31 de out de 2008

Pontos corridos

Quando o Campeonato Brasileiro começou a ser disputado em pontos corridos, em vez do antes tradicional os-oito-melhores-disputam-um-mata-mata, muito se falou. Alguns criticaram, outros apoiaram. Até hoje se fala muito se essa é realmente a melhor fórmula para um campeonato no Brasil.

Eu, particularmente, prefiro o modo antigo: as equipes se enfrentam em turno e returno e, após o término das partidas, as oito melhores vão para as quartas-de-final, até o campeão ser conhecido em dois jogos finais de parar o país. Porém, não dá para negar que, em 2008, estamos acompanhando o Campeonato Brasileiro mais equilibrado de todos; temos cinco equipes com chances reais de ser o campeão, isso a seis rodadas do término da competição. É claro que por esse motivo os entusiastas dos pontos corridos estão gritando Brasil afora: "Viu, eu sempre disse que esse era a melhor forma de disputa!".

Basta ver TODAS as outras edições para esmagar esse argumento. Desde que começou a ser disputado, o Brasileirão de pontos corridos tem dado mais sono do que emoção no torcedor, que tem que assistir, faltando umas dez rodadas para acabar o campeonato, dois times na faixa intermediária jogarem entre si por absolutamente nada, visto que não têm pontos suficientes para entrar na Libertadores, mas possuem pontos de sobra para já se garantir na primeira divisão. Tem a Sul-Americana, claro, mas ninguém dá muita bola para ela mesmo, o que mais vale é a disputa de cima e a de baixo da tabela. Esses mesmos dois times, se disputassem o Campeonato "Old School", ainda teriam chances de chegar pelo menos em oitavo, o que faria o jogo ter grande importância.

Outro exemplo de jogos no final do campeonato: veja os casos de Vitória, Goiás, Coritiba, Botafogo e Internacional em 2008. Os cinco times não têm mais chances de ganhar o Campeonato, nem sequer de tentar a Libertadores. Porém, já estão com a vaga na Sul-Americana praticamente garantida, o que faz com que o Brasileiro já tenha perdido a graça para eles. Isso faz muita diferença em um confronto contra um time lá de baixo (que precisa ganhar para escapar do rebaixamento) e um lá de cima (que quer vencer o campeonato). Temos então a disputa entre um time que quer alguma coisa contra outro desmotivado por estar no meio da tabela. Se fosse no modelo antigo, TODOS os times ainda teriam algo a disputar, motivando a todos e tornando essas últimas rodadas empolgantes para todos SEMPRE, e não somente a cada seis anos. Sem contar que, se hoje houvesse o campeonato antigo, até o Sport (11º colocado), todos teriam chance de chegar à fase final.

Eu sei que muitos vão argumentar que a fórmula de pontos corridos é a mais justa, porque privilegia e equipe mais organizada, mais equilibrada, etc. e tal. Para isso, digo duas coisas: time campeão tem que saber jogar tanto pontos corridos quanto mata-mata, e por isso a fórmula antiga parece ser a ideal; e se fosse pela organização, como o Palmeiras, o Flamengo e o Grêmio estariam onde estão nesse ano?

28 de out de 2008

Pequeno pensamento

Já não aconteceu contigo de andar pela rua e ver uma pessoa vindo na tua direção, te olhando de um jeito que parece que ela gostaria de ser tua amiga?

Se não aconteceu com ninguém, acho que estou ficando megalomaníaco...

Frase do Dia

"O grande consolo das velhas anedotas são os recém-nascidos".
Mário Quintana

24 de out de 2008

Todos iguais

Neste ano, estou acompanhando mais as eleições de São Paulo do que as de Porto Alegre, o que me permite traçar alguns paralelos entre as duas. Porém, o que mais me chama atenção neste ano - na verdade, nos últimos anos - é a pasteurização das campanhas.

