15 de mar. de 2010
5 de mar. de 2010
O cinema argentino
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13 de out. de 2009
Novo fenômeno?
O filme conta a história de um casal que recém se muda para uma casa em que coisas suspeitas acontecem, o que os leva a colocar câmeras para vigiar o ambiente e descobrir se trata-se de uma casa mal-assombrada.
Além de utilizar a câmera em primeira pessoa (assim como Bruxa de Blair e [REC]), Paranormal Activity ainda guarda mais uma semelhança com eles: o seu marketing. Nos EUA está rolando uma campanha para que mais cinemas passem o filme, o que obviamente aumenta o boca-a-boca e o disse-me-disse em torno dele. Mas o que mais me chamou a atenção foi um dos trailers do filme, utilizando a mesma ideia usada em [REC]: filmar as reações da plateia. O resultado vocês veem abaixo:
Será que todo esse hype se justifica? É o que veremos a partir de 4 de dezembro, quando ele deve estrear por aqui.
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19 de ago. de 2009
Xuxa homenageada em Gramado
Sem mais a acrescentar, apenas o que está contido na continuação do texto.
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1 de jul. de 2009
[REC]²
Tudo isso para dizer que saiu o trailer da continuação do melhor filme de terror de 2007 (lançado aqui, com um atraso monumental, em 2008): [REC].
Achei que o trailer poderia ser do Doom. Estou com medo do trailer, e não é exatamente medo dos zumbis, mas do filme ser uma bomba. Agora é esperar...
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27 de abr. de 2009
Sinédoque, Nova Iorque
Assisti, no último fim de semana, Sinédoque, Nova Iorque. Uau. Sério, fazia muito tempo que não via algo tão grandioso, tão precioso. Antes de mais nada, quero dizer que sou meio suspeito para falar, pois adoro o Charlie Kaufman, diretor e roteirista do filme, e todos os roteiros que ele escreveu (Natureza Quase Humana, Quero Ser John Malkovich, Adaptação, Confissões de uma Mente Perigosa e Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças). Mas nessa sua estréia como diretor ele se superou; fez um filme que talvez daqui a alguns anos torne-se o que 2001 foi para os anos 70 ou o que Magnólia foi para os anos 90 (ou mesmo o que Cidade dos Sonhos foi para a nossa década atual). O que todos esses filmes compartilham, em suas essências, é o fato de serem exercícios intelectuais de qualidade extremamente humanista e de investigação da mente humana. E isso Kaufman faz muito bem.
Eu ia escrever um monte sobre o filme. Ia mostrar o quão denso ele é, mesmo nas partes menos óbvias, o quão bem amarrado ele foi, o quanto ele te atira para fora do cinema pensando em coisas da vida. Ia mostrar como ele perderia a força se tivesse sido dirigido por outra pessoa, pois a direção de Kaufman é importante para o próprio entendimento do filme - assim como seu título -, ia dedicar uma série de frases para exaltar o cara e sua obra. Em vez disso, vou deixar três citações de críticas que, de uma forma ou de outra, sintetizam tudo o que eu ia dizer.
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A estréia de Charlie Kaufman na direção sugeria que ele elevaria a maiores potências seu gosto pelo incomum. O que não poderíamos prever é que ela criaria uma obra-prima instantânea, tão repleta de significados, fúria, solidão, complexidade, dor, perdão, paixão, poesia e tanto amor. Esses termos podem parecer clichê, palavras gastas, mas cada um deve ser entendido na acepção real da palavra. Dissecando a vida e a arte de Caden Cotard, Kaufman fala de si, de todos os artistas, de todos nós, da vida no cinema e fora dele. Fala de uma intrincada e ao mesmo tempo simples rede de relações, medos, frustrações, descaminhos, devoções e sentimentos conflituosos chamada vida.
Fábio Dantas. Crítica completa, aqui.
