23 de out de 2009

A Origem da Estupidez

2009 está sendo comemorado como o "ano de Darwin", graças aos 200 anos de seu nascimento e aos 150 anos da publicação de "A Origem das Espécies", talvez o livro que tenha impactado de maneira mais definitiva o pensamento humano a partir do século XIX. Marx e Engels, por exemplo, que homenagearam Darwin em suas obras ("O Capital" e "Sobre o papel do trabalho na transformação do macaco em homem", respectivamente), impactaram o mundo também, particularmente durante o século XX. Sigmund Freud, em "A Interpretação dos Sonhos", também causou uma revolução de ordem mundial ao promover suas ideias que fundariam a psicologia analítica. Porém, se ainda hoje acompanhamos discussões acerca de temas/obras de Marx/Engels e Freud, nenhum tema ou autor causa mais discussão - e tem mais potencial "revolucionário", eu diria - do que os que "A Origem das Espécies" implica.

Nos EUA, uma guerra nada silenciosa está sendo travada há um bom tempo entre ateus e criacionistas pelo que pode ser ensinado nas escolas norteamericanas, particularmente nas aulas de História e Biologia. Resumidamente, os ateus - e cientistas em geral - querem que apenas a Teoria da Evolução seja ensinada nas escolas, juntamente com a Pré-História - ambas ancoradas por métodos científicos, os mesmos utilizados na produção das matérias dadas em Matemática, Química, Física, etc. Já os criacionistas exigem que seja ensinado o Criacionismo, vertente NADA científica que acredita que Deus criou o universo em sete dias e há cerca de seis mil anos (mais precisamente, no ano de 4004 a.C.).

Veja bem, a questão não é ensinar o Criacionismo nas aulas de Religião - o que deveria ser o seu lugar (na minha opinião, nem deveria ser ali, mas...). É ensiná-lo nas aulas de Biologia e História, subvertendo completamente teorias científicas e fatos comprovados cientificamente para que UMA das MUITAS versões religiosas sobre a criação do mundo seja ensinada.

Talvez não sintamos tanto isso aqui no Brasil, país eminentemente católico e de uma passividade e tolerância religiosas que beiram a preguiça - no melhor dos sentidos, certo? Errado. Em 2004, a governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Garotinho, tentou implementar aulas de religião criacionistas nas escolas da rede pública do estado, mas o projeto não vingou (graças a Deus?). Mas em várias escolas particulares, as coisas estão piores. Várias escolas no Brasil já fazem isso, ou no mínimo ensinam a Teoria da Evolução E o Criacionismo, lado a lado, nas aulas de Biologia. E não são escolas quaisquer; tratam-se de escolas do calibre do Colégio Presbiteriano Mackenzie e do Colégio Batista Brasileiro, ambas de São Paulo.

A postagem já está ficando longa e outro dia eu escrevo mais sobre as implicações que uma barbaridade dessa tem para a humanidade em geral, apesar de ter certeza que os poucos leitores deste blog já devem saber. O que eu queria falar realmente é que, no dia 19 de novembro, criacionistas distribuirão cópias de "A Origem das Espécies" nos EUA com um prefácio de 50 páginas com bullshits religiosas. Saibam mais no vídeo a seguir e leia mais aqui:

“A autora do vídeo é uma romena chamada Cristina. Ela critica a iniciativa de Kirk Cameron e Ray Comfort de distribuir exemplares de “A Origem das Espécies”, de Darwin, com uma introdução de 50 páginas, expondo a visão dos criacionistas sobre o assunto”.


Nenhum comentário:

Creative Commons License

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.