Durante boa parte do século passado, os partidos políticos, quando existiam no Brasil, podiam ser claramente divididos, principalmente entre esquerda e direita - graças, em boa parte, à Guerra Fria. Até durante a ditadura, com a ARENA e o MDB, havia uma clara diferença de posicionamento. Após vários fatores diferentes, como o fim da URSS e da Guerra Fria, a volta da democracia e o advento do neoliberalismo, tudo começou a mudar nas campanhas e discursos políticos. Vou citar duas grandes diferenças no cenário político, que também significaram mudanças de comportamento nas engrenagens que movem o sistema da política brasileira e, a meu ver, também podem ter outras conseqüências não muito boas para os partidos.

Em primeiro lugar, cada vez mais publicitários começaram a ser contratados para gerenciar as campanhas eleitorais, fazendo do horário político uma verdadeira campanha de marketing em que o candidato é "vendido" como um "produto" e suas façanhas e fracassos são maquiados para uma maior aceitação por parte do eleitor. O grande marco, para mim, foi quando o PT contratou o Duda Mendonça para fazer a campanha do Lula para presidente de 2002. Automaticamente, aquele cara de aparência suja, ex-metalúrgico, que falava tudo errado, deu lugar para um senhor de barba branca, fala mansa e que até apreciava bons vinhos, veja só. Não foi só por isso que o Lula se elegeu, mas que isso ajudou, ajudou. E então, cada vez mais as agências de publicidade descobriram esse filão (ou foram descobertas por esse filão, não sei), fazendo o Maluf parecer um cara para casar com a tua filha. Isso, é claro, foi causando uma certa padronização das campanhas eleitorais; afinal, ninguém mais quer se envolver com assuntos espinhosos antes de se eleger. O maior exemplo, nesse caso, é o das falsas promessas de candidatos a prefeito que dizem que cumprirão os quatro anos de mandato e que não vão sair antes para concorrer ao governo do estado. Só para citar dois casos, o Tarso Genro, em Porto Alegre, se elegeu para prefeito em 2000 c0m a promessa de que ia cumprir os quatro anos, sob acusação da oposição de que ia é sair dois anos depois para concorrer ao governo. Em 2002, quem era o candidato a governo do RS pelo PT? Genro, claro. Não se elegeu, bem feito. Sorte maior teve o José Serra, que se elegeu prefeito de São Paulo em 2004 dizendo que não ia concorrer ao governo ou à presidência em 2006 - ele chegou a fazer uma declaração em cartório. Não é que o seu Serra conseguiu se eleger governador de São Paulo em 2006? Tsc, tsc. No caso das campanhas para prefeito de São Paulo este ano, é nítido que, junto ao discurso do candidato (cada vez mais igual ao do adversário) está associado uma grande peça publicitária, um grande "show" de imagens, músicas e fontes que , a princípio, não têm nada a ver com uma campanha eleitoral.

Em segundo lugar, ocorre uma "prostituição" das ideologias políticas; cada vez mais os candidatos adequam suas campanhas por conveniência e não por inclinação partidária ou política. Um bom exemplo pode ser visto nas eleições para prefeito em São Paulo: no primeiro turno houve quase um empate técnico entre Marta Suplicy (PT) e Gilberto Kassab (DEM), mas com votos predominantemente vindos das camadas mais pobres para a primeira e com a maioria dos votos das classes A e B para o segundo. Pois bem, a estratégia de campanha da candidata do PT para o segundo turno foi mostrar que ela também vai fazer muito para os empresários e empresas, assim como para os bairros mais nobres da cidade, enquanto que Kassab se concentra em mostrar que fez e fará muito mais pelos pobres de São Paulo. Ora, se temos dois candidatos que vão governar para os ricos e para os pobre da melhor forma possível, que vão se concentrar no social, mas também dar apoio às grandes empresas, qual é a diferença entre os candidatos? A suposta diferença que os publicitários das duas campanhas querem nos vender está na competência; um acusa o outro de não ter feito isso ou aquilo durante seu mandato e já emenda que fez ou vai fazer melhor do que o outro. Novamente, não há nenhum indício de inclinação ideológica nos seus discursos, apesar de um partido ser declaradamente de direita, e o outro, de esquerda.