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E é neste aspecto que Charlie Kaufman mais uma vez comprova seu absurdo talento: embora nossa eterna busca pelo “sentido da vida” tenha originado milhares de obras na Literatura, no Teatro, na Música e no Cinema, o roteirista adota uma estrutura narrativa ímpar e mais do que apropriada à sua função como contador de histórias para investigar a questão: premiado com uma verba inesgotável para criar o espetáculo que desejar, Caden resolve conceber um simulacro de seu mundo em um galpão, contratando dezenas (talvez centenas) de atores que, todos os dias, recebem instruções específicas sobre como deverão interagir com os demais intérpretes. Uma espécie de performance da Vida, a montagem de Caden o transforma, na prática, num Deus de seu próprio universo, permitindo que ele explore a própria psique enquanto busca encontrar, através da experimentação constante, o grande Significado de Tudo (Douglas Adams diria “42”; Kaufman provavelmente responderia “Caos e Desespero”). Com isso, o título do filme se justifica ao transformar Caden e suas angústias num símbolo da Humanidade e a própria Humanidade, em suas contradições e seus esforços de compreender o Universo, num resumo da jornada do próprio Caden. Assim, Sinédoque, New York gradualmente se transforma num exercício narrativo fascinante, construindo uma estrutura complexa que revela novas e surpreendentes camadas sob aquelas que já conhecíamos – e logo Caden constrói um galpão dentro do galpão a fim de representar o simulacro do simulacro (que, claro, ganha seu próprio mini-simulacro). Esta viagem interna se torna tão intrincada que, em certo instante, acompanhamos um enterro que, minutos depois, é representado no espetáculo de Caden apenas para, mais adiante, ser revisto como uma montagem teatral da montagem teatral – e, neste momento, os atores que interpretam outros atores são ladeados por uma tela na qual mais pessoas são projetadas, completando um círculo enlouquecedor de inúmeras representações dramáticas numa ficção da ficção da ficção. (É preciso dizer, aliás, que o design de produção de Mark Friedberg é absolutamente espetacular.) E é neste ponto, diga-se de passagem, que compreendemos a inteligência de Kaufman ao retratar Adele como uma pintora que cria retratos minúsculos que exigem lentes de aumento para serem apreciados, já que, de certa forma, é exatamente isso que Caden faz com sua megalomaníaca produção, jogando luz sobre cada um de nós ao compreender que, por mais que sejamos meros figurantes no que diz respeito à Humanidade, somos, claro, todos protagonistas de nossas próprias vidas.
Pablo Villaça. Crítica completa, aqui.
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[...] não é que você tenha que retornar ao filme para poder entendê-lo. Você tem que retornar ao filme para compreender o quão bom ele realmente é. A superfície pode te intimidar. As profundezas te envolvem. O todo revela-se, e então você pode retornar a ele como um talismã. [...] O assunto de "Sinédoque, Nova Iorque" nada mais é que a vida humana e como ela funciona. Utilizando um diretor de teatro novaiorquino neurótico, ele abarca cada vida e como ela enfrenta as dificuldades e falha. Pense só um pouco e, meu Deus, isso é sobre você. Seja lá quem você for.
[...]
"Sinédoque, Nova Iorque" não é um filme sobre o teatro, apesar de parecer. Um diretor de teatro é um personagem ideal para representar o papel que Kaufman pensa que todos nós desempenhamos. [...] Os atores são as pessoas nos papéis que nós damos a elas a partir do nosso ponto de vista. Algumas delas interpretam papéis designados para fazer o que não têm tempo nem condição de fazer. Elas têm um jeito de atuar que é independente, infringindo as instruções. Elas tentam controlar suas próprias projeções. Enquanto isso, a fonte de toda essa atividade fica velha e cansada, doente e desesperada. Isso é real ou é um sonho? O mundo não é nada além de um palco, e nós somos meros atores dentro dele. Tudo é uma peça. A peça é real.
Roger Ebert, traduzido por mim. Crítica completa, aqui (em inglês).
