericana Honduras 2008! Está rolando uma petição pela internet para protestar contra a participação dele nessa Bienal, para assiná-la clique aqui, por favor. Nesse outro link, um blog criado especialmente para denunciar esse cara.

Segundo Guillermo "Habacuc" Vargas, o tal “artista”, “O que me importa é a hipocrisia das pessoas. Um animal assim vira o centro das atenções quando está em um local onde as pessoas querem ver arte, mas ninguém ligaria se ele estivesse passando fome nas ruas”. Ah, por favor, “artista”: existem tantas outras formas de mostrar a hipocrisia das pessoas! Para ti, a melhor seria se amarrar em uma instalação “artística” e esperar morrer de inanição e falta de cuidados médicos. Aí tu mostra que “um homem assim vira o centro das atenções quando está em um local onde as pessoas querem ver arte, mas ninguém ligaria se ele estivesse passando fome nas ruas”. Simples, não?

Lamentável o que o ser humano é capaz de fazer. E ainda chamar de arte.

Novamente, aqui está o link para a petição. Assine. Repasse para todo mundo que tu conhece.

Caso Isabella (III)

Dias atrás, no Saia Justa, Mônica Waldvogel disse que não achava que a mídia era a culpada pela exploração do caso Isabella; para ela, o fato de haver vários curiosos em torno de onde estão os pais da menina e a comoção nacional devem-se à excepcionalidade do caso. Mesmo havendo várias outras notícias do mesmo nível, essa tomou de assalto as reportagens da imprensa por causa de si mesma e não por causa de uma escolha da imprensa.
Eu gostaria de fazer um pequeno comentário a respeito dessa declaração.

Para começo de conversa, Waldvogel trabalha na maior rede de comunicação do Brasil e uma das maiores do mundo. Isso já faz dela meio suspeita para defender a atuação da mídia nesse caso (aliás, esse termo “mídia” também foi criticado por ela, como se quisesse diferenciar a atuação da Globo em relação a outros meios de comunicação). O caso é que existem sim outros fatos acontecendo no Brasil que poderiam estar na imprensa de uma forma mais evidente no momento, não fosse o caso Isabella. Por exemplo, poucas pessoas sabem o que é a tal "crise alimentar" que está acontecendo no mundo, o que eu humildimente considero umas dez mil vezes mais importante que a Isabella (com todo o respeito à menina). Isso faz SIM do caso uma escolha da mídia. O problema, aí, é aquele velho paradoxo que ninguém sabe ao certo responder: as pessoas assistem determinado programa de TV porque ele é transmitido ou um programa de TV é transmitido porque tem gente para assistir? E isso, meus caros, faz toda a diferença.

Como, desde exatos trinta e um dias atrás, os maiores picos de audiência dos noticiários (incluindo-se aí o Fantástico) têm sido durante a divulgação de informações “bombásticas”, “exclusivas” e “especiais” das redes, cada vez a mídia busca alimentar, ela mesma, esse acontecimento. Afinal, é o que dá audiência, e isso gera mais receita para o canal de televisão/jornal/rádio, então é o que será transmitido. Então, se as pessoas não assistissem a esse teatro televisivo, o assunto mudaria. É um círculo vicioso: ao perceber que o caso Isabella é o que dá audiência, a mídia começa então a criar notícia. “Criar”, porque a notícia já se encerrou, mas as informações continuam a chegar à população, mesmo que não sejam verdadeiras. Aliás, se não forem verdadeiras, melhor ainda, já que daí se desmente tudo e se tem mais notícia criada. Um exemplo disso é o tal sangue no carro, que já foi com certeza da Isabella, depois não era mais, depois era de novo, e agora não se tem mais certeza. Ou as reportagens tratando das pessoas que estão lá, quase acampando na frente da casa em que estão os pais da menina; ora, essas pessoas são justamente fruto das notícias que a mídia veicula, e elas próprias tornam-se objeto de notícia. Ou seja, notícia do fruto da notícia. E por aí vai.

Isso faz com que aconteça o que está acontecendo desde o início: a acusação antecipada dos supostos autores do crime. Se é verdade que cada vez mais fica evidente quem matou Isabella (isso parece um “quem matou Odete Roitman”), mesmo trinta e um dias depois do crime AINDA não se tem certeza de nada. Isso quer dizer que a população não deveria estar com esse sentimento de certeza em relação ao pai e à madrasta da guria. Mas, como a mídia aponta a todo instante o casal como protagonista do acontecimento (alimentada pelos delegados que parecem estar adorando aparecer e que parecem às vezes ter comportamento de jornalista), os espectadores vão atrás.

Por tudo isso, discordo totalmente do que Mônica Waldvogel disse no seu programa. Para mostrar que esse caso não é nem tão excepcional assim, passo alguns links de notícias de crimes relacionados a assassinatos de pais ou filhos (até avó!), todas encontradas rapidamente na internet e que não tiveram repercussão alguma na imprensa brasileira por um motivo simples: ESCOLHA.

27 de abr de 2008

A vida imita a arte

Esse é um Forrest Gump de verdade...

25 de abr de 2008

É Brasil no Darwin Awards!