Particularmente, penso que essas novas características do mundo político de hoje são muito nocivas para a democracia, visto que supostamente não há muitas opções de mudança para a população. Cada vez mais escutamos as pessoas falarem que não vão votar em ninguém ou vão votar em qualquer um porque "é tudo igual", o que não deixa de ser cada vez mais verdade. Em Porto Alegre, a Manuela se aliou ao PPS, o que seria inadmissível há alguns anos. Hoje, é algo quase natural, criticado apenas por algumas mentes supostamente atrasadas. Infelizmente, parece que quem mais perde com isso é a esquerda, que já vem perdendo há algum tempo, desde que começou a jogar o jogo político com as regras da direita. Perde tanto que chego a me perguntar: estaremos presenciando o fim da esquerda no Brasil? Mas isso é assunto para outra postagem...

21 de out de 2008

C***lho!!!

19 de out de 2008

Do Surra

Incluído no novo pacote de salvação a ser votado pelo Congresso estadunidense: Estímulo ao desenvolvimento de energias renováveis, à compra de carros híbridos, etc. Se a história se repete, vem aí mais uma bolha. Se você tem algum projeto de produção de biodiesel a partir de meleca, está na hora de abrir sua start-up. Mas lembre-se de sair antes que a nova bolha estoure. A bolha imobiliária foi diretamente resultante da implosão da bolha da Internet. O Governo americano conseguiu diluir o crash das pontocom reduzindo os juros e fechando os olhos para a farra das hipotecas. E está agora tentando alternativas para uma nova bolha. Bill Clinton, no David Letterman ontem à noite, mencionou isso e deu como alternativa à saída da bolha via hipotecas nos idos de 2000, advinhem, o investimento em energias alternativas. A vantagem, segundo ele, é que esse tipo de investimento cria uma economia real, com empregos reais. É assim que os EUA resolvem suas recessões: investindo tudo em bolhas. E a propósito, Nouriel Roubini, no HardTalk da BBC de hoje: "É o início do fim do Império Americano". Com todas as letras. Sintetizou isso explicando que todos os grandes impérios ruíram quando passaram de grandes credores a grandes devedores, citando o próprio Império Britânico. Os EUA vão sair dessa devendo 700 bilhões a outros países (ironicamente, China, Rússia -- até Oriente Médio e, pasmem, Brasil). 700 bi além dos 9 trilhões do atual déficit, diga-se de passagem.
(update: link para a entrevista do Roubini: www.bbc.co.uk)

Como diz o título, tirado do Surra.

17 de out de 2008

Porto que me alegra II

Quando cheguei em Porto Alegre, depois de estar morando há um bom tempo em São Paulo, a primeira impressão que tive foi a de respirar um ar diferente do que vinha respirando antes. Não se trata somente de poluição; além da qualidade superior (com menos poluição, mas com poluição, é bom lembrar), também é o friozinho do ar, aliado a uma sensação de estar em casa que não encontra eco em nada que eu tenha vivido até hoje.

É estranho passar por lugares que significaram tanto para mim e continuar sentindo essa sensação de importância, mesmo tendo passado praticamente um ano sem vê-los, mesmo tendo vivido outras experiências muito longe dali, mesmo tendo, de certa forma, dado as costas para esses lugares que me causaram tanta emoção - e ainda me causam. Ler os poemas de Mario Quintana sobre Porto Alegre agora me atinge de outra forma, me identifico muito mais na sua retórica saudosista, nostálgica, e no seu toque encantador e reverente à cidade.

É assim que me sinto em relação a todo mundo que conheço por essas bandas. Já que não posso dizer isso aos lugares, então me dirijo a todos os amigos que tenho em Porto Alegre e arredores (na verdade, por todo o Rio Grande do Sul) para dizer que não só não esqueci vocês, como penso em vocês todos os dias. Lembro-me de incidentes, casos e momentos engraçados, curiosos, marcantes e tocantes que passamos juntos, e isso funciona como um alento aqui na cidade cinza de São Paulo. Espero rever todos vocês, dos melhores aos piores amigos, o mais breve possível, e espero que o tempo e a distância não façam nada além de fortalecer ainda mais nossos laços. Aproveito também para pedir desculpas a todos os que devem ter se sentido um pouco esquecidos desde que me mudei e dizer que a culpa é toda minha, que por inexperiência ou imaturidade - ou ambos - não soube administrar as amizades à distância (para mim é um saco atualizar Orkut ou conversar por e-mail estando longe de vocês). Prometo tentar melhorar nesse quesito e espero que essa postagem sirva como um mea culpa.

16 de out de 2008

Porto que me alegra

Nunca fui um desses caras que se orgulham de ser gaúcho, que gritam "Ah, eu sou gaúcho", que dizem com a boca escancarada que tomam chimarrão, adoram churrasco e amam a Polar. Eu adoro churrasco, mas adoro tanto quanto adoro pizza, lasanha e tantas outras maravilhas culinárias, e adoro por achar ótimo e não por ser do Sul. Nunca gostei tanto assim de chimarrão, tomo de vez em quando, mas se nunca mais tomasse não sentiria falta. Não bebo cerveja, mas mesmo assim meto meu bedelho onde não conheço e acho que a Polar é uma baita jogada de marketing de algum publicitário esperto, aproveitando a onda do tal orgulho gaúcho; se bobear, é uma Antártica com outro rótulo e com efeito placebo. Entretanto, mesmo assim não tenho como descrever a sensação de dizer, em São Paulo, que sou gaúcho, sem falar em orgulho. Sinto muito orgulho em ser gaúcho e muito orgulho da nossa capital, desse lugar maravilhoso que tem o tamanho certo para mim, que tem o ar perfeito para eu respirar, que tem as pessoas certas para se conviver. Isso é muito estranho para mim, visto que eu nunca fui um empolgado pelas nossas tradições - e continuo não sendo. Apenas percebi que não há lugar melhor do que aquele que a gente elege para o nosso coração, e parece que todos os gaúchos fazem isso ao nascer: elegem Porto Alegre, mesmo que seja preciso sair de lá para ter consciência disso - o que foi o meu caso. Essa espécie de homenagem a Porto Alegre continua no próximo post.

O que eu vi enquanto não atualizava o blog

Achei várias coisas interessantes durante o tempo em que o Moldura ficou sem atualizações. Aqui vai uma sugestão:

Wagner & Beethoven - Este é um blog de tirinhas que tem como protagonistas os compositores clássicos Wagner e Beethoven, em diálogos absurdos e absolutamente geniais sobre assuntos diversos.

13 de out de 2008

Músicas do Mês

Músicas do Mês, no meio do mês.

Eddie Vedder - Society -
O filme Na Natureza Selvagem tem dois predicados que me fizeram querer muito assisti-lo: é dirigido pelo Sean Penn e tem como trilha sonora 11 músicas do Eddie Vedder. Após ter visto o filme percebi que esses predicados anunciavam mesmo o filme que eu esperava ver. Bem, mas como a coluna aqui é sobre música, vamos nos atentar a ela: das 11 canções do disco, a que eu mais escutei até agora foi, disparado, essa Society. Composta com um minimalismo grandioso, possui uma letra muito boa e que "conversa" muito bem com o tema do filme. Linda, de ouvir de olhos fechados.



Manic Street Preachers - Send Away the Tigers - A mais executada no meu mp3 no mês de setembro, esta música é foda! Desde a sua estrutura, com dois versos inteiros antes do refrão (tem músicas que funcionam muito bem assim, e esta é uma delas), passando pelo próprio refrão, ela tem muitas qualidades que a tornam fácil de escutar repetidas vezes. Talvez o único problema dela seja o clipe (que eu não conhecia), que é uma bosta.

7 de out de 2008

Capitalismo natural

Esses dias, vendo o Saia Justa, programa da GNT em que todas as apresentadoras parecem saber tudo sobre todos os assuntos, elas estavam discutindo sobre a crise da economia mundial e Mônica Waldvogel soltou a seguinte frase (foi mais ou menos assim): "Eu acho que o capitalismo nunca vai acabar, ele é tão... natural". Na hora eu fiquei muito irritado, porque essa é mais uma das inúmeras falácias do capitalismo, a de ser natural e infalível. Afinal, o mercado é auto-regulável e o Estado deve ser mínimo, não é?

