31 de ago de 2007

Músicas do Mês

Excepcionalmente, a edição desse mês terá três músicas. O motivo é simples: escutei Pearl Jam feito um louco no mês de agosto - principalmente os dois últimos discos de estúdio, Riot Act (2002) e Pearl Jam (2006). Daí não teve jeito: duas músicas dos caras entraram na lista:

Pearl Jam - Off He Goes - Banda boa é aquela que consegue melhorar uma música de estúdio ao vivo. E isso o PJ faz com sobras, basta ouvir o álbum Live On Two Legs, registro ao vivo muito bom. Tão bom que tem músicas que, no show, soam melhores do que os seus irmãos de estúdio. Vide Hail, Hail, Corduroy, Red Mosquito e a música escolhida desse mês, Off He Goes. A trama do instrumental, com aquela calmaria, junto com a voz de Eddie Vedder fazem dessa música uma experiência para entrar e viajar, curtindo-a por completo. Uma pena eles não terem tocado essa aqui em Porto Alegre...

Pearl Jam - Save You - Baita rockão do Rioc Act, Save You é uma música poderosa, que conta com uma letra fraterna que fala de todos os sacrifícios a que um amigo de verdade - seja em qual nível for - está disposto a se submeter para ajudar o outro (Gonna save you fucker / not gonna lose you). Guitarras intensas, ritmo rápido e uma batera matadora completam os ingredientes dessa canção que não parou de tocar no meu MP3 no mês de agosto: Please help me / to help you / help yourself!!!

System of a Down - Prison Song - O SoaD é uma banda estranha: aparentemente, não há um estilo onde encaixá-los. Isso deve-se basicamente às mudanças constantes de andamentos, ritmos e estilos não só no mesmo disco, mas na mesma música. Prova disso é Prison Song, que abre o disco que catapultou os também estranhos membros da banda ao estrelato, Toxicity. Lembro de tê-la ouvido a primeira vez num show dos caras que a MTV transmitiu (sim crianças, um dia, há muito tempo atrás, a MTV transmitia shows), e de ter me encantado com ela. Contando com uma letra sobre o uso político das drogas pelos governos (leia-se governo dos EUA) e pelo menos umas cinco mudanças, passando do trash metal ao sei-lá-o-quê, essa música é uma porrada.

Do Dahmer II

DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS

Ontem morreram 9 pessoas em um acidente de trem no Rio de Janeiro. Foram mais de 130 feridos. Depois da farra das privatizações, o meio de transporte que carrega os mais pobres continua deficiente, com trens caindo aos pedaços e lotados. Será que os jornais vão passar um mês falando do apagão ferroviário? Será que vão abrir uma CPI para este acidente? Será que o Jô Soares vai promover debate com suas amigas jornalistas sobre o assunto?

Tirado daqui.

Frase do dia

"Para estar junto, não é preciso estar perto, e sim do lado de dentro."
Leonardo Da Vinci

29 de ago de 2007

Quem matou mais?

Um desocupado se deu ao trabalho de contar quantas pessoas Deus e o Diabo mataram, segundo a Bíblia. Do primeiro versículo do Gênese até Atos 12:23, os números são os seguintes:

Deus: 2.270.369, considerando apenas as mortes em que se especifica o número de mortos (isso quer dizer que o dilúvio, Sodoma e Gomorra e várias pragas, pestes e maldições não contaram aqui), ou 32.920.770, estimando o número de mortos desses acontecimentos que não têm essa informação.

Diabo: 10

MD Recomenda: Adão Iturrusgarai

O cara é bom... Confiram um exemplo abaixo e curtam o trabalho dele aqui.

28 de ago de 2007

INLAND EMPIRE

O Cinema, assim como outras formas de arte, tem às vezes uma particularidade: para apreciar certas obras é necessário prevenir-se. No caso específico do Cinema, "prevenir-se" pode dizer respeito a procurar informações sobre determinados diretores que fazem o chamado "filme de autor*". Definitivamente, David Lynch é esse tipo de diretor. Fazendo há muito tempo filmes considerados por muitos sem pé nem cabeça, surreais ou outros adjetivos do gênero, Lynch conquistou o seu lugar na história do Cinema graças a obras-primas como Estrada Perdida e Veludo Azul, que numa primeira avaliação são exatamente isso - sem pé nem cabeça, surreais, etc.. Mesmo quando trata-se de filmes "normais" do ponto de vista narrativo, o diretor mostra toda a sua técnica apurada - vide História Real e Homem-Elefante. Enfim, ao ver um filme do cara é preciso saber de antemão o que você pode encontrar ou provavelmente o espectador sairá frustrado da sessão.

O caso é o seguinte: nos últimos dez anos, Lynch havia lançado três filmes, sendo que apenas um deles obedecia a uma estrutura narrativa mais, digamos, convencional (História Real). Os outros dois (Estrada Perdida e Cidade dos Sonhos) subvertiam por completo qualquer ordem narrativa pré-estabelecida que serve para facilitar o espectador; contando com flashblacks - muitos sem qualquer aviso -, sonhos, delírios e cenas fora de ordem cronológica, eles são um verdadeiro exercício para quem assiste. Obviamente, são filmes que contaram, em suas sessões nos cinemas, com deboches e vaias de muitos. Em grande parte isso deve-se a uma certa "acomodação" dos espectadores em relação ao ato de refletir sobre um filme; atualmente a maioria das produções - principalmente em Hollywood - são levadas às telas bem mastigadas, com tramas auto-explicativas e que nos respondem tudo. Quando temos um filme diferente, normalmente ele é escanteado pelo grande público.

Mas o ponto em que quero chegar - e vou chegar antes que me perca - é que os filmes de David Lynch, por mais surrealistas que possam parecer, contam uma história sim, desde que se consiga "decifrar" a trama. A maior herança do surrealismo existente na sua obra é, sem sombra de dúvida, o uso recorrente de conceitos da psicologia, predominantemente a junguiana. O único problema é que é realmente muito difícil conseguir saber exatamente o que o diretor quis dizer com cada elemento colocado na tela - o que não deixa de ser fascinante, forçando um espectador mais atento a assistir o filme mais uma vez.

Bom, toda essa longa introdução serviu para aproximá-los do universo insano do cara e alertá-los: se vocês assistirem INLAND EMPIRE algum dia, tenham em mente que parece que David Lynch achou que os seus dois filmes anteriores "difíceis" estavam muito fáceis, e decidiu complicar de vez aqui.