Tá, a essa altura todo mundo já ouviu falar da história do padre que quis bater um recorde voando com muitos balões, um GPS que não sabia usar e sem colete salva-vidas. Eu sei que é uma história trágica e tal, mas convenhamos: ela não deixa de ser engraçada. Provas disso são esse excelente post lá do Cataclisma 14 e a indicação do padre para o Darwin Awards, o Oscar das maiores idiotices já produzidas pela humanidade. Cliquem nos links e divirtam-se!

Pequeno comentário graças a um comentário-spam

Recebi anteontem um comentário aqui no blog de um cara que dizia o seguinte:

"Hello. This post is likeable, and your blog is very interesting, congratulations :-). I will add in my blogroll =). If possible gives a last there on my blog, it is about the TV de Plasma, I hope you enjoy. The address is (...). A hug."

Texto em inglês, elogiando de maneira vaga o blog, só poderia ser spam. Dei uma olhada no link (que eu tirei da citação, porque não quero dar mais acessos pro cara) e vi que é um blog com uma só postagem, lá do início de março, falando de uma TV de plasma. Obviamente o comentário trata-se de um spam e o blog, de um comercial (marketing viral?) mal feito pra vender televisão.

Até aí tudo bem, eu modero comentários justamente pra não ter esses lixos no Moldura, mas o que me chamou a atenção nesse episódio foram os comentários que várias pessoas deixaram no tal blog: à exceção de umas cinco pessoas, que xingaram o dono do blog, todo o resto agradeceu os elogios (alguns em português e em inglês, muitas vezes sofrível) e alguns até propuseram parcerias (?). Ou seja, a grande maioria não entendeu o que houve.

Mas qual é o problema nisso? Bem, acredito que isso possa servir, de certa forma, como exemplo para mostrar que a maioria das pessoas que acessa a internet, que lê jornais, que assiste TV, não consegue captar na sua totalidade as reais intenções do que está sendo transmitido a ela. Em outras palavras, muitas pessoas têm a mania de engolir qualquer coisa como verdade, antes de duvidar da informação. É dessa forma, por exemplo, que muitas lendas urbanas viram verdade absoluta ao serem espalhadas por e-mails notoriamente falsos, que infelizmente poucos percebem. Tomando de uma forma mais paranóica, um grande veículo de informação pode se aproveitar desse "bug" das pessoas e começar a veicular informações com uma intenção velada, de acordo com interesses próprios ou de terceiros.

E assim caminha a humanidade.

24 de abr de 2008

C***lho!!!

Primeiro vídeo de uma série sobre animais. Um melhor que o outro, prometo. Esse é sobre um esquilo que deveria trabalhar no circo (ou substituir Harrison Ford no Indiana Jones, o que for mais vantajoso para sua carreira).

23 de abr de 2008

Terremoto na imprensa

Pronto, agora é a vez de um terremoto. Depois de iniciar um mea-culpa sobre o caso Isabella para logo após voltar a chamá-los de assassinos, boa parte da imprensa brasileira volta-se para a mais nova sensação midiática: o tal terremoto que aconteceu "em cinco estados" do Brasil, ontem, por volta das 21 horas.

Eu moro em São Paulo e não vi nada. Quase todos os meus colegas de trabalho, que moram em regiões diferentes, também não. Aliás, se vocês prestarem atenção às notícias sobre o caso, quase ninguém viu nada. Mas isso não esmorece a gana da imprensa, que tenta a todo custo fabricar notícias e espreme esse acontecimento, dando a ele uma dimensão muito maior do que deveria - exatamente como no caso Isabella.

Ontem eu ouvi no Jornal da Globo o seguinte: "e voltamos para o terremoto que assustou o país". Como assim, "assustou o país"? Ele durou cinco segundos e atingiu uma pequena parte de cinco estados de um país que tem vinte e sete e já virou uma questão nacional. Repetindo, DUROU CINCO SEGUNDOS. Cinco segundos de sofás se mexendo para, digamos, um milhão de pessoas (1/200 ou 0,5% da população brasileira) já serviu para assustar o Brasil e agora é a nova pauta-sem-fim da mídia. Na capa do Yahoo! estava a seguinte manchete:



Como assim, só se fala do terremoto? Onde? Na Paraíba, no Rio Grande do Sul, no Mato Grosso? Disso se extrai duas coisas: a primeira é a capacidade de "encheção de lingüiça" da imprensa brasileira, que consegue fazer qualquer assunto idiota render (basta ver qualquer mesa-redonda de futebol para entender do que estou falando); a segunda é que tudo o que acontece em São Paulo ou no Rio de Janeiro supostamente comove, impressiona ou assusta o Brasil.

Ah, mas tudo bem, na semana que vem aparece outra notícia super relevante como essa para substituí-la.

22 de abr de 2008

Veja e o caso Isabella

No final de semana fui a um supermercado (em breve um post sobre isso) e vi a capa da Veja dessa semana. Ia comentar sobre isso, mas aí vi que já comentaram antes de mim e assino embaixo.

17 de abr de 2008

Nada como um dia após o outro

"O empresário Oscar Maroni, dono da boate Bahamas, vibrou com a notícia da prisão do jornalista (Roberto Cabrini). Ele processa Cabrini em R$ 8,5 milhões. "Nada como um dia após o outro", disse.