Então por que o pessoal que passou anos enchendo o saco de todo mundo que criticava as privatizações e a ideologia neoliberal agora está apavorado e defendendo a entrada do Estado no tal "Mercado-que-se-auto-regula"? Estou tentando acompanhar de perto a cobertura da imprensa brasileira a respeito da crise (é difícil, mas eu tento) e o que mais aparece nas entrevistas com economistas é o papo do "pelo amor de Deus, os governos dos países ricos precisam ajudar os pobres bancos, ou a economia vai ruir!". Quer dizer que os grandes capitalistas podem viver às custas de especulações à vontade, até que um dia tudo que poderia dar errado efetivamente dá errado (na verdade, na verdade, os sinais estavam aí há meses, mas ninguém queria ver) e então aquele que antes era o vilão, o retrógrado, o errado - o Estado - tem que interferir com centenas de bilhões de dólares para acalmar os mercados e salvar as suas peles?

Resumir a crise para um leigo é tarefa fácil: nos últimos anos houve muita liquidez no mercado (ou seja, tinha muito dinheiro disponível), entrando a uma taxa, vamos dizer, constante, no valor imaginário de X. Dessa forma, os sabichões da economia começaram a emprestar dinheiro a torto e a direito, aumentando o crédito disponível no mercado (afinal, sempre entrava X por mês). Nos EUA, isso se ilustrou muito bem no crédito imobiliário, que fez com que muitas pessoas/empresas pegassem dinheiro emprestado para comprar um imóvel. Esse crédito tinha juros baixos, o que fez com que gestores de fundos e bancos super inteligentes comprassem títulos das instituições que fizeram o empréstimo, o que por sua vez fazia entrar mais dinheiro para elas, que, geniais como só elas, emprestavam mais dinheiro ainda, sem ter recebido de volta nada do primeiro empréstimo. Aí, quem pegou empréstimo começou a não ter como pagar (por vários motivos diferentes), o que gerou uma reação em cadeia que foi prejudicando aqueles nobres especuladores e agiotas modernos, terminando por fim a causar uma retração no crédito, porque o mercado ficou todo cagado de emprestar mais dinheiro.

No mundo globalizado de hoje, créditos vindos dos EUA podem ser utilizados para gerar ativos em qualquer lugar no mundo, e os investidores europeus, sempre brilhantes, fizeram isso sem dó. Quando começou a crise de crédito, eles foram ficando cada vez menos sem dinheiro. Eis que várias empresas começaram a dizer que estavam com problemas de caixa, simplesmente porque contavam com o dinheiro que ainda não tinham e, quando ele não apareceu, a coisa apertou. Para piorar, nenhum banco ou fundo de investimento divulga quanto dinheiro tem investido nesse tipo de investimento (créditos de alto risco) - se bobear, nem eles sabem. Isso fez o mercado ficar paralisado de medo e os investidores saírem da Bolsa - que é muito instável e suscetível a frescuras do mercado.

Pronto, a merda tava feita. Bancos grandes, enormes, começaram a quebrar da noite pro dia, e os capitalistas de plantão, em vez de fazer o que sempre fazem e dizer que estava tudo bem, que era só uma crise conjuntural, se borraram e foram pedir ajuda ao papai Estado, que no início até relutou um pouco para ceder - no caso dos EUA -, mas acabou dando ajuda. Até agora não se sabe se essa ajuda vai ajudar, e vários países da Europa estão providenciando dinheiro também - até a Islândia está se fu!

Duas coisas que eu quero extrair do que está aí em cima: a primeira é que é curioso que os veículos de comunicação dêem as notícias claramente torcendo pela aprovação de todos os pacotes possíveis de ajuda aos bancos e nunca dando explicações de por que a crise está desse jeito, ou de quem é a culpa nisso tudo. Parece sempre que quem nega auxílio aos bancos é o vilão e que ninguém teve culpa, aconteceu tudo sozinho, do nada.

