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4 de mar. de 2010

Videoclipes legais - Ok Go

Desde que me lembro, sempre gostei de videoclipes, por vários motivos. Gosto especialmente da possibilidade que eles têm de comunicar a música, de servir como um veículo de divulgação para ela. Nesse sentido, preciso dizer que adoro clipes originais, divertidos, legais, enfim, criados não necessariamente para contar o que a música está dizendo, mas como uma forma de arte que serve à música que eles representam.

Exemplos não faltam; há diretores e músicos empenhados nisso. De bate-pronto, quanto aos diretores, me lembro de Michel Gondry e Spike Jonze e, quanto aos músicos, de Aphex Twin, Chemical Brothers e Ok Go. Por ora, fiquem com dois clipes muito bem feitos e que devem ter dado um trabalho dos diabos da banda estadunidense Ok Go. Em breve virão mais alguns.

Este é o vídeo de "Here It Goes Again", que virou uma febre no Youtube e foi o responsável por alavancar a carreira da banda. Foram gravado dezessete takes até que o resultado ficasse bom:



E este é o vídeo de "This Too Shall Pass". Toda a construção levou um mês e meio para ficar pronta, e foram precisos uns sessenta(!) takes para finalmente sair o resultado final. A cada erro (que às vezes ocorria nos primeiros trinta segundos de gravação) era preciso reiniciar toda a parafernália; para isso, havia um grupo de 30 pessoas, e o processo de reinicialização demorava cerca de uma hora. O clipe, dirigido por James Frost, a banda e Syyn Labs (que também trabalhou na construção de tudo) é um plano-sequência rodado com uma Steadicam, e é uma verdadeira obra-prima:

12 de nov. de 2009

Músicas do ano: Black - Pearl Jam

E começa mais uma série daquelas que não vou terminar; chama-se "Músicas do ano", e será uma espécie de retrospectiva das músicas que eu mais escutei no ano, sem ordem cronológica muito definida, até porque o ano ainda não acabou e eu escutei muitas delas ao longo do ano todo. Para começar, acho que nada melhor do que uma do Pearl Jam: Black.

Se eu pudesse dar um só motivo para gostar de Pearl Jam, acho que seria essa música. Fazendo parte do Ten, o primeiro álbum dos caras, ela tem peso, leveza e sensibilidade na medida certa, acompanhada de uma das melhores letras deles - e olha que tem letra boa nessa discografia. Escolhi o vídeo a seguir para postar aqui por dois motivos: o primeiro é porque tem uma tradução muito boa da letra, e o segundo é porque é de um show muito bom do PJ, na época do lançamento do segundo álbum, Vs..

Them Crooked Vultures - OUT

O Them Crooked Vultures colocou na internet todas as músicas do seu primeiro álbum, homônimo, que será lançado na segunda-feira. O endereço é este aqui, e nos vídeos relacionados tu pode ouvir todo o álbum.

Ainda não escutei tudo, mas gostei do que escutei até agora. Assim que tiver um, digamos, embasamento melhor, eu posto aqui as minhas impressões.

Fiquem com New Fang, terceira faixa do álbum.

22 de set. de 2009

Power Trio

Há algumas semanas, foi anunciada uma nova banda por aí, na verdade uma superbanda: Them Crooked Vultures, formada por Dave Ghrol, ex-Nirvana e atual Foo Fighters, na bateria, Josh Homme, do Queens of The Stone Age, na guitarra e vocal, e John Paul Jones, o ex-Led Zeppelin, no baixo e nos teclados. O que esperar? Algo melhor que o Nove Mil Anjos, no mínimo. Falando sério, é de se esperar um pouco de "ação" na cena do rock mundial, que anda tão em baixa nos últimos tempos. Não há muito o que falar, porque até agora não foi mostrada muita coisa. Temos, oficialmente, apenas alguns teasers na Internet. É com um deles que eu encerro esta postagem, cheio de expectativa:

17 de set. de 2009

Música do dia

Smashing Pumpkins - Perfect

Contando com grande melodia e letra (como sempre, tratando-se de Billy Corgan), Perfect faz parte do álbum Adore (do qual nem gosto tanto dentro da discografia da banda) e lembra um pouco 1979, outra grande canção da banda, tanto na música quanto no videoclipe - aliás, uma das minhas músicas preferidas de todos os tempos. Fiquem com o clipe e a letra:



I know we're just like old friends
We just can't pretend
That lovers make amends
We are reasons so unreal
We can't help but feel that something has been lost

But please you know you're just like me
Next time I promise we'll be perfect
Perfect
Perfect strangers down the line
Lovers out of time
Memories unwind

So far I still know who you are
But now I wonder who I was...