A trama principal é a seguinte: Nikki Grace (Laura Dern) é uma atriz que foi selecionada para fazer um filme sobre o envolvimento extra-conjugal de uma mulher casada com um rapaz casado. Posteriormente, ela descobre que o filme na verdade é um remake e está amaldiçoado por que o filme original nunca foi finalizado, já que seus atores principais foram assassinados. Enquanto isso, ela parece se envolver cada vez mais com Devon Berk, (Justin Theroux) seu par no filme. O problema é que ela é casada com um cara muito ciumento e violento, e sabemos disso através de pequenas pistas dadas de modo crescente até o momento em que o marido ameaça claramente Devon. Aos poucos, Nikki vai vendo a história da sua vida se misturar à história do filme, e não sabe mais diferenciar o real do imaginário.

Enquanto isso, somos bombardeados por cenas aparentemente sem sentido entre si, contando com pelo menos mais três tramas: a de Susan Blue (de novo Laura Dern) à procura de Billy Side (de novo Justin Theroux), a de um bando de poloneses que fazem e falam coisas sem sentido e a de um programa baseado em três pessoas com cabeças de coelho reunidas numa sala, que falam coisas desconexas enquanto escutamos aquelas risadas típicas de uma sitcom - e são assistidos por uma das polonesas. A inter

Confuso, né? Mas era isso aí que o tio Lynch queria fazer, e mais uma vez ele nos faz embarcar em uma viagem - em todos os sentidos - para dentro dos porões da mente humana, em um filme em que nada é o que parece e que, mesmo que não se entenda nada dele em uma primeira olhada, não há como sair sem sentir algo - normalmente, inquietação. E o diretor não provoca esse sentimento com imagens chocantes ou grotescas (vide o péssimo Albergue e terá um péssimo exemplo desse recurso), mas através de uma sucessão de imagens que deixam quem está assistindo com dois insistentes e constantes pensamentos na sua cabeça: "ah, agora a resposta de tudo vai aparecer e tudo vai ficar claro" e "meu Deus, mas o que está acontecendo?". Em certo momento do filme, a personagem de Laura Dern fala "Eu não o que veio antes ou depois. Não consigo distinguir o ontem do amanhã e isso está fodendo com a minha cabeça". Essa frase pode ser dita por qualquer um que estiver assistindo a película naquele momento, e é exatamente isso que o diretor quer da gente. O problema é que o filme conta com quase três horas de duração e, para um bom entendimento da obra, deveria ser visto mais de uma vez - tarefa ingrata para muitos, convenhamos.

Se Estrada Perdida podia ser definido como um road movie de suspense, com uma história de assassinato passional e várias personalidades, e Cidade dos Sonhos era um suspense dramático que contava a triste trajetória de uma trágica protagonista, INLAND EMPIRE é um filme de suspense com toques de horror sugerido - aquele mesmo com que O Bebê de Rosemary fez escola. Duvido assistir sem ficar agoniado pelo menos uma vez com seu tom claustrofóbico.

Quanto aos aspectos técnicos, o filme apresenta algumas irregularidades proporcionais: se é escuro e utiliza-se de jogos com luz e sombra para criar o clima que pretende, o uso da câmera digital com closes a todo o momento e enquadramentos estranhos faz com que pareça às vezes um filme amador. Na verdade, Lynch experimenta a toda hora no filme, e experimentar para ele serve também para aumentar a nossa sensação incômoda - somos incomodados pelo jeito e pela forma com que a trama é contada.

Contando com uma performance memorável de Laura Dern - sua caracterização mostra bem todo o processo de esfacelamento de Nikki - INLAND EMPIRE é, assim como quase todos os filmes do diretor, um exercício para poucos, infelizmente. Digo "infelizmente" por que seria bom se muitas pessoas o assistissem e discutissem a sua versão pessoal para a história, buscando um entendimento próprio. A tanto ainda a ser dito sobre o filme, mas vou parar por aqui. De longo, basta o próprio INLAND EMPIRE.

* Segundo Pedro Guimarães, "a categoria 'filme de autor' surgiu para nomear as obras audiovisuais feitas com extrema liberdade por parte do seu diretor e onde não existem (ou não deveriam existir) concessões estéticas, de conteúdo ou mercadológicas. Em tese, um cinema mais livre, sem amarras, sem compromisso com os princípios de narração do cinema clássico no que se refere à montagem, escala de planos, ao ritmo, à elaboração dos personagens, às situações do roteiro etc".

FICHA TÉCNICA

INLAND EMPIRE - 2006 - Nota A
Direção e Roteiro: David Lynch. Com Laura Dern, Justin Theroux, Jeremy Irons, Harry Dean Staton e Diane Ladd.

C***lho!!!

Se extra-terrestres realmente existem, os japoneses devem ser os seus herdeiros diretos. Mais uma prova disso é o vídeo abaixo, que mostra um feriado na moderna piscina de ondas do parque aquático Tokyo Summerland, no Japão, é claro.



Ainda nesse assunto praiano, dêem uma olhada nessas fotos...

24 de ago de 2007

Planos-seqüência

Plano-seqüência: É a filmagem de toda uma ação contínua através de um único plano (sem cortes).

Pois bem, planos-seqüência são coisas legais de se ver num filme. Quando eu olho um, fico pensando imediatamente em todo o trabalho que deve ter dado fazer tal cena. Existem vários planos geniais na história do Cinema (bons exemplos aqui), mas eu selecionei quatro para exemplificar o quão legal pode ser utilizar esse recurso em um filme. Percebam a complexidade deles...

Arca Russa, de Alexandr Sukurov. O filme todo, pasmem, é um único plano-seqüência! São 96 minutos filmados sem cortes e com mais de 2 mil figurantes, que conta a história da Rússia do século XVIII até hoje. Apesar do ritmo lento, cadenciado, da narrativa, a execução do filme todo é de um trabalho magnífico. Vejam dez minutos do filme:



The Protector, de Prachya Pinkaew. Apesar de ser um filme de luta, tem pretensões artísticas - aliás, uma coisa não anula a outra, que fique bem claro - a ponto de ter esse longo plano seqüência. Esse foi o 6º take.



Filhos da Esperança, de Alfonso Cuarón. Filme sensacional, tanto do ponto de vista artístico quanto do narrativo. Tem vários planos-seqüência - Cuarón é fã desse recurso -, mas esses dois aí embaixo são demais. O primeiro só pode ser assistido por quem já viu o filme ou por quem não se importa de ver spoilers, e eu só achei essa versão, com There, There, do Radiohead, de fundo - considerem um brinde! O plano vai até os 3:58, depois tem um corte.



