26 de abr de 2007

Uns vão, outros voltam

Como visto anteriormente, os caras do Los Hermanos deram uma pausa por tempo indeterminado - o que muitas vezes significa o fim da banda. Mas, por outro lado, esse ano promete algumas voltas que me agradam muito. Três boas bandas lançam em 2007 álbum novo após alguns longos anos.

Uma já lançou: o Silverchair, com seu Young Modern, lançado no fim de março. Ainda não ouvi o bastante para dar uma opinião abalizada (na verdade, opinião abalizada só na outra vida), mas como primeira impressão o álbum deixa claro que a evolução musical da banda não pára. Apesar de se direcionar mais para o pop, o álbum abusa de composições diferentes, experimentais, diferenciando mais uma vez o trabalho atual do anterior - algo que o Silverchair faz a cada disco.

Outro lançamento muito aguardado por mim é o novo do Counting Crows, cujo nome provisório é Saturday Nights, Sunday Mornings. Depois de um hiato de cinco anos eles se preparam para lançar o seu quarto álbum em 14 anos de carreira (?). Para quem não conhece a banda (ou melhor, para quem só conhece os seus hits Mr. Jones e Accidentally in Love), não custa dizer: não tem muito a ver com essas duas aí. Basicamente as suas músicas são tristes baladas introspectivas, com letras muito reflexivas e com um lirismo característico, único. Promete.

Por último, uma volta. E que volta. O Smashing Pumpkins is back! Para quem esteve em coma nos anos 90, trata-se de uma banda de Chicago que, dizem as más línguas, só não mudou o rumo da música porque lançou seu disco na mesma época de Nevermind, do Nirvana, que o mudou primeiro. Seu último show foi em 2 de dezembro de 2000, teminando com um ciclo musical que gerou hits como Today, Disarm, Bullet With Butterfly Wings, 1979, etc., unindo qualidade com altas vendagens. Para vocês terem uma idéia,
Mellon Collie and the Infinite Sadness, de 1995, é o álbum duplo mais vendido da década de 90 e, se não me engano, de todos os tempos. É irônico saber que Billy Corgan, que acabou com a banda por não agüentar ter que concorrer com artistas como Britney Spears, resolva voltar agora que ela virou um Michael Jackson (na fase bizarra) de saias. De qualquer forma o novo álbum, Zeitgeist, sai esse ano (7 de julho, para ser mais exato) e o show da volta já está marcado para o dia 2 de junho, durante o festival alemão Rock Am Ring, na cidade de Nurburgring.

C***lho!!!

... ou "O Repórter Trapalhão".

25 de abr de 2007

Grêmio 1 x 0 Cerro Porteño

O Grêmio é agora o único representante gaúcho na Libertadores 2007. Ao vencer o Cerro Porteño, o tricolor garantiu sua participação nas oitavas-de-final. O problema é que parecem querer tapar o sol com a peneira no Olímpico. Digo isso menos por ser colorado do que por qualquer outra coisa, mas está se tentando criar um clima que, na realidade, não existe lá pela Azenha.

Vejamos: o Grêmio, a vitória "heróica" de sexta (4 a 0 no Caxias), que remeteu à Batalha dos Aflitos, evocou o espírito do time que vence nas condições mais impossíveis, etc. Até aí tudo bem, esse espírito parece ser legítimo. Agora, travestir a vitória sobre o Cerro com esse caráter milagroso é palhaçada. O tricolor conseguiu se complicar num grupo fácil, não conseguiu ganhar nenhum jogo por mais de um gol de diferença - parece até uma versão brasileira do saudoso Once Caldas - e se complicou inclusive nessa última partida, em casa, contra um adversário desqualificado (basta lembrar um lance ocorrido aos 40 do segundo tempo, quando Everton chutou, o goleiro paraguaio rebateu e um zagueiro foi dominar a bola e a colocou toscamente para a linha de fundo e você vai concordar com o "desqualificado").

Mas, enfim, o Grêmio ganhou e passou de fase, e é isso que importa. Além disso, é digno de nota o comportamento da torcida, lembrando os melhores momentos das torcidas argