30 de nov de 2007

Músicas do Mês

Foo Fighter - But Honestly - Baita música do baita último disco dos caras (Echoes, Silence, Patience and Grace, que em breve vai merecer uma postagem só pra ele). Começa com parecido com State of Love and Trust, do Pearl Jam, só com uma guitarrinha sem distorção, e vai crescendo até explodir, lá pela último terço, com guitarra distorcida e um riff poderoso. Junte isso a uma letra melancólica sobre perda (And all the words I gave to you / Something borrowed something blue / If you want them back / I'll give it to you) e terá um grande som.



Silverchair - Waiting All Day - Faixa no novo disco dos australianos, que é completamente diferente do que vinha sendo executado por eles. Quase sem ecos do grunge, o disco é feito com canções belas e trabalhadas como essa, em que a melodia se sobrepõe ao resto. Escutei-a poucas vezes, mas o refrão não saiu da minha cabeça.



Cássia Eller - No Recreio - Uma das melhores letras do Nando Reis numa das melhores músicas da Cássia, só podia dar nisso. Essa versão, aliás, é anos-luz melhor do que a pálida versão do Nando, aquela com violões. Essa, com guitarras distorcidas e o vozeirão da Cássia, mata a pau.


PJ

Há exatos dois anos e dois dias, tive a oportunidade de presenciar um dos maiores acontecimentos da minha curta existência: Pearl Jam em Porto Alegre. Foi uma experiência única assistir a banda que fez parte da minha vida desde a adolescência e que amadureceu junto comigo ali, na minha frente, tocando músicas que foram trilha sonora da minha vida, que foram músicas do mês, que são parte de mim. Foram duas horas em que milhares de pessoas cantavam e gritavam TODAS as músicas, em inglês, mesmo que fosse no enrolation, e em que todos os que estavam lá compartilhavam do mesmo sentimento, da mesma emoção, enquanto a banda mais interessante da atualidade (há quinze anos!) fazia o que sabia: nos emocionava com suas canções. Para os desafortunados que não estiveram lá - e para os mais desafortunados ainda que não conhecem Pearl Jam -, um trecho desse post do André, do Cataclisma 14, e três registros educativos do melhor show da minha vida, em que saí sem voz alguma:

"Soam os acordes, as notas, e a gente chega a explodir por dentro, pois a intensidade do momento é tanta que ele simplesmente te envolve e te transforma em emoção pura. E um dia, quando o pessimismo for a religião do mundo, eu poderei me levantar e dizer 'sonhar é uma coisa boa - se vocês duvidam, eu tenho a prova: dia vinte e oito de novembro do ano de dois mil e cinco'. Porque não existe sensação melhor no mundo do que cantar com o coração na boca."

Vídeo roubado do Cataclisma 14 (Yellow Ledbetter), que mostra a lotação do Gigantinho:



Durante Alive, catarse coletiva:



Jeremy, sem palavras. A música começa mesmo depois de 1:45. Destaque pro "uôôôôôôô" da platéia, aos 5:20, mais ou menos:


29 de nov de 2007

Eu não acredito nisso...

É muita cara-de-pau! E pior é que já deve ter gente apoiando... ;)


Mais aqui.

Update: O Rodrigo, nos comentários, já matou a charada. Mas entre quem ainda não sabe da verdade, muita gente deve apoiar...

Aproveitando...

Fim de ano = correria. Monografia, artigo, relatório, mudança, etc., etc., etc.. Tudo isso pra justificar a falta de textos maiores por aqui, prontamente resolvidos por este que vos escreve a partir de quinta que vem - se tudo der certo...

Desde já, grato pela compreensão. ;)

Esporro na Veja

Do biógrafo de Che Guevara para o jornalista Diogo Schelp, da ilustre Revista Veja, traduzido do inglês:

