31 de mai de 2008

Músicas do Mês

Uma das séries mais queridas aqui do MD (pelo menos por mim), Músicas do mês está sendo negligenciada pelo dono do blog. Lamentável isso, vou tentar não ratear mais. Dito isso, vamos aos campeões do mês:

Coldplay – Hardest Part – essa música já me acompanha desde a primeira vez que escutei o X&Y, terceiro disco dos caras. Porém, sempre tinha alguma coisa que fazia com que ela não entrasse na lista – normalmente, outras músicas mais ouvidas, lógico. Em maio, o que deu uma mãozinha para Hardest Part entrar aqui foi o TVZ, que passou o clipe dessa música muitas vezes. Aliás, que clipe horrível, hein? O Coldplay, em termos de videoclipes, deveria ter feito sucesso nos anos 80...

System of a Down – Holy Mountains – Apesar da letra não ser tudo aquilo e a música não ter tantas trocas de estilo musical na mesma música (coisa que eu adoro na banda), essa música me cativou muito em maio. Isso graças ao seu riff de guitarra, um dos mais bacanas desde, sei lá, Pretty Fly. Se na música do Offspring a única coisa que prestava mesmo era o tal riff, em Holy Mountains ele é parte integrante de um todo muito competente (é a melhor parte, mesmo assim). A banda utiliza-o muito bem nos momentos certos, e aí não tem como não ficar o dia todo com ele na cabeça.

Amy Winehouse – You Know I’m No Good - Assim como em Holy Mountains, aqui também existe uma parte específica da música que é muito boa – só que não é um riff de guitarra. Trata-se de um “mini-solo” de metais que deixa a música mais dançante ainda. Isso, aliado à excelente voz daquela que de tanto pisar na jaca tem a data de sua morte sendo apostada em bolões internet afora, foi uma diversão e tanto no mês que passou.

29 de mai de 2008

São Paulo IV

Dia desses eu e a minha mulher estávamos querendo comprar umas frutas e verduras, e o supermercado perto de casa estava com uns tomates terríveis. Então nos lembramos que parecia haver uma fruteira ali por perto, mas não lembrávamos onde. Fomos até um boteco próximo e perguntamos ao atendente do balcão:
- Com licença, tem uma fruteira aqui por perto, né?
- Hã?
- Uma fruteira.
- Fruta?
- Fruteira!
- ...
- Tem algum local que venda frutas por aqui?
- Ali no supermercado tem fruta (apontando para o super de tomates horríveis).
- Sim, isso eu sei, eu queria saber onde tem uma fruteira...
- Um lugar que vende fruta?

Como deu pra notar, aqui em São Paulo não existe “fruteira”. Esse tipo de estabelecimento é conhecido por aqui como "Sacolão". Ah, tá.

19 de mai de 2008

Mais uma lista³

Aí vaí mais uma lista com filmes, desta vez com os 1001 filmes que você precisa assistir antes de morrer, separados por ano e até 2003. Clique aqui e pegue várias sugestões para o feriadão!

15 de mai de 2008

2035

Clique aqui para ler o primeiro capítulo da genial série de André Dahmer, baseada em um futuro apocalíptico que lembre muito o do filme 12 Macacos - e que, segundo as citações que ele utiliza entre as tiras, não tão improvável assim...

13 de mai de 2008

C***lho!!!

Ainda com os animais amestrados, desta vez com... insetos!!!

São Paulo III

Hoje vou começar a falar sobre os problemas de comunicação que existem para um gaúcho que recém se mudou para São Paulo, através de historinhas didáticas e reais acontecidas com este que vos escreve. Acreditem, são várias as expressões que causam confusão aqui em SP. A primeira e mais clássica, aquele pão que todos nós, gaúchos, somos alertados pelos pais e amigos a não pedir quando sairmos do estado, o cacetinho, já é muito conhecida, e eu não tive esse problema por aqui (pedi direto pão francês e era isso). Já com outras...