Angel, you know it's not the end
We'll always be good friends
But the letters have been sent on

So please, you always were so free
You'll see, I promise we'll be perfect
Perfect strangers when we meet
Strangers on the street
Lovers while we sleep

Perfect
You know this has to be
We always we're so free
We promised that we'd be
Perfect
Perfect
Perfect

11 de set. de 2009

Eu não estou interessado em nenhuma teoria

Aproveitando a onda (já meio tardia) do sumiço-aparição que o Fantástico montou nas últimas semanas, uma letra do Belchior que compartilha muito com a minha visão de mundo. O cara é foda.

ALUCINAÇÃO

eu não estou interessado em nenhuma teoria
em nenhuma fantasia nem no algo mais
longe o profeta do terror que a laranja mecânica anuncia
amar e mudar as coisas me interessa mais
muito mais...me interessa

eu não estou interessado em nenhuma teoria
nessas coisas do oriente, romances astrais
minha alucinação é suportar o dia-a-dia
meu delírio é a experiência com coisas reais

um preto, um pobre,
um estudante, uma mulher sozinha
blue jeans e motocicletas, pessoas cinzas normais
garotas dentro da noite...revólver:"cheira cachorro"
os humilhados do parque com os seus jornais
me interessam
amar e mudar as coisas me interessa mais

um corpo cai do oitavo andar
a solidão das pessoas nessas capitais
a violência da noite...o movimento do tráfego
amar e mudar...amar e mudar
amar e mudar as coisas me interessa mais

eu não estou interessado em nenhuma teoria
em nenhuma fantasia nem no algo mais
longe o profeta do terror que a laranja mecânica anuncia

amar e mudar as coisas me interessa mais

Em seguida, a versão mais conhecida dessa música pela minha geração, com os Engenheiros do Hawaii:

30 de ago. de 2009

Mais novo trampo

O show é surpreendente, principalmente por dois motivos: a qualidade das canções ao vivo, com a riqueza dos seus arranjos e a interpretação da cantora, e o bom humor de suas intervenções entre as canções.

Extraído da minha resenha do show da Fernanda Takai, ontem, no Teatro do Bourbon Country, para o totalmente excelente Poa Show, a convite do grande parceiro Marcel Bittencourt. Adorei a experiência e espero fazer mais resenhas por aí. Quer ler mais? Clica aqui e vai.

8 de jul. de 2009

Bizarramente hipócritas

A coisa é bastante óbvia: em Black or White, Michael Jackson fala, também, sobre si mesmo, declarando que não importa se ele era branco e virou negro, ou se era negro e virou branco, porque ainda é quem ele é. Infelizmente, foi uma daquelas mensagens que as pessoas acham bonito na hora mas se esquecem no minuto seguinte, tornando o ato de concordar com as palavras mais importante do que agir de acordo com elas. Qualquer atitude levemente diferente por parte de Michael Jackson era elevada à décima potência, tornando-se o estopim para que todos bradassem, do alto de suas inocências, que Jackson era doente. Que não era humano. A simples acusação de pedofilia já o tornou um pedófilo. Suas músicas foram deixadas de lado, e a pauta era encontrar qualquer coisa que pudesse ser noticiada nos tablóides como bizarra. Mais do que ver alguém chegar ao estrelato, as pessoas gostam de ver uma estrela cair.

No tributo de hoje foi dito publicamente a Michael tudo o que ele gostaria de ter ouvido em vida. Personalidades subiram ao palco e declararam aos quatro ventos que não havia nada errado com Jacko. Os microfones ecoaram palavras bonitas, e de uma hora pra outra todos viraram defensores ferrenhos do artista. Mas com exceção de um ou outro discurso, uma ou outra performance, foi uma cerimônia protocolar. Destemperada. Tudo indica que um palco foi construído às pressas para ser transmitido pela televisão e fazer as pessoas chorarem ao redor do mundo. Mais um show do que um tributo.