"Caro Diogo,

Fiquei intrigado quando você não me procurou após eu responder seu email. Aí me passaram sua reportagem em Veja, que foi a mais parcial análise de uma figura política contemporânea que li em muito tempo. Foi justamente este tipo de reportagem hiper editorializada, ou uma hagiografia ou – como é o seu caso – uma demonização, que me fizeram escrever a biografia de Che. Tentei por pele e osso na figura super-mitificada de Che para compreender que tipo de pessoa ele foi. O que você escreveu foi um texto opinativo camuflado de jornalismo imparcial, coisa que evidentemente não é. Jornalismo honesto, pelos meus critérios, envolve fontes variadas e perspectivas múltiplas, uma tentativa de compreender a pessoa sobre quem se escreve no contexto em que viveu com o objetivo de educar seus leitores com ao menos um esforço de objetividade. O que você fez com Che é o equivalente a escrever sobre George W. Bush utilizando apenas o que lhe disseram Hugo Chávez e Mahmoud Ahmadinejad para sustentar seu ponto de vista. No fim das contas, estou feliz que você não tenha me entrevistado. Eu teria falado em boa fé imaginando, equivocadamente, que você se tratava de um jornalista sério, um companheiro de profissão honesto. Ao presumir isto, eu estaria errado. Esteja à vontade para publicar esta carta em Veja, se for seu desejo.

Cordialmente,

Jon Lee Anderson."


Detalhes aqui.

27 de nov de 2007

C***lho!!!

200 por dia, que tal?

Crônica do Arnaldo Branco

Sobre o humor atual, altamente recomendada. Cliquem aqui.

21 de nov de 2007

Teaser do Cloverfield

Confirmado o nome do filme, agora vem um teaser dele. Acompanhem em alta definição aqui.

20 de nov de 2007

O Cérebro Humano

O cérebro humano é dotado de uma riqueza sem precedentes na Natureza: talvez nunca ninguém venha a conhecer exatamente sua real natureza e seus alcances e limites. Isso não deixa de ser paradoxal, visto que, além de o ser humano achar que é a última bolachinha do pacote e que sabe tudo, deveríamos saber pelo menos como o NOSSO cérebro funciona, não?

Vários problemas derivam daí. Um deles é o fato de que existem 212 mil explicações diferentes para o mesmo caso relacionado ao cérebro, de acordo com a linha em que se acredita. E não adianta fazer a velha e simplista dicotomia religião/ciência, pois vamos encontrar razões diferentes mesmo entre ramos diversos da ciência (mesmo entre um mesmo ramo, como no caso das várias correntes da Psicologia, por exemplo) ou as inúmeras religiões existentes, cada qual com a sua verdade.

Na dúvida, acredito que o melhor seja duvidar de tudo. Porém, dêem uma olhada nesse link muito interessante sobre um assunto relacionado a nossa cachola e tratem de colocá-la pra funcionar!

19 de nov de 2007

Fingidos

Belíssima compilação de jogadores tentando - e às vezes conseguindo! - enganar o árbitro:

Tropa de Elite

Por problemas logísticos, demorei para assistir Tropa de Elite. Isso fez com que eu fosse previamente bombardeado por todos os lados com comentários e alusões a trechos do filme que, mesmo que eu quisesse evitar, não conseguiria. Toda a polêmica em torno do roubo do filme não finalizado e sua posterior distribuição pirata por tudo quando é camelô, aliada à discussão sobre a própria temática me fizeram acreditar que o filme estava sendo superestimado. Ledo engano, parceiro.

O filme conta a história do Capitão Nascimento (Moura), comandante de um esquadrão do BOPE (Batalhão de Operações Especiais da PM do Rio de Janeiro) que, após um bom tempo à frente da sua equipe, começa a apresentar sinais de cansaço - incluindo síndrome do pânico - e precisa encontrar um substituto à altura antes de sair. Na PM "regular" ele encontra dois candidatos, Matias (Ramiro, o inteligente) e Neto (Junqueira, o determinado), e deve escolher logo, porque sua esposa, no final da gravidez, o pressiona para que ele saia o mais rápido possível da corporação.

Através dessa história, José Padilha (diretor do excelente documentário Ônibus 174) tece um retrato da tal "guerra particular" que João Moreira Salles e Katia Lund nos mostraram em Notícias de Uma Guerra Particular, outro documentário imperdível, através de uma ótica no mínimo corajosa: a de um policial. Com um roteiro escrito a seis mãos (Padilha, Braúlio Mantovani, do também ótimo Cidade de Deus, e Rodrigo Pimentel - ex-capitão do BOPE e um dos entrevistados no documentário de Salles e Lund), Tropa de Elite não faz nenhuma concessão ao mostrar a violência existente em ambos os lados dessa guerra, contando com a narração em off do Capitão Nascimento.

