31 de mai de 2007

C***lho!!!

A Disney é um império satanista!!!


Músicas do Mês

Pela primeira vez nessa seção teremos duas músicas nacionais:

Os Paralamas do Sucesso - Mensagem de Amor - Uma das melhores bandas brasileiras dos anos 80 (na verdade eles são, tecnicamente, dos anos 70, mas...), o trio liderado por Herbert Vianna cometeu essa música lá naquela década tão rememorada hoje em dia (ela foi composta para o disco O Passo do Lui, de 1984). Apesar da regravação mais calminha - e até mais condizente com a letra - feita para o disco Arquivo II, de 2000, a versão original é muito melhor. Mas a que eu escolho como música do mês é aquela que está no DVD Uns Dias Ao Vivo, de 2004. Mais pesada e com aquele climão causado pela multidão que cerca a banda (nesse show eles tocam num palco no meio do público), Mensagem de Amor fica irrepreensível. Por último, é bom lembrar da letra, belíssima - principalmente a primeira parte -, que obviamente é a mesma em todas as versões.

Barão Vermelho - Codinome Beija-Flor - Nunca fui muito fã da banda, mas confesso que a versão dessa música que consta no álbum MTV Ao Vivo, de 2005, é matadora. Ainda mais depois de ver o clipe. Explico: todo mundo sabe que o Cazuza foi vocalista da banda até a metade da década de 80, e que os remanescentes nunca encararam muito bem a sua saída. A banda sobreviveu bem sem ele, tendo Frejat como vocalista desde então. Pois bem, o Barão foi fazer esse show, que iria virar disco duplo, para a MTV. Começaram a tocar Codinome Beija-Flor, até que, no segundo verso da música, surge no telão ninguém menos do que o Cazuza, que começa a cantar aquela parte fazendo um dueto com Frejat - dueto no estilo Nat King Cole e Natalie Cole, em Unforgettable. É de arrepiar, ainda mais vendo a reação dos fãs, que parecem não acreditar no que estão vendo. O instrumental também valoriza bastante a emoção da música, acompanhada pela excelente letra que exige uma linha vocal peculiar (que coincidência é o amor / a nossa música nunca mais tocou). Atualmente, a banda entrou em mais um recesso - o segundo da década (?) - para os seus integrantes seguirem suas carreiras solo. Ao que parece, o velho Barão não vai voar tão longe.

Grêmio 2 X 0 Santos

Estádio Olímpico Monumental, Porto Alegre
Gols: Tcheco 33' 1t e Carlos Eduardo 35' 1t

É sempre muito legal acompanhar na Libertadores o confronto entre os dois melhores times da atualidade no Brasil. Ano passado deu para ver (Inter x São Paulo, pelas finais), e esse ano não será diferente. Os primeiros noventa minutos foram disputados ontem e o Grêmio saiu na frente, e bem.

Indiscutivelmente os gaúchos fizeram sua melhor partida na Libertadores. O Santos não conseguiu jogar, exceção feita a um chute ainda no primeiro tempo com grande defesa de Saja. Todos os gremistas marcavam implacavelmente, sem deixar espaço nenhum e saindo rápido nos contra-ataques.

O Grêmio segurava os santistas até que Diego Souza foi derrubado na área, num pênalti duvidoso mas bem marcado. Tcheco bateu e fez o primeiro. Logo em seguida, o zagueiro santista esqueceu que o jogo era sério e deu o segundo gol para o tricolor. Depois disso, o Santos rezou para o primeiro tempo terminar o mais rápido possível. E fez bem, porque o jogo poderia muito bem ter terminado uns 4 a 0 ainda nos primeiros quarenta e cinco minutos.

O segundo tempo começou com o Santos partindo para o ataque, mas sem o menor poder de fogo. O Grêmio continuava contendo a equipe adversária e sendo mais perigoso. Sandro Goiano foi derrubado na área, mas o árbitro achou que um pênalti estava de bom tamanho e não marcou nada.

Por último, mais uma vez a torcida gaúcha deu uma aula de como torcer. Cantou nos noventa minutos, fazendo com que a vitória dos onze jogadores fosse também, de certa forma, sua.

Assim, o jogo chegou ao seu final estabelecendo uma ótima vantagem para os gremistas, tanto efetiva quanto moral. Afinal, deram um baile naquele que muitos apontam como o melhor time do país. Agora ficou tudo para a Vila Belmiro. O Grêmio leva grande vantagem, mas nem tudo está perdido para o Peixe. E aí, quem vai à final?

(Para a visão gremista da partida, clique aqui)

30 de mai de 2007

10 gols estúpidos

É por essas e outras que eu amo futebol!!

29 de mai de 2007

Pra quem ainda é a favor das cotas para negros...

... essa matéria foi feita para você:

Cotas na UnB: gêmeo idêntico é barrado

EUA: burros ou não?

