31 de ago. de 2007

Músicas do Mês

Excepcionalmente, a edição desse mês terá três músicas. O motivo é simples: escutei Pearl Jam feito um louco no mês de agosto - principalmente os dois últimos discos de estúdio, Riot Act (2002) e Pearl Jam (2006). Daí não teve jeito: duas músicas dos caras entraram na lista:

Pearl Jam - Off He Goes - Banda boa é aquela que consegue melhorar uma música de estúdio ao vivo. E isso o PJ faz com sobras, basta ouvir o álbum Live On Two Legs, registro ao vivo muito bom. Tão bom que tem músicas que, no show, soam melhores do que os seus irmãos de estúdio. Vide Hail, Hail, Corduroy, Red Mosquito e a música escolhida desse mês, Off He Goes. A trama do instrumental, com aquela calmaria, junto com a voz de Eddie Vedder fazem dessa música uma experiência para entrar e viajar, curtindo-a por completo. Uma pena eles não terem tocado essa aqui em Porto Alegre...

Pearl Jam - Save You - Baita rockão do Rioc Act, Save You é uma música poderosa, que conta com uma letra fraterna que fala de todos os sacrifícios a que um amigo de verdade - seja em qual nível for - está disposto a se submeter para ajudar o outro (Gonna save you fucker / not gonna lose you). Guitarras intensas, ritmo rápido e uma batera matadora completam os ingredientes dessa canção que não parou de tocar no meu MP3 no mês de agosto: Please help me / to help you / help yourself!!!

System of a Down - Prison Song - O SoaD é uma banda estranha: aparentemente, não há um estilo onde encaixá-los. Isso deve-se basicamente às mudanças constantes de andamentos, ritmos e estilos não só no mesmo disco, mas na mesma música. Prova disso é Prison Song, que abre o disco que catapultou os também estranhos membros da banda ao estrelato, Toxicity. Lembro de tê-la ouvido a primeira vez num show dos caras que a MTV transmitiu (sim crianças, um dia, há muito tempo atrás, a MTV transmitia shows), e de ter me encantado com ela. Contando com uma letra sobre o uso político das drogas pelos governos (leia-se governo dos EUA) e pelo menos umas cinco mudanças, passando do trash metal ao sei-lá-o-quê, essa música é uma porrada.

Do Dahmer II

DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS

Ontem morreram 9 pessoas em um acidente de trem no Rio de Janeiro. Foram mais de 130 feridos. Depois da farra das privatizações, o meio de transporte que carrega os mais pobres continua deficiente, com trens caindo aos pedaços e lotados. Será que os jornais vão passar um mês falando do apagão ferroviário? Será que vão abrir uma CPI para este acidente? Será que o Jô Soares vai promover debate com suas amigas jornalistas sobre o assunto?

Tirado daqui.

Frase do dia

"Para estar junto, não é preciso estar perto, e sim do lado de dentro."
Leonardo Da Vinci

29 de ago. de 2007

Quem matou mais?

Um desocupado se deu ao trabalho de contar quantas pessoas Deus e o Diabo mataram, segundo a Bíblia. Do primeiro versículo do Gênese até Atos 12:23, os números são os seguintes:

Deus: 2.270.369, considerando apenas as mortes em que se especifica o número de mortos (isso quer dizer que o dilúvio, Sodoma e Gomorra e várias pragas, pestes e maldições não contaram aqui), ou 32.920.770, estimando o número de mortos desses acontecimentos que não têm essa informação.

Diabo: 10

MD Recomenda: Adão Iturrusgarai

O cara é bom... Confiram um exemplo abaixo e curtam o trabalho dele aqui.