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13 de mar. de 2009
O Cinema de autor e Watchmen
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30 de nov. de 2008
Os Estranhos
Clichê é uma idéia relativa a algo que se repete com tanta frequência que já se tornou previsível e repetitiva dentro daquele contexto.
Acho que o estreante diretor e roteirista Bryan Bertino leu principalmente a segunda frase dessa explicação sobre o gênero slasher quando pensou em fazer Os Estranhos. O filme conta a história de um casal (Kristen e James, Liv Tyler e Scott Speedman, respectivamente) em crise, que vai passar uma noite na casa de veraneio dos pais de James, que fica no meio do nada, e então começam a ser aterrorizados por três estranhos de máscara, tendo que lutar por sua sobrevivência.
Começo a crítica falando sobre um dos únicos méritos do filme: tensão e sustos. Através de uma edição eficaz e uma trilha sonora alta e aguda (principalmente nos momentos de sustos), Bertino consegue deixar o clima tenso principalmente ao longo da primeira metade do filme. Porém, existem dois poréns: primeiro, muitos dos sustos existentes são aqueles totalmente clichês de slashers (como a mão no ombro do mocinho, juntamente com a trilha sonora alta e aguda, que depois revela-se apenas como a mão da mocinha) - só faltou o clichê dos clichês, o gato preto saindo do armário; segundo, a tensão e os sustos não conseguem segurar o filme sozinhos, por causa principalmente do maior erro do filme: atribuir poderes divinos aos três "estranhos".
Sim, isso mesmo: poderes divinos. Os três invasores são oniscientes, onipresentes e onipotentes ao longo de todo o filme. Entretanto, são - ou deveriam ser - pessoas comuns, de carne e osso! Em O Grito, por exemplo, temos um ótimo filme de sustos e tensão, que tem momentos absolutamente cagantes que prendem o espectador graças à edição eficaz e à trilha sonora alta e aguda, mas também ao enredo, que faz sentido dentro da lógica proposta pelo filme (afinal, é um filme de fantasma, então a maneira com que os fantasmas agem faz sentido, pois eles são fantasmas, ora bolas). O problema aqui, em Os Estranhos, é que os personagens-título antecipam todos os passos dos mocinhos, entram e saem da casa sem fazer barulho (corrigindo, fazem barulho quando querem, porque alguns barulhos são importantes para dar sustos) e parecem ter o poder de se teletransportarem, o que é de um absurdo extremo e que retira da tensão e dos sustos o foco do filme, trazendo-o para esses erros de lógica e furos do roteiro - um pecado, infelizmente. Não que o roteiro de O Grito seja lá essas coisas, mas pelo menos tem lógica interna - o que esse Os Estranhos não tem.
Alguns exemplos: tem uma cena em que James vai buscar seu celular no seu carro, que está estacionado do lado de fora da casa. Ele chega no carro, abre a porta e se debruça para procurar o telefone. Então uma mão chega por trás dele e toca o seu ombro. Assustado, ele se vira para trás, mas não vê nada. Olha no banco de trás e nada. Sai do carro e olha ao redor e nada. Ah, e a tal mão fez tudo isso sem fazer barulho algum. Depois ele volta pra dentro da casa, fica um pouco lá, e quando volta para o carro este está todo amassado na frente e com os vidros quebrados. Porém, ninguém havia escutado barulho algum de dentro da casa (detalhe: a casa fica no meio do nada e qualquer barulhinho, quando é pra assustar, pode ser escutado). Aí ele olha pra frente e tem uma mulher ali, a uns vinte metros dele. James pergunta a ela o que eles querem, e Kristen aparece na porta, pedindo pra ele entrar. Ele se vira para dizer a ela que volte para dentro e, quando se vira de volta, A MULHER NÃO ESTÁ MAIS LÁ!! O último exemplo que vou dar (mas que não é o último do filme, juro) é um spoiler que conta um trecho importante do filme; portanto, se você não quer que a história se estrague, vá direto para o próximo parágrafo. Não tem a ver com os super-poderes dos estranhos, mas sim com a falta de lógica que serve para dar sustos: dois meninos entram na casa, depois de todos os acontecimentos, e vêem o casal no chão, todo ensangüentado, imóvel. Um dos meninos se aproxima de Kristen e vai encostar no seu braço, quando ela arregala os olhos e solta um berro. Fim do filme! Ora, quem está na situação dela não fica imóvel e sem fazer barulho, dando um berro quando alguém se aproxima. Essa parte só entrou no filme para fazer com que o espectador saia do cinema com um último (e inverossímil) susto.
