27 de fev de 2008

A situação da educação (parte IV - o Estado)

Terminando a série que buscou estabelecer alguns problemas na educação pública do Estado do Rio Grande do Sul, a parcela dos governos. Espero que tenham gostado:

O Estado também tem grande parcela de culpa para a manutenção do caos no ensino. Salários baixos e políticas educacionais equivocadas são algumas das colaborações dos governos nesse sentido.

É público e notório que os salários dos professores na rede estadual do Rio Grande do Sul é baixo e não condizente com a sua profissão. Além de causar desestímulo coletivo, isso eventualmente se transforma em greves que paralisam o ensino e prejudicam o andamento das aulas. Profissionais mal pagos são, de modo geral, profissionais desmotivados, e um professor deveria sempre ser estimulado a manter a motivação, uma das únicas formas para tentar contornar a situação da educação.

Várias são as políticas educacionais que, mesmo que tenham as melhores das intenções, acabam por inviabilizar qualquer projeto de mudança educacional. Hoje em dia existe um estímulo à aprovação indiscriminada de alunos, por exemplo, motivada por algumas dessas políticas. Isso é extremamente prejudicial, pois ao fim do Ensino Fundamental e Médio as crianças e adolescentes não alcançam o mínimo de conhecimento necessário para nada, mas têm um diploma na mão. Uma das explicações para isso pode ser a pressão do mercado de trabalho, cada vez mais exigente em pedir diploma de conclusão escolar. Formam-se assim milhares de jovens com um canudo na mão, mas sem nada na cabeça, exatamente a mão de obra necessária na maioria das empresas. Existem também os estímulos financeiros para as escolas com maiores índices de aprovação, que por sua vez estimulam a aprovação indiscriminada. No fundo dessa prática estão tanto as metas educacionais do FMI quanto o interesse governamental em relação aos índices de aprovação passados para a Unesco e que elevam a posição do país. Além disso, a enorme maioria dos alunos sai do Ensino Médio como analfabetos funcionais. Pesquisas recentes apontaram que 68% da população brasileira está nessa situação, o que é extremamente preocupante em uma época em que a mídia, que se diz imparcial, enche as revistas e os noticiários de propaganda ideológica travestida de notícia.

Um comentário:

luciano disse...

É a situação em que a vida e seus vários ramos passam a ser pensados como uma empresa: optimização do uso do tempo, flexibilização das relações de humanas, custos como padrão maior para análise do contexto, etc. Olhar pessoas lendo o Monge Executivo e coisas do tipo me dá um frio na espinha: somos, talvez, os últimos bastiões contra a hegemonia empresariadora (quero dizer, que pensa as coisas como empresas) da vida. É um esforço que talvez tenha um bom gosto: evitar a relação entre educação e gerência de coisas.

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