18 de jul de 2007

Vencer ou jogar bem: eis a questão

Fazia tempo que eu não escrevia sobre futebol por aqui. Aliás, desde que a Libertadores acabou. Minha postagem é influenciada por esta aqui do Cataclisma 14, e se baseia numa pergunta recorrente no meio futebolístico, mas que vez por outra vem à tona de maneira mais forte: o que é melhor: vencer mesmo jogando mal, ou jogar bem, mas perder? Graças à tosca campanha da Seleção Brasileira na última Copa América e que culminou na conquista do título com direito a chocolate na Argentina (3 x 0, para quem estava em outro planeta nas últimas semanas), esse foi o assunto em tudo quanto era mesa de bar. Afinal, como uma seleção como aquela, jogando feio e com três volantes e o Julio Baptista de meia armador, poderia ter alcançado tamanho resultado?

Já vou adiantando que acredito que o resultado é o que vale, desde que se respeite as regras - não gosto dessa coisa de "com gol irregular é melhor", muito menos de esquemas para arranjar resultados. Afinal, quem ganha a partida é quem faz mais gols do que leva, e não quem joga melhor ou chuta mais bolas na trave. Não gosto de assistir um jogo e ouvir o comentarista falar que o resultado não é justo. A não ser quando o resultado é um roubo, ele é sempre justo - quem foi mais competente em fazer gols e não levar é que merece vencer, ora bolas!

Tudo bem que entre as seleções inesquecíveis de todos os tempos existam várias que nunca ganharam nada, mas eu me pergunto se quem jogou por elas não preferia ter ganho suas competições... Holanda em 1974-1978 e em 1994-1998, Hungria em 1954, Brasil em 1982 e 1986, Argentina desde 1994, e muitas outras, todas essas seleções passaram em branco, por melhor que fossem. Perderam para outras, e por isso não foram as melhores naquelas competições. Porém, parece que foram.

Isso se deve, em grande parte, ao fato de que a memória que foi construída em torno delas as fez de tal maneira que parece que foi uma baita injustiça o fato de não terem ganho seus títulos merecidos. Ora, zebra até pode existir em um jogo específico, mas chamar de zebra a conquista de um torneio é meio demais. Recentemente, duas "zebras" venceram competições super importantes no mundo, e as uso como exemplo de que uma conquista de campeonato não pode ser encarada assim:

- A Grécia conquistou a Eurocopa 2004 ao vencer os donos da casa e amplos favoritos (Portugal), não sem antes eliminar as favoritíssimas República Tcheca e França, empatar com a Espanha e de já ter vencido na primeira fase a seleção portuguesa. Mesmo assim, foi tachada de zebra por todo mundo.

- O time colombiano Once Caldas venceu a Taça Libertadores da América, maior competição entre times de futebol do lado de cá do globo, também em 2004. Sua campanha não poderia ser mais grandiosa: com 13 pontos ganhos, foi o primeiro colocado no seu grupo, que tinha o argentino Vélez Sarsfield. Depois, foi eliminando seus fortíssimos adversários, um a um, enquanto ninguém acreditava no que via. Entre os eliminados estão o Santos, o São Paulo e o Boca Juniors, este na final. Outra conquista que vai entrar para a história como uma abominação da natureza, uma injustiça, etc. e tal.

Jogos são ganhos dentro de campo. Se ter o melhor time no papel fosse garantia de vitória, não precisaria haver partida alguma. Se jogar bonito já valesse a vitória, jogadores como Denílson e Kerlon (o homem-foca do Cruzeiro, lembram?) seriam aclamados para sempre e cada firula valeria no critério de desempate. Uma das graças do futebol é a sua total imprevisibilidade, que em grande parte deve-se menos ao azar e mais a uma estratégia apurada. Um time que reconhece suas limitações e joga para conseguir um resultado é muito mais perigoso do que um recheado de estrelas. É claro que jogar bonito é bom, mas vencer, ah, vencer é muito melhor!

7 comentários:

Rodrigo Cardia disse...

Concordo totalmente!
Prefiro muito mais ganhar jogando feio do que perder jogando bonito. Vou ao estádio para ver meu time ganhar, jogue bonito ou feio, e não para vê-lo "fazer arte". Se eu quisesse só arte, ao invés de ir ao estádio eu iria ao MARGS.

Abraços

Thiago F.B disse...

hehehehe...
Bem, concórdo com tudo que foi dito e prefiro sempre ganhar!! Cláro que se jogar bonito e ganhar melhor...hehehehe
Mas admito que se vejo meu time fazer uma partida medíocre e vencer no final, fico aliviado temporáriamente, mas sigo preocupado...afinal, ninguém é campeão jogando mal!!!
Pode não ser o jogo mais bonito, mas não jogando mal!!! O time que joga mal até ganha uma partida mas não leva o campeonato...
O Brasil na Copa América teve momentos ruins e fez partidas de qualidade técnica abaixo do que estamos acostumados, mas que fique cláro que ele NÃO jogou mal!!!
Foi uma opção do treinador...e que fique claro que foi uma opção vitoriosa!!!
abraço..>Faloooooow.

Fernando disse...

um gol de prata aos 15 min do primeiro tempo da prorrogação, sem querer, pois o cara nem viu pra onde cabeceou, pode ser considerado competência, mesmo depois da rep checa ter amassado a grécia o jogo todo? acho que um time que precisa da sorte ou do azar do adversario para vencer nao merece ser campeao

Eu mesmo disse...

Fernando: Usando o teu raciocínio de modo inverso, o fato de a República Tcheca ter tomado um gol feito sem querer e de não ter conseguido fazer nenhum gol, nem ao menos sem querer, mesmo tendo amassado a Grécia, não indica falta de competência por parte dos tchecos? Quem faz mais gols é quem merece vencer, e não quem amassa mais. Senão, o time dos padeiros sempre seria o campeão (desculpa, foi péssima, mas eu não resisti...).

Abraços!!

Kleiton disse...

Concordo com o Valter: a Rep Tcheca pagou pela incompetência que apresentou durante o jogo todo.

Se bolas na trave e jogadas de efeito valessem alguma coisa, um time que tivesse o Robinho sempre ganharia. O resultado de um jogo (com excessão das roubalheiras) é sempre justo, mesmo com gol sem querer e com bolas na trave do time que perde.

Fazer mais gols do que levar é o que realmente importa.

Fernando disse...

concordo que fazer mais gols do que levar é o que importa
mas pra mim existem duas vertentes dessa máxima
uma é a do time que sabe jogar pra não tomar gol, que não deixa o adversario jogar e que cria uma chance e faz um gol
outra é do time que realmente não consegue marcar, que não depende dele mesmo, mas sim de um dia ruim dos adversarios, de um morrinho que desviou a bola, um impedimento mal marcado, e que não consegue criar nenhuma situação de gol e acaba marcando mais por acaso do que por competencia...pra mim essa vitória não é justa

Kleiton disse...

Mas o fato é que um time mmmmmmuito dificilmente vai chegar ao título dessa maneira (só com a sorte).

Pra mim, um dos grandes exemplos de que a sorte pode ajudar mas que não pode fazer milagre é o Grêmio na Libertadores 2007.

Creative Commons License

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.