A boate foi fechada pela Subprefeitura de Pinheiros após denúncia do programa de Cabrini, então na TV Bandeirantes. A emissora veiculou uma declaração de Maroni em que afirmava que havia prostituição de luxo no Bahamas."


Em tempo: nada ainda está confirmado a respeito de Cabrini. Isso quer dizer que ele pode ser inocente. Mesmo assim, é uma "vingança divina" típica de novela das 8...

Só para lembrar...

Excelente artigo sobre as razões americanas (algumas) para a invasão ao Iraque:

As verdadeiras razões de Bush

Por
Said Barbosa Dib, professor de História

"Não são justas as análises simplificadoras e ingênuas da mídia que colocam o presidente George W. Bush como um monstro ou um energúmeno sanguinário. Mesmo que seu intelecto não seja dos mais geniais, ele não é definitivamente, um camarada mau nem bobo. Pelo contrário, é um cidadão patriota que está tentando salvar os EUA da bancarrota, impedir a queda do Império sob seu comando.

Digo isto porque, ao contrário do que se fala, o governo norte-americano está totalmente desesperado com a ruína iminente da sua economia. Segundo W. Clark, do jornal "Indy Time", o temor do Federal Reserve (Banco Central americano) é de que a Organização dos Países exportadores de Petróleo (Opep), nas suas transações internacionais, abandone o padrão dólar e adote definitivamente o euro. O Iraque fez esta mudança em novembro de 2000 - quando o euro valia cerca de US$ 0,80 - e escapou ileso da depreciação do dólar frente à moeda européia (o dólar caiu 15% em relação ao euro em 2002).

Esta informação, se analisada por aqueles que conhecem os problemas estruturais do sistema de Breton Woods e as atuais limitações energéticas dos norte-americanos, coloca em dúvida a hegemonia do dólar no mundo e explica a razão pela qual a administração Bush quer, desesperadamente, um regime servil na história Mesopotâmia. Se o presidente norte-americano tiver sucesso, o Iraque voltará ao padrão dólar, não correndo o risco de servir de modelo alternativo para outros países dependentes como o Brasil. É por esta razão que o governo norte-americano, ao mesmo tempo, espera também vetar qualquer movimento mais vasto da Opep em direção ao euro.

Por isso, essa informação é tratada quase como um segredo de Estado, pois governos dependentes como o nosso, que apostaram tudo no modelo neoliberal, iriam para o fundo do poço junto com seus chefes norte-americanos. Isso porque os países consumidores de petróleo teriam de despejar dólares das reservas dos seus bancos centrais - atualmente submetidos ao FMI- e substitui-los por euros. O dólar entraria em crash com uma desvalorização da ordem de 20% a 40%e as conseqüências, em termos de colapso da divisas e inflação maciça, podem ser imaginadas. Pense-se em algo como a crise Argentina em escala planetária, por exemplo.

Na verdade, o que permeia toda essa discussão é a chamada "crise dos combustíveis fósseis". O físico e pensador Batista Vidal lembra que "as reservas de petróleo estão extremamente concentradas em poucos pontos do planeta, pois o total descoberto no mundo está situado em vinte campos supergigantes". Assim, na ótica do Primeiro Mundo, se os atuais países em desenvolvimento realmente se desenvolvessem, o Mundo teria ou que descobrir meia dúzia de campos supergigantes ou o petróleo acabaria em 10 ou 15 anos.

Por isso, o sistema de poder financeiro mundial, subjugado pelo padrão dólar, está completamente desacreditado, falido. Os bancos estão caindo aos pedaços em todos os países ditos desenvolvidos, principalmente nos Estados Unidos e Japão. Prevê-se um colapso a qualquer momento. Agora o que sustenta isso? Devido à ocupação militar no Oriente Médio - ampliada a partir da crise do petróleo da década de 70- mesmo com o déficit público monstruoso dos EUA, o dólar inflacionado compra artificialmente o petróleo, base de toda a economia americana e ocidental.

Portanto, Sadam selou o seu destino quando, em fins de 2000,decidiu mudar para o euro. A partir daquele momento, uma outra Guerra do Golfo tornava-se um imperativo para Bush Jr.. Ou seja, o que está em jogo não é nem o caráter texano caricato de Bush, nem uma questão de segurança nacional norte-americana, mas a continuidade da falácia do dólar. E esta informação é censurada pela imprensa norte-americana e suas vassalas tupiniquins, bem como pela administração Bush, pois pode potencialmente reduzir a confiança dos investidores e dos consumidores, criar pressão política para formação de uma nova política energética que gradualmente nos afaste do petróleo do Oriente Médio e da órbita anglo-americana e fazer com que projetos como o nosso Pró-Alcool mostrem sua força".

O texto do nobre professor deve nos remeter à uma reflexão profunda. Vamos difundi-la para que nossos amigos não sejam surpreendidos pelo terremoto mundial que se avizinha.

PS: Por isto que a Alemanha, defensora ferrenha do Euro, é terminantemente contra a guerra e por isto que a Inglaterra, que não adotou o Euro em seu país é a favor da guerra.