Com uma montagem desconcertante, que acerta ao dar um caráter rápido às cenas mais tensas e ao travar o ritmo quando precisa desenvolver os personagens, o filme é um desfile de boas atuações, dos personagens principais aos coadjuvantes. Wagner Moura, em especial, dá ao Capitão Nascimento o tom certo; apesar de ser talvez o personagem mais racional e que mais tem a noção geral dos acontecimentos por ali, parece estar cego diante do próprio potencial que tem nas mãos para usar de violência sem critérios para conseguir o que quer. Aliás, sua narração é mais uma decisão acertada do diretor, pois dá ao espectador a chance de ouvir as argumentações de Nascimento - e ao constatar que elas são, na sua maioria, absolutamente coerentes, o que fica é uma sensação de concordância com alguns de seus atos (voltarei a isso mais tarde). A maior parte do tempo o diretor deixa a câmera na mão, que transborda urgência ao que está acontecendo na tela, seja nas operações na favela, seja durante o pesado treinamento do BOPE. Além disso, o som é ótimo, e só ele já basta como argumento para não assistir Tropa de Elite numa cópia pirata, e sim no cinema; a montagem e o design de som estão sensacionais (percebam o funk no início, quando um trecho "à capela" é alternado com outro com as batidas), e a trilha sonora se encaixa perfeitamente com os momentos em que elas aparecem - e olha que eu nunca imaginei dizer isso de um filme que tem uma música do Tihuana na trilha...

Mas o principal em Tropa de Elite não parece ser o filme em si, mas sim as diferentes mensagens que ele sugere. Escrevo "sugere" porque Padilha não nos dá nenhuma resposta pronta, apesar de às vezes parecer o contrário: ele nos joga na cara as questões e deixa que tentemos respondê-las por nós mesmos (já volto a essa questão novamente). Isso desde já é de uma curiosidade problemática sem paralelos no Cinema brasileiro, visto que é um filme "cabeça" de "ação" que está sendo exibido em salas Multiplex do Brasil inteiro, enquanto que até então os filmes-cabeça nacionais costumavam passar em salas menores e em número bem reduzido. Aumenta-se o alcance, mas será que se aumenta o alcance? Entre as diversas questões, destaco as que penso serem as mais relevantes:

- em primeiro lugar, uma questão mais geral, que é a de que o problema da violência e das drogas no Rio é mais complexo do que se vê em conversa de boteco; são várias variáveis envolvidas, nenhuma está isolada da outra e todas se retroalimentam, crescendo de maneira conjunta e exponencial. Portanto, soluções unilaterais seriam simplistas e maniqueístas, esvaziando em muito a discussão em torno do tema - e a sua conseqüente solução.

- Os jovens universitários: quem faz algum curso universitário de Humanas sabe o quanto do que está ali é bem real. Quantos pseudo-comunistas, por exemplo, não discutem la revolución bebendo Coca-Cola e usando Nike? No caso do filme, alunos discutem a violência policial, a violência do tráfico, mas não enxergam o quanto aquela inocente maconha que fumam está no meio da questão, e conseqüentemente o quanto eles mesmos são, em certa medida, agentes desse processo. "Na prática a teoria é outra", já diria um estagiário de História dando aula, depois de várias cadeiras na Faced... A cena em que se discute Foucault, aliás, é uma das melhores, quando chovem reclamações sobre a truculência policial contra aqueles estudantes, todos esclarecidos, ricos e cidadãos honestos que não fazem nenhum mal a não ser usar drogas de vez em quando, sonegar impostos e furar a fila do RU - alguns ainda queimam mendigos e espancam prostitutas, mas não vamos generalizar aqui, né? Os policiais deveriam estar atrás dos criminosos, não deles, ora bolas! A recriação desse discurso no filme, tantas vezes repetido pela elite brasileira, tem um caráter de crítica fundamental no filme. Talvez Padilha quisesse tanto chamar a atenção com isso que incluiu cenas demais explicando essa história (como aquela em que Matias bate em um estudante em uma passeata pela "paz" - outra ótima crítica, aliás). Talvez nem com esse monte de explicações a elite entenda, já que a sua memória seletiva depois do filme só se lembra do BOPE matando os traficantes na favela. O que me leva a outro ponto.