De vez em quando a gente escuta (ou fala) algo do tipo "os americanos são estúpidos". Normalmente isso está associado ou ao fato de os EUA terem George W. Bush como presidente (cada país tem o governante que merece) ou à ignorância norte-americana em relação ao resto do mundo. O vídeo abaixo mostra algumas respostas bem interessantes para quem adora esculachar os nossos primos ricos. Trata-se de várias perguntas sobre outros países, todas com respostas inacreditáveis. Após a primeira assisitida, chega-se à fácil conclusão de que eles são assim, eles são assado, etc. Porém, pensando um pouco além, pode-se problematizar um pouco a coisa. Veja o vídeo e continue a ler depois:





Assistiu? Vamos lá, então: em primeiro lugar, as impressões óbvias: o vídeo é ao mesmo tempo engraçado e chocante. Engraçado pelas respostas totalmente sem noção - atacar o Brasil? - e chocante pelo total desconhecimento do mundo que os cerca. Mas, olhando mais a fundo, percebe-se que a edição provavelmente privilegiou as respostas erradas. Quem respondeu certo não apareceu. A questão seria saber a porcentagem dos que não apareceram, a fim de esclarecer quem representa a maioria - os ignorantes ou os "não-ignorantes". É claro que tem muita gente burra lá nos EUA, mas não dá pra generalizar tanto assim.

Depois, é preciso relativizar algumas coisas. Tudo bem que tem respostas muito absurdas (dez Torres Eiffel, islamismo como religião de Israel, etc.), mas a verdade é que, se essas perguntas fossem feitas aqui a brasileiros, talvez as respostas não fossem assim tão diferentes. Afinal, o conhecimento do brasileiro médio a respeito de outros países não é tão bom assim. Sempre uso um exemplo: o que a gente sabe sobre as Guianas e o Suriname, países que ficam no nosso continente? O que sabemos sobre a África, além do fato de haver leões, zebras e negros? Enfim, é fácil falar da ignorância dos outros.

Dizer tudo isso não significa idolatrar os americanos, nem evitar chamá-los de estúpidos ou ignorantes. Afinal, o fato é que George W. Bush foi reeleito e eles sim, desconhecem qualquer outro que não seus vizinhos de porta - e olhe lá. A questão é que nós também somos, de certa forma, assim na política - já elegemos Collor, duas vezes FHC e duas vezes Lula, tudo recentemente - e nas relações com o outro - afinal, colombiano, peruano, boliviano é tudo igual -, e não fazemos nada para mudar isso. Entretanto, não hesitamos em criticar aqueles a quem culpamos por todos os males do mundo - se bobear, pelas nossas ignorâncias também -, o que acaba prejudicando qualquer expectativa de uma mudança partindo daqui de dentro. E aí, quando sai um filme do tipo Turistas, ficamos todos indignados com isso, tramamos boicotes pela internet e o escambau. Agora, para fazer qualquer coisa a respeito de questões internas, que dizem respeito a nós, tais como o alto índice de corrupção generalizada na sociedade, a desigualdade social, o preço da passagem de ônibus, etc., aí a gente fica em casa, reclamando disso tudo e da culpa que os americanos têm sobre isso.

Postagem inspirada por outra lá no Cão Uivador

C***lho!!!

Como pintar a Mona Lisa no Paint

24 de mai de 2007

Grêmio 2(4) X (2)0 Defensor

Estádio Olímpico Monumental, Porto Alegre
Gols: Tcheco 22' 1t e Teco 44' 1t

Dizem que uma grande defesa começa com um grande goleiro. Seguindo essa lógica, um pequeno Defensor jogou contra o Grêmio ontem. Isso porque o seu goleiro... Sua participação foi tão bizarra na noite de ontem que escolhi ver o jogo através desse personagem único. Deixo a avaliação do jogo para meu colega gremista - muito boa, por sinal.

Primeiro, o primeiro gol. Cobrança fraquinha de Tcheco, a bola quica na sua frente e ele educadamente a deixa entrar, talvez como um pequeno presente da visita para o dono da casa. Depois, o segundo gol pelo meio das pernas. Tá, não foi frango, mas uma bola entre as pernas tem o seu valor simbólico. Mas o melhor - pior? - ainda estaria por vir: a decisão por pênaltis.

No primeiro pênalti, Martín Silva conseguiu uma façanha: a bola vinha direto nas suas mãos, quando de repente a danada escorrega por entre elas e vai direto no seu nariz, indo logo em seguida para dentro do gol. Nos outros pênaltis, ele decidiu homenagear o seu personagem favorito: Horácio, o simpático dinossauro do Maurício de Souza. É, aquele que tem os braços pequeninhos, meio para dentro, quase um deficiente físico. Pois em nenhuma outra bola o goleiro do Defensor foi capaz de esticar os braços. Veja em algum VT o último pênalti do Grêmio, exemplar nesse sentido: a bola vai no ângulo, indefensável para qualquer goleiro. Mas Horácio (Martín) nem sequer tenta alcançar a bola. Pelo contrário, faz um movimento ioiô com seus braços, começando a esticá-los para logo em seguida retrai-los com a graça de um dinossaurinho.

Pra não dizer que Martín Silva só falhou, vale como argumento o fato de que ele fez uma boa defesa no segundo tempo, quando defendeu uma bola com a perna e o braço ao mesmo tempo (?), e os seus colegas de time, que não sabiam que o objetivo dos pênaltis é acertar a bola dentro dos limites da trave e decidiram bater tiros de meta.

Enfim, o Grêmio está na semifinal da Libertadores e vai pegar outro brasileiro, o Santos. As chances de passar às finais são boas, melhores ainda pelo fato de que Amoroso não joga a primeira partida, graças à bela voadora na nuca que deu em um adversário. Aliás, ele está conseguindo jogar no Grêmio menos do que jogou no Corinthians, o que não deixa de ser uma façanha. Infelizmente, os gremistas também jogarão desfalcados de Horácio, o goleiro.

