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10 de mar. de 2010

Apocalipse motorizado

"Na anti-cidade, quem deve é olhar é o pedestre. Se você está a pé, “proteja-se das máquinas”, elas matam. Mas se você tem uma armadura de duas toneladas, em especial aquelas com vidros escuros, acelere, afinal a vida que atravessa na sua frente deve olhar, parar e deixar o seu veículo passar."

Muito boa a leitura deste texto, recomendo.

16 de nov. de 2008

Coisas que só acontecem em São Paulo

Na sexta-feira passada, fui abordado por duas senhoras que me perguntaram se eu era um ator da Globo...
(modo vaidade on: será que me confundiram com o Gianecchini?
modo vaidade off: por favor, não comentem...)

2 de out. de 2008

São Paulo, a loucura

Hora do rush, São Paulo, Estação da Sé de metrô.



Ruim, né? Mas como tudo na vida, poderia ser pior; poderia ser em Bombaim, Índia:

5 de jun. de 2008

São Paulo V

Tempos atrás queríamos comer uma pizza. Liguei para uma pizzaria e perguntei se eles aceitavam cartão de crédito para tele-entrega.
- Para o que, senhor?
- Tele-entrega.
- Tele-entrega?
- Sim, tele-entrega.
(silêncio de uns cinco segundos do outro lado da linha)
- Só um momento.
(um momento depois)
- Então, o senhor quer dizer delivery?
- Hã... acho que é...

Resumindo: aqui em São Paulo não tem tele-entrega, tem delivery. Eles até entendem quando se fala “entrega a domicílo”, mas tele-entrega, aparentemente, é um termo desconhecido por essas bandas. Agora vem a pergunta: se existem duas expressões em português para o ato de entregar algum produto na casa de quem está pedindo (tele-entrega e entrega à domicílio), por que diabos é necessário utilizar outra, só que em inglês?

29 de mai. de 2008

São Paulo IV

Dia desses eu e a minha mulher estávamos querendo comprar umas frutas e verduras, e o supermercado perto de casa estava com uns tomates terríveis. Então nos lembramos que parecia haver uma fruteira ali por perto, mas não lembrávamos onde. Fomos até um boteco próximo e perguntamos ao atendente do balcão:
- Com licença, tem uma fruteira aqui por perto, né?
- Hã?
- Uma fruteira.
- Fruta?
- Fruteira!
- ...
- Tem algum local que venda frutas por aqui?
- Ali no supermercado tem fruta (apontando para o super de tomates horríveis).
- Sim, isso eu sei, eu queria saber onde tem uma fruteira...
- Um lugar que vende fruta?

Como deu pra notar, aqui em São Paulo não existe “fruteira”. Esse tipo de estabelecimento é conhecido por aqui como "Sacolão". Ah, tá.

13 de mai. de 2008

São Paulo III

Hoje vou começar a falar sobre os problemas de comunicação que existem para um gaúcho que recém se mudou para São Paulo, através de historinhas didáticas e reais acontecidas com este que vos escreve. Acreditem, são várias as expressões que causam confusão aqui em SP. A primeira e mais clássica, aquele pão que todos nós, gaúchos, somos alertados pelos pais e amigos a não pedir quando sairmos do estado, o cacetinho, já é muito conhecida, e eu não tive esse problema por aqui (pedi direto pão francês e era isso). Já com outras...

Torradeira* – tínhamos uma torradeira aqui, que nos primeiros tempos em São Paulo rapidamente se transformou em item de primeira necessidade. Já estava adorando fazer e comer torradas dos mais diversos tipos quando vejo que a coitada da torradeira veio a falecer. Só conseguimos comprar outra semanas depois, e minha alegria ao fazê-lo foi tanta que a compartilhei com meus colegas de trabalho - todos paulistas:
Eu Mesmo - Bá, comprei uma torradeira ontem, a minha outra tinha queimado. Era igual a essa aqui (apontando pra uma).
Paulista - Então meu, isso não é torradeira, é sanduicheira.
E.M. - Como assim? O que é uma torradeira pra vocês?
P. - Então, é aquilo ali, ó (apontando uma outra torradeira, só que daquelas de desenho animado).
E.M.- Tá, então pra que serve essa torradeira de vocês?
P. - Para fazer torrada, meu.
E.M. – Sim, e a “sanduicheira”?
P. – Então, é para fazer sanduíche.
E.M. – Mas para fazer sanduíche não precisamos TORRAR o pão, não é mesmo? Logo, o resultado da “sanduicheira” não é uma TORRADA?
P. – Não, é um sanduíche.