Esse trecho está lá no Cataclisma e resume bem o que eu penso sobre o espetáculo necrófilo que aconteceu em torno da morte do Rei do Pop. Michael Jackson foi O cara dentro do que se convencionou (graças e ele e à Madonna, basicamente) chamar de pop. Mas, dentro do que se convencionou chamar de vida, ele foi um coitado. Coitado porque teve que carregar ao longo de sua vida traumas obviamente causados por um pai autoritário e que enxergava nos seus filhos apenas máquinas de fazer dinheiro. Porque, ao ser alçado a um nível de sucesso nunca antes visto - e que, em nossa era de sucesso efêmero, talvez nunca mais seja visto -, teve que enfrentar um mundo em que cada peido seu era noticiado e muitas vezes aumentado. E se, para uma pessoa comum, já é difícil viver de forma "normal" entre tantos traumas e pressões, imagina para a maior celebridade dos anos 80. Sim, porque todos temos nossos problemas, todos temos nossas manias, todos temos nossas extravagâncias. As de Michael obviamente eram maiores do que as da maioria, mas talvez as minhas, as suas, também fossem maiores se tivéssemos o poder e o dinheiro que Michael teve para alimentá-las. Michael Jackson foi um coitado por não saber equilibrar suas extravagências, suas loucuras, com sua fama. Talvez ele acreditasse que as pessoas não fossem hipócritas a ponto de achar que ele era o único que tinha problemas, que ele fosse o único negro a querer ser branco, que ele fosse o único a querer morar em um lugar estranho, construído exatamente do jeito que ele quis, etc.

Entretanto, o que Michael não sabia (ou negava para si) é que o nosso mundo, como o conhecemos hoje, é construído na base da hipocrisia. Enquanto ele era acusado de pedofilia, ninguém falava a respeito do comportamento dos pais das crianças que o acusaram, que largaram deliberadamente seus filhos para dormirem junto com um estranho - muitos já cientes da primeira acusação de pedofilia contra o cantor. Se era realmente um pedófio, não sei. Vocês também não sabem. O que eu sei é o quanto foram hipócritas os meios de comunicação ao transformarem a vida de Michael Jackson em um circo, no que ele mesmo ajudou a aumentar com a coleção de bizarrices que não parecia tentar esconder. E talvez não as escondesse mesmo, justamente por imaginar que todos nós somos seres bizarros. Ou, como diria Caetano, que de perto ninguém é normal. Mas acontece que não somos só bizarros, somos bizarros e bizarramente hipócritas.

Aí esperam ele morrer para fazer todas as homenagens possíveis. Esperam ele morrer para comprar seus discos (depois da sua morte, ele está ocupando os 15 primeiros lugares das vendas de discos da Amazon), tudo o que poderia ter feito ele mais feliz EM VIDA. Ah, tá. Enquanto isso, muita gente ganha dinheiro em cima dele.

Bizarro.

23 de mar. de 2009

Música, emoções, pessoas

Quase dois anos após anunciar uma pausa por tempo indeterminado, a banda Los Hermanos fez dois shows no último fim de semana, um no Rio de Janeiro e o outro em São Paulo, como banda de abertura do Radiohead (juntamente com o Kraftwerk). Infelizmente, eles não falaram nada sobre voltar definitivamente ao trabalho. Enfim, foi um show com muitos pontos positivos (músicas há muito não tocadas, como "Cher Antoine", empolgação da grande maioria dos presentes - coisa rara em shows de abertura para bandas gringas - o Detonautas que o diga) e alguns probleminhas (uns errinhos meio toscos na execução), mas daqueles em que as emoções falam mais do que as palavras: vendo os caras ali, tocando mais uma vez, tive uma sensação muito boa, da qual estava mesmo precisando sentir. É daquelas coisas que só sentindo, sabe? Então, é melhor nem tentar escrever. O que eu quero dizer com essa postagem é como a música pode significar tanto para alguém, como ela pode ser transformadora de humores, emoções e, por que não, de mundos. Como ela nos dá coragem, nos causa nostalgia, tristeza ou alegria com uns poucos acordes, e como aqueles que as executam/compõem/cantam acabam adquirindo uma importância talvez desproporcional nas nossas vidas, apenas por aquelas palavras unidas a uma melodia cheia de notas musicas que chamamos de canção. É como minha mãe uma vez me contou: estava ela caminhando pela rua quando ouviu pelo rádio a notícia de que John Lennon havia sido assassinado. Ela chorou ali mesmo, na rua, sem se importar com os que por ali passavam; afinal, o que importava naquele momento era a dor de ter perdido alguém tão importante, tão querido, mesmo que esse alguém nem sequer fazia idéia da sua existência. É como os Hermanos são pra mim, assim como os irmãos Gallagher ou o Pearl Jam. Com certeza, no dia em que eles se forem vou chorar, no meio da rua ou em casa, por ter perdido pessoas especiais da minha vida. Mesmo que elas sequer tenham feito idéia de que eu existia.

13 de out. de 2008

Músicas do Mês

Músicas do Mês, no meio do mês.

Eddie Vedder - Society -
O filme Na Natureza Selvagem tem dois predicados que me fizeram querer muito assisti-lo: é dirigido pelo Sean Penn e tem como trilha sonora 11 músicas do Eddie Vedder. Após ter visto o filme percebi que esses predicados anunciavam mesmo o filme que eu esperava ver. Bem, mas como a coluna aqui é sobre música, vamos nos atentar a ela: das 11 canções do disco, a que eu mais escutei até agora foi, disparado, essa Society. Composta com um minimalismo grandioso, possui uma letra muito boa e que "conversa" muito bem com o tema do filme. Linda, de ouvir de olhos fechados.



Manic Street Preachers - Send Away the Tigers - A mais executada no meu mp3 no mês de setembro, esta música é foda! Desde a sua estrutura, com dois versos inteiros antes do refrão (tem músicas que funcionam muito bem assim, e esta é uma delas), passando pelo próprio refrão, ela tem muitas qualidades que a tornam fácil de escutar repetidas vezes. Talvez o único problema dela seja o clipe (que eu não conhecia), que é uma bosta.

5 de out. de 2008

Um dos piores videoclipes de todos os tempos

Cara, não pode ser de verdade...

3 de out. de 2008

VMB 2008

Ontem era um daqueles dias que eu estava com vontade de ver TV, mas não tinha nada que prestasse. Eis que vejo que em pouco tempo ia começar o Video Music Brasil, premiação da MTV que eu acompanhei durante muito tempo na minha adolescência. Tá aí, vou assistir. Assisti e agora passo para vocês algumas impressões:

- O Marcelo Adnet é muito bom mesmo. Além de ter o melhor programa da MTV na atualidade (o 15 Minutos) e saber imitar uma porrada de gente, o cara tem uma capacidade de improvisação fantástica, testada e comprovada na noite de ontem, quando foi desafiado em cada final de bloco a cantar com uma voz escolhida na hora e com algumas frases pré-determinadas também na hora.

- Colocar qualquer um para apresentar prêmio é foda. Se houvesse premiação para pior apresentação de prêmio ontem, certamente ela iria para Cesar Cielo e Fofão, que protagonizaram uma dupla sem o menor timing para falar a piada que estava ensaiada - que já era, ao natural, péssima.

