27 de mar de 2008

Religião não praticante (I)

Antes de começar esse post, quero avisar que a minha intenção não é ofender ninguém. Afinal, religião é um assunto muito delicado, que mexe com fé e paixões e normalmente deixa as pessoas meio exaltadas. Aconselho a ler o que está abaixo com a mente aberta, sem pré-julgamentos. Depois, quero dizer que, quando comecei a escrever sobre o assunto, não esperava que tivesse tanto a dizer. Por isso, vou dividir a leitura em várias postagens (mais uma série para vocês), para torná-la mais interessante. Vou começar hoje falando sobre o que faz de uma pessoa uma religiosa e as contradições existentes na maioria dos brasileiros, que vivem dizendo que são de determinada religião, mas de forma “não praticante”. A maioria dos exemplos que dou aqui é oriunda do catolicismo, mas apenas porque teoricamente o Brasil tem 73,8% de católicos. Evidentemente, o grosso do texto aplica-se a todas as religiões.

O Brasil é considerado o país com o maior número de católicos do mundo. Pelo último censo do IBGE, 73,8% dos brasileiros declararam serem fiéis aos princípios do catolicismo. Muito bonito. Uma nação de católicos, de religiosos. Aproximadamente 140 milhões de pessoas. Lindo. Esses dados, vistos de longe, são realmente impressionantes. Porém, após uma análise mais aprofundada eles não se mostram tão seguros assim.

Antes de mais nada, existe uma questão filosófico-teológica aqui: o que deveria ser necessário, a priori, para um sujeito se considerar pertencente a uma religião? Ora, a primeira exigência que passa pela minha cabeça é a obediência às normas, regras, regulamentos e qualquer que seja o nome dado a um padrão estabelecido que dita o que é certo e o que é errado em uma religião – vamos chamá-lo de agora em diante de “código religioso”. Para mim, essa obediência deve ser incondicional e irrestrita; afinal, esse código religioso normalmente veio à Terra através de um escolhido ou iluminado divino ou do(s) próprio(s) deus(es). Logo, é infalível. E mais: visto que ter fé é acreditar sem ter provas ou evidências que comprovem aquilo em que se acredita, porque duvidar do código religioso, se nos é dito que sua origem é divina?

Isso posto, vamos a alguns fatos do cotidiano que mostram como nossa nação não é assim tão religiosa. Em primeiro lugar, as igrejas estão cada vez mais vazias. É obrigação de todo católico participar pelo menos da missa de domingo, assistir o sermão do padre, comungar com a comunidade e de repente até se confessar, se estiver precisando. A maioria dos católicos nem sabe como funciona uma missa e dentre os poucos que comparecem grande parte não o faz de maneira periódica. Tá, mas na Bíblia não está escrito assim, de modo claro, que a gente deva ir à igreja todos os domingos. Então eu dou esse argumento de lambuja pra quem ainda quer enxergar milhões de católicos no país, porque ele não vai fazer falta. Vamos nos ater ao que a Bíblia e o Papa (que, segundo o catecismo da Igreja Católica, é o “Bispo de Roma e sucessor de apóstolo Pedro, é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade da Igreja. É o vigário de Cristo, cabeça do colégio dos Bispos e pastor de toda a Igreja, sobre a qual, por instituição divina, tem poder pleno, supremo, imediato e universal” nos dizem e vamos avaliar se existe obediência incondicional e irrestrita ao código religioso do catolicismo.

Amanhã tem a segunda parte, não percam e não deixem de comentar – se quiserem.

Um comentário:

Débora Vogt disse...

Outro fenomeno no Brasil é o sincretismo religioso, mas imagino que irás falar nas próximas postagens.
No entanto, segundo alguns reportagens que li, tem crescido o número de pessoas no Brasil "sem religião".
Boa semana, senhor paulista

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