14 de abr de 2008

Isto É... lamentável

Foto adulterada que saiu na Revista Isto É. Retiraram no Photoshop uma crítica ao Serra ("Fora Serra"). Para ver que não é só a Veja que faz merda no mundo editorial brasileiro e que não é a única a manipular a informação que chega até o leitor. Aliás, está difícil saber quem não faz isso...




Roubei daqui.

Em tempo 1
: leia aqui a explicação da Isto É: "com intenção absolutamente estética"...

Em tempo 2
: antes de alguém diga que o Stálin também fazia isso, a Carta Capital também deve fazer isso, etc. e tal - papo de direitoso -, eu não concordo que ninguém nem nenhum meio de comunicação deva fazer isso. Ou, se fizer, tem que dizer "sou de direita, apóio o Fulano" ou "sou de esquerda, apóio o Ciclano". Infelizmente, nenhum dos grandes meios de comunicação faz isso no Brasil. A questão é ter ética, e não ser de determinado posicionamento político.

11 de abr de 2008

Caso Isabella (II)

"- A mídia é o grande filtro. O espaço ocupado por essa menina é o espaço retirado de coisas muito mais importantes para a vida coletiva. Mas isso é um fato emocionante. A emoção vale mais do que a razão. A novela, o enredo, vale mais do que o fato - analisa Albergaria".

Mais um link com matéria relevante sobre o caso Isabella, desta vez uma entrevista com o antropólogo Roberto Albergaria. Clique aqui e leia.

44 anos do Golpe Militar

Dez dias atrasado, posto um e-mail que recebi de uma amiga, a respeito do aniversário do golpe de 64:

Ontem (ou hoje, dependendo da versão) o Golpe Militar completou 44 anos, sem que tenha sido lembrado por (quase) nenhum meio de comunicação. Eu honestamente fico indignada com isso, mas não vou encher o saco de ninguém com as minhas opiniões.
Enfim, assisti ontem na faculdade uma palestra da Suzana Lisboa, que trabalha há mais de vinte anos com a questão dos desaparecidos políticos Ela tem uma motivação pessoal, uma vez que seu marido foi morto em 72 pelos órgãos repressivos, e isso a levou a uma luta que tem como resultado o livro Direito Memória e Verdade, cujo link mando abaixo
(na verdade, clique aqui), e que relata o desaparecimento de várias pessoas durante o período autoritário. Esse projeto, feito por uma Comissão criada pela Lei 9140/95, tinha como representante dos familiares a própria Suzana Lisboa, um representante das Forças Armadas, do Ministerio Publico, sociedade civil e mais gente que agora não me lembro. A quem interessar, vale a leitura, nem que seja para que fiquemos incomodados e façamos algo.

P.S: Caso o link não abra, acessem o site da presidência e procurem a Secretaria Especial de Direitos Humanos. Lá vai ter o link do livro-projeto Direito, Memória e Verdade.

10 de abr de 2008

Caso Isabella

Estou há algum tempo querendo escrever sobre a cobertura da mídia em torno do caso Isabella (aquele da menina que caiu ou foi atirada pela janela). Mais uma vez, a imprensa está pensando mais na audiência do que na ética, fazendo dessa cobertura um evento lamentável de como NÃO se deve trabalhar. Não sei se o casal é culpado ou inocente, mas esse não é o caso; o problema é que, sem prova alguma, já o crucificaram de tal maneira que, se os dois forem inocentes, estarão marcados para sempre de qualquer forma. Essa cobertura me lembra muito o caso da Escola Base e o da mãe "monstro da mamadeira”, ambos com pré-julgamentos da imprensa e conseqüências horríveis para inocentes. O que mais me assusta nisso tudo é o fato de que a mídia não aprendeu com seus erros e torna a repeti-los sempre que possível. Existem inúmeros exemplos nas coberturas de cunho político: a Veja e a Carta Capital, por exemplo, publicam notícias e matérias sem o mínimo de investigação jornalística, desde que sejam a favor ou contra determinadas pessoas/partidos. No caso específico do assassinato da Isabella, posso citar rapidamente dois exemplos da péssima cobertura dada:

- as tais manchas de sangue no carro do casal. Segundo a imprensa, HAVIA marcas de sangue no carro, e a perícia ia investigar de quem eram. Pois bem, depois de um exame, concluíram que não havia mancha nenhuma no veículo! É claro que isso foi bem menos noticiado do que a primeira versão – a retratação é sempre menor, parece ser uma regra do meio. Tudo bem que provavelmente os repórteres receberam a informação do sangue a partir do delegado (que é outro caso sério), mas de qualquer forma não havia nenhuma evidência provada de que havia sangue mesmo para que essa informação fosse veiculada. Não esperaram pelo resultado dos exames, publicaram a notícia antes. Claro, quem publica antes ganha mais audiência, vende mais, tem mais Ibope, logo vamos publicar. Se estiver errado, depois a gente corrige. E ainda tem gente que acredita que havia sangue no carro, graças à dimensão da divulgação da notícia errada.

- Ontem, no Bom Dia Brasil, da Rede Globo (isso provavelmente aconteceu em outros telejornais também, mas eu só vi nesse), ao falar do caso pela enésima vez, uma repórter acrescentou que havia faltado luz das 21h à 1h na delegacia onde a madrasta de Isabella está presa. Fim da reportagem. Sim, e daí, qual é a relevância disso pra qualquer coisa, a não ser encher lingüiça em uma pauta que está sem assunto? E é justamente pela falta de assunto que inúmeras besteiras sobre o "caso Isabella, o assassinato que comoveu o país" vão ao ar, algumas inocentes – como essa –, mas outras que podem prejudicar inclusive o andamento das investigações – coisas do tipo “um vizinho ouviu tal coisa” ou, como saiu hoje, “a casa da frente do prédio de Isabella foi invadida no mesmo dia do assassinato” (já desmentido, aparentemente).

Eu poderia escrever muito mais, mas prefiro deixar os links abaixo para que vocês leiam e reflitam, pois muito já foi (bem) escrito sobre essa cobertura estapafúrdia. Por favor, leiam. De novo: não estou dizendo que eles sejam inocentes, apenas que eles já foram condenados, com a ajuda da nossa bela imprensa.

Link 1

Link 2

Link 3

Link 4

Notícias relevantes

Grêmio é eliminado da Copa do Brasil
Tumulto deixa feridos no Olímpico após a eliminação
Grêmio terá um mês de férias até o Brasileirão

8 de abr de 2008

The Mist

Stephen King é, para mim, um cara injustiçado. Muita gente acha que ele escreve mal, mas hoje em dia várias pessoas “importantes” já voltaram atrás em relação a sua literatura. Muita gente acha que ele só escreve contos e livros de horror/terror, mas na verdade esse é só o seu gênero principal. Muita gente acha que as suas obras, quando adaptadas para o Cinema, não ficam boas, mas aí (e nas outras duas afirmações anteriores também) nós temos Frank Darabont para nos provar o contrário.

Dono de uma filmografia curta, dos quatro longas-metragens da sua carreira, três são adaptações de obras literárias de King: além de The Mist ele dirigiu e escreveu Um Sonho de Liberdade e À Espera de um Milagre. Esses dois últimos não são de terror/horror; o primeiro é um drama que se passa dentro de um presídio (e que está em segundo lugar na lista do Top 250 do IMDB, maior banco de dados de Cinema do mundo, na votação dos internautas como melhor filme de todos os tempos – e com a mesma nota do primeiro lugar) e o segundo é um drama com toques de realismo fantástico aclamado por crítica e público. Faltava a Darabont adaptar uma obra de terror de King, já que são poucos os filmes do gênero baseados em livros do “mestre do horror” que são realmente memoráveis (me lembro só de Carrie, a Estranha e O Iluminado, e gostaria de esquecer porcarias como Cujo e O Apanhador de Sonhos) e ele parece captar como ninguém o universo do cara. Com The Mist, portanto, tudo parecia levar a crer que teríamos um baita filme de terror. Depois de assistir o filme, posso dizer que, se não temos um baita filme de terror, pelo menos temos uma bela adaptação de uma obra de King. Na verdade, se Darabont não tivesse acertado tanto a mão nos dois outros filmes ou se outra pessoa tivesse assinado The Mist, o resultado seria mais evidenciado, pois não se esperaria tanto. Porém, comparado com as suas outras adaptações, essa é realmente a sua pior cartada. Só que isso não quer dizer que necessariamente o filme seja ruim.

A história é a seguinte: após uma violenta tempestade, uma neblina toma conta de uma pequena cidade do Maine, aprisionando dezenas de pessoas em um supermercado. O problema é que essa neblina esconde monstros que vão desde insetos gigantes até uma espécie de dinossauro gigantesco, e agora as pessoas terão que lutar por suas vidas. Não bastasse os seres estranhos, começam a surgir divergências sérias entre o grupo, o que torna tudo mais tenso.

Pessoas presas num lugar, sendo ameaçadas por algo misterioso? Sim, esse tipo de história vem sendo contada há anos por diversos filmes (de vampiros e mortos-vivos, principalmente), mas como diz o próprio Stephen King num de seus contos, “não importa a história, importa o narrador”. Aqui, Darabont consegue dar dinamismo suficiente para a história caminhar de maneira inesperada, retirando cedo personagens que pensávamos que fossem ficar até o fim e dando a outros, que tinham menos importância até então, uma grade força. Os diálogos são muito bem construídos, particularmente em um filme do gênero, dando tridimensionalidade a seus personagens (a exceção fica com o baixinho Ollie).

Os bichos que vêm com a neblina logo mostram que não estão de brincadeira; fortes e rápidos, matam as pessoas sem dó e são muito superiores aos humanos, como mostra a seqüência em que algumas criaturas invadem o supermercado e causam um belo estrago. O problema é que os efeitos visuais não são lá grande coisa, fazendo com que a maioria dos ataques perca parte do impacto. A exceção está nas seqüências que envolvem a neblina, o que faz com que os efeitos possam ser ajudados pela pouca visibilidade existente.