Bem, pra não dizer que eu só falei mal do filme, os primeiros quarenta e cinco minutos, que mostram os problemas do casal, são bem amarrados e montados, nos fazendo importar com o destino dos personagens. As atuações não são ruins, mas têm o mesmo problema da maioria dos filmes do gênero: a mulher que fica histérica boa parte do filme e o cara que tenta resolver tudo, mas que só faz mais merda (exemplo e clichê dos clichês: deixar a mulher dentro de casa, sozinha, enquanto vai no celeiro ver um rádio velho; é o velho "fica aí sozinha com o(s) assassino(s) que eu vou até ali fazer uma coisa sozinho e provavelmente ser morto. Afinal, se separar é o melhor a fazer nesses casos, né?").
Para o maior lançamento de Hollywood do ano no gênero, a gente entende porque o Japão e a Espanha continuam como os maiores produtores de filmes de terror da atualidade.
FICHA TÉCNICA
Os Estranhos - Nota C
Direção e roteiro: Bryan Bertino. Com: Liv Tyler e Scott Speedman
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6 de nov. de 2008
28 de set. de 2008
Ainda [REC]
Respodendo ao comentário do André na última postagem, aqui tem um link para baixar o [REC], sem legendas. Para as legendas, tente alguma das que estão aqui. E, por favor, comentem sobre ele, caso assistam!
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30 de jul. de 2008
Explicações
Tá, eu nunca mais prometo atualizar o blog. Ele será atualizado - e espero que com uma certa freqüência, mas sem promessas. Me sinto culpado em não conseguir atualizá-lo, juro. Porém, estou com pouco tempo útil para isso... Estou pensando em algum jeito de resolver isso, então aguardem!
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11 de jul. de 2008
[REC]
Para ter uma idéia do que tu vai ler nos próximos parágrafos, veja esse vídeo:
Trata-se do trailer de [REC], que não mostra uma cena sequer do filme, apenas as reações das pessoas a sua pré-estréia na Espanha.
Se tu gosta de filme de terror/suspense, tem que ver esse filme. Se tu gosta de cinema, também. [REC] é a mais recente surpresa do cinema espanhol, que nos últimos anos vem se destacando principalmente nesse gênero, desde Guillermo del Toro e seu A Espinha do Diabo, passando por O Labirinto do Fauno e O Orfanato (de J. A. Bayona), além de outros. Definitivamente a Espanha desbancou o Japão como principal Cinema do gênero, apostando em qualidade técnica e inovações em temas que aparentemente já estavam batidos. Vamos ao caso específico de [REC] e seus méritos em relação a inovar o já batido.
Resumidamente, dá pra dizer que o filme é uma mistura de Dawn of the Dead (e todos os filmes de mortos-vivos que vieram na seqüência) com A Bruxa de Blair. Ou seja, um filme de zumbi com uma câmera na mão. Nada original, né? Aí que está um dos méritos do filme: a falta de originalidade é magistralmente driblada com um elenco de primeira, aliado a um roteiro inteligente e à competência da direção, que precisou ensaiar muito bem algumas cenas em que simplesmente tudo tem que dar certo em planos-seqüência de alguns minutos, no escuro e em corredores apertados. Ou, como diria Stephen King: “não importa a história, mas sim o narrador”.