- Programa ao vivo é sempre uma tentação para dar merda, e premiação da MTV ao vivo ainda mais, por causa das inconstâncias dos artistas. Quem não se lembra, por exemplo, do piti do Caetano Veloso no VMB de 2004? Bom, e o que não faltou nessa edição do VMB foram momentos de vergonha alheia lamentáveis que desde já entraram para a história da premiação. Em primeiro lugar, a apresentação do Bloc Party, sensação indie que a MTV anunciou aos quatro ventos como grande atração internacional da festa. Quando eu vi, não acreditei: os caras entraram e fizeram um playback horroroso, de fazer a Britney Spears ficar vermelha de vergonha! Na primeira música (sim, porque eles ainda tocaram outra...) eles estavam completamente desanimados e dava para ver claramente que não era ao vivo, porque a boca do vocalista não acompanhava o som, assim como os movimentos do baterista - que, aliás, exibiu um look de dar inveja ao Freddie Mercury. Fim da primeira música, vaias do público. E eu com aquela sensação de vergonha alheia pelos caras, pela MTV, pelo cara que teve essa idéia idiota, na verdade eu estava com vergonha alheia por sei lá quem, porque a culpa era de todo mundo ali mesmo... Começa a segunda música, o vocalista Kele Okereke tira a guitarra e começa a sair correndo pela platéia (talvez na tentativa de agitar o público, talvez para fugir dali, não sei), cantando de forma ridícula a música - em playback, claro. Enquanto isso, as câmeras focalizavam os outros integrantes, que tocavam seus instrumentos de forma air* de uma maneira ridícula e descompromissada. Quando não podia ficar pior, eis que o vocalista está voltando para o palco, erra o passo e CAI no espaço entre a platéia e o público... Lamentável. Termina a segunda música, vaias maiores. EU já queria me esconder naquele momento, quando o Marcos Mion, apresentador da noite, entra no palco e solta um irônico "quem sabe faz ao vivo", ganhando aplausos da platéia e completando "ah, vocês também notaram? Achei que só eu tivesse percebido".

- Outro momento lamentável foi a apresentação de uma banda que eu não conhecia, o Bonde do Rolê. Cara, aquilo é muito ruim, parece uma esquete do Hermes e Renato, só que de verdade. Auxiliados (?) pela péssima equalização que existe em TODAS as edições do VMB, os integrantes do grupo estavam acompanhados de uns caras bombados e cantaram três músicas (Deus...) que, felizmente, não tinham como ter suas letras ouvidas. Um tempo depois da apresentação foi a vez de a MTV anunciar o prêmio de Artista do Ano e darem a vitória ao NX Zero. Até aí tudo bem, os caras comemoram e vão em direção ao palco para agradecer. Então vem uma mulher do nada querendo pegar o microfone dos caras, que a empurram para o público (o vocalista do NX Zero ainda soltou um "ó o mosh, galera") e continuam o discurso. A mulher volta pro palco e tenta pegar de novo o microfone. Quando finalmente ela consegue se apropriar do dito cujo, grita - grita não, berra - "vocês roubaram o nosso prêmio"! Então eu a reconheço: é uma das integrantes do Bonde do Rolê! Mais nonsense que isso, só dois disso.

- Só pra constar, estou desatualizado em relação às bandas do momento, mesmo as gringas. Quando anunciaram o vencedor do prêmio de Banda Internacional, não tinha a menor idéia de quem era Paramore e o que eles tocavam. Aliás, continuo sem saber.

- Para encerrar a noite, a MTV fez um especial a la "We are the world", com vários artistas nacionais cantando "Furfles feelings", música genérica que o Marcelo Adnet criou em uma das edições do 15 Minutos e que deu tão certo que valeu esse encerramento. Muito legal a idéia, que diminuiu um pouco a minha sensação de vergonha alheia que me tomou ao longo da premiação.

* forma air é aquele jeito que algumas pessoas tocam, quando não têm o instrumento nas mãos, fazendo mímica. Mais informações aqui.

10 de jul. de 2008

Músicas do Mês

Como essa sessão não apareceu mês passado (foi mal...), vou postar duas vezes em julho. Aí vai a primeira:


Kleiton e Kledir – Capaz – Eu nunca gostei de Deu Pra Ti, principalmente por causa do “tchu tchu” que tem na versão original. Isso foi o suficiente para eu nunca me aprofundar muito na obra dessa dupla gaúcha de muitos anos de estrada. Mas eis que assisto o DVD Kleiton e Kledir Ao Vivo e me vejo encantado pelas suas músicas, inclusive por Deu Pra Ti (que não tem “tchu tchu” nessa versão). Capaz é uma música com uma melodia muito boa (como todas as deles) e uma letra que, resumidamente, fala que, com todos os problemas mais prosaicos que temos, não dá muita vontade de pensar em outras coisas, digamos, “menos importantes”, como por exemplo se ETs existem ou se o mundo vai acabar. Tudo isso utilizando fartamente o “capaz”, o termo mais rico em significados da língua gaúcha. Para se ter uma idéia do quão difícil é explicá-lo para pessoas de outros estados, na tradução em inglês do DVD (sim, eu assisti tanto esse show que até prestei atenção nas legendas em outra língua) o “capaz” está como “maybe”, o que é absolutamente errado. Enfim, capaz de um dia eu escrever uma postagem só sobre o capaz. Capaz...

