5 de mar de 2009

O futebol e as entrevistas

Eu adoro futebol. Amo mesmo, tanto jogar quanto assistir. Tá, eu gosto mais de jogar, mas isso não significa que a minha paixão como espectador seja pequena. Porém, não sou torcedor de estádio. Contento-me perfeitamente em ficar no conforto do meu lar, vendo uma partida pela TV, tranquilamente, com tudo o que a transmissão me proporciona de melhor (replays, informações pertinentes, resultados de outros jogos, segurança, etc.) e, infelizmente, de pior. E é sobre isso - o que há de pior - que pretendo escrever um pouco agora.

Uma das coisas que mais me irrita em transmissões de jogos de futebol pela TV são as entrevistas com os jogadores. Seja pela qualidade da pergunta ou pela uniformidade covarde da resposta, elas viraram um instrumento jornalístico de última qualidade que, a rigor, só serve para duas coisas: encher linguiça na grade da emissora e tentar criar alguma polêmica com base em uma frase distorcida de alguém. É impressionante o grau de pasteurização que esse tipo de entrevista sofreu. É mais ou menos assim:

Repórter: E aí, Amaurizinho Sergipano, o que o teu time vai ter que fazer pra virar o jogo no segundo tempo?
Amaurizinho Sergipano: Tem que jogar com mais garra, marcar mais forte e não errar na hora do último toque.

Repórter: Estamos aqui com Iésclison. Iésclison, com um a menos agora, no segundo tempo tem que tentar manter o resultado, né?
Iésclison: Vamos ver o que o professor vai nos passar agora no vestiário, mas temos que jogar com mais garra, marcar mais forte e não errar na hora do último toque pra levar os três pontos.

Quase sempre, a mesma estrutura: uma pergunta óbvia e uma resposta mais óbvia ainda. Para piorar, TODOS os repórteres de campo têm o mesmo sotaque e TODOS os jogadores falam do mesmo jeito. Parece que estamos sempre escutando a mesma coisa.

Se pudesse, eu sugeriria para as emissoras novas e interessantes abordagens no campo e, para os jogadores, o modo Romário on sempre (para quem não sabe, o baixinho foi o último grande entrevistado no futebol brasileiro, como respostas antológicas). Ficaria mais ou menos assim:

Repórter: E aí, Amaurizinho Sergipano, perdeu mais um pênalti hoje, hein? Enquanto vocês não receberem os salários atrasados tu não vai mais acertar nenhum?
Amaurizinho Sergipano: Eu não! O presidente do clube até trocou de carro e vem dizer que não tem dinheiro para pagar os salários... Vou continuar me fazendo até ele pagar.

Repórter: Iésclison, é verdade que você é gay?
Iésclison (empurrando o repórter): Vai te #*$@, seu f*$%$¨#$@@!! (logo outros jogadores chegam, alguns tentando apartar a briga e outros ajudando a bater no repórter, já chegando na voadora).

Fica aí a sugestão. Acho que eu nunca mais trocaria de canal no intervalo entre o primeiro e o segundo tempo...

3 comentários:

Thiago F.B disse...

Cara seria muito melhor mesmo!!!

Tipo, sou um torcedor de estádio e vou te dizer que ao menos no beira rio me sinto extremamente seguro inclusive em GRENAL !!!

Realmente não tenho o replay mas as informações tenho no radinho e no estádio posso ver o campo e a tatica com uma perspectiva impossível pela teve!!! Sem contar acontecimentos que simplesmente são ignorados pela tv...
Enfim...quando tu passar por aí vamos no beira rio hora dessas!!!

heheheh

Abração rapá!!!

Falooooooow.

André disse...

Genial o post. E Romário devia ser eleito o presidente do mundo.

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Outra coisa que me irrita, principalmente nas transmissões das eliminatórias pela Globo, é o "show do intervalo": ao invés de mostrar os gols dos outros jogos, mostram o baú do esporte, entrevista com fulano que marcou 3 gols contra o Uruguai em 1968, etc. As vezes até rola uns golzinhos dos jogos que ocorreram no mesmo dia, mas só os sul-americanos. Gol de qualquer torneio europeu, na globo, só passa se o tento for marcado por um brasileiro.

Mario disse...

Se perguntar para um jogador de futebol se ele é gay vai dar um nó no cérebro do coitado.
Tem que perguntar assim: Tu é viado?

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