(Para a visão gremista da partida, clique aqui)

23 de mai de 2007

Brasil, o maior país satanista do mundo?

O Satanismo, ao contrário do que muitos pensam, não é adorar o Capeta, o Cramulhão, o Tinhoso, o Coisa-Ruim, o Canhoto, o Tranca-Rua, o Diabo, enfim, o Satanás. Trata-se de um movimento religioso e filosófico que se foca no avanço espiritual e/ou hedonista do indivíduo em vez de se focar na submissão a uma divindade ou a um conjunto de códigos morais. Isso significa que isso não tem a ver necessariamente com demônios ou coisas do tipo.

Essa prática está muito mais associada, na verdade, ao individualismo. Para o satanista, Deus, Diabo, anjos, santos, etc., são apenas fragmentos da personalidade de cada um. Quando alguém exterioriza esse "Deus" ou "Diabo", não está fazendo nada mais do que deixando sua "majestade natural" de lado para adorar idéias que não são suas - adorando, indiretamente, as pessoas que criaram essas idéias. Isso significa que o Satanismo é a exaltação do Eu, e não uma oposição crua ao Cristianismo. É a "fuga de padrões pré-estabelecidos para a criação dos seus próprios padrões, criados por si para si".

Porém, o fato de ter uma concepção oposta à da tradição judaico-cristã fez com que, ao longo do tempo, se associasse instantaneamente o Satanismo com demônios, rituais malignos, sacrifícios envolvendo virgens, mortes e, ultimamente, RPG (?). Dessa forma, ser satanista é, para o senso comum, ser alguém "do mal", provavelmente que usa sempre capa preta e vermelha e que chuta cachorros na rua. Obviamente, essa imagem foi construída principalmente pela Igreja Católica, particularmente após a Reforma Protestante.

É estranho pensar que uns 80% dos católicos brasileiros (exagerando pra baixo) não aceitam vários dogmas e regras da Igreja, preferindo agir segundo suas concepções pessoais, mas que continuam se dizendo católicos. Vão na Igreja, fazem o sinal da cruz, rezam ao Deus Católico, mas na hora de obedecer às ordens católicas mais controversas (mas que são Leis de Deus, ora bolas!), como fazer sexo só para procriação e depois do casamento ou não usar métodos anti-concepcionais, não o fazem até com um certo orgulho disso. Ora, ser satanista não é exatamente fugir "de padrões pré-estabelecidos para a criação dos seus próprios padrões, criados por si para si"? No mínimo paradoxal, não é mesmo?

Além disso, no Brasil, além dos códigos religiosos, os códigos morais também são freqüentemente desrespeitados em favorecimentos de padrões próprios. Por exemplo, um cara condena o roubo - que é condenável moralmente no Brasil -, mas daí vai ao supermercado e na hora de passar no caixa recebe troco a mais do que deveria ter recebido. Então, sai bem quietinho do estabelecimento e ainda conta para os amigos a sorte que ele teve. Enfim, só um pequeno exemplo dentre tantos para mostrar como os códigos morais são facilmente escanteados por padrões próprios, de acordo com a oportunidade. Exatamente como os valores religiosos.

Antes que me acusem de qualquer coisa, não sou satanista nem concordo em receber troco a mais e ficar quieto. Entretanto, não poderia me furtar de questionar nossos hábitos "católicos", que estão mais para satanistas.

Mas que a Xuxa é satanista, ah, isso é. Está aí o Pastor Josue Yrion que não me deixa mentir.


C***lho!!!

21 de mai de 2007

Perigo!

A partir do semestre que vem eu começo a dar aula. Serão dois ou três semestres de estágio em sala de aula, para ensino fundamental e médio. Meu maior medo não é de tomar um tiro, um soco, de perder a autoridade na sala, de me dar um branco na hora de falar alguma coisa, nem nada. O meu maior medo é do nível que a molecada está hoje em dia, em tudo que é assunto. Parece papo de velho, mas a geração atual - essa que não conheceu máquina de escrever nem orelhão de fichinha, que já nasceu tetracampeão - está, de um modo geral, se perdendo. Valores de pernas pro ar, gostos duvidosos e mania de ser sem-noção sempre pautaram a adolescência de várias gerações, mas os adolescentes de hoje em dia estão se puxando.

A sua urgência pelo agora faz com que eles não conheçam quase nenhum filme, música ou livro que tenha sido lançado antes de 2000. Seus valores éticos são comparáveis aos do Paulo Maluf. Meninas que só querem dar, meninos que só querem comer (tá, tem também os emos, que dão e comem sem ordem de importância), ambos que só querem mentir.

Enfim, se eu conseguir que um mané desses saiba quem foi Dostoiévski ou que goste de algum filme do Kubrick, já me dou por satisfeito. Um só. Mas daí eu vejo esse vídeo e percebo como isso vai ser difícil...