28 de ago. de 2007

INLAND EMPIRE

O Cinema, assim como outras formas de arte, tem às vezes uma particularidade: para apreciar certas obras é necessário prevenir-se. No caso específico do Cinema, "prevenir-se" pode dizer respeito a procurar informações sobre determinados diretores que fazem o chamado "filme de autor*". Definitivamente, David Lynch é esse tipo de diretor. Fazendo há muito tempo filmes considerados por muitos sem pé nem cabeça, surreais ou outros adjetivos do gênero, Lynch conquistou o seu lugar na história do Cinema graças a obras-primas como Estrada Perdida e Veludo Azul, que numa primeira avaliação são exatamente isso - sem pé nem cabeça, surreais, etc.. Mesmo quando trata-se de filmes "normais" do ponto de vista narrativo, o diretor mostra toda a sua técnica apurada - vide História Real e Homem-Elefante. Enfim, ao ver um filme do cara é preciso saber de antemão o que você pode encontrar ou provavelmente o espectador sairá frustrado da sessão.

O caso é o seguinte: nos últimos dez anos, Lynch havia lançado três filmes, sendo que apenas um deles obedecia a uma estrutura narrativa mais, digamos, convencional (História Real). Os outros dois (Estrada Perdida e Cidade dos Sonhos) subvertiam por completo qualquer ordem narrativa pré-estabelecida que serve para facilitar o espectador; contando com flashblacks - muitos sem qualquer aviso -, sonhos, delírios e cenas fora de ordem cronológica, eles são um verdadeiro exercício para quem assiste. Obviamente, são filmes que contaram, em suas sessões nos cinemas, com deboches e vaias de muitos. Em grande parte isso deve-se a uma certa "acomodação" dos espectadores em relação ao ato de refletir sobre um filme; atualmente a maioria das produções - principalmente em Hollywood - são levadas às telas bem mastigadas, com tramas auto-explicativas e que nos respondem tudo. Quando temos um filme diferente, normalmente ele é escanteado pelo grande público.

Mas o ponto em que quero chegar - e vou chegar antes que me perca - é que os filmes de David Lynch, por mais surrealistas que possam parecer, contam uma história sim, desde que se consiga "decifrar" a trama. A maior herança do surrealismo existente na sua obra é, sem sombra de dúvida, o uso recorrente de conceitos da psicologia, predominantemente a junguiana. O único problema é que é realmente muito difícil conseguir saber exatamente o que o diretor quis dizer com cada elemento colocado na tela - o que não deixa de ser fascinante, forçando um espectador mais atento a assistir o filme mais uma vez.

Bom, toda essa longa introdução serviu para aproximá-los do universo insano do cara e alertá-los: se vocês assistirem INLAND EMPIRE algum dia, tenham em mente que parece que David Lynch achou que os seus dois filmes anteriores "difíceis" estavam muito fáceis, e decidiu complicar de vez aqui.

A trama principal é a seguinte: Nikki Grace (Laura Dern) é uma atriz que foi selecionada para fazer um filme sobre o envolvimento extra-conjugal de uma mulher casada com um rapaz casado. Posteriormente, ela descobre que o filme na verdade é um remake e está amaldiçoado por que o filme original nunca foi finalizado, já que seus atores principais foram assassinados. Enquanto isso, ela parece se envolver cada vez mais com Devon Berk, (Justin Theroux) seu par no filme. O problema é que ela é casada com um cara muito ciumento e violento, e sabemos disso através de pequenas pistas dadas de modo crescente até o momento em que o marido ameaça claramente Devon. Aos poucos, Nikki vai vendo a história da sua vida se misturar à história do filme, e não sabe mais diferenciar o real do imaginário.