Aliás, um recurso presente na maior parte dos filmes de suspense/terror é justamente a falta de visibilidade (graças à escuridão), o que felizmente não acontece em The Mist. Se ela existe para ajudar alguns efeitos visuais, ela não se faz presente para causar medo ou sustos. Pelo contrário: quase toda a película se passa no claro, o que é mais um ponto positivo, visto que mesmo assim o filme consegue o mérito de assustar, causar medo e tensão e prender o espectador na cadeira.

Outro mérito do filme é justamente trazer o suspense também para dentro do supermercado; sabemos que existem monstros lá fora, mas mesmo quando eles não entram nos mantemos em tensão constante graças aos problemas internos, relativos à própria natureza do ser humano, que começa a agir de maneira diferente ao topar com uma situação inexplicável. Dessa forma, temos uma pregadora religiosa que em questão de horas passa de louca a exemplo a ser seguido, criando um séquito ao seu redor apenas com sua teoria do Antigo Testamento, gritando que Deus está castigando a humanidade pelos pecados que ela vive cometendo; um advogado incrédulo (até mesmo por questões pessoais) que lidera um grupo que quer sair do supermercado para buscar ajuda; e finalmente, o grupo do “mocinho”, que tenta manter a calma e fazer tudo da maneira mais racional possível. À medida que o tempo vai passando esses conflitos vão aumentando, tornando a situação de dentro do supermercado tão ruim quanto a de fora.

Aliás, o papel de Marcia Gay Harden é irritantemente bom - ao contrário dos outros atores, apenas ok. Lembrando em algumas cenas a mãe de Carrie, a atriz imprime um olhar triste e insano que lhe dá muita verossimilhança ao bradar frases sobre o castigo divino. E é interessante notar que à medida que suas previsões parecem ter efeito muita gente passa a acompanhar suas pregações e ser um seguidor. Esse mini-culto fica tão cego que chega a praticar um “sacrifício” em nome de Deus. Aqui está uma óbvia crítica à cegueira religiosa. Por outro lado, o grupo de Thomas Jane (o “mocinho”) é mais racional. Isso não significa que eles não sejam contraditórios: para ajudar uma pessoa muito ferida eles se arriscam a sair do supermercado para alcançar a farmácia ao lado, correndo o risco de sacrificar mais vidas ainda – o que de fato acontece. Apesar disso, esse evento na farmácia é importante para a história; afinal, depois dele um dos personagens passa, a seguir o culto fanático-religioso e os outros finalmente decidem que permanecer no mercado não vai servir de nada e tentam fugir dali.

Mas o principal em The Mist é, com certeza, o final: sem fazer concessão nenhuma ao espectador, o filme traz um desfecho que vai deixar a maioria das pessoas frustrada e/ou chocada, mas que é absolutamente genial pela originalidade que contém. Não se trata aqui de uma reviravolta no estilo Shyamalan; está mais para o final de Oldboy, uma tragédia que faz a gente exclamar (com o perdão do palavreado) “Puta merda!”.

FICHA TECNICA

The Mist - Nota B

Direção e roteiro: Frank Darabont. Com: Thomas Jane, Marcia Gay Harden, Laurie Holden.

7 de abr de 2008

1 imagem > 1000 palavras*


* Tá, é provocação pura, mas vamos admitir que não é todo o dia que isso acontece...

4 de abr de 2008

Mais uma...

...dos Malvados para não perder o costume. Como sempre, simplemente genial. Tem a ver com aquela série "O pior do Brasil é o brasileiro", lembram?


Tem mais aqui.

Religião não praticante (IV)

Ao ler o comentário do Rodrigo na última postagem, tive vontade de fazer um adendo. Ia escrever um comentário, mas como ele ficou grande vai como uma postagem mesmo.

Em um trecho do seu comentário ele diz que "boa parte dos que se dizem católicos afirmam o serem para estar em sintonia com a 'maioria da população do país'". Concordo absolutamente, é o tal "Maria-vai-com-as-outras" que eu falei. Esse trecho do comentário dele é ótimo pois nos mostra um aparente paradoxo: se tu for ver, na verdade a maioria da população do país cria uma maioria (que é aquela que elas querem pertencer) que não existe (a de supostos católicos), mas que acaba existindo de forma teórica e que influencia a vontade da maioria em ter uma religião. Se ficou confuso, usarei um exemplo numa escala micro: se somos quatro pessoas numa sala (Eu Mesmo, João, Pedro e Paulo, para exemplificar) e eu acredito que os outros três são católicos, vou dizer que também sou católico para ficar em sintonia com eles. Se o Paulo não é católico de repente acredita que nós três somos, vai fazer o mesmo. Idem com Pedro e com João. Logo, seremos quatro não-católicos numa sala de quatro católicos.

Maluco, né?

3 de abr de 2008

Religião não praticante (III)

Discutimos anteriormente uma condição essencial de pertencimento a uma religião e vimos, através de exemplos, que os católicos brasileiros não parecem seguir muito o código religioso do catolicismo. Hoje vamos tentar começar a entender o por quê desse abismo entre teoria e prática religiosa, de maneira muito resumida. Para isso, precisaremos voltar um pouco no tempo...