Mais Malvados

20 de mai de 2007

Mentalidade de Época (3)


Dessa vez quero mostrar como o jornalismo, de vez em quando, tende a dar uma de Nostradamus e tenta adivinhar o futuro. Normalmente isso se dá com base em dados quase certos (isso é bem comum no futebol: "o Santos ganha certo do América-RN na Vila Belmiro"), mas que obviamente nem sempre acontecem. Um exemplo que retirei da Zero Hora de 1967 é a série de reportagens que esse jornal fez sobre a Guerra do Vietnã, que estava em pleno vapor naquela época e que ninguém sabia como ia acabar. Não sei se para vender mais jornal ou se pela nossa mórbida vontade de assistir catástrofes (talvez pelas duas coisas), os caras anunciavam a Guerra como "ante sala da 3ºGuerra Mundial". Claro que é covardia criticar essa previsão hoje, visto que sabemos que isso não aconteceu. A questão não é essa; é que muitas vezes isso ainda acontece, e o que é pior, muitos leitores reproduzem o discurso "nostradâmico". Afinal, os meios de comunicação são compostos de "formadores de opinião", cujas opiniões parecem vir já isentas de qualquer crítica ou dúvida por parte das pessoas que as recebem. Logo, nós a recebemos, concordamos com ela e passamos a reproduzi-las ad infinitum.

Enfim, esse post é uma sugestão para pensar um pouco sobre aquilo que a gente lê, escuta e vê por aí. Pensar antes de apreender informação sempre é bom.

19 de mai de 2007

Propaganda vs. Realidade

Você já foi num bar, lanchonete ou restaurante, olhou aquela fotografia de um prato suculento ou um lanche delicioso, fez o pedido e depois ficou se sentindo enganado porque o que veio não tem nem um pouco a ver com o que estava na fotografia? Bem, isso me lembra uma cena antológica de Um Dia de Fúria, quando o personagem do Michael Douglas se indigna com isso e provoca uma grande confusão na lanchonete. Enfim, dê uma olhada nesse site com comparações entre o produto que está na foto e o que é de fato, e divirta-se (ou faça como o titio Douglas e revolte-se).


18 de mai de 2007

Defensor 2 X 0 Grêmio

Estádio Centenário, Montevidéo
Gols: Sorondo (D) 1' 1t e Martinez (D) 42' 1t

O Defensor já pode ser considerado a grande sensação da Libertadores de 2007. Apesar de ainda não ter enfrentado nenhum adversário realmente superior no mata-mata, enfrentou dois brasileiros e está indo bem. A última vítima foi o Grêmio, cuja derrota ontem por 2 a 0 decretou uma bela vantagem aos uruguaios.

O jogo já começou ruim para os gaúchos; antes de poder dizer Pindamonhangaba, já estavam atrás no marcador. Isso abala qualquer equipe e não foi diferente com o Grêmio. O time não conseguia imprimir seu ritmo, apesar de o Defensor também não assustar muito. O primeiro tempo estava indo embora de maneira bem chata até, quando os uruguaios ficaram com um jogador a menos (após um chamado "chute na cara" bem dado). Parecia então que teríamos um empate, talvez até uma virada. Foi quando, no fim do primeiro tempo, o Defensor decretou de vez a derrota tricolor, graças a uma saída do gol infeliz do caçador de borboletas Saja. No segundo tempo tivemos de um lado um time fazendo jus ao nome e se defendendo para garantir a vantagem e de outro um time que simplesmente não conseguiu traduzir a vantagem numérica em vantagem alguma.

Agora ficou difícil, mas não impossível, para o Grêmio. Afinal, até o Flamengo conseguiu fazer dois nos uruguaios. Por outro lado, o Defensor não é o Caxias e parece querer ser o Once Caldas e aprontar muito ainda na competição.

(Para a visão gremista da partida, clique aqui)

16 de mai de 2007

Plágio?

Sempre gostei de Family Guy (ou Uma Família da Pesada), principalmente por causa daqueles cortes rápidos para mostrar um flashback engraçado e revelador, seguido de outro corte rápido mostrando o presente. Por outro lado, sempre achei parecido demais com Os Simpsons, quase que uma "livre inspiração". Eis que dou de cara com esse vídeo, no mínimo curioso, acerca das "semelhanças" entre os dois seriados (sempre com o episódio de Os Simpsons sendo exibido primeiro, é bom lembrar). Acho que dava até processo...

15 de mai de 2007

Emo-Aranha

Me lembro que, ao sair das exibições de Homem-Aranha 1 e 2, saí com vontade de assistir o próximo filme da franquia. Isso graças à sensação gostosa de me ver enviado de volta aos meus 13, 14 anos, quando consumia os quadrinhos do aracnídeo de maneira vertiginosa. Os dois primeiros filmes conseguiam, mesmo com uma mudança aqui e ali na história original, passar toda a complexidade das histórias de Peter Parker - um sujeito simplório, um cara normal, um nerd, um loser. Enfim, alguém mais de carne e osso do que um super-herói convencional, alguém como qualquer um. Pois hoje, ao sair do cinema depois de ver Homem-Aranha 3, fiquei com os dois pés atrás em relação às próximas continuações (sim, é para sair pelo menos mais três filmes).

Homem-Aranha 3 nos mostra um Peter Parker de bem com a vida; tudo está dando certo para ele. Porém, alguns - muitos, como veremos adiante - eventos em cadeia vão acontecer e Parker terá que se virar para conseguir re-re-reconquistar Mary Jane e dar conta de três - três! - vilões.