Torradeira* – tínhamos uma torradeira aqui, que nos primeiros tempos em São Paulo rapidamente se transformou em item de primeira necessidade. Já estava adorando fazer e comer torradas dos mais diversos tipos quando vejo que a coitada da torradeira veio a falecer. Só conseguimos comprar outra semanas depois, e minha alegria ao fazê-lo foi tanta que a compartilhei com meus colegas de trabalho - todos paulistas:
Eu Mesmo - Bá, comprei uma torradeira ontem, a minha outra tinha queimado. Era igual a essa aqui (apontando pra uma).
Paulista - Então meu, isso não é torradeira, é sanduicheira.
E.M. - Como assim? O que é uma torradeira pra vocês?
P. - Então, é aquilo ali, ó (apontando uma outra torradeira, só que daquelas de desenho animado).
E.M.- Tá, então pra que serve essa torradeira de vocês?
P. - Para fazer torrada, meu.
E.M. – Sim, e a “sanduicheira”?
P. – Então, é para fazer sanduíche.
E.M. – Mas para fazer sanduíche não precisamos TORRAR o pão, não é mesmo? Logo, o resultado da “sanduicheira” não é uma TORRADA?
P. – Não, é um sanduíche.

Ah, tá...
* diálogo meramente ilustrativo.

9 de mai de 2008

Faço minhas as suas palavras

Tem gente que vai chamar isto de Lulismo, mas eu já perdi o fio da meada de todas as tentativas de colar alguma coisa no Lula. E mais recentemente, essa confusão da Dilma. A oposição está atirando para tantos lados que eu já não entendo mais nada. E garanto que o povão entende o seguinte:

kjjlkgdf, dossiê hjsfdg lskdfs lsdfk! fskjd odpek FHC mlkjsdf ldlk Dilma, Lula, qwoqiurwer.

Agora está essa discussão sobre teve ou ou não teve dossiê dos gastos do FHC. E se saiu ou não saiu do gabinete. E se a Dilma sabia ou não sabia. A coisa está tão fuxicada que eu entro em estado alfa toda vez que vejo um analista político se aprofundando nisso.

Não sei se é grave ou não, mas a coisa parece tão pequena que o assunto está igual àqueles programas do Discovery Channel de sábado de manhã: "A influência das barbas do camarão na corrente de Labrador".

O fato é que o Lula está querendo vender a Dilma como candidata e está todo mundo ansioso para colar alguma coisa na mulher. A imprensa está conseguindo transformar o debate político na coisa mais chata da programação.

O desespero está tão grande que o ápice foi o pateta do senador (não é meu parente) que tentou colocar a Dilma contra a parece porque ela confessou ter mentido sob tortura no Doi-Codi. Realmente, uma tremenda falta de caráter mentir para seu torturador preferido.

Uma dica para o DEM: foco, rapazes, foco.


De onde vem esse texto? Do sempre bom Surra, claro!

E para quem quer ver o episódio envolvendo a Dilma Rousseff e o senador Agripino Maia, do DEM (ou seria DIT?), dê play abaixo:

7 de mai de 2008

C***lho!!!

Continuando a série com os animais, vejam esses peixes adestrados. Só podia ser coisa de japonês...

O Nevoeiro (II)

The Mist (que aqui no Brasil vai ser lançado como O Nevoeiro) continua dando pano pra manga. Neste link, um ótimo texto que reflete um pouco a questão da necessidade do ser humano em se agarrar a algo para tentar manter a "normalidade" aparentemente a ele inerente, a partir do ponto de vista do filme. E mais: ele propõe, de maneira discreta, que pensemos a respeito de como nós criamos, ao longo dos séculos, mecanismos de "auto-proteção" para impedir que as coisas saiam do normal. Dentre eles, o mais óbvio parece justamente ser a religião. Afinal, sempre que tentamos explicar algo que foge da nossa compreensão, a resposta mais fácil parece ser a religiosa. Isso funciona com a morte, o nascimento, etc., e também com insetos gigantes vindos junto com um nevoeiro e que tentam te matar. Enfim, divirtam-se com a leitura.