- Tropa de Elite foi acusado por várias pessoas de ser fascista. Afinal, ele serviria como uma propaganda do BOPE, mostrando um capitão deles como herói, mostrando cada morte dos traficantes como mais uma, mas a de um dos seus integrantes com todos os detalhes e honrarias possíveis, etc. Discordo desse ponto de vista. Para mim, o filme de Padilha não é fascista, ele apenas expõe sentimentos em uma parcela do público que me fazem dizer, com certa tristeza, que uma boa parte da sociedade brasileira é fascista. Explico: a situação da violência no Brasil chegou a tal ponto que parece não haver muita solução a não ser a repressão pura mesmo. Isso quer dizer que poderíamos permitir que um policial, que nada mais é do que um policial, tenha poderes de um Estado de Exceção para, além de prender, julgar e condenar o réu, e o Poder Judiciário que se dane. A coisa é bem grave quando vemos várias pessoas comemorando as ações do BOPE no filme, ou dizendo que precisamos de mais Capitães Nascimento no Brasil (né, Luciano Huck?), com carta branca para subir o morro, invadir as casas e matar pobres. Um dos problemas é que ninguém quer o BOPE invadindo Copacabana. Esse tratamento diferenciado é típico de sociedades fascistas, e lamentavelmente a nossa - ou uma parcela importante dela - está caminhando, consciente ou não, para esse caminho. Isso é culpa de uma série de questões (como eu disse mais acima), mas o que importa aqui é que cada vez mais a sociedade brasileira faz vista grossa quando a violência policial atinge "os outros". O que me leva a uma outra questão.

- "Os outros": cada vez mais eu enxergo a sociedade brasileira das grandes cidades dividida entre os que têm e os que querem ter (isso é diferente da velha luta de classes do tio Marx - não comemorem, pseudocomunistas!). Isso quer dizer que entre os policiais e os moradores dos bairros nobres existe uma visão muito distanciada e estereotipada em relação aos moradores das favelas e das periferias, e vice-versa. Isso dá uma certa tranqüilidade na hora de torcer pra um dos lados nessa guerra; se eu tenho dinheiro, pra mim bandido bom é bandido morto. Se eu moro na favela, bom mesmo é o traficante, não os porcos ou os playboys. Na semana retrasada, por exemplo, depois do tiroteio na Vila Areia em que um policial foi morto e um traficante foragido foi preso, uma moradora da vila foi entrevistada e disse que o sujeito preso era "uma boa pessoa". Essa alteridade torta justifica que os dois lados enxerguem o outro com um desdém preocupante, visto que ambos são do mesmo país, do mesmo estado, da mesma cidade - nem estou argumentando que ambos são seres humanos, vejam bem.

- Por fim, parece que a situação brasileira chegou a tal ponto de violência que qualquer coisa que vise a acabar com ela torna-se aceitável - mesmo que também seja violência. O problema é que, quando a gente avança demais, depois é muito difícil de se voltar atrás, parceiro...

Por todos os seus méritos técnicos (com ajuda da Universal, é bom lembrar) e por seus méritos, digamos, sociológico-filosóficos, Tropa de Elite configura-se no melhor filme brasileiro que eu assisti nesse ano, disparado, surpreendentemente.

FICHA TÉCNICA

Tropa de Elite - 2007 - Nota A
Direção: José Padilha. Roteiro: José Padilha, Bráulio Mantovani e Rodrigo Pimentel. Com: Wagner Moura, Milhem Cortaz, Caio Junqueira e André Ramiro.

11 de nov de 2007

Poetando

Poema porreta de uma poeta que, por acaso, me ensinou a poetar:

Escolha
A dúvida insiste em manter dois caminhos possíveis neste momento
Cada qual com seus altos e baixos
Meu pensamento voa longe pelas possibilidades das consequências dessa escolha
Há tantas coisas para serem feitas
Vividas e sentidas
De novo o incerto me arrepia e ao mesmo tempo me liberta, porque sei que estou tentando acertar
Não há destino
O caminho dessa escolha pode ser de uma só forma: sentindo o que há de mais verdadeiro e genuíno dentro de mim.

10 de nov de 2007

Blur - Cofffe & TV

Ou "O clipe da caixinha da leite". Ou o meu cilpe favorito.

Skylab VII

Saiu o novo álbum de Rogério Skylab!! \o/

9 de nov de 2007

Eu duvido...