[REC] mostra uma tentativa de reportagem de um programa de TV espanhol, que acompanha por uma noite o trabalho dos bombeiros. Um câmera e uma repórter vão passar a noite num quartel de bombeiros e mostrar um pouco da rotina de trabalho deles. O início do filme é propositalmente monótono, visto que mostra apenas cenas dos bombeiros ali, parados, dando entrevista, comendo, jogando basquete, e nada acontece. A repórter chega a dizer para Pablo, o cameraman, que deseja que aconteça alguma coisa para que a matéria se torne mais interessante. Pouco depois, um chamado leva uma equipe de bombeiros (sempre acompanhada pela de TV) a um prédio de seis apartamentos mais uma cobertura no qual os vizinhos não conseguem dormir graças aos gritos histéricos de uma moradora. Até aí, nada de mais, a não ser depois que essa moradora quase mata um policial e um bombeiro e que, ao tentarem sair do prédio com os feridos, todos dentro do prédio descobrem que este foi recém lacrado pela vigilância sanitária, que pede calma a todos e diz que aguardem ali dentro enquanto ela executa alguns procedimentos.
Obviamente, a partir daí temos grandes momentos de tensão, que vão aumentando gradativamente. Funciona mais ou menos assim: início do filme, monotonia; depois, um momento tenso, seguido de outro; depois, mais uma calmaria; por fim, tensão subindo gradativamente até chegar ao ponto de tu querer parar de assistir por não agüentar o suspense. Sério, fazia muitos anos que um filme não me assustava tanto - aliás, não sei se algum jamais me assustou a esse ponto. O diretor faz grande uso da perspectiva da câmera na mão: Pablo filma tudo que pode, tanto por curiosidade (mórbida) quanto por “amor” à profissão e também como uma tentativa de sobrevivência naquele terror. Sua câmera, após várias pancadas, começa às vezes a ter o som falhado, o que torna a ação extremamente incômoda em alguns momentos, tornando o suspense mais acentuado. Em outro momento, as luzes se apagam e o único recurso para enxergarmos é a luz da câmera de Pablo, tornando o clima ainda mais claustrofóbico. E quando a luz da câmera começa a falhar, então? A câmera de Pablo torna o filme muito mais próximo ao espectador, que se sente mais dentro do filme, o que obviamente aumenta - e muito - a tensão.
Outro fator que eleva a carga de tensão é saber, desde o início da apresentação aos “zumbis”, que esses lembram muito mais aqueles de Extermínio do que do já citado filme de George Romero: aqui eles correm, arrombam portas, enfim, agem com inteligência quase humana (com o perdão do trocadilho) para conseguir o que querem: atacar os não-infectados. Além de dar mais realismo, esse recurso é muito, mas muito mais assustador.
O roteiro é magistralmente construído para alternar momentos completamente sem ação com outros absolutamente angustiantes que os seguem imediatamente e sem transições graduais, fazendo com que o seu coração entre em uma montanha-russa dos infernos, e ainda nos entregar aos poucos o que está acontecendo. Isso sem contar nos momentos que o espectador acha que vai levar um daqueles sustos batidos e nada acontece, apenas para que um momento depois ele seja levado a pular da cadeira com o que aparece na tela. Os últimos dez minutos do filme, aliás, são absolutamente assustadores; se você for assistir [REC], prepare o seu coração (como diria Galvão Bueno), porque ele vai tentar saltar pra fora do seu corpo nesses minutos finais, que entram pros anais do Cinema assim como os vinte primeiros minutos de O Resgate do Soldado Ryan.
Infelizmente o filme, que saiu em novembro na Europa, não chegou aqui no Brasil – nem sei se vai chegar. Portanto, pode baixá-lo sem culpa.
Hollywood, preguiçosa que só ela, já está providenciando um remake de [REC]. Chama-se Quarantine e deve estrear por lá no fim do ano.
FICHA TECNICA
[REC] - Nota A
Direção e roteiro: Jaume Balageró e Paco Plaza. Com: Manuela Velasco.
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7 de jul. de 2008
Mais uma lista...