6 de mai de 2008

Mais um texto interessante

Texto interessante que recebi há vários dias, de autoria do psicanalista Contardo Calligaris:

O moralizador

Moralizador é quem impõe ferozmente aos outros os padrões que ele não consegue respeitar

ELIOT SPITZER era governador do Estado de Nova York até sua resignação na semana passada.
Sua fortuna política e sua popularidade eram ligadas à sua atuação prévia como procurador agressivo e inflexível contra os crimes financeiros e contra as redes de prostituição e seus clientes.
Ora, descobriu-se que ele era freguês de uma rede de prostituição de luxo e que também recorria a artimanhas financeiras para que seus pagamentos -substanciais: US$ 80 mil (R$ 140 mil)- não fossem identificados.
Esse fato de crônica (no fundo, trivial) foi para a primeira página dos jornais do mundo inteiro -aparentemente, pela surpresa que causou: quem podia imaginar tamanha hipocrisia? Esse 'espanto' geral foi, para mim, a verdadeira notícia da semana.
Começou no dia em que Spitzer deu sua primeira declaração pública, reconhecendo os fatos e a culpa, ao lado de sua mulher, impávida.
No programa '360', da CNN, o âncora, Anderson Cooper, convocou dois comentaristas. Um deles, uma mulher, psicóloga ou psiquiatra, ofereceu imediatamente uma explicação correta e óbvia. Ela disse, mais ou menos: é muito freqüente que um moralizador raivoso castigue nos outros tendências e impulsos que são os seus e que ele não consegue dominar. Cooper (que já passeou pelos piores cenários de guerra e catástrofes naturais) quase levou um susto e cortou rapidamente, acrescentando que essas eram, 'claramente' , suposições, hipóteses etc. Não é curioso?
Em regra, prefiro as idéias que são propostas, justamente, como hipóteses ou sugestões que cada um pode testar no seu foro íntimo.
Mas, hoje, considerar a dita declaração da especialista como uma suposição parece ser uma hipocrisia pior (e mais perigosa) do que a de Spitzer.
Afinal, depois de um bom século de psicologia e psiquiatria dinâmicas, estamos certos disto: o moralizador e o homem moral são figuras diferentes, se não opostas. 1) O homem moral se impõe padrões de conduta e tenta respeitá-los; 2) O moralizador quer impor ferozmente aos outros os padrões que ele não consegue respeitar.
Na mesma primeira declaração, Spitzer confessou, contrito, que ele não conseguira observar seus próprios padrões morais. Tudo bem: qualquer homem moral poderia confessar o mesmo. Mas ele acrescentou imediatamente que, a bem da verdade, esses eram os padrões morais de quem quer que seja.
Aqui está o problema: o padrão moral que ele se impõe, mas não consegue respeitar, é considerado por ele como um padrão que deveria valer para todos. Com que finalidade? Simples: uma vez estabelecido seu padrão como universal, ele pode, como promotor ou governador, impô-lo aos outros, ou seja, ele pode compensar suas próprias falhas com o rigor de suas exigências para com os outros.
Quem coloca ruidosamente a caça aos marajás no centro de sua vida está lidando (mal) com sua própria vontade de colocar a mão no pote de marmelada. Quem esbraveja raivosamente contra 'veados' e travestis está lidando (mal) com suas fantasias homossexuais. Quem quer apedrejar adúlteros e adúlteras está lidando (mal) com seu desejo de pular a cerca ou (pior) com seu sadismo em relação a seu parceiro ou sua parceira.
O exemplo da adúltera, aliás, serve para lembrar que a psicologia dinâmica, no caso, confirma um legado da mensagem cristã: o apedrejador sempre quer apedrejar sua própria tentação ou sua culpa.
A distinção entre homem moral e moralizador tem alguns corolários relevantes. Primeiro, o moralizador é um homem moral falido: se soubesse respeitar o padrão moral que ele se impõe, ele não precisaria punir suas imperfeições nos outros. Segundo, é possível e compreensível que um homem moral tenha um espírito missionário: ele pode agir para levar os outros a adotar um padrão parecido com o seu. Mas a imposição forçada de um padrão moral não é nunca o ato de um homem moral, é sempre o ato de um moralizador.
Em geral, as sociedades em que as normas morais ganham força de lei (os Estados confessionais, por exemplo) não são regradas por uma moral comum, nem pelas aspirações de poucos e escolhidos homens exemplares, mas por moralizadores que tentam remir suas próprias falhas morais pela brutalidade do controle que eles exercem sobre os outros. A pior barbárie é isto: um mundo em que todos pagam pelos pecados de hipócritas que não se agüentam.

Mais uma lista²...

...dos 100 melhores filmes de todos os tempos. Agora é do Times, e é ótima para comparar com a daí de baixo e perceber como essas listas são subjetivas mesmo. Para mim, serve somente como indicação de filmes que não vi. Clique aqui para vê-la.

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