A segunda coisa é que não existe sistema infalível, nunca existiu e nem vai existir. O capitalismo não é um ente natural, ele existe há bem pouco tempo na História da humanidade e nada indica que ele vá permanecer para sempre. É lógico que para os contemporâneos sempre é mais difícil perceber isso (se desse para voltar no tempo e perguntar para um romano, no auge do Império Romano, se aquilo um dia iria acabar, certamente escutaríamos um retumbante "não", tal qual o da Mônica Waldvogel), mas feliz ou infelizmente, a nossa opinião não vale muito perante a força dos acontecimentos. Não estou dizendo que o capitalismo está para acabar, mas esse tipo de crise serve para cada vez mais deixarmos de ser ingênuos e acreditar cegamente nas leis de mercado (que são feitas por homens para parecerem naturais, tais quais as leis religiosas).

Língua presa

Para quem não sabe, estou me aventurando desde o início do ano no mundo da tradução - e estou adorando. Entre outras coisas, o que mais me maravilha nessa atividade são as descobertas, quase diárias, de curiosidades lingüísticas. Isso fica mais evidente ainda na tradução técnica, em que novos termos aparecem a todo momento. Ao contrário do que poderia ser para a maioria das pessoas, saber que não sei tanto assim nas línguas - inclusive no português - me encoraja mais ainda a aprender, e o aprendizado diário faz com que não exista monotonia nessa atividade.

Enfim, toda essa introdução pra dizer que vou, aos poucos, compartilhar com vocês algumas "descobertas" em várias línguas - principalmente no português. Vou começar com uma curiosidade: sabe aquela ferramenta que serve para levantar carros, conhecido aqui no Brasil como macaco? Pois é, o nome em português já é uma viagem; afinal, é o nome de um animal que não tem NADA a ver com a tal ferramenta. Se ela não é nem um pouco parecida com um símio, o que dirá com um felino? Pois em espanhol, o seu nome é gato! Quer loucura maior? Então tá: o macaco (em português) ou gato (em espanhol) tem um nome "próprio" em inglês: jack. Isso mesmo, jack. Que nem o Palace, o Nicholson, o estripador. Adoraria buscar a etimologia dessas palavras para descobrir porque foram utilizadas para esse instrumento. Curioso, né?

Mais curiosidades nas próximas edições.

5 de out de 2008

Google Translator é um fanfarrão

Esses tradutores instantâneos da internet não são bons. Aliás, tem uns péssimos. E de vez em quando ainda tem umas curiosidades neles. Olhem essa aqui: vão até o Google Translator e escrevam “USA é o país que mais polui no mundo.”, aí peçam para traduzir do português para o inglês. Vejam o que sai na tradução (eu não vou dizer aqui para atiçar a curiosidade de vocês...).

Roubado do Sedentário.

Um dos piores videoclipes de todos os tempos

Cara, não pode ser de verdade...

3 de out de 2008

VMB 2008

Ontem era um daqueles dias que eu estava com vontade de ver TV, mas não tinha nada que prestasse. Eis que vejo que em pouco tempo ia começar o Video Music Brasil, premiação da MTV que eu acompanhei durante muito tempo na minha adolescência. Tá aí, vou assistir. Assisti e agora passo para vocês algumas impressões:

- O Marcelo Adnet é muito bom mesmo. Além de ter o melhor programa da MTV na atualidade (o 15 Minutos) e saber imitar uma porrada de gente, o cara tem uma capacidade de improvisação fantástica, testada e comprovada na noite de ontem, quando foi desafiado em cada final de bloco a cantar com uma voz escolhida na hora e com algumas frases pré-determinadas também na hora.

- Colocar qualquer um para apresentar prêmio é foda. Se houvesse premiação para pior apresentação de prêmio ontem, certamente ela iria para Cesar Cielo e Fofão, que protagonizaram uma dupla sem o menor timing para falar a piada que estava ensaiada - que já era, ao natural, péssima.