Em primeiro lugar, não sou tão ingênuo a ponto de acreditar que, por exemplo, na Idade Média as pessoas seguiam à risca TODOS os preceitos católicos. O caso é que as sociedades pré-Reforma (e algumas do período posterior também) eram muito mais regradas por preceitos religiosos do que somos hoje. Graças a uma combinação de fatores que envolve a Reforma e a ascensão do capitalismo, entre outros, a religião foi aos poucos deixando de regular todas as instâncias da vida social e tornando-se um elemento facultativo na vida das pessoas. O problema é que esse fenômeno de desassociação religiosa na sociedade se deu muito mais rapidamente do que outro fenômeno que deveria acompanhá-lo: o do desapego a uma religião ou, em outros termos, a desobrigatoriedade social de se ter uma religião X ou Y.

Explico: o tempo foi passando, os Estados-Nação foram tornando-se cada vez mais laicos – por uma série de motivos –, e com isso a influência da religião nas Leis e nos códigos sociais, muito grande antes, foi ficando mais fraca. Por outro lado, as pessoas começaram a se desinteressar pela religião institucionalizada na esfera íntima da vida social numa velocidade muito, mas muito menor. O resultado dessa equação torta é a situação que temos hoje: pessoas que acreditam em um Ser criador (visto que a necessidade de crer em algo além do nosso conhecimento não está nem um pouco próxima de sequer diminuir) que de certa forma se obrigam a uma filiação em alguma religião institucionalizada. Essa religião, por sua vez, tem o seu particular código religioso. O conflito entre o que cada um pensa (o seu “código moral”) e o que aquela religião manda (o código religioso) aparece então, e a pessoa prefere continuar considerando-se religiosa e não seguir todo o código religioso a simplesmente negar aquela religião (ou todas as religiões).

A época moderna e a sua sucessora (a pós-modernidade) também são responsáveis por essa transformação de pensamento em relação às religiões. Com a modernidade nós temos, entre outras coisas, a Reforma Protestante, a primeira bem-sucedida tentativa de duvidar de preceitos católicos depois de muito tempo. Isso serviu como um exemplo de que as pessoas “comuns” podiam interpretar as normas da Igreja do seu jeito, e foi o que de fato aconteceu, ao longo dos séculos que se seguiram.

Já à pós-modernidade pode ser atribuído algum crédito nesse processo graças à relativização, que alcançou todos os níveis possíveis, da Física a Religião. No mundo de hoje, tudo é relativo. Par o relativismo, o que eu penso é o certo e ponto final, visto que o mundo é o que eu vejo (bobagens de uma pseudo-física quântica, mas vá lá). Nesse sentido, seguir normas pré-estabelecidas há séculos ou milênios é um contra-senso; sou eu quem deve fazer meu caminho. Percebam que não estou afirmando que isso é certo ou errado; apenas estou mostrando que pensar assim E seguir uma religião é uma contradição em termos.

No Brasil, isso tudo se dá particularmente com o catolicismo, dada a nossa herança portuguesa. Por isso temos aqui cerca de três quartos de supostos católicos no país. Em um movimento “Maria-vai-com-as-outras” vicioso, as pessoas se obrigam e obrigam as outras a escolher uma religião (normalmente a católica, mas é bom lembrar que outras também são bem citadas, como a espírita, por exemplo). Essas mesmas pessoas, que se consideram tão “esclarecidas” (e aqui esse termo não poderia ser melhor, porque ele faz referência exatamente ao Iluminismo), são as mesmas que criticam ou tiram sarro das pessoas “crentes”. Ora, como vimos antes, teoricamente TODOS os religiosos são crentes, visto que têm que acreditar no que os mentores daquela igreja (bispos, pastores, padres, ministros) falam. De novo, percebam que eu não estou dizendo que não seja um absurdo seguir normas religiosas; estou tentando mostrar a contradição da maioria das pessoas que dizer ter uma religião e criticam aquelas que são carolas. Um ótimo exemplo a dar é o dízimo: fazendo parte de quase todas as religiões (mesmo aquelas que não o institucionalizaram costumam pedir “contribuições para ajudar o trabalho”), ele é normalmente associado no Brasil apenas às religiões evangélicas (Igreja Universal, Show da Fé, etc.). A maioria dos católicos acha um absurdo dar dinheiro àquele pastor da televisão que só fala "bobagens", mas esquece que o dízimo está estipulado também na Igreja Católica, e que no Brasil ele voltou a ser implantado pela CNBB na Igreja Católica após 1969. Como diz o ditado, pimenta nos olhos dos outros...

Dessa forma, estamos escolhendo nós mesmos, entre um código religioso, regras que nos convenham. Ora, fazer isso e ainda dizer que pertence a determinada religião é um absurdo, justamente pela questão da fé; em nenhuma religião está escrito que as regras (normalmente divinas) são facultativas e que devem ser julgadas por cada um, bem pelo contrário. Em todas temos punições severas para quem não as cumpre durante sua vida (Inferno para os católicos, punições em uma próxima vida para os espíritas, etc.). Se tu quer escolher no que acreditar, beleza. Crie seu próprio código e viva de acordo com ele, mas não diga que é religioso, porque ser religioso não é acreditar em um Deus, mas seguir uma religião.