Já esse aí é mais longo que o primeiro e envolve muitos figurantes, sendo de uma complexidade tremenda. Deve ter um corte aí no meio, mas ele é imperceptível:

Músicos pés-na-jaca II

O rehab não adiantou nada para Amy Winehouse. Depois de poucos dias que deixou a clínica, a cantora inglesa foi protagonista do barraco dos barracos. Na manhã dessa quinta-feira (23/08), Amy e o marido Blake Fielder-Civil foram flagrados cheios de cortes, sangue e arranhões no rosto e no corpo. As sapatilhas de balé de Amy, cheias de sangue, também eram prova de que ela continua com o vício de injetar heroína entre os dedos do pé. Dizem os gossipers que o casal teve uma briga enorme enquanto hospedado no hotel Sanderson, em Londres. Hóspedes disseram ter ouvido berros e Amy saindo do quarto em fúria depois de socar a porta, de manhã cedinho. Testemunhas disseram que Blake saiu correndo trás dela, aos berros. Ela então, teria parado um carro na rua e entrado no banco do motorista, enquanto Blake a procurava desesperadamente pelas ruas. Eles teriam retornado ao hotel às 4h. Amy está hospedada no hotel desde segunda-feira (20/08). A família da star, com medo de que ela suicidasse, mandou o irmão Alex para que ele tomasse conta da cantora. Mas dizem que Blake o expulsou.
A própria Amy, ao se dar conta de que o escândalo havia vazado para a imprensa, resolveu dar sua versão oficial para o famoso blogueiro americano Perez Hilton. “Blake nunca me machucaria. Ele é um homem maravilhoso, me ajuda muito em minha carreira. Ele me encontrou no quarto me cortando e prestes a tomar drogas com uma call girl. Ele salvou minha vida. Parem de publicar histórias horríveis sobre ele”.

Dêem uma olhada nas fotos...


Visto aqui.

23 de ago de 2007

Perfeição

A imperfeição move o mundo;
O leva para caminhos incertos
e resultados catastróficos.
Nada é perfeito, eu sei.

Como ser perfeito,
se na ânsia de agradar ao outro
deixamos de ser nós mesmos?

Como não ser imperfeito,
se na dura avaliação alheia
sempre há alguma insatisfação?

Não quero ser perfeito,
a perfeição não existe;
Porém, dessa vã utopia

Faço o meu caminho,
Uso-a como bússola,
Nomeio-a meu norte,
Utilizo-a como guia.

E se perfeito não posso ser,
Imperfeito não preciso me entregar.

22 de ago de 2007

Músicos pés-na-jaca

No último dia 8, a cantora inglesa Amy Winehouse foi internada às pressas em um hospital em Londres, e após muitas especulações a respeito das motivações da internação chegou-se à conclusão de que foi uma baita overdose. Do hospital ela foi para uma clínica de reabilitação, de onde saiu no dia 17, após cinco dias sem usar drogas (?).

Enfim, essa notícia serve para dizer que provavelmente Amy Winehouse seja a maior pé-na-jaca da atualidade; ela já foi vista bêbada ou chapada diversas vezes e coleciona overdoses e comas alcoólicos na carreira (carreira - desculpe o trocadilho infame). Enquanto gravava seu segundo álbum, seus agentes tentaram interná-la em uma clínica de reabilitação, mas Amy não quis. Além da negativa ela ainda compôs a música Rehab, que fala exatamente sobre esse episódio e é o seu atual single. Dona de uma voz absolutamente sensacional, Amy se destacou logo no seu primeiro álbum, Frank, de 2003. De lá pra cá, já foi comparada a uma série de cantoras de naipe, de Sarah Vaughan a Macy Gray. Enfim, mas talvez o seu maior destaque seja a sua porra-louquice. Porém, no mundo do showbizz isso não é nenhuma novidade - ainda mais na música. Deixo com vocês três vídeos educativos de exemplos de artistas pés-na-jaca - poderia citar mais um monte, mas aí o post ficaria imenso -, incluindo a nossa amiga Amy:

Amy Winehouse - ela foi convidada a se apresentar no programa The Charlotte Church Show. Nesse programa é tradição o convidado fazer uma jam com a apresentadora, e nesse caso as duas cantaram Beat It, do Michael Jackson. O problema é que Amy se apresentou completamente trincada, desafinando vergonhosamente em alguns trechos. Perceba que às vezes parece que ela não sabe direito onde está.



Kurt Cobain - O ano era 1993. O Nirvana, banda liderada por Kurt Cobain, era a maior banda do mundo. Pela primeira vez eles se apresentavam no Brasil, em dois shows para o festival Hollywood Rock, um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro. A apresentação do Rio foi uma das piores da história da banda; Kurt estava chapadíssimo, a banda falou mal de cigarros no palco (lembre-se que a patrocinadora do evento era a marca de cigarro Hollywood), eles tocaram metade do tempo vestidos de mulher, Kurt não conseguia se manter em pé... Enfim, para exemplificar o que foi o show - talvez o maior que o Nirvana tenha feito -, acompanhe o longo vídeo a seguir. Nele, após os 2:20, Kurt faz um "solo" todo torto, recheado de microfonia, enquanto pula que nem um louco, dança pra galera, dá uma de DJ com uma camisa que lhe foi arremessada, cospe nas câmeras da TV Globo, tenta destruir a parte da frente do palco e depois se masturba na frente de outra câmera. A Globo transmitia o show ao vivo e cortou a transmissão na hora. Após tudo isso, com uma sacola na guitarra (?) - que rapidamente cai no chão -, ele volta ao palco para terminar a música. Nota: Kurt Cobain se suicidou em abril de 1994, com um tiro de espingarda no rosto. No seu sangue, quatro vezes mais heroína do que um ser humano poderia agüentar.



Keith Richards - Todo mundo sabe o quão pé-na-jaca o cara é - e sempre foi. O fato de ele ainda estar vivo é praticamente a prova de que Deus - ou o Diabo - existe. Reza a lenda que ele já trocou de sangue duas vezes, a fim de se desentoxicar e tentar se livrar do vício da heroína. Enfim, o vídeo abaixo é de 1981, nos EUA. Fim de show, balões caindo, aquela festa toda. Rolling Stones tocando um dos seus maiores sucessos, (I Can't Get No) Satisfaction, quando de repente Richards percebe um fã se aproximando dele. Então, ele resolve pegar sua guitarra e usá-la de taco de beisebol, utilizando o tal fã como bola. Após umas duas porradas, o cara sai correndo enquanto o guitarrista volta a tocar, tranqüilo como se nada de mais tivesse acontecido.


Não pode ser verdade...

Clique na imagem para ampliar.