- Programa ao vivo é sempre uma tentação para dar merda, e premiação da MTV ao vivo ainda mais, por causa das inconstâncias dos artistas. Quem não se lembra, por exemplo, do piti do Caetano Veloso no VMB de 2004? Bom, e o que não faltou nessa edição do VMB foram momentos de vergonha alheia lamentáveis que desde já entraram para a história da premiação. Em primeiro lugar, a apresentação do Bloc Party, sensação indie que a MTV anunciou aos quatro ventos como grande atração internacional da festa. Quando eu vi, não acreditei: os caras entraram e fizeram um playback horroroso, de fazer a Britney Spears ficar vermelha de vergonha! Na primeira música (sim, porque eles ainda tocaram outra...) eles estavam completamente desanimados e dava para ver claramente que não era ao vivo, porque a boca do vocalista não acompanhava o som, assim como os movimentos do baterista - que, aliás, exibiu um look de dar inveja ao Freddie Mercury. Fim da primeira música, vaias do público. E eu com aquela sensação de vergonha alheia pelos caras, pela MTV, pelo cara que teve essa idéia idiota, na verdade eu estava com vergonha alheia por sei lá quem, porque a culpa era de todo mundo ali mesmo... Começa a segunda música, o vocalista Kele Okereke tira a guitarra e começa a sair correndo pela platéia (talvez na tentativa de agitar o público, talvez para fugir dali, não sei), cantando de forma ridícula a música - em playback, claro. Enquanto isso, as câmeras focalizavam os outros integrantes, que tocavam seus instrumentos de forma air* de uma maneira ridícula e descompromissada. Quando não podia ficar pior, eis que o vocalista está voltando para o palco, erra o passo e CAI no espaço entre a platéia e o público... Lamentável. Termina a segunda música, vaias maiores. EU já queria me esconder naquele momento, quando o Marcos Mion, apresentador da noite, entra no palco e solta um irônico "quem sabe faz ao vivo", ganhando aplausos da platéia e completando "ah, vocês também notaram? Achei que só eu tivesse percebido".

- Outro momento lamentável foi a apresentação de uma banda que eu não conhecia, o Bonde do Rolê. Cara, aquilo é muito ruim, parece uma esquete do Hermes e Renato, só que de verdade. Auxiliados (?) pela péssima equalização que existe em TODAS as edições do VMB, os integrantes do grupo estavam acompanhados de uns caras bombados e cantaram três músicas (Deus...) que, felizmente, não tinham como ter suas letras ouvidas. Um tempo depois da apresentação foi a vez de a MTV anunciar o prêmio de Artista do Ano e darem a vitória ao NX Zero. Até aí tudo bem, os caras comemoram e vão em direção ao palco para agradecer. Então vem uma mulher do nada querendo pegar o microfone dos caras, que a empurram para o público (o vocalista do NX Zero ainda soltou um "ó o mosh, galera") e continuam o discurso. A mulher volta pro palco e tenta pegar de novo o microfone. Quando finalmente ela consegue se apropriar do dito cujo, grita - grita não, berra - "vocês roubaram o nosso prêmio"! Então eu a reconheço: é uma das integrantes do Bonde do Rolê! Mais nonsense que isso, só dois disso.

- Só pra constar, estou desatualizado em relação às bandas do momento, mesmo as gringas. Quando anunciaram o vencedor do prêmio de Banda Internacional, não tinha a menor idéia de quem era Paramore e o que eles tocavam. Aliás, continuo sem saber.

- Para encerrar a noite, a MTV fez um especial a la "We are the world", com vários artistas nacionais cantando "Furfles feelings", música genérica que o Marcelo Adnet criou em uma das edições do 15 Minutos e que deu tão certo que valeu esse encerramento. Muito legal a idéia, que diminuiu um pouco a minha sensação de vergonha alheia que me tomou ao longo da premiação.

* forma air é aquele jeito que algumas pessoas tocam, quando não têm o instrumento nas mãos, fazendo mímica. Mais informações aqui.

2 de out de 2008

São Paulo, a loucura

Hora do rush, São Paulo, Estação da Sé de metrô.