Enquanto isso, somos bombardeados por cenas aparentemente sem sentido entre si, contando com pelo menos mais três tramas: a de Susan Blue (de novo Laura Dern) à procura de Billy Side (de novo Justin Theroux), a de um bando de poloneses que fazem e falam coisas sem sentido e a de um programa baseado em três pessoas com cabeças de coelho reunidas numa sala, que falam coisas desconexas enquanto escutamos aquelas risadas típicas de uma sitcom - e são assistidos por uma das polonesas. A inter

Confuso, né? Mas era isso aí que o tio Lynch queria fazer, e mais uma vez ele nos faz embarcar em uma viagem - em todos os sentidos - para dentro dos porões da mente humana, em um filme em que nada é o que parece e que, mesmo que não se entenda nada dele em uma primeira olhada, não há como sair sem sentir algo - normalmente, inquietação. E o diretor não provoca esse sentimento com imagens chocantes ou grotescas (vide o péssimo Albergue e terá um péssimo exemplo desse recurso), mas através de uma sucessão de imagens que deixam quem está assistindo com dois insistentes e constantes pensamentos na sua cabeça: "ah, agora a resposta de tudo vai aparecer e tudo vai ficar claro" e "meu Deus, mas o que está acontecendo?". Em certo momento do filme, a personagem de Laura Dern fala "Eu não o que veio antes ou depois. Não consigo distinguir o ontem do amanhã e isso está fodendo com a minha cabeça". Essa frase pode ser dita por qualquer um que estiver assistindo a película naquele momento, e é exatamente isso que o diretor quer da gente. O problema é que o filme conta com quase três horas de duração e, para um bom entendimento da obra, deveria ser visto mais de uma vez - tarefa ingrata para muitos, convenhamos.

Se Estrada Perdida podia ser definido como um road movie de suspense, com uma história de assassinato passional e várias personalidades, e Cidade dos Sonhos era um suspense dramático que contava a triste trajetória de uma trágica protagonista, INLAND EMPIRE é um filme de suspense com toques de horror sugerido - aquele mesmo com que O Bebê de Rosemary fez escola. Duvido assistir sem ficar agoniado pelo menos uma vez com seu tom claustrofóbico.

Quanto aos aspectos técnicos, o filme apresenta algumas irregularidades proporcionais: se é escuro e utiliza-se de jogos com luz e sombra para criar o clima que pretende, o uso da câmera digital com closes a todo o momento e enquadramentos estranhos faz com que pareça às vezes um filme amador. Na verdade, Lynch experimenta a toda hora no filme, e experimentar para ele serve também para aumentar a nossa sensação incômoda - somos incomodados pelo jeito e pela forma com que a trama é contada.

Contando com uma performance memorável de Laura Dern - sua caracterização mostra bem todo o processo de esfacelamento de Nikki - INLAND EMPIRE é, assim como quase todos os filmes do diretor, um exercício para poucos, infelizmente. Digo "infelizmente" por que seria bom se muitas pessoas o assistissem e discutissem a sua versão pessoal para a história, buscando um entendimento próprio. A tanto ainda a ser dito sobre o filme, mas vou parar por aqui. De longo, basta o próprio INLAND EMPIRE.

* Segundo Pedro Guimarães, "a categoria 'filme de autor' surgiu para nomear as obras audiovisuais feitas com extrema liberdade por parte do seu diretor e onde não existem (ou não deveriam existir) concessões estéticas, de conteúdo ou mercadológicas. Em tese, um cinema mais livre, sem amarras, sem compromisso com os princípios de narração do cinema clássico no que se refere à montagem, escala de planos, ao ritmo, à elaboração dos personagens, às situações do roteiro etc".

FICHA TÉCNICA

INLAND EMPIRE - 2006 - Nota A
Direção e Roteiro: David Lynch. Com Laura Dern, Justin Theroux, Jeremy Irons, Harry Dean Staton e Diane Ladd.

C***lho!!!

Se extra-terrestres realmente existem, os japoneses devem ser os seus herdeiros diretos. Mais uma prova disso é o vídeo abaixo, que mostra um feriado na moderna piscina de ondas do parque aquático Tokyo Summerland, no Japão, é claro.



Ainda nesse assunto praiano, dêem uma olhada nessas fotos...

24 de ago. de 2007

Planos-seqüência

Plano-seqüência: É a filmagem de toda uma ação contínua através de um único plano (sem cortes).

