25 de jul de 2007

Repostando...

Originalmente postado em 27/01/2006, aqui.

Lendas Urbanas

É muito fácil criar uma lenda urbana. Existem várias por aí, espalhadas como o vírus da gripe no inverno. Algumas são famosas, outras nem tanto, mas todas têm algo em comum: mexem com o imaginário coletivo, forçando aquela frase na cabeça das pessoas: "Será que é? É, poderia ser." Em Porto Alegre e arredores tem aquela lenda das plaquinhas "Conserto Gaita", que seria um ponto de prostituição ou algo pior, tem a das plaquinhas "Jesus vai voltar", que seriam escritas por alienígenas ou sei lá quem, etc. Enfim, lenda urbana é o que não falta por aí. Mas, como eu disse antes, é fácil criar uma. Mãos à obra, então.

Todo mundo que pega ônibus deve ter visto pelo menos uma vez na vida um daqueles meninos com uma caixa de torrones ou de balas de goma na mão, pedindo para comprar um e ajudá-los, certo? Para quem já viu mais de um desses meninos vem a pergunta: você já notou que eles falam A MESMA COISA DO MESMO JEITO? Quero dizer, eles falam com um "sotaque" que só eles têm, tipo "Peeessoaaaal, estooou aquiiii paaaara pediiiir...". E mais, eles falam exatamente as mesmas palavras!! Caso queiram uma prova, analisem o momento em que eles falam que poderiam estar pedindo ou roubando: "eu podia estar pedindo OU ATÉ CERTAMENTE roubando". Eles enfiam este "ou até certamente", que não é nada usual, no meio da frase, SEMPRE!!! Bem, esses são os fatos. Vamos agora às possibilidades de lenda urbana que podem existir daí:

1 - Os meninos são, na verdade, robôs em fase de testes. Um laboratório norte-coreano (claro!) desenvolveu protótipos para utilizá-los posteriormente em uma guerra contra os EUA e está testando-os aqui no Brasil, de maneira discreta. Os testes servem principalmente para conferir a durabilidade e obediência das máquinas. Isso explicaria o português estranho (que afinal de contas foi programado por um coreano!) e o fato deles falarem sempre a mesma coisa. O pouco dinheiro arrecadado serviria para amenizar os custos do frete dos robôs - um frete Coréia do Norte/Brasil custa uma fortuna!

2 - Estes vendedores foram todos recrutados a partir de um anúncio de jornal, daqueles de uma "empresa bem estabelecida no mercado" que procurava "jovens com iniciativa" para "trabalho com vendas". Trata-se de uma fábrica de fundo de quintal que fabrica torrones e balas de goma em grande escala e que hoje já conta com mais de cem vendedores espalhados pela região metropolitana. Os vendedores recebem treinamento especializado ("agora todo mundo, repita comigo: 'eu podia estar pedindo ou até certamente roubando'") e ganham por comissão. A vantagem para a empresa é que ela não precisa pagar vale-transporte para eles, já que todos são incentivados a trocar as moedas que ganham dos passageiros com o cobrador, ajudando-o no troco e ganhando em troca o direito de passar por baixo na roleta. Por tudo isso, a empresa já ganhou alguns prêmios de responsabilidade social.

3 - Todos os jovens foram vítimas de abdução por alienígenas. Os extraterrestres gostam de se divertir, e sua maior diversão é ver humanos fazendo coisas sem sentido algum. Esses ETs são os responsáveis pelo programa da Luciana Gimenez na Rede TV! e por alguns telejornais e novelas. Bem, quanto aos jovens, todos tiveram uma sonda instalada (não me pergunte onde) e passaram a ter uma única motivação na vida: vender torrones e balas de goma dentro de meios de transporte em massa. A dificuldade na fala estaria diretamente associada com o desconforto da sonda. Então, eles juntam um dinheiro, vão até uma doceria, compram uma caixa de torrones ou de balas de goma e a vendem nos ônibus, com uma margem de lucro pequena. Com o dinheiro eles compram outra caixa e com o lucro compram rúcula, único alimento que lhes é permitido comer (por que você acha que ainda vendem rúcula por aí? É porque eles compram!!!). Os ETs observam tudo lá de cima (ou de baixo, depende do ponto de vista) e se mijam de tanto rir.

4 - Todos eles foram retirados de orfanatos pelo maligno Dr. Frankenhartzschütz e forçados a fazer esse trabalho escravo sob ameaça de terem seus rins retirados e vendidos no Marrocos. O insano vilão tem agentes espalhados por todos os ônibus; ao vê-los, os jovens vendedores ficam com tanto medo que têm que se concentrar para lembrar do texto que foi memorizado em um dos campos de concentração do cruel doutor. Por isso aquela fala toda errada. Assim, Frankenhartzschütz consegue fazer com que as ações da sua empresa, a Torrones & Balas de Goma Ltda., se mantenham há mais de dez anos como uma das mais altas do mercado, vencendo consecutivamente todos os Top of Mind na categoria "doces".

3 comentários:

Editor disse...

Tem também aquela da quadrilha de motoristas, que fica vigiando os pedestres e controlando os horários dos ônibus para que ele passe alguns segundos antes do cara chegar na parada.

Bea disse...

junior, junior, muiiiito bom! a
adoreiiii!!

Thiago F.B disse...

Cara...o dois, três e quatro são fds!!! hauhauhauauha
abraço rapá...
Falooooow.
OBS: Quem sabe aquilo seja um dos programas do governo de inclusão social e primeiro emprego!!!! Tipo, agora eles não estão mais roubando tanto...hehhehehehehe
E ainda tem como argumentação a "melhora" no vocabulário dos participantes do programa...
hehehehe
FLW>

Creative Commons License

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.