21 de ago de 2007

Bárbara

Sem pressa alguma, Bárbara atravessava a praça na qual costumava brincar na sua infância. Enquanto isso, pensava em tudo o que lhe acontecera nos últimos tempos. Refletia como considerava a vida injusta, mas que pensando em retrospectiva até que ela havia lhe sido generosa. "Deus escreve certo por linhas tortas", pensava. Já não era mais tão religiosa quanto fora antes, em parte por tudo o que lhe havia acontecido e que lhe havia modificado de uma maneira que já não conseguia mensurar, mas via agora esse ditado com os olhos de quando tinha mais fé. Se pudesse escolher, não gostaria de ter passado por tudo o que passou, de ter sido obrigada a testemunhar as agruras que a vida lhe aprontou, gostaria de ter avistado mais rosas e menos espinhos pela trilha que tinha atrás de si. Porém, tinha consciência de uma coisa - na verdade, tinha certeza disso: tudo o que havia passado a moldara e a transformara no jeito que era hoje. Se agora estava bem, se agora conseguia enxergar paisagens maravilhosas e sentir emoções únicas, era porque tinha provado antes o amargo gosto da desgraça. "Até por contraste", pensou, "hoje eu sei o quão bela é minha vida hoje, porque sei pelo que passei". Então, por que tanto medo? Por que tanto receio de dar um passo à frente, de mergulhar em águas límpidas e calmas e lá se banhar até as pontas dos dedos começarem a murchar?

Num momento em que não queria, conheceu Xavier. Conheceu-o quando estava fugindo; fugia de tudo de ruim que lhe acontecera, fugia de si mesma. Nessa fuga, Bárbara escurecia tudo a seu redor. Não queria conhecer ninguém, não queria nenhuma novidade que lhe trouxesse cor a sua vida. Não queria, mas queria. Queria, mas não acreditava que isso fosse capaz de lhe acontecer. Prendia-se a um passado que não existia, mas que era somente uma versão que seu cérebro convenientemente inventava, e que ela remoía, remoía, sofria, sofria. "E qual passado existe", pensava, "se todo passado nada mais é do que uma reconstrução tosca e seletiva do que a memória selecionou para guardar?" O seu passado era uma seleção da seleção, e ela sabia disso.

Acostumou-se a viver assim, a ponto de não mais se mexer; perdia-se numa insana inércia, sem bater os braços para nadar, deixando a correnteza levar seu corpo e seus sonhos.

Agora, não mais. Xavier chegara e lhe roubara a calmaria caótica que já havia pousado nela. Ele lhe trouxera luz, lhe apontara um caminho. Bárbara o percorria de maneira apaixonada enquanto tentava se desvencilhar do medo que a corroía por dentro, que a atrasava, que a deixava para trás. Hoje, enquanto observava as crianças brincando na praça, felizes por não fazerem idéia do que seja crescer, ela fazia esse balanço da sua vida recente e um sorriso gostoso lhe invadia a face. Estava feliz, feliz consigo mesma, e não sentia isso há um bom tempo. O que ia ser de agora em diante? Não sabia. Apenas sabia que, ao contrário das crianças que brincavam naquela praça em que ela brincara anos antes, não tinha mais todo o tempo do mundo para ser feliz. Se havia trilhado um tortuoso caminho para chegar até ali, o que avistava à frente era tão bonito que a enchia de esperança.

É preciso aproveitar.

17 de ago de 2007

Espresso ou expresso?

Tempos atrás fui numa cafeteria e vi no seu menu a palavra espresso, assim, com "s". Achei estranho uma cafeteria errar o nome de seu principal produto, mas depois dei de ombros, tomei meu café e fui embora. Em outro estabelecimento encontrei a mesma palavra grafada com "x" - expresso. Desde então, comecei a me perguntar como diabos se escreve essa famosa bebida italiana, e qual não foi minha surpresa ao verificar que espresso não consta no dicionário, enquanto que expresso existe, mas com outros sentidos que não o do café.

Pesquisando um pouco mais, descobri que o certo é espresso mesmo. Isso porque a palavra italiana é derivada de espremer, porque nesse tipo de bebida o café é retirado sob pressão. Já a palavra expresso tem a ver com rapidez - nesse caso, rapidez no preparo -, o que não é o caso, a não ser nas cafeterias mais lentas da cidade.

Resumindo, a palavra não existe na língua portuguesa, assim como petit gâteau. Hum, acho que vou comer alguma coisa...

Utilidade Pública

Ultimamente tenho recebido uma série de e-mails com conteúdo no mínimo curioso: são várias lendas urbanas, uma mais absurda que a outra, que é repassada em caráter de urgência e que sempre pede para que a encaminhemos para todos os nossos contatos. Já veio história que a Fanta Uva tinha intoxicado não sei quantas pessoas em São Paulo, que o Criança Esperança servia para a Globo driblar o Imposto de Renda, vários golpes novos na praça, etc. Fica aqui a dica: sempre que receber um e-mail com alguma notícia ou informação "importante", procure obter uma confirmação através de outra fonte - mais confiável, de preferência. Depois, e só depois, repasse a informação. Uma rápida googleada já mata esses e-mails, mas se você não tem paciência para ficar procurando por aí veja logo esse site, muito bom para desmascarar falsos e-mails.

IMPORTANTE: Nunca clique em links. Caso receba alguma mensagem de empresas ou orgãos públicos que anunciam prêmios, aviso de cobranças, etc., não clique em nenhum link ou abra o arquivo anexo. Procure o site da respectiva empresa ou órgão e verifique se não existe uma seção "e-mails falsos". Provavelmente você encontrará uma informação sobre o e-mail que recebeu.

16 de ago de 2007

Teoria do Caos II

Carta aberta de Oscar Maroni Filho à opinião pública:

Carta aberta a opinião publica

Acidente com o avião, atentos à palavra acidente, caso queiram, vale buscar a definição do Aurélio. Num lapso temporal, de uma semana, um Hotel, se torna o grande culpado, após uma declaração de um piloto, desconhecido, e não identificado, ao Fantástico no Domingo, e pronto, já temos quem culpar!!! O Oscar’s Hotel. Prefeito, Subprefeito, Secretário da Habitação, e uma dúzia de assessores, foram com toda mídia para Lacrar e Bloquear o Hotel do Oscar Maroni, baseando sua motivação numa falácia de que Oscar tinha fraudado, ludibriado, corrompido funcionários públicos para erguer um Prédio de 47,3 metros de altura nas proximidades do aeroporto, e que colocava milhões de pessoas em risco.