Primeiro os elogios, só pra não dizer que eu não gostei de nada. Os efeitos efeitos são simplesmente fabulosos. Os mais de duzentos milhões de dólares (boatos dão conta de que, juntando com a publicidade, seriam mais de trezentos) investidos serviram para coroar o espectador com cenas de batalha fantásticas e vilões sensacionais. Homem-Areia e Venom estão quase idênticos aos gibis, realizando o sonho de muito marmanjo (eu incluído). Além disso, o filme engrena bem, contando aos poucos a nova - e confortável - situação do Aranha, prestes a pedir Mary Jane em casamento, e nos adiantando que tem vilão novo por aí - justamente o Homem-Areia.

Quem acompanhou a produção desse terceiro Homem-Aranha sabe que um quarto filme nunca esteve confirmado. Com isso, parece que os irmãos Raimi - que escreveram o argumento - quiseram colocar tudo o que eles achavam que ainda deveria ter na série, mesmo que isso só fosse possível de se conseguir convenientemente em mais do que um filme, nesse aqui mesmo. Teriam que desenvolver mais o Harry Osborn, mostrar mais um vilão, fazer surgir a Gwen Stacy e inserir o Venom - para isso ainda teriam que incluir a história do simbionte -, sem esquecer da Tia May, da Mary Jane, do J. J, Jameson, etc. Tudo isso, que levou anos nos gibis, teria que ser feito em um filme de pouco mais de duas horas. Por isso, somos bombardeados com uma penca de personagens que se sobrepõem, juntamente com inúmeras subtramas não muito bem desenvolvidas e soluções fáceis, beirando o inaceitável. A famosa suspensão da incredulidade tem que ser muito grande para dar conta de todas as coincidências do filme. Sem exagero, este é um dos filmes com mais coincidências por minuto que eu já vi.

Atenção: contém spoilers!!

Só para dar um exemplo: Peter tem uma colega chamada Gwen Stacy, que é bonita e está sendo flertada por um cara chamado Eddie Brock. Eddie começa a tirar fotos do Aranha e torna-se concorrente direto de Peter. Uma grua dá problema e começa a destruir um prédio - e quem está lá dentro? Gwen Stacy, prontamente salva pelo Aranha, que mais tarde recebe justamente dela a chave da cidade de Nova Iorque. Enquanto isso, um meteoro cai justo do lado do Aranha, de onde sai o simbionte que vai gerar mais tarde Venom, numa união com Eddie Brock, que quer se vingar de Peter por ele agora estar flertando com Gwen e ter arruinado sua carreira de fotógrafo após uma reação vingativa, graças ao seu comportamento incomum causado pelo simbionte. E isso tudo é apenas um exemplo...

Vocês devem estar pensando: tá, mas não é assim nos quadrinhos? Aí vem mais um defeito do roteiro: não, não é assim. Como foi dito mais acima, toda a trama que Homem-Aranha 3 aborda desenvolve-se por anos nas HQs. Gwen, por exemplo, morre antes de conhecer Venom. Tirando o caso do simbionte - que tem sua origem numa complexa saga que envolveu quase todos os heróis e vilões da Marvel, as Guerras Secretas, o que torna sua história "original" inviável de ser mostrada em um filme -, todas as outras alterações nas histórias dos outros personagens ou acontecimentos foram feitas com o intuito de fazer tudo caber num só filme.

Falando em Venom, a escolha de Topher Grace para o papel de Eddie Brock foi, ao meu ver, equivocada. Isso porque o Eddie dos quadrinhos é um cara "porradão", enquanto que Topher (que era o Eric na sitcom That's 70's Show) não tem esse perfil. Já Gwen Stacy e Flint Marko estão muito bem representados, respectivamente, por Bryce Dallas Howard (lindíssima, como a Gwen deve ser) e Thomas Haden Church.

Não posso deixar de mencionar o que foi utilizado para marcar a mundança no caráter de Parker quando ele está com um simbionte: a estética Emo. Essa foi uma solução gráfica para mostrar como ele estava diferente de antes. Ora, é uma decisão que, em, primeiro lugar, ignora a inteligência do espectador; parece que apenas a mudança de comportamento não seria suficiente para que fosse possível perceber que Parker estava diferente. Em segundo lugar, por que diabos escolher a estética Emo? Por causa da faixa etária da maioria dos espectadores em potencial ser a mesma desse estilo? Se fosse por isso, nos quadrinhos ele deveria ter virado poser ou grunge. E mesmo a mudança comportamental foi mostrada de maneira exagerada: se em alguns momentos nos ofereça os melhores momentos cômicos do filme, em outros ela força muito a barra, quando por exemplo ele está caminhando pela rua, ou - na pior parte do filme, sem dúvida - na cena da dança com Gwen.

Contando com um final deplorável, que utiliza trilha sonora e frases feitas para tentar emocionar a platéia, Homem-Aranha 3 é um estranho dentro da trilogia; tudo o que havia de positivo nos dois filmes anteriores foi ignorado, sendo substituído por escolhas equivocadas. Sinceramente, espero que os próximos filmes da franquia tornem este terceiro uma exceção à regra.

FICHA TÉCNICA:
Homem-Aranha 3 (Spider-Man 3) - 2007 - Nota D
Direção: Sam Raimi. Com: Tobey Maguire, Kirsten Dunst, Thomas Haden Church e
Topher Grace.

11 de mai de 2007

Inspirações

Ultimamente, lendo meus blogs favoritos eu me vi algumas vezes na mesma situação: vou comentar algum post, concordando ou discordando do que foi colocado, quando percebo que meu comentário daria um ótimo assunto para um post próprio. Portanto, vou aos poucos postando esses "comentários maiores", sempre dando o crédito da postagem original. O primeiro da série é um referente a esse post, do Kleiton do Cataclisma 14.

