15 de jan de 2007

Mentalidade de época (2)

Ainda sobre o post anterior, uma pequena reflexão sobre gerações: se você tem entre vinte e dois e vinte e sete anos, ao ver adolescentes de treze a quinze anos, provavelmente em algum momento deve ter pensado algo do tipo: "na minha época não era assim". Você, mulher feita, vê meninas de treze anos com mais experiência sexual do que você e as encara meio torto; você, homem adulto, olha para um guri de quatorze anos saindo de mãos dadas com duas (?) meninas de treze anos com mais experiência sexual do que você e lembra, transtornado, que nessa idade a única coisa em que pensava era jogar botão/videogame/futebol ou coisa que o valha. Pois bem, a distância que separa você deles é de apenas cerca de uma década.
Agora pense comigo: o jornal do post passado é de 1967, quarenta anos atrás. Portanto, se a diferença de cerca de uma década entre a "nossa" geração e a geração desses "novos moleques" pode ser entendida como incômoda, meio como um desajuste entre nós e eles - desajuste esse em que somos nós os desatualizados - , imagina entre os que viveram em 67 e nós, por exemplo. Estou falando especificamente de nossos pais.
Eu já pensava um pouco assim sobre o assunto, mas só ao folhar meses de jornais de quarenta anos atrás me dei real conta do abismo que existe entre o que eles pensavam quando tinham a nossa idade (ou um pouco menos) e o que nós pensamos hoje. E me dei conta de como esse abismo na mentalidade afetou (afeta?) o relacionamento entre pais e filhos. Seguindo o raciocínio adiante e olhando em retrospectiva, é fácil entender muitas das discussões que nós, filhos, tivemos (temos?) com nossos pais.

O que me leva a pensar o que, se às vezes achamos nossos pais uns caretas, nossos filhos pensarão de nós... E mais: o que poderíamos fazer para nos ajustarmos, para nos atualizarmos a essas mudanças constantes na forma como a gurizada trata o sexo, o relacionamento humano, o futuro, o passado, etc.? Deveríamos nos ajustar, nos atualizar, ou isso seria um atestado de que nosso jeito de enxergar as coisas é errado, e na verdade não há certo ou errado nessa história?
Não tenho para mim a resposta a essas questões. Aliás, acho que essas questões são muito mais complexas do essas postas aqui. Mas, de uma coisa eu tenho certeza: ser pai e mãe não é mole. E respeito mais do que nunca a minha mãe.

Um comentário:

thiago Floriano Barbosa disse...

kra...sem muito a acrescentar. Mas registro que penso de forma semelhante e que seria justo termos a conciência de que o tempo nos da a sabedoria que os jovens não tem...a sabedoria que nos faz pensar no passado e ver a racionalidade que muitas vezes fkva esquecida pela passionalidade do momento.
Pra concluir, não temos certos ou errados...mas sim pessoas q querem apenas ser pessoas melhores!!!!

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