Após o desagradável e cinematográfico episódio de lacração e bloqueio do Hotel, com direito a pasteis, churros e bebidas energéticas, faz ameaça o Secretário da Habitação para meu advogado, neste sentido: Aqui do lado será minha próxima lacração - apontando na direção do Bahamas Club. Então, dias, e poucos dias, vem a Subprefeitura, através do Sr. Subprefeito da V. Mariana e interdita meu empreendimento de mais de 20 anos, motivado por uma entrevista na televisão, a qual eu supostamente teria dito: “Sim, minha casa é de prostituição de luxo, sim, não vamos ser hipócritas, não vamos ser falsos” e profere: “Soube que o Ministério Público denunciou o Sr. Oscar Maroni por diversos crimes”.

Na manhã seguinte, vou ao escritório de meus advogados e tomei conhecimento que o Hotel havia conquistado a deslacração e desbloqueio, e que poderia continuar suas obras de acabamento, e que, o Sr. Prefeito havia descumprido ordem judicial. Ora, não posso enganar ninguém, fui ao céu, e inundei meu rosto de lágrimas por sentir no meu íntimo que justiça havia sido feito!! Volto para meu escritório, e início toda a parafernália para o evento do dia seguinte, para retirar os blocos e adesivos da Prefeitura de Lacração de meu Hotel.

Durante horas curti aquele momento como uma das maiores emoções de minha vida, e me sentia vitorioso, não é para menos...

Se adoto a sugestão do Prefeito, hoje meu Hotel e todo meu investimento teriam virado entulho, e somente o Sr. Prefeito teria ganho com isto, conclamo aqui minha satisfação em poder contar com a Justiça de meu país, porque mesmo com bons advogados, se eu tivesse comprado alguma licença de construção, ou subornado algum fiscal, tenho certeza que jamais conseguiria a vitória na justiça!

Na manhã seguinte, soube pelo rádio, que minha prisão preventiva tinha sido decretada. Atônito e desesperado, saio de meu apartamento, e começo uma jornada de angústia e sofrimento, que vivo até agora.

Momentos depois, meu advogado me diz que a prisão foi decretada porque eu desrespeito a justiça, a ordem pública, faço piadas com as autoridades, e que agora havia dito na televisão que minha Boate era sim uma casa de prostituição de luxo! Quero esclarecer de forma definitiva: Jamais agi desta forma, e pior, jamais teria afirmado tamanha mentira, porque estaria ofendendo a clientela de minha Boate. Acreditem, garotas que não fazem programa freqüentam, assim como homens que apenas querem se divertir bebendo, conversando, vão até o Bahamas Club. Os shows fazem parte de uma estratégia de negócios, assim como as saunas, as mesas de bilhar, a piscina, as refeições, e as bebidas.

Apenas para garantir a compreensão, destaco que, na reportagem ao Jornal da Band, estava me referindo as mulheres que freqüentam o Bahamas, e nunca quis, ou nunca afirmei que o Bahamas é uma casa de prostituição, ademais é de se considerar, que prostitutas estão por aí, em vários lugares, distintos, sofisticados, e se cometo algum pecado, é porque mantenho minhas portas abertas, para qualquer pessoa maior de idade, sem qualquer discriminação de raça, sexo, ou qualquer outra forma de restrição, as pessoas entram, pagam seus ingressos, e se divertem como melhor for conveniente para elas.

Outro aspecto da louca história é quando me refiro as outras casas, para justificar a minha, de novo esclareço: é preciso salientar que uma pequena parte está legalizada como o Bahamas, entretanto há inúmeras boates, saunas, casas de massagem, que exploram e facilitam a prostituição de mulheres inocentes e até de mulheres menores de idade, e ainda, há outras que sequer tem alvarás de hotel, e lá possuem quartos, e taxam os preços das profissionais do sexo.

Neste emaranhado que me colocaram, há ainda espaço para a tentativa de denegrir minha imagem, com afirmações de que descumpro ordem judicial, que ironizo a justiça, que faço milhares de coisas que fazem as autoridades me declararem nociva para a sociedade; pois bem, sobre este ponto quero ser sucinto, perguntando: após seis processos movidos pelo Estado, e que resultaram de forma positiva para mim, ou seja, INOCENTE porque foi comprovada que a maneira de meu trabalho não acarreta nenhum crime, por que você fecharia um local reconhecido mundialmente como a melhor Boate, que existe há mais de 20 anos?

Enfim, quero declarar que sempre sofri com perseguições e afrontamentos descabidos, e em todas estas vezes, previamente existiu a tentativa de extorsão, corrupção, e tudo mais, mas sempre fui fiel aos meus valores, e jamais cedi.

Então, porque fujo?
Fujo porque a Constituição me dá esse direito. Fujo porque, apesar de polemico e imoral, sou cidadão, tenho direitos e luto por eles. Tenho o direito ao contraditório e a ampla defesa que foram suprimidos, pois nem aos autos dos processos administrativos em que sou parte, a Prefeitura libera o acesso. Assim, sou acusado mas não me deixam saber o teor das acusações para me defender de forma justa. Tenho direito a uma análise técnica, objetiva e criteriosa de todas as provas levantadas contra minha pessoa e minhas empresas, através do devido processo legal, consagrado pela Constituição. Não sou nenhuma ameaça a sociedade nem a ordem publica, como confunde o Promotor que pleiteia minha prisão preventiva.

Tenho domicilio, residência, emprego, empresas, patrimônio volumoso e uma família maravilhosa que amo muito. Não tenho intenção nem vontade de permanecer ausente da Justiça. Respeito o Judiciário e os demais poderes, mas não posso me curvar à injustiça e a evidente perseguição.

Assim confesso que jamais imaginei que a máquina pública tentaria massacrar alguém vivo, e leva-lo a morte em vida! Não digo apenas isto me referindo à minha integridade física, mas principalmente minhas faculdades mentais e valores que sempre busquei, e pelos quais sempre lutei para manter acima de tudo minha maior dádiva recebida A Liberdade.


OSCAR MARONI FILHO

Do Dahmer

"Não coma as unhas novas, Sara. Melhor engolir o álcool das mulheres... o educado e carinhoso chocolate." Extraído da Tirinha nº 1029, série Sara Sofrida, dos Malvados.

Teoria do Caos

Existem certas engrenagens na vida que por sua vez mexem outras engrenagens que por sua vez... Enfim, até criar uma situação tão atípica que ao olhar o início e o fim do processo você não sabe como as coisas chegaram até onde estão. É como aquela frase célebre da Teoria do Caos, "o bater de asas de uma simples borboleta pode provocar um tufão do outro lado do mundo".