Para quem está com preguiça de ir até o link para ver do que se trata, um pequeno resumo: o texto mostra uma reportagem do Terra dizendo que o presidente da CNBB criticou o programa de educação sexual do governo federal por este induzir "à promiscuidade, ao promover a distribuição de preservativos". Por esse tipo de comportamento (que entre outras coisas pecaria "pela falta de bom senso dessa instituição, pela falta de adequação ao novo cenário mundial, por tentar tapar o sol com a peneira"), o texto conclui que a Igreja está perdendo muitos fiéis, perguntando-se se é tão difícil a Igreja ver que os tempos são outros.

Realmente, se olharmos as recomendações sociais que a Igreja faz aos seus fiéis e as analisar com uma visão "progressista", no sentido da história dos comportamentos, parece que há um grande atraso entre a visão católica e o que acontece no mundo hoje em dia. Mas é importante pensar que toda a religião, vista sob esse ponto de vista, é "atrasada". Isso porque o tempo das Igrejas não muda; as recomendações que constam de seus livros sagrados foram dadas há tempos imemoriáveis por personagens autorizados pelo seu Deus ou por Ele próprio; se Ele quisesse que essas regras mudassem, teria avisado. Portanto, as coisas continuam do mesmo jeito até segunda ordem. É claro que para algumas novas igrejas sempre se dá um jeito de se reinterpretar os escritos sagrados (a maioria das que eu me refiro se inspira no texto da Bíblia), e é exatamente por isso que elas estão roubando fiéis de religiões mais "conservadoras".

Mas não pensemos que no caso da Igreja Católica as coisas sempre foram imutáveis. Basta lembrar que antes do capitalismo obrigar as pessoas a trabalhar a preguiça não era considerada um dos sete pecados capitais, mas sim a acídia (ou tristeza, normalmente por uma visão pessimista das coisas). Além disso, o jejum da sexta-feira santa também passou por alterações ao longo do tempo, graças à falta de praticidade que ele implicava. Porém, essas alterações não significaram grandes mudanças nos dogmas (verdade divina que não aceita contestação) da Igreja Católica: em nada alteraram o significado dos pecados capitais nem o da Sexta-Feira Santa.

No caso específico da proibição do uso de qualquer método anti-concepcional (e não só da camisinha, vejam bem), no entanto, parece que se houvesse um "avanço" no sentido de aliviar a restrição - ou mesmo eliminá-la - isso poderia significar uma reação em cadeia em várias questões caras à religião católica, o que poderia por sua vez acarretar até o seu fim, pelo menos ideológico.

Vejam só: por que proibir os métodos anti-concepcionais? Ora, porque a gente só pode transar com o intuito de procriar (como diria a Comunidade Ninjitsu, igual a Bob Marley/uma trepada e um bebê). E mais: sexo, só depois do casamento. Para terminar, não esqueçamos que o adultério não é permitido, sendo proibido tanto pelos Dez Mandamentos e pelos Sete Pecados Capitais quanto em uma série de passagens bíblicas. Tudo isso junto dá no seguinte: não é preciso método anti-concepcional, nem camisinha. Ora, se não há traição e o sexo tem como único intuito fazer nenês, ninguém nunca vai pegar AIDS ou outra DST (a não ser em casos excepcionais, mas aí em quantidade suficientemente pequena para que nem se pense nesses métodos).

A sociedade mudou? Azar o dela, segundo os católicos. Quem é católico mesmo (o que eu chamo de "católico roots") vai continuar obedecendo às leis de Deus. É o homem que tem que se adaptar a elas, e não elas que têm que se adaptar às mudanças comportamentais do homem. É por isso que o divórcio ainda não é permitido pela Igreja Católica, trinta anos depois da sua aprovação laica. E é aí que entramos no risco de, ao mudar a concepção da camisinha, começarem a cair os dogmas da Igreja: o homem não é mais importante do que Deus e ponto final. O sexo é exclusivamente para procriar e ponto. E assim por diante.

Mas porque os dogmas da Igreja são tão importantes? Ora, só duas coisas no mundo impedem a gente de sair entrando nas casas alheias, estuprando as mulheres e pilhando o que vemos pela frente: as leis humanas (o Direito) e as leis divinas (nesse caso específico, o que a Igreja Católica diz). Gostando ou não, é preciso dar a essas duas instâncias a importância que lhes é devida, de controle do caos, de supressão dos nossos instintos, enfim, da ordem. Por tudo isso, talvez seja tão difícil de a Igreja mudar a sua concepção em relação aos anti-concepcionais (trocadilho infame, eu sei).

Para terminar, quero deixar claro que não sou católico nem defendo a posição do Papa. Afinal, como disse no início da frase anterior, não sou católico. Assim como não concordo inteiramente com nenhuma outra religião. Porém, são as concepções deles. Os judeus não comem porco, os hindus não comem vaca, os católicos não comem (quase) ninguém. Não tá afim de cumpri-las, bem, é só sair dessa ou daquela crença. Porque, como eu já disse outra vez, se você se diz pertencente a alguma religião, tem que cumprir à risca, sem perguntar o porquê. Agora, achar que o que a Igreja Católica diz tem alguma importância é no mínimo ingênuo; afinal, ninguém (ou quase ninguém) deixa de transar antes do casamento, por exemplo, porque o Papa disse que é errado. Então, porque se preocupar com isso?