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Snoppy Dogg – Sensual Seduction – Eu confesso, gostei dessa música. O motivo é um só: o videoclipe, absolutamente fantástico, que faz uma homenagem aos clipes toscos meio blackspotation do fim dos anos 70 e início dos anos 80, com direito a teclado-de-mão (sei lá o nome desse negócio, só sei que o Polegar tinha um) e chroma-key mal feito pra dedéu. Simplesmente demais, já está pra mim no mesmo nível de paródia/homenagem do clipe embaixo desse, que é do Backstreet Boys(?) e se chama Just Want You To Know. 




31 de mai. de 2008

Músicas do Mês

Uma das séries mais queridas aqui do MD (pelo menos por mim), Músicas do mês está sendo negligenciada pelo dono do blog. Lamentável isso, vou tentar não ratear mais. Dito isso, vamos aos campeões do mês:

Coldplay – Hardest Part – essa música já me acompanha desde a primeira vez que escutei o X&Y, terceiro disco dos caras. Porém, sempre tinha alguma coisa que fazia com que ela não entrasse na lista – normalmente, outras músicas mais ouvidas, lógico. Em maio, o que deu uma mãozinha para Hardest Part entrar aqui foi o TVZ, que passou o clipe dessa música muitas vezes. Aliás, que clipe horrível, hein? O Coldplay, em termos de videoclipes, deveria ter feito sucesso nos anos 80...

System of a Down – Holy Mountains – Apesar da letra não ser tudo aquilo e a música não ter tantas trocas de estilo musical na mesma música (coisa que eu adoro na banda), essa música me cativou muito em maio. Isso graças ao seu riff de guitarra, um dos mais bacanas desde, sei lá, Pretty Fly. Se na música do Offspring a única coisa que prestava mesmo era o tal riff, em Holy Mountains ele é parte integrante de um todo muito competente (é a melhor parte, mesmo assim). A banda utiliza-o muito bem nos momentos certos, e aí não tem como não ficar o dia todo com ele na cabeça.

Amy Winehouse – You Know I’m No Good - Assim como em Holy Mountains, aqui também existe uma parte específica da música que é muito boa – só que não é um riff de guitarra. Trata-se de um “mini-solo” de metais que deixa a música mais dançante ainda. Isso, aliado à excelente voz daquela que de tanto pisar na jaca tem a data de sua morte sendo apostada em bolões internet afora, foi uma diversão e tanto no mês que passou.

2 de abr. de 2008

Músicas do mês

Depois de tirar umas férias, “Músicas do Mês” volta à ativa. Peço desculpas adiantadas por colocar mais músicas dos mesmos artistas, mas tenho que dizer que considero essas bandas as melhores da atualidade (juntamente com Oasis e Queens of the Stone Age, entre outras poucas). Isso, aliado ao fato de que a minha mudança pra São Paulo bagunçou minha rotina de escutar e descobrir novas músicas, fez com que eu repetisse de novo as bandas. Mas pelo menos tem Norah Jones também...

Pearl Jam – Love Boat Captain – mais uma música sensacional do sensacional disco Riot Act. Falando essencialmente da importância do amor em nossas vidas, essa música trata também de um episódio delicado na carreira dos caras (Lost nine friends we'll never know.../2 years ago today). Num show em 30 de junho de 2000, no Roskilde Festival, na Dinamarca, nove pessoas morreram após uma confusão causada porque todo mundo quis chegar mais perto do palco na mesma hora. O tumulto aconteceu na frente dos caras, que tentaram em vão fazer com que a platéia ficasse calma e parasse de tentar vir mais para frente. O desespero dos integrantes da banda ao ver a tragédia fez com que eles declarassem que não iam mais fazer shows em estádios, apenas em pequenos teatros e ginásios. Curiosamente, eles voltaram atrás justamente para fazer os seus shows aqui no Brasil, em 2006. A letra também faz referência a uma canção dos Beatles, “All You Need Is Love” (I know it's already been sung,...can't be said enough/Love is all you need,..all you need is love), mas a minha parte favorita é o refrão, quando Eddie Vedder canta a plenos pulmões Hold me, and make it the truth/That when all is lost there will be you/Cause to the universe I don’t mean a thing/And there’s just one word I still believe/And it’s love. Sensacional...