Pois bem, acompanhem o seguinte caso, olhando o início e o fim (por enquanto):

Início: o vôo 3054 da TAM, de Porto Alegre para São Paulo, teve problemas para pousar e acabou batendo em um prédio da empresa próximo ao aeroporto de Congonhas, matando mais de 190 pessoas.

Fim: o empresário Oscar Maroni Filho, dono do Bahamas Club, um grande american bar (?), acabou de ser preso por admitir em uma entrevista que promove prostituição de luxo. Além disso, ele teve seu Bahamas (o puteiro em questão) fechado e seu hotel de luxo de onze andares (Oscar's Hotel) interditado e com possibilidade até de ser demolido.

Pois bem: depois de muito procurar culpados pelo maior acidente aéreo da história do Brasil (Lula, falta de ranhuras na pista, problemas técnicos, TAM), parece que o grande vilão é o tal Oscar e o seu hotel, que tem quarenta metros e está na rota dos aviões que pousam no aeroporto paulista.

Como se chegou a isso? Ora, junto a muita exploração midiática, com direito a histórias trágicas das vítimas, entrevistas com especialistas, parentes das vítimas e gente que previu o acidente, especulações em torno do que aconteceu e tentativas desesperadas de encontrar logo um culpado - de preferência o governo Lula -, um piloto disse que um grande prédio que fica próximo ao aeroporto atrapalhava os pousos. Pressão da opinião pública pegando, não restou outra alternativa às autoridades competentes (?) a não ser ir atrás da informação. Só então elas perceberam que o prédio realmente atrapalhava os aviões. Detalhe: a construção do prédio foi aprovada pela Aeronáutica em maio de 2000. O pedido de visto até foi negado meses antes, mas porque os hóspedes poderiam se incomodar com o barulho dos aviões, e não por causa da segurança dos vôos. Mas foi aprovada, tudo em ordem. Desde 2000.

Daí ficaram putos com o dono do hotel, o tal empresário Oscar Maroni Filho, e foram atrás dos podres do cara. Então tiveram a idéia genial de prender o cara por promover putarias no Bahamas. Ora, todos os moradores de São Paulo sabem o que é o american bar do Maroni; Eu Mesmo, que nunca fui pra lá, já sabia. A casa funciona há mais de vinte anos e, pra ter uma idéia de como a sua atividade era notória, dá uma olhada nessa capa da revista Isto É Dinheiro de setembro de 2004 (clica nela pra ir na reportagem). Mais de vinte anos funcionando:

Pronto, pegaram o cara por causa de um crime (?) que ele cometia há anos, com a conivência dos maiores empresários e políticos brasileiros (leia a reportagem e veja os preços cobrados), para arranjar um bode expiatório. Agora ele está preso, seu puteiro fechado e seu hotel lacrado. Não interessa se o cara é pilantra ou não é, essa não é a questão e nem pode ser provado ou não provado aqui. Não estou defendendo o cara, não o conheço e não sei nada da vida dele. O que importa é ver como os rumos de um acontecimento podem ir sendo tão desviados a ponto de a gente quase não conseguir mais fazer as associações corretas entre início e fim. O caso do acidente com o vôo 3054 é exemplar nesse e num monte de outros sentidos e deveria ser agora analisado por teóricos da Comunicação e sociólogos e posteriormente por historiadores (tá, historiadores do tempo presente, podem começar agora também...). Um caso em que o foco se perdeu há muito tempo no meio de acusações infundadas, reportagens sem sentido, usos indevidos e conexões desconexas, como tantos outros aqui no Brasil.

15 de ago de 2007

LFV

Cumplicidade

Uma comprida palavra em alemão (há uma comprida palavra em alemão para tudo) descreve a “guerra de mentira” que começou com os primeiros avanços da Alemanha nazista sobre seus vizinhos. A pouca resistência aos ataques e o entendimento com Hitler buscado pela diplomacia européia mesmo quando os tanques já rolavam se explicam pelo temor comum ao comunismo. A ameaça maior vinha do Leste, dos bolcheviques, e da subversão interna. Só o fascismo em marcha poderia enfrentá-la. Assim muita gente boa escolheu Hitler como o mal menor. Ou, comparado a Stalin, o mau menor. Era notório o entusiasmo pelo nazismo em setores da aristocracia inglesa, por exemplo, e dizem até que o rei Edward VIII foi obrigado a renunciar não só pelo seu amor a uma plebéia mas pela sua simpatia à suástica. Não tardou para Hitler desiludir seus apologistas e a guerra falsa se transformar em guerra mesmo, todos contra o fascismo. Mas por algum tempo os nazistas tiveram seu coro de admiradores bem-intencionados na Europa e no resto do mundo - inclusive no Brasil do Estado Novo. Mais tarde estes veriam, em retrospecto, do que exatamente tinham sido cúmplices sem saber. Na hora, aderir ao coro parecia a coisa certa.

Comunistas aqui e no resto do mundo tiveram experiência parecida: apegarem-se, sem fazer perguntas, ao seu ideal, que em muitos casos nascera da oposição ao fascismo, mesmo já sabendo que o ideal estava sendo desvirtuado pela experiência soviética, foi uma opção pela cumplicidade. Fosse por sentimentalismo, ingenuidade ou convicção, quem continuou fiel à ortodoxia comunista foi cúmplice dos crimes do stalinismo. A coisa certa teria sido pular fora do coro, inclusive para preservar o ideal.

Se esses dois exemplos ensinam alguma coisa é isto: antes de participar de um coro, veja quem estará do seu lado. No Brasil do Lula é grande a tentação de entrar no coro que vaia o presidente. Ao seu lado no coro poderá estar alguém que pensa como você, que também acha que Lula ainda não fez o que precisa fazer e que há muita mutreta a ser explicada e muita coisa a ser vaiada. Mas olhe os outros. Veja onde você está metido, com quem está fazendo coro, de quem está sendo cúmplice. A companhia do que há de mais preconceituoso e reacionário no país inibe qualquer crítica ao Lula, mesmo as que ele merece.

Enfim: antes de entrar num coro, olhe em volta.

(Luiz Fernando Veríssimo, Zero Hora, 19 de julho de 2007, citado pelo Cão Uivador)

Em tempo: "
A companhia do que há de mais preconceituoso e reacionário no país inibe qualquer crítica ao Lula, mesmo as que ele merece. Enfim: antes de entrar num coro, olhe em volta." Não sei, talvez seja possível criticar o governo Lula sem entrar no mesmo coro dos reacionários e preconceituosos. Talvez essa seja a melhor lição a ser aprendida com esse texto.

Blogs vs. mídia impressa: menos informação?