Percebam que não estou entrando no mérito de que parte desse código religioso (ou todo ele) foi feito por pessoas, que escolheram seus critérios arbitrariamente, baseados por escolhas pessoais ou políticas. Afinal, se você é religioso e acredita realmente que esse código religioso não é divino, mas mundano, está entrando em uma contradição em termos. Argumentar que os padres são mundanos, que uma parte deles é pedófila, que o Papa é nazista, etc., não serve para se abster de cumprir as ordens divinas; afinal, os erros dos “funcionários” da Igreja não justificam os seus, visto que o código religioso deve ser atendido por todos – afinal, o castigo (Inferno) e a redenção (Céu) são para todos.

Não sou católico, muito menos religioso. Quando falo aqui de pecado, de Céu, etc., estou utilizando termos próprios da Igreja Católica, que fazem parte de um conjunto de normas que devem ser respeitadas por quem se diz dessa religião. Não estou defendendo que todos devam seguir os preceitos do catolicismo, mas o contrário; defendo que as pessoas parem de tomar uma postura hipócrita ao dizerem que são de determinada religião, mas não conseguem seguir nem os seus preceitos básicos, quanto mais TODOS eles – o que seria o ideal para um religioso de verdade. Se você duvida de algo na sua religião, logo você deixa de fazer parte dela. Afinal, a fé é o motor primordial de toda a crença religiosa, querendo ou não. Ao duvidarmos de algo que é baseado em fé, nos distanciamos daquela religião (seja nos atos ou nos pensamentos) e nos aproximamos de um ceticismo hipócrita, que tenta se esconder atrás de uma pseudosubjetividade travestida de crítica, típica da era pós-moderna.

Com isso, encerro mais uma parte dessa série. Não tenho muito mais a escrever sobre isso (acho), mas pelo menos de mais uma coisa eu quero tratar, e será no próximo “capítulo”: a questão da camisinha e da AIDS na concepção (trocadilho involuntário) da Igreja Católica.

2 de abr de 2008

Músicas do mês

Depois de tirar umas férias, “Músicas do Mês” volta à ativa. Peço desculpas adiantadas por colocar mais músicas dos mesmos artistas, mas tenho que dizer que considero essas bandas as melhores da atualidade (juntamente com Oasis e Queens of the Stone Age, entre outras poucas). Isso, aliado ao fato de que a minha mudança pra São Paulo bagunçou minha rotina de escutar e descobrir novas músicas, fez com que eu repetisse de novo as bandas. Mas pelo menos tem Norah Jones também...

Pearl Jam – Love Boat Captain – mais uma música sensacional do sensacional disco Riot Act. Falando essencialmente da importância do amor em nossas vidas, essa música trata também de um episódio delicado na carreira dos caras (Lost nine friends we'll never know.../2 years ago today). Num show em 30 de junho de 2000, no Roskilde Festival, na Dinamarca, nove pessoas morreram após uma confusão causada porque todo mundo quis chegar mais perto do palco na mesma hora. O tumulto aconteceu na frente dos caras, que tentaram em vão fazer com que a platéia ficasse calma e parasse de tentar vir mais para frente. O desespero dos integrantes da banda ao ver a tragédia fez com que eles declarassem que não iam mais fazer shows em estádios, apenas em pequenos teatros e ginásios. Curiosamente, eles voltaram atrás justamente para fazer os seus shows aqui no Brasil, em 2006. A letra também faz referência a uma canção dos Beatles, “All You Need Is Love” (I know it's already been sung,...can't be said enough/Love is all you need,..all you need is love), mas a minha parte favorita é o refrão, quando Eddie Vedder canta a plenos pulmões Hold me, and make it the truth/That when all is lost there will be you/Cause to the universe I don’t mean a thing/And there’s just one word I still believe/And it’s love. Sensacional...



Foo Fighters – The Pretender – Canção que concorreu ao Grammy de melhor música do ano e primeiro single desse baita álbum (Echoes, Silence, Patience & Grace - que inclusive ganhou o Grammy de melhor disco de rock e também concorreu como melhor disco do ano), essa canção começa com um dedilhado que lembra um pouco Stairway to Heaven, do Led Zeppelin, apenas para depois explodir com uma guitarra nervosa que fica alimentando o que vai ser o explosivo refrão da música. Após uma parte mais lenta, com o mesmo dedilhado do início, o último refrão segue até um improvável coda que termina a música de um jeito muito, mas muito bom.



Norah Jones – Sunrise – A ternura dessa música é quase indescritível; a tranqüilidade que ela me passa também. Por todos esses predicados (e pela bela melodia) ela foi um dos destaques no mês passado. Simples assim, curto e grosso – características opostas a essa bela canção.

1 de abr de 2008

O melhor do mundo

Esse ano não tem pra ninguém, o Cristiano Ronaldo leva o título de melhor do mundo. Já deveria ter recebido no ano passado, mas se vier esse ano a injustiça será minimizada. Para um rápido exemplo do que ele está jogando, vejam os gols da goleada do Manchester United sobre o Aston Villa no último final de semana, pelo Campeonato Inglês. Atentem para o primeiro gol e para o seu passe no terceiro:

Creative Commons License

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.