Foo Fighters – The Pretender – Canção que concorreu ao Grammy de melhor música do ano e primeiro single desse baita álbum (Echoes, Silence, Patience & Grace - que inclusive ganhou o Grammy de melhor disco de rock e também concorreu como melhor disco do ano), essa canção começa com um dedilhado que lembra um pouco Stairway to Heaven, do Led Zeppelin, apenas para depois explodir com uma guitarra nervosa que fica alimentando o que vai ser o explosivo refrão da música. Após uma parte mais lenta, com o mesmo dedilhado do início, o último refrão segue até um improvável coda que termina a música de um jeito muito, mas muito bom.



Norah Jones – Sunrise – A ternura dessa música é quase indescritível; a tranqüilidade que ela me passa também. Por todos esses predicados (e pela bela melodia) ela foi um dos destaques no mês passado. Simples assim, curto e grosso – características opostas a essa bela canção.

21 de fev. de 2008

Chance

Seu nome é Ednaldo Pereira, a música é Chance. O resto... bem, o resto vocês conferem aqui em baixo (com legendas!): 


11 de fev. de 2008

Coldplay - The Scientist

Lindo videoclipe da linda música retirada do segundo álbum dos caras, A Rush of Blood of the Head. Eu me lembro que já achava essa a melhor música do Coldplay antes de ver o vídeo, e quando o vi fiquei mais apaixonado ainda pela canção. Tratando do velho tema da separação de uma forma muito bonita, esse clipe é mais um daqueles que eu não tenho a mínima idéia de como foram feitos. Isso porque o vídeo todo é rodado de trás pra frente, mas a boca do vocalista Chris Martin canta a música normalmente, de "frente pra trás". Além disso, é digno de nota que o fato do clipe começar assim, do fim, não é só um exercício de estilo, mas tem tudo a ver com a narrativa do mesmo (assim como o filme Amnésia). Com vocês, The Scientist:


12 de dez. de 2007

Faça a evolução

Esse clipe é sensacional. Lançado em 1998, Do the Evolution representou o retorno do Pearl Jam ao mundo dos videoclipes, mas ainda demoraria alguns anos para que os seus integrantes aparecessem em um. Desenhado pelo Todd McFarlane (conhecido pelos seus desenhos históricos nos gibis do Homem-Aranha e por ter criado o Spawn), é daqueles clipes que não sobrevivem sem a música que ele representa, justamente por ilustrá-la de maneira genial. A letra fala sobre a natureza podre do ser humano, que se acha a última bolacha no pacote do planeta Terra e que, por isso, pode fazer o que quiser, seja com a Natureza ou com os outros humanos, em nome da "evolução".

O clipe conta rapidamente a história da vida no planeta, desde os primeiros seres vivos até a chegada do homem, que significou mudanças drásticas para todos os seres. Então o vídeo vai enumerando as várias barbaridades dos humanos, como guerra, escravidão, experiências com animais, massificação, hiperconsumismo, o Poder, campos de concentração, fanatismos, o orgulho pela prole e pelas tradições nojentas passadas de pai para filho e a força da religião. Do the Evolution é uma obra de arte: impossível não se emocionar com o macaco amarrado, numa seqüência que mostra um claro paralelo com um homem sendo executado em uma cadeira elétrica; a seqüência da menininha correndo em um campo, em que tudo parece tão pitoresco, e que de repente a mostra pisando em um formigueiro; a Morte, belíssima, dançando e mostrando sua verdadeira face em rápidos flashes; as seqüências dos homens ao redor da fogueira e sua "evolução".