...alguém assistir todo esse vídeo. Ou assistir todo sem rir. Ou não ficar uma semana com a maldita música na cabeça.

A situação da educação (parte II - os professores)

Continuando a série sobre as diversas variáveis existentes que prejudicam a educação brasileira, desta vez vamos aos mestres. Acho que todo mundo sabe que os professores da rede pública de ensino são, de modo geral, mal remunerados. Isso é a origem de uma série de problemas que afetam a educação e, apesar de explicar em parte o problema, não o justifica de forma alguma.

Um professor que já esteja há, digamos, mais de dez anos no ensino público provavelmente já tenha sido acometido do mal que as professoras da escola em que estou estagiando (que a partir de agora, para fins didáticos, vou chamar de "minhas professoras" - visto que não há homens dando aula lá) têm: a total apatia. Sei que a minha experiência nessa escola não pode ser considerada uma amostra suficientemente grande para servir de parâmetro global, mas os relatos que já juntei sobre o tema me dão um pouco de confiança para afirmar que essa situação não é exclusiva de lá. É impressionante como o lema "Eu finjo que dou aula e eles fingem que aprendem" tem peso de lei entre as minhas professoras, e mais impressionante ainda é o sentimento de rivalidade, irreversibilidade ou mesmo ódio que existe em relação aos alunos.

Quanto ao lema "Eu finjo que dou aula e eles fingem que aprendem", as minhas professoras dão exemplos diários disso. A professora que eu estou substituindo, por exemplo, tem o péssimo hábito de dar, uma semana antes da prova, um questionário de "revisão". Isso não seria um problema caso esse questionário não fosse EXATAMENTE as questões que cairão na prova. Como ainda por cima ela dá as respostas na aula posterior às questões, basta os alunos memorizarem-nas e transcreverem-nas na hora da prova, podendo esquecê-las minutos depois. Isso quando não se dão nem ao trabalho de estudarem, pois basta uma cola bem feita para evitar o enfadonho ato de estudar. Dessa forma, vários alunos totalmente inaptos são aprovados, ano a ano, até concluírem o ensino médio sem saber quase nada - em alguns casos, nada mesmo - sobre nada. Além disso, eles ficam mal-acostumados com esse método, que estimula a preguiça mental e o analfabetismo funcional - o que por sua vez cria um exército de cordeiros, mas isso é papo para outra postagem.

Em relação aos vários sentimentos existentes nos coraçãozinhos das professoras, exemplos pessoais do meu estágio também não faltam: certo dia, quando estava na Sala dos Professores, uma professora perguntou à outra se já havia batido, ao que duas outras responderam "ainda não, graças a Deus". Em outras palavras, há um sentimento de obrigação no ato de dar aula, e uma obrigação enfadonha, monótona e desestimulante. Isso sem contar o jeito como algumas professoras se referem a seus alunos na Sala dos Professores - sem a presença de nenhum aluno, é claro: algumas meninas são chamadas de putas, alunos de preguiçosos, etc. e tal. A carga de pessoalidade que provém daí é grande demais na hora de uma avaliação, por exemplo. Sem contar que isso cria pré-conceitos entre elas, o que não é muito saudável na relação aluno-professor. Um dos maiores exemplos desses pré-conceitos é a irreversibilidade existente em alguns alunos, como se estes fossem casos perdidos. Já cansei de ouvir a frase "Fulano não tem salvação", o que parece dar carta branca para que a professora não precise mais se preocupar com ele. Vejam bem, não digo que não haja casos perdidos, mas não há como negar que existem casos superestimados, quando na verdade eles apenas necessitariam uma maior atenção.

Existem vários problemas que concorrem para estimular esse tipo de comportamento nos professores, e que vão minando ao longo dos anos qualquer sinal de idealismo que poderia ter existido em algum momento. É certo que eles são mal remunerados - particularmente na esfera estadual - e que vários alunos não estão nem aí pra nada, mas simplesmente desistir de tentar mudar qualquer coisa ao mesmo tempo em que se continua ali, dando aula, me parece um erro. Trate de mudar de profissão, ora bolas! O problema aí talvez seja o fato de o professor ser concursado - o que significa estabilidade no emprego -, que de certa forma dá um comodismo a ele. Em todo o caso, dar mais atenção ao ato de ensinar, dedicar-se mais a sua profissão e esforçar-se para tentar mudar as coisas seria um belo pontapé inicial para iniciar o movimento das engrenagens que podem alterar esse caos educacional, e isso - para o bem ou para o mal - só pode partir dos mestres.