10 de mai de 2007

Grêmio 2 x 0 São Paulo

Estádio Olímpico Monumental, Porto Alegre
Gols: 17'1T - Tcheco, 29'2T - Diego Souza

Parece que o São Paulo é freguês de gaúcho na Libertadores. Depois do Internacional ganhar o título em cima do tricolor paulista no ano passado, dessa vez foi do Grêmio a incumbência de derrotá-lo.

O jogo deve ter sido bom para torcer (o que não foi o meu caso), mas a verdade é que para assistir não foi tão bom assim. Isso porque as chances de gol foram poucas, principalmente no primeiro tempo, graças ao controle que o Grêmio teve na partida. Fez o primeiro gol, deu uma parada. Segurou o início do segundo tempo, fez outro gol e depois só garantiu a classificação. Só quando o técnico do São Paulo fez as alterações no intervalo, deixando seu time mais ofensivo, é que os gaúchos foram um pouco ameaçados. Mas, mesmo assim, os paulistas foram tão assustadores quanto um monstro daqueles filmes de ficção científica da década de 50. Tá, teve uma bola no travessão, mas foi de escanteio... Na verdade, o que mais assustou o Grêmio foi a contusão de Tcheco, autor do primeiro gol.

Parabéns ao Grêmio, que finalmente jogou bem - considerando "jogar bem" fazer o resultado necessário, de maneira pragmática - contra um adversário qualificado no ano. Parabéns a sua torcida, que deu show de novo (para quem não assistiu a partida pela Globo, no intervalo da partida, enquanto Galvão Bueno falava sobre a Timemania os torcedores gritavam a pleno pulmão "Ei, Galvão, vai tomar no cu!", fazendo o narrador preferido de Roberto Marinho gaguejar ao dar a notícia). E parabéns ao Diego Souza, melhor jogador dos dois jogos, premiado com o gol da classificação. Os gremistas devem ter acordado felizes hoje com a sensação de derrotar o São Paulo pela Libertadores. Nós, colorados, sabemos bem o que é isso.

(Para a visão gremista da partida, clique aqui)

7 de mai de 2007

Boa nova (MD Recomenda)

A melhor notícia do mundo blogueiro (para mim, é claro) é o retorno de Bruno Medina à frente de um blog. Depois do sensacional Instante Anterior, o tecladista do Los Hermanos iniciou na semana passada o Instante Posterior. Puxando pela memória, me lembro que foi um dos blogs que me inspiraram a criar um, que me fez ver que isso não era sinônimo de "diário virtual", essas coisas. Parece que ele vai manter a mesma fórmula do anterior, ou seja, contos e crônicas das mais bem escritas por aí. Qualidade garantida, espero que a quantidade também seja boa - e constante.

C***lho!!!

Isso é que é atendimento personalizado!

Operadora troca nome por palavrão em conta de cliente

4 de mai de 2007

Cannibal Holocaust

No post sobre o 300 eu havia mencionado por cima essa produção de 1980, que até hoje recebe o título de um dos filmes mais controversos de todos os tempos. E não é para menos. Trata-se de um daqueles filmes exploitation de diretores italianos do final da década de 70 e início da de 80, quando repetiam temas de filmes de sucesso de Hollywood com um orçamento muitíssimo menor. A diferença é que aqui o diretor Ruggero Deodato faz um quase mockumentary (um pseudo-documentário), utilizando uma estrutura de certa forma inovadora e com cenas bastante realistas, o que ajudou a promover o filme de maneira tão... diferente.

Atenção: contém spoilers (ou seja, se você ainda não viu o filme os próximos parágrafos podem estragar algumas surpresas...)

Cannibal Holocaust conta a história de um antropólogo (Robert Kerman) que é enviado para a fronteira do Peru com o Brasil para descobrir o que aconteceu com quatro jovens documentaristas (Carl Gabriel Yorke, Francesca Ciardi, Perry Pirkanen e Luca Barbareschi) que foram até lá dois meses antes para fazer um documentário sobre tribos canibais e não voltaram. O antropólogo e seus guias se aventuram no meio da mata e até descobrir o destino dos caras vão presenciar um estupro ritual seguido de morte (uma punição por adultério) e um assassinato de uma nativa de uma tribo pela tribo rival - entre outras coisas mais leves. Após descobrir que os jovens haviam sido mortos por uma das tribos canibais, ele consegue levar as fitas das gravações do documentário para os EUA. Lá, assiste as últimas horas do grupo e descobre o que realmente aconteceu. Durante a exibição dessas imagens, mais estupros, decapitações, canibalismo, empalamento e toda a sorte de atrocidades que a cabeça do roteirista Gianfranco Clerici conseguiu conceber.

Depois de lançado na Itália, o filme foi rapidamente censurado e o diretor preso, acusado primeiro por "obscenidade" e posteriormente por fazer um "snuff film" (um filme que contém mortes reais), baseado em rumores de que atores teriam realmente morrido durante as filmagens. Na verdade, houve assassinatos no filme, mas de animais: um quati, uma tartaruga gigante, uma aranha, uma cobra, dois macacos e um porco foram mortos para (perdoem o trocadilho) a execução do filme. Mesmo após retiradas as acusações - depois de Deodato ter conseguido provar que os atores estavam vivos -, o filme foi banido na Itália, Inglaterra, Austrália e uma pá de outros países, em alguns desses até hoje.