Ah, tá...
* diálogo meramente ilustrativo.

23 de abr. de 2008

Terremoto na imprensa

Pronto, agora é a vez de um terremoto. Depois de iniciar um mea-culpa sobre o caso Isabella para logo após voltar a chamá-los de assassinos, boa parte da imprensa brasileira volta-se para a mais nova sensação midiática: o tal terremoto que aconteceu "em cinco estados" do Brasil, ontem, por volta das 21 horas.

Eu moro em São Paulo e não vi nada. Quase todos os meus colegas de trabalho, que moram em regiões diferentes, também não. Aliás, se vocês prestarem atenção às notícias sobre o caso, quase ninguém viu nada. Mas isso não esmorece a gana da imprensa, que tenta a todo custo fabricar notícias e espreme esse acontecimento, dando a ele uma dimensão muito maior do que deveria - exatamente como no caso Isabella.

Ontem eu ouvi no Jornal da Globo o seguinte: "e voltamos para o terremoto que assustou o país". Como assim, "assustou o país"? Ele durou cinco segundos e atingiu uma pequena parte de cinco estados de um país que tem vinte e sete e já virou uma questão nacional. Repetindo, DUROU CINCO SEGUNDOS. Cinco segundos de sofás se mexendo para, digamos, um milhão de pessoas (1/200 ou 0,5% da população brasileira) já serviu para assustar o Brasil e agora é a nova pauta-sem-fim da mídia. Na capa do Yahoo! estava a seguinte manchete:



Como assim, só se fala do terremoto? Onde? Na Paraíba, no Rio Grande do Sul, no Mato Grosso? Disso se extrai duas coisas: a primeira é a capacidade de "encheção de lingüiça" da imprensa brasileira, que consegue fazer qualquer assunto idiota render (basta ver qualquer mesa-redonda de futebol para entender do que estou falando); a segunda é que tudo o que acontece em São Paulo ou no Rio de Janeiro supostamente comove, impressiona ou assusta o Brasil.

Ah, mas tudo bem, na semana que vem aparece outra notícia super relevante como essa para substituí-la.

3 de fev. de 2008

São Paulo II

- Cinema: aqui tem muitos cinemas, muitos mesmos, a maioria em centros culturais e com os nomes dos patrocinadores (tem até um “Cine Bombril”). Os Multiplex têm muitas salas e não passam só blockbusters, há sempre pelo menos uma sala com um filme europeu ou mais “cult”. O problema é que pra qualquer sessão, a qualquer hora, é preciso chegar uma hora, quarenta e cinco minutos antes para não correr o risco de perder o filme. Pra vocês terem uma idéia, a sessão de Império dos Sonhos, do David Lynch, estava bem cheia! A sessão que eu fui de Meu Nome Não É Johnny, estrelado por Selton Melo, literalmente lotou. Em duas outras oportunidades eu não consegui assisitir a sessão.

- Clima: graças ao Papai do Céu aqui não faz o mesmo calor que em Porto Alegre no verão. Em São Paulo a temperatura não costuma passar muito de trinta graus e chove quase todo dia, uns cinco minutos que seja. Ainda sobre o clima, alguns paulistas perguntam se eu não estou sentindo muito o calor daqui. Eles acham que em Porto Alegre é frio o ano inteiro, chega até a ser engraçado.

- Jornais: o único jornal que eu li até agora, a Folha de São Paulo, não é muito diferente da Zero Hora em conteúdo, à exceção de umas revistas (literalmente) que saem encartadas em alguns dias da semana. Só que ler esse jornal, com o dobro do tamanho da ZH, não é tarefa das mais fáceis: eu imagino ser humanemente impossível ler no ônibus, por exemplo.

- Ônibus: eu ia falar de uma só vez de todos os meios de transporte, mas como existem grandes especificidades entre eles decidi separá-los. Os ônibus daqui não são muito diferentes dos de Poa: de modo geral, para os bairros de perfeiria são destinados os modelos mais antigos e, para os bairros de classe media e alta, os ônibus mais modernos. Peguei um que tinha quatro portas e dois lugares para cadeirantes, o que deixava o carro com uma lotação inferior aos dos de Porto Alegre. Como a população paulista é muito maior, se não houver ônibus com uma freqüência muito grande acho que deve haver superlotações nos coletivos. Ainda não vi nenhum com ar-condicionado.

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