Há muito já se vem discutindo a relevância dos blogs como difusores de informação (o Cataclisma 14, por exemplo, tem textos sobre isso aqui e aqui). Afinal, a sua profusão tem causado vários fenômenos nunca antes vistos na Comunicação - pluralidade, parcialidade, multiplicidade e tantas outras "ades" de informação.

É claro que há vantagens e desvantagens nos "blogs de informação". Se por um lado temos rapidez nas informações, análises mais pessoais e uma gama muito maior de pontos de vista sobre um mesmo assunto, por outro contamos com uma quantidade absurda de pessoas que não tem muito sobre o que escrever, o que acaba reduzindo a qualidade da postagem.

Se antigamente blogs eram quase só meros diários virtuais visitados por três ou quatro amigos do cara, a verdade é que hoje muitos blogs cada vez mais atraem leitores interessados em um conteúdo específico, que acessam determinadas páginas pessoais por dia como se estivessem olhando determinadas sessões de um jornal impresso. Eu Mesmo, por exemplo, quando acesso a Internet, tenho meus favoritos aí ao lado e mais uma meia dúzia de outros blogs que religiosamente visito, assim como há alguns anos atrás eu abria a Zero Hora e olhava as colunas do Luís Fernando Veríssimo, da Martha Medeiros, as tirinhas do Dilbert, o Segundo Caderno e as palavras cruzadas.

É claro que essa "invasão" dos blogs no território jornalístico incomoda os jornalistas. Mas a campanha publicitária que o Estadão veiculou na semana passada passou dos limites. Trata-se de uma campanha aberta contra os blogs, na qual para mostrar sua suposta credibilidade eles colocam todos esses sites no mesmo saco, diferenciando um "refinamento profissional" dos jornalistas de uma "aventura amadorística e sem fundamentação" dos blogueiros.

Esse tipo de abordagem reflete, infelizmente, o pensamento que o grande público tem do jornalismo brasileiro. Para ele, se uma notícia saiu em algum grande meio de comunicação, então é verdade. Tem que ser. Afinal, são profissionais formados, treinados, imparciais e comprometidos com "a" verdade - como se ela existisse. Nenhum grande jornal, revista ou programa de TV se assume como sendo de direita, de esquerda ou de centro - nenhum. Tampouco nenhum jornalista se assume politicamente. Então temos muitos "formadores de opinião" que na verdade fazem uso de um espaço teoricamente dedicado à informação como horário eleitoral gratuito - e quase ninguém vê isso. Ou então, temos notícias deliciosamente adulteradas ou malabaristicamente encaixadas umas nas outras para fazer o espectador sentir determinada emoção sobre elas - os casos recentes do fechamento da RCTV na Venezuela, do acidente da TAM e do Pan 2007 são ótimos exemplos de manipulação de emoções, coisa de publicitário.

O caso é que fontes de informação podem ser boas ou ruins em qualquer nível e em qualquer lugar, independente do formato ou de quem está por trás delas. E mais, é preciso sempre buscar o maior número de diferentes pontos de vista sobre os temas, para que saibamos todos os lados e, com base nisso, TIREMOS NOSSAS PRÓPRIAS CONCLUSÕES. Afinal, a informação não deveria vir mastigada, mas sim passada de forma que se pudesse discutir e criar um entendimento próprio sobre o tema. Ah, eu ando tão utópico ultimamente...

Enfim, fiquem com a infeliz campanha do Estadão, feita pela agência Talent (palmas para a má publicidade, construindo um mundo melhor), composta de um vídeo e três imagens. Mais abaixo, a resposta de alguns blogueiros - muito boa, por sinal - ao Estadão, na mesma moeda.








10 de ago de 2007

Ser ou não ser... professor

Não sei se vou ser professor. Não sei se é isso que eu quero. Só sei que faço um curso de licenciatura e que preciso começar a estagiar em sala de aula a partir desse semestre. Sei também da situação da educação escolar no país: professores mal pagos e sem motivação, alunos mal-educados e malcriados sem respeito algum pelos mestres e pais irresponsáveis e que acham que a escola deve educar os seus filhos.

Tudo isso - mais as notícias, cada vez mais freqüentes, de episódios violentos em sala de aula, muitas vezes envolvendo inclusive professores -, me deixa com um pé atrás, mas com coragem e um pouco de idealismo fui essa semana atrás de uma escola para eu fazer o estágio obrigatório. Porém, além do fato de eu descobrir que a gente tem direito a um seguro (?) para dar aula, duas outras experiências me fizeram ficar não com um, mas com os dois pés atrás:

- em uma das escolas, testemunhei uma professora dando aula enquanto um aluno arremessava uma bolinha de papel na direção de um colega seu, que com um taco de baseball (?) tentava acertar o projétil;

- em outra escola - a que eu vou lecionar, inclusive -, tive que esperar para conversar com a orientadora pedagógica. Isso porque ela estava ocupada conversando com pais e alunas, devido a um acontecimento do dia anterior: umas oito alunas de uns doze, treze anos se juntaram para dar um pau em uma coleguinha, numa briga motivada por causa de um guri por quem uma delas estava apaixonada.

Enfim, esse post é só para vocês me desejarem sorte, e também para vocês já saberem o que aconteceu caso o blog de repente pare de receber postagens...

8 de ago de 2007

Propaganda

Conversando com o Luciano, acabamos tendo uma idéia para uma propaganda:

Três amigos, todos colegas do curso de História e devidamente trajados de pseudo-revolucionários, conversam enquanto caminham por uma rua de uma capital qualquer, discutindo assuntos de extrema relevância nos dias de hoje: questões ambientais, de desigualdades sociais e políticas. De repente, encaixam uma questão econômica e chegam à conclusão de que a culpa do mundo estar nesse estado deplorável é do Capitalismo. Começa o colóquio a respeito do tema, com todas as críticas possíveis ao sistema capitalista, enquanto os três amigos entram um bar. No interior do recinto, abordam o cara no balcão e, com um sorriso no rosto, pedem três Coca-Colas. Enquanto tomam satisfeitos o refrigerante, uma voz ao fundo fala: "Viva o lado Coca-Cola da vida".

Fim do comercial.

C***lho!!!

Você, que sempre reclama da vida, que acha que o seu dia foi ruim. Você, que tem vergonha de falar em público porque acha que algo de errado pode acontecer. Você, que gosta de rir da desgraça dos outros. Este vídeo é para vocês.