É Oscar!!

Tá, o Kibe Loco não é o máximo da originalidade, mas às vezes tem umas coisas engraçadas... Dêem uma olhada nisso aqui, por exemplo. E pasmem. Ou riam.

Poesia do caralho

Poesia em spam de penis enlargement:

At last you've got a gal that's hot
You wanna screw her juicy twat.
She's so attractive, she's so nice!
But would your penile size suffice?

Not sure she will wish for more?
You need a thing she would adore!
But how to get it long and thick?
Your only hope is MegaDik!

You'll get so wanted super-size
And see great pleasure in her eyes!
Your shaft will stuff her box so deep,
Tonight you'll hardly fall asleep!

So try today this magic pill
And change your life at your own will!


Não dá pra dizer que não é original...
Roubado do Surra.

7 de nov de 2007

O por quê dos países em desenvolvimento

(Foto: Saurabh Das/AP)

Isso é notório, mas é sempre bom informar: boa parte das grandes empresas européias e norte-americanas faz uso de um expediente um tanto quanto desumano para poder lucrar mais: uma considerável parcela do trabalho manual para a confecção de seus produtos é terceirizada nos chamados "países em desenvolvimento", principalmente na Ásia. O principal argumento é a utilização de mão-de-obra mais barata, o que diminuiria os custos, mas existe um motivo maior escondido aí, que diminui os custos a um ponto totalmente excelente para as grandes marcas dos países desenvolvidos: o aproveitamento de crianças e o trabalho escravo. Nenhuma dessas empresas estimula esse tipo de atividade, mas também não faz a menor questão de saber de onde sai aquela produção extremamente barata que contratam. Isso, aliado a questões próprias dos locais que são contratados, faz com que esse tipo de prática prolifere-se a cada dia no mundo. A Nike já foi acusada disso, e agora a mais nova envolvida é a GAP, num episódio em que uma de suas fábricas na Índia sofreu uma batida e ficou comprovado o uso de crianças de até dez anos trabalhando na confecção de roupas. O melhor dessa estratégia das grandes corporações é que basta alegar que não sabiam de nada para que tudo fique por isso mesmo (aprendeu bem, né Lula?). O que fazer para solucionar o problema? Não sei, sinceramente. Só sei que é ingenuidade esperar que a solução venha das empresas. Alguém tem alguma sugestão?

Dia das tirinhas

Hoje é o dia delas - as tirinhas. Fiquem com uma do mestre Dahmer, sobre aqueles que, em uma reedição do Inferno de Dante Alighieri, acompanhariam os advogados no primeiro andar do lar do Capeta: os publicitários.

Heil Sieber

Grande tirinha (em todos os sentidos) do grande Allan, que saiu na Revista Zé Pereira nº2. Clique em cada parte para aumentar o tamanho (a tira está divida em quatro):

Eu Mesmo, criança

Dias atrás, minha mãe achou uma pasta com uma série de atividades de português que eu fiz na 4ª série. Dando uma lida nelas, não tem como não rir e se emocionar com alguns escritos, que contém expectativas, sonhos e esperanças de uma criança de 9 anos - que por coincidência sou Eu Mesmo! Segue abaixo um exemplo, em uma atividade que envolvia compor um texto de propaganda utilizando algumas palavras dadas pela professora e que pedisse aos homens que acabassem com a "violência, mortes, brigas e guerras". Ah, e no fim tinha que inventar um slogan que sintetizasse a mensagem do texto. Detalhe: está sem nenhuma correção, ou seja, é a escrita da época.

Senhores telespectadores:
Vamos acabar com isso! São guerras e mais guerras! Não podemos mais agüentar.
É ódio, é rivalidade, é desacordo, é discórdia, é rixa, é conflito, é, enfim, um mundo mortal.
Todas as pessoas do mundo brigam, lutam, matam e são más.
Não podemos permitir isso! Senão...
Mas uma coisa é certa: apesar disso tudo, de desunião, de morte, de inimizade, ainda existem pessoas com harmonia, com amor, com cooperação - que não são muitas -, com união e com entendimento. Acreditem! Você pode ser uma delas. Se você não é, tente ser.
Seja uma pessoa boa!!!

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