Pois bem, planos-seqüência são coisas legais de se ver num filme. Quando eu olho um, fico pensando imediatamente em todo o trabalho que deve ter dado fazer tal cena. Existem vários planos geniais na história do Cinema (bons exemplos aqui), mas eu selecionei quatro para exemplificar o quão legal pode ser utilizar esse recurso em um filme. Percebam a complexidade deles...

Arca Russa, de Alexandr Sukurov. O filme todo, pasmem, é um único plano-seqüência! São 96 minutos filmados sem cortes e com mais de 2 mil figurantes, que conta a história da Rússia do século XVIII até hoje. Apesar do ritmo lento, cadenciado, da narrativa, a execução do filme todo é de um trabalho magnífico. Vejam dez minutos do filme:



The Protector, de Prachya Pinkaew. Apesar de ser um filme de luta, tem pretensões artísticas - aliás, uma coisa não anula a outra, que fique bem claro - a ponto de ter esse longo plano seqüência. Esse foi o 6º take.



Filhos da Esperança, de Alfonso Cuarón. Filme sensacional, tanto do ponto de vista artístico quanto do narrativo. Tem vários planos-seqüência - Cuarón é fã desse recurso -, mas esses dois aí embaixo são demais. O primeiro só pode ser assistido por quem já viu o filme ou por quem não se importa de ver spoilers, e eu só achei essa versão, com There, There, do Radiohead, de fundo - considerem um brinde! O plano vai até os 3:58, depois tem um corte.



Já esse aí é mais longo que o primeiro e envolve muitos figurantes, sendo de uma complexidade tremenda. Deve ter um corte aí no meio, mas ele é imperceptível:

Músicos pés-na-jaca II

O rehab não adiantou nada para Amy Winehouse. Depois de poucos dias que deixou a clínica, a cantora inglesa foi protagonista do barraco dos barracos. Na manhã dessa quinta-feira (23/08), Amy e o marido Blake Fielder-Civil foram flagrados cheios de cortes, sangue e arranhões no rosto e no corpo. As sapatilhas de balé de Amy, cheias de sangue, também eram prova de que ela continua com o vício de injetar heroína entre os dedos do pé. Dizem os gossipers que o casal teve uma briga enorme enquanto hospedado no hotel Sanderson, em Londres. Hóspedes disseram ter ouvido berros e Amy saindo do quarto em fúria depois de socar a porta, de manhã cedinho. Testemunhas disseram que Blake saiu correndo trás dela, aos berros. Ela então, teria parado um carro na rua e entrado no banco do motorista, enquanto Blake a procurava desesperadamente pelas ruas. Eles teriam retornado ao hotel às 4h. Amy está hospedada no hotel desde segunda-feira (20/08). A família da star, com medo de que ela suicidasse, mandou o irmão Alex para que ele tomasse conta da cantora. Mas dizem que Blake o expulsou.
A própria Amy, ao se dar conta de que o escândalo havia vazado para a imprensa, resolveu dar sua versão oficial para o famoso blogueiro americano Perez Hilton. “Blake nunca me machucaria. Ele é um homem maravilhoso, me ajuda muito em minha carreira. Ele me encontrou no quarto me cortando e prestes a tomar drogas com uma call girl. Ele salvou minha vida. Parem de publicar histórias horríveis sobre ele”.

Dêem uma olhada nas fotos...


Visto aqui.

23 de ago. de 2007

Perfeição

A imperfeição move o mundo;
O leva para caminhos incertos
e resultados catastróficos.
Nada é perfeito, eu sei.

Como ser perfeito,
se na ânsia de agradar ao outro
deixamos de ser nós mesmos?

Como não ser imperfeito,
se na dura avaliação alheia
sempre há alguma insatisfação?

Não quero ser perfeito,
a perfeição não existe;
Porém, dessa vã utopia

Faço o meu caminho,
Uso-a como bússola,
Nomeio-a meu norte,
Utilizo-a como guia.

E se perfeito não posso ser,
Imperfeito não preciso me entregar.

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