Ruim, né? Mas como tudo na vida, poderia ser pior; poderia ser em Bombaim, Índia:

1 de out de 2008

Sistemas operacionais

Pois bem, tempos atrás resolvi dar uma pesquisada a respeito de vários sistemas operacionais alternativos ao Windows XP - como estou falando de PC, estou falando principalmente de sistemas Linux. Pesquisei muito, procurei em fóruns pela internet, li bastante e resolvi testar dois deles: o Kubuntu, que é uma distro (abreviação de distribuição) derivada do Ubuntu, só que em KDE, e o Mandriva, cuja suposta facilidade de uso me atraiu. Baixei os dois SOs e gravei em dois CDs Live (CD com o qual você pode inicializar o sistema operacional sem ter que instalá-lo, ótimo para testar sem ter que avacalhar os HDs). Coloquei o do Kubuntu no drive, tentei abrir o Live CD e nada de funcionar. Tentei algumas vezes, mas parece que os deuses da informática não estavam conspirando a meu favor. Ejetei o CD e tentei então o do Mandriva, que abriu e instalou direitinho. Inicializei o computador e me vi diante da mesma interface gráfica do Fedora (quem trabalhou na Traça sabe do que estou falando), que é, digamos, mais feia, em comparação ao Windows. Fui começar a usar para ver como era e de cara achei um problema: ele não identificou minha rede. Tentei de todos os jeitos fazer com que ela fosse identificada, mas não teve jeito; ao final, o Mandriva pedia para eu entrar em um site (?) para baixar um driver e TENTAR fazer a rede funcionar. Como eu entraria em um site sem ter acesso à internet ele não me explicou, então pensei que, se teria que reiniciar o computador para usar o Windows para acessar a internet e baixar um driver para depois rereiniciá-lo, para inicializar o Mandriva e TENTAR fazer a rede funcionar, para enfim testar um sistema operacional que já se mostrava meio torto e que era mais feio que o Windows, era melhor ficar no Windows mesmo.

Resumo da ópera: instalei o Vista e vários gadgets que me fizeram um bem danado; inclusive estou escrevendo esta postagem por meio de um deles, o Blogger Buddy, sem precisar entrar em nenhum navegador. O Vista até agora não travou (como o XP NUNCA tinha travado comigo) e eu tenho quase certeza que nunca vou pegar vírus (afinal, não basta apenas um SO inseguro para alguém pegar vírus; tem que haver alguém para apertar o enter e instalá-lo, e isso eu não faço mais).

O que eu quero dizer com esse relato pessoal, que o Linux é uma merda e o Windows é uma maravilha? Nada disso! O que eu quero dizer é que hoje em dia existem muitas opções de SOs por aí, muitas mesmo (no caso das distros Linux, literalmente centenas), para todos os gostos. Para o meu gosto, o ideal seria um Mac OS/X da Apple, mas como eu não tenho dinheiro para isso, acredito que o Windows satisfaça minhas necessidades. Não acho que quem utilize o Linux seja melhor ou pior do que eu, apenas possui características de usabilidade diferentes das minhas, que são atendidas de forma mais eficaz por tal SO. O importante é encontrar as melhores formas para utilizar seu computador, seja com programas pagos ou free, fechados ou open source; o que não dá é dizer que um programa é ruim porque é free ou pago ou open ou fechado, só por isso e pronto. Eu fiz os meus testes e cheguei à conclusão que o Vista é o que melhor atende minhas necessidades no momento. Não estou com saco para testar outras distros por ora, mas isso não impede que mais tarde eu descubra uma que me encante.

PS: Este não é um post patrocinado. Tio Gates não me pagou um centavo por eu escrever isto.

"Meu joelho dói, e não há nada a fazer agora"

Pessoal, deu tudo certo na cirurgia de ontem. Para quem não sabe, eu havia rompido o ligamento cruzado posterior do joelho direito (ui!) e, durante os exames, ainda foram descobertas algumas lesões no menisco. Ontem os médicos retiraram um tendão da minha perna e colocaram no lugar do ligamento, unindo-o aos dois ossos do joelho por meio de dois parafusos. Além disso, retiraram cerca de 20% do menisco do joelho direito. Agora só me resta me recuperar, e, se a previsão para voltar a correr é bem otimista (um mês, sem contar que já estou colocando o pé no chão), para voltar a jogar futebol ainda vai demorar um pouco mais: seis meses.

Pelo menos a lesão foi de craque...

Creative Commons License

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.