Tá, prometo que essa vai ser a última lista de 100 melhores filmes de todos os tempos por algum tempo... Aliás, muito nada a ver, serve só como sugestão de filmes para ver.
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27 de jun. de 2008
Spielberg
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19 de mai. de 2008
Mais uma lista³
Aí vaí mais uma lista com filmes, desta vez com os 1001 filmes que você precisa assistir antes de morrer, separados por ano e até 2003. Clique aqui e pegue várias sugestões para o feriadão!
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7 de mai. de 2008
O Nevoeiro (II)
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6 de mai. de 2008
Mais uma lista²...
...dos 100 melhores filmes de todos os tempos. Agora é do Times, e é ótima para comparar com a daí de baixo e perceber como essas listas são subjetivas mesmo. Para mim, serve somente como indicação de filmes que não vi. Clique aqui para vê-la.
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30 de abr. de 2008
Mais uma lista...
...dos 100 melhores filmes de todos os tempos. Clique aqui.
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8 de abr. de 2008
The Mist
Stephen King é, para mim, um cara injustiçado. Muita gente acha que ele escreve mal, mas hoje em dia várias pessoas “importantes” já voltaram atrás em relação a sua literatura. Muita gente acha que ele só escreve contos e livros de horror/terror, mas na verdade esse é só o seu gênero principal. Muita gente acha que as suas obras, quando adaptadas para o Cinema, não ficam boas, mas aí (e nas outras duas afirmações anteriores também) nós temos Frank Darabont para nos provar o contrário.
Dono de uma filmografia curta, dos quatro longas-metragens da sua carreira, três são adaptações de obras literárias de King: além de The Mist ele dirigiu e escreveu Um Sonho de Liberdade e À Espera de um Milagre. Esses dois últimos não são de terror/horror; o primeiro é um drama que se passa dentro de um presídio (e que está em segundo lugar na lista do Top 250 do IMDB, maior banco de dados de Cinema do mundo, na votação dos internautas como melhor filme de todos os tempos – e com a mesma nota do primeiro lugar) e o segundo é um drama com toques de realismo fantástico aclamado por crítica e público. Faltava a Darabont adaptar uma obra de terror de King, já que são poucos os filmes do gênero baseados em livros do “mestre do horror” que são realmente memoráveis (me lembro só de Carrie, a Estranha e O Iluminado, e gostaria de esquecer porcarias como Cujo e O Apanhador de Sonhos) e ele parece captar como ninguém o universo do cara. Com The Mist, portanto, tudo parecia levar a crer que teríamos um baita filme de terror. Depois de assistir o filme, posso dizer que, se não temos um baita filme de terror, pelo menos temos uma bela adaptação de uma obra de King. Na verdade, se Darabont não tivesse acertado tanto a mão nos dois outros filmes ou se outra pessoa tivesse assinado The Mist, o resultado seria mais evidenciado, pois não se esperaria tanto. Porém, comparado com as suas outras adaptações, essa é realmente a sua pior cartada. Só que isso não quer dizer que necessariamente o filme seja ruim.
A história é a seguinte: após uma violenta tempestade, uma neblina toma conta de uma pequena cidade do Maine, aprisionando dezenas de pessoas em um supermercado. O problema é que essa neblina esconde monstros que vão desde insetos gigantes até uma espécie de dinossauro gigantesco, e agora as pessoas terão que lutar por suas vidas. Não bastasse os seres estranhos, começam a surgir divergências sérias entre o grupo, o que torna tudo mais tenso.
Pessoas presas num lugar, sendo ameaçadas por algo misterioso? Sim, esse tipo de história vem sendo contada há anos por diversos filmes (de vampiros e mortos-vivos, principalmente), mas como diz o próprio Stephen King num de seus contos, “não importa a história, importa o narrador”. Aqui, Darabont consegue dar dinamismo suficiente para a história caminhar de maneira inesperada, retirando cedo personagens que pensávamos que fossem ficar até o fim e dando a outros, que tinham menos importância até então, uma grade força. Os diálogos são muito bem construídos, particularmente em um filme do gênero, dando tridimensionalidade a seus personagens (a exceção fica com o baixinho Ollie).