5 de ago de 2007

Latino: o homem, a lenda, o mito

Acredito que, infelizmente, o suposto alto nível dos leitores desse blog faça com que eles tenham certos preconceitos bobos. Um dos grandes atingidos por essa prática é o grande artista conhecido como Latino. Estourando em meados dos anos 90 com o hit Me Leva, na onda do Charme e do Funk, Roberto de Souza Rocha (seu nome verdadeiro) ficou alguns anos meio sumido até re-estourar(?) com o super-mega-ultra hit de verão Festa no Apê, que dentre outros méritos acabou virando tema do comercial da esponja de aço Assolan (que, por uma dessas coincidências do destino, começou a despencar nas vendas). Depois disso, foi enfileirando sucessos, um atrás do outro - Renata Ingrata e Cátia Catchaça, particularmente. Suas músicas se destacam pelas belas melodias e letras criativas, sempre pra cima.

Além da música, Latino tem uma vasta carreira na televisão, participando de importantes momentos da TV brasileira: já participou das novelas Kubanakan e América, além dos seriados A Diarista e Zorra Total, provavelmente a melhor série cômica brasileira ever. Além disso, mostrou toda a sua beleza nas páginas da Revista G Magazine, fazendo a alegria de milhões (por que não dizer bilhões?) de fãs pelo mundo (por que não dizer pelo universo?).

Mas, na minha modesta opinião, onde mais Latino se destaca é nas suas opiniões, sempre embasadas e com belos ensinamentos, sempre visando a construir uma sociedade melhor. Vejam, por exemplo, alguns trechos de uma entrevista para o grande jornal Diário Gaúcho, edição de sábado e domingo (21 e 22/07/2007):

Pergunta - Poligamia, uma das faixas do seu novo álbum, teria algo de autobiográfico?
Latino - Vou ser muito sincero: estou fiel, o que não significa que eu seja fiel. Entrego o meu futuro emocional, sexual e artístico(?) nas mãos de Deus. (...) Na minha opinião, ser homem e ser fiel são coisas que não combinam. (...) Da mesma forma que a gente não entende por que mulher passa horas no cabeleireiro, que elas não tentem entender por que todo o homem, de vez em quando, tem vontade de pular a cerca.

Pergunta - Você não acha Sem Noção uma música machista?
Latino - Numa pesquisa nas rádios, constatei que 80% das pessoas que pedem a música são mulheres. Então, elas devem se sentir homenageadas.

Para terminar, fiquem com as letras de Polígamo (pois é, o repórter do Diário Gaúcho errou o nome da música na entrevista...) e Sem Noção, que acho que falam por si.

1 de ago de 2007

Elite esclarecida

Copiado do Surra, revoltante:

"Além de espancar prostitutas, travestis e diaristas, a entediada elite carioca também adora se divertir atirando ovos de suas milionárias sacadas em pedestres e carros:"





"E o pior é saber que quando um desses playboyzinhos morre numa esquina com um tiro na cara, eles são os primeiros a saírem de branco em passeata pela praia pedindo... PAZ."

Em tempo: com 13 segundos do primeiro vídeo: "Quem imaginaría". Tanto dinheiro, tanto tempo livre...

Ataque viral no cinema

Antes de começar, algumas informações pertinentes:

Marketing viral: técnica de marketing que tenta explorar redes sociais pré-existentes para produzir aumentos exponenciais em conhecimento de marca, com processos similares à extensão de uma epidemia (fonte: Wikipedia).

J. J. Abrams: entre outras coisas, o cara dirigiu Missão Impossível 3 e criou as séries de TV Alias, Felicity e Lost. Só por Lost, já dá pra ver que o cara curte um mistério.

Teaser: técnica usada em marketing para chamar a atenção para um anúncio subseqüente, por intermédio de informação enigmática. Um teaser é, geralmente, uma pequena peça, com freqüência absurda, que não oferece nenhuma informação sobre o produto em publicitação, levando o público a interrogar-se sobre o significado da peça e despertando-lhe curiosidade pela explicação. Esta chega só algum tempo depois (fonte: Wikipedia).

Bom, eu já estou há algum tempo acompanhando a campanha publicitária de um filme que será lançado em janeiro de 2008 nos EUA e que tem a produção de J. J. Abrams. Da película, que entre outros nomes provisórios pode vir a se chamar Cloverfield, ainda não se sabe quase nada: apenas que trata-se de um filme-catástofre sobre um monstro gigantesco que ataca Nova Iorque e que tem na produção e direção vários caras que trabalham atrás das câmeras no Lost. A história vai se desenrolar a partir de uma festa que está acontecendo no momento do ataque e utilizará as câmeras das pessoas do filme mesmo. Ou seja: veremos o filme na ótica dos protagonistas.

Até aí, aparentemente nada de mais. O lance é que uma grande campanha viral está sendo feita para divulgar o filme - e está funcionando. Tudo começou com o site oficial do filme, cujo domínio é a data da estréia do filme - que também é a data do ataque do monstrengo: 18/01/2008. Há cerca de um mês, fotografias vêm sendo colocadas no site, mostrando a tal da festa e a bagunça que fica depois que o ataque começa. O mais legal é que dá pra mexer nas fotos, e se você pegar uma pelo canto e depois dar um "puxão", é possível virá-la, revelando coisas escritas no seu verso. Nada de mais, pelo menos por enquanto.

Depois veio o teaser trailer, mostrado nos EUA antes de Transformers. Mostra a tal festa e o momento do início do ataque, terminando com a cabeça da Estátua da Liberdade arrancada. Então começaram a surgir vários sites relacionados de alguma forma ao filme: jogos com pistas, blogs em japonês, empresa que aparece numa camiseta do teaser, etc.



Se o filme vai ser bom ou não, não é o que interessa agora. O que importa é a repercussão que isso está tendo pela Internet e fora dela também, e a bilheteria em potencial que Cloverfield tem com o sucesso desse viral. O pessoal de Hollywood está começando a usar a Internet para divulgar seus produtos, e esse filme poderá servir de laboratório para testar até que ponto isso pode vir a ser uma tendência ou não. Da minha parte, confesso que estou ansioso para ver o filme.

É preciso lembrar que essa estratégia não é pioneira; Bruxa de Blair já havia feito isso, espalhando um boato de que o filme era mesmo real, mostrando provas disso em um site tri bem feito (mais de 20 milhões de visitas no final de semana de estréia do filme) e sendo filmado de maneira quase documental e metalingüística, tornando tudo mais verossímil. O resultado disso é que o filme é o maior sucesso comercial da história do Cinema em números relativos (inicialmente com um orçamento de US$ 35 mil, arrecadou no mundo todo US$ 248 milhões). Cloverfield tem um orçamento de US$ 30 milhões. Se seguir pelo mesmo caminho...

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