O pior é que o filme, apesar de moralmente reprovável em várias ocasiões, não é ruim. Mas primeiro vamos aos pontos negativos: em primeiro lugar, as mortes totalmente desnecessárias dos animais, que inclusive foram reprovadas pelo próprio Deodato anos depois. A maioria foi inserida apenas para aplacar um eventual sadismo do espectador e, além disso, todas poderiam ter sido montadas com bonecos (assim como as dos humanos, ora bolas!). Além disso, a edição é meio problemática em alguns momentos, quando a filmagem não é "documental": os cortes são muito bruscos em algumas ocasiões, o que não deixa de ser característico dos exploitation da época.


Mas é inegável a qualidade da trilha sonora de Riz Ortolani: apesar de claramente gravada em equipamentos precários, sua musicalidade ora contrasta de maneira eficiente com a atmosfera criada em algumas cenas, ora acentua todo o horror do meio daquela selva. Também é digna de nota a montagem do filme, que nos surpreende no fim do filme com a revelação de quem são os verdadeiros "selvagens". Afinal, descobre-se no final que os mocinhos não eram quem pareciam ser e que os bárbaros e atrasados indígenas foram na verdade primeiramente suas vítimas. Até que ponto nós, que nos auto-denominamos os racionais e os mais evoluídos da espécie humana, podemos efetivamente nos colocar no alto do pódio? Esse conceito de relativizar a nossa civilização em relação a uma outra é muito interessante, fornecendo uma bela crítica à auto-imagem ocidental. Por último, é importante destacar que filmes como Bruxa de Blair têm um grande tributo a pagar a Cannibal Holocaust, graças as suas imagens "documentais" e ao seu estilo pseudo-real.


No fim das contas, é um bom filme. Mas só assista se você tiver estômago forte. Bem forte.


FICHA TÉCNICA:
Cannibal Holocaust (1980) - Nota B
Direção: Ruggero Deodato. Com: Robert Kerman, Carl Gabriel Yorke, Francesca Ciardi, Perry Pirkanen e Luca Barbareschi.

3 de mai de 2007

São Paulo 1 x 0 Grêmio

Estádio Morumbi, São Paulo
Gol: 13' 2T Miranda

Ontem, no Morumbi, aconteceu uma partida curiosa: as duas equipes jogaram como se deve jogar um jogo de Libertadores, mas cada uma de um jeito diferente. E o São Paulo saiu com a vantagem.

Para o Grêmio, foi a primeira partida verdadeiramente gremista na competição: teve garra, raça, pontapé, chutão para frente, essas coisas que fazem o torcedor soltar um "ééééhhh" bem grande (eu poderia dizer que teve derrota também - o que não deixa de ser gremista -, mas daí o comentário soaria colorado demais). Enfim, utilizaram a máxima da Libertadores que diz: esse torneio é para macho. Diego Souza foi o melhor em campo, com dribles desconcertantes e chutes perigosos que obrigaram Rogério Ceni a mostrar suas qualidades debaixo das traves.

Já o São Paulo se utilizou de outra máxima da Libertadores: a de que não precisa jogar melhor para vencer o jogo. Tá, o tricolor paulista até jogou melhor uma parte do segundo tempo, mas na soma da partida - e pelo fato de jogar no Morumbi - dá pra dizer que foram os gaúchos que jogaram mais.

Os são paulinos não jogaram melhor mas ganharam, e isso é o que conta num mata-mata. De quebra, restituiram parcialmente a confiança por parte da torcida, confiança perdida após os péssimos últimos resultados. Para o Grêmio restou a esperança de que sim, dá para ganhar dos "paulista" no Olímpico e se classificar. Afinal, para quem meteu quatro no Caxias, ganhar de dois do São Paulo não parece tão impossível. Portanto, teremos uma segunda partida no mínimo interessante na quarta que vem.

(Para a visão gremista da partida, clique aqui)

2 de mai de 2007

Músicas do Mês

Silverchair - Young Modern Station - Nem acredito que o Silverchair, banda que eu não escutava há algum tempo, conseguiu colocar duas músicas em seqüência nessa seção. De qualquer forma, está aí. Trata-se da música que abre o mais novo álbum dos australianos de maneira arrebatadora. Desde a primeira audição ela não saiu mais da minha cabeça (coisa rara, pois costumo ir me acostumando com uma música até ter vontade de escutá-la). É uma música diferente do que a banda costumava fazer (aliás, o álbum é assim também - mas cada disco do Silverchair é um disco diferente, não é mesmo?), mas a essência ainda está lá e, juntamente com sua estrutura complexa, permite ao ouvinte uma sensação plena de "viagem". Muito boa, muito boa...

Counting Crows - I Wish I Was A Girl - Música que faz parte do mais-ou-menos terceiro álbum de estúdio da banda, This Desert Life. Como é de praxe tem uma letra melancólica, mas, até certo ponto, esperançosa (For all the things I'm losing / I might as well resign myself to try and make a change), acompanhada de um instrumental arrastado, como que com o freio de mão puxado. Instrumental esse que trava um diálogo com a letra, pois ouve-se sempre um chiado ao longo da música que conversa com o trecho And I could shake this static everytime I try to sleep. Para ouvir num dia chuvoso, olhando ao longe pela janela.

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