Isso que eu nem estou falando da música propriamente dita, que é algo... Em suma, um vídeo para quem acha que não existe vida inteligente no rock, uma grande mensagem e um grande alerta, anos antes dessa moda de responsabilidade ambiental. Deixo aqui o clipe com tradução e também a letra original da música. Para ver duas, três, dez vezes:



DO THE EVOLUTION
I'm ahead, I'm a man
I'm the first mammal to wear pants, yeah
I'm at peace with my lust
I can kill 'cause in God I trust, yeah
It's evolution, baby

I'm at peace, I'm the man
Buying stocks on the day of the crash
On the loose, I'm a truck
All the rolling hills, I'll flatten 'em out, yeah
It's herd behavior, uh huh
It's evolution, baby

Admire me, admire my home
Admire my son, he's my clone
Yeah, yeah, yeah, yeah
This land is mine, this land is free
I'll do what I want but irresponsibly
It's evolution, baby

I'm a thief, I'm a liar
There's my church, I sing in the choir:
(hallelujah, hallelujah)

Admire me, admire my home
Admire my son, admire my clones
'Cause we know, appetite for a nightly feast
Those ignorant Indians got nothin' on me
Nothin', why?
Because... it's evolution, baby!

I am ahead, I am advanced
I am the first mammal to make plans, yeah
I crawled the earth, but now I'm higher
2010, watch it go to fire
It's evolution, baby
Do the evolution
Come on, come on, come on

30 de nov. de 2007

Músicas do Mês

Foo Fighter - But Honestly - Baita música do baita último disco dos caras (Echoes, Silence, Patience and Grace, que em breve vai merecer uma postagem só pra ele). Começa com parecido com State of Love and Trust, do Pearl Jam, só com uma guitarrinha sem distorção, e vai crescendo até explodir, lá pela último terço, com guitarra distorcida e um riff poderoso. Junte isso a uma letra melancólica sobre perda (And all the words I gave to you / Something borrowed something blue / If you want them back / I'll give it to you) e terá um grande som.



Silverchair - Waiting All Day - Faixa no novo disco dos australianos, que é completamente diferente do que vinha sendo executado por eles. Quase sem ecos do grunge, o disco é feito com canções belas e trabalhadas como essa, em que a melodia se sobrepõe ao resto. Escutei-a poucas vezes, mas o refrão não saiu da minha cabeça.



Cássia Eller - No Recreio - Uma das melhores letras do Nando Reis numa das melhores músicas da Cássia, só podia dar nisso. Essa versão, aliás, é anos-luz melhor do que a pálida versão do Nando, aquela com violões. Essa, com guitarras distorcidas e o vozeirão da Cássia, mata a pau.


PJ

Há exatos dois anos e dois dias, tive a oportunidade de presenciar um dos maiores acontecimentos da minha curta existência: Pearl Jam em Porto Alegre. Foi uma experiência única assistir a banda que fez parte da minha vida desde a adolescência e que amadureceu junto comigo ali, na minha frente, tocando músicas que foram trilha sonora da minha vida, que foram músicas do mês, que são parte de mim. Foram duas horas em que milhares de pessoas cantavam e gritavam TODAS as músicas, em inglês, mesmo que fosse no enrolation, e em que todos os que estavam lá compartilhavam do mesmo sentimento, da mesma emoção, enquanto a banda mais interessante da atualidade (há quinze anos!) fazia o que sabia: nos emocionava com suas canções. Para os desafortunados que não estiveram lá - e para os mais desafortunados ainda que não conhecem Pearl Jam -, um trecho desse post do André, do Cataclisma 14, e três registros educativos do melhor show da minha vida, em que saí sem voz alguma:

"Soam os acordes, as notas, e a gente chega a explodir por dentro, pois a intensidade do momento é tanta que ele simplesmente te envolve e te transforma em emoção pura. E um dia, quando o pessimismo for a religião do mundo, eu poderei me levantar e dizer 'sonhar é uma coisa boa - se vocês duvidam, eu tenho a prova: dia vinte e oito de novembro do ano de dois mil e cinco'. Porque não existe sensação melhor no mundo do que cantar com o coração na boca."

Vídeo roubado do Cataclisma 14 (Yellow Ledbetter), que mostra a lotação do Gigantinho:



Durante Alive, catarse coletiva:



Jeremy, sem palavras. A música começa mesmo depois de 1:45. Destaque pro "uôôôôôôô" da platéia, aos 5:20, mais ou menos:


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