Os bichos que vêm com a neblina logo mostram que não estão de brincadeira; fortes e rápidos, matam as pessoas sem dó e são muito superiores aos humanos, como mostra a seqüência em que algumas criaturas invadem o supermercado e causam um belo estrago. O problema é que os efeitos visuais não são lá grande coisa, fazendo com que a maioria dos ataques perca parte do impacto. A exceção está nas seqüências que envolvem a neblina, o que faz com que os efeitos possam ser ajudados pela pouca visibilidade existente.
Aliás, um recurso presente na maior parte dos filmes de suspense/terror é justamente a falta de visibilidade (graças à escuridão), o que felizmente não acontece em The Mist. Se ela existe para ajudar alguns efeitos visuais, ela não se faz presente para causar medo ou sustos. Pelo contrário: quase toda a película se passa no claro, o que é mais um ponto positivo, visto que mesmo assim o filme consegue o mérito de assustar, causar medo e tensão e prender o espectador na cadeira.
Outro mérito do filme é justamente trazer o suspense também para dentro do supermercado; sabemos que existem monstros lá fora, mas mesmo quando eles não entram nos mantemos em tensão constante graças aos problemas internos, relativos à própria natureza do ser humano, que começa a agir de maneira diferente ao topar com uma situação inexplicável. Dessa forma, temos uma pregadora religiosa que em questão de horas passa de louca a exemplo a ser seguido, criando um séquito ao seu redor apenas com sua teoria do Antigo Testamento, gritando que Deus está castigando a humanidade pelos pecados que ela vive cometendo; um advogado incrédulo (até mesmo por questões pessoais) que lidera um grupo que quer sair do supermercado para buscar ajuda; e finalmente, o grupo do “mocinho”, que tenta manter a calma e fazer tudo da maneira mais racional possível. À medida que o tempo vai passando esses conflitos vão aumentando, tornando a situação de dentro do supermercado tão ruim quanto a de fora.
Aliás, o papel de Marcia Gay Harden é irritantemente bom - ao contrário dos outros atores, apenas ok. Lembrando em algumas cenas a mãe de Carrie, a atriz imprime um olhar triste e insano que lhe dá muita verossimilhança ao bradar frases sobre o castigo divino. E é interessante notar que à medida que suas previsões parecem ter efeito muita gente passa a acompanhar suas pregações e ser um seguidor. Esse mini-culto fica tão cego que chega a praticar um “sacrifício” em nome de Deus. Aqui está uma óbvia crítica à cegueira religiosa. Por outro lado, o grupo de Thomas Jane (o “mocinho”) é mais racional. Isso não significa que eles não sejam contraditórios: para ajudar uma pessoa muito ferida eles se arriscam a sair do supermercado para alcançar a farmácia ao lado, correndo o risco de sacrificar mais vidas ainda – o que de fato acontece. Apesar disso, esse evento na farmácia é importante para a história; afinal, depois dele um dos personagens passa, a seguir o culto fanático-religioso e os outros finalmente decidem que permanecer no mercado não vai servir de nada e tentam fugir dali.
Mas o principal em The Mist é, com certeza, o final: sem fazer concessão nenhuma ao espectador, o filme traz um desfecho que vai deixar a maioria das pessoas frustrada e/ou chocada, mas que é absolutamente genial pela originalidade que contém. Não se trata aqui de uma reviravolta no estilo Shyamalan; está mais para o final de Oldboy, uma tragédia que faz a gente exclamar (com o perdão do palavreado) “Puta merda!”.
FICHA TECNICA
The Mist - Nota B
Direção e roteiro: Frank Darabont. Com: Thomas Jane, Marcia Gay Harden, Laurie Holden.
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14 de fev. de 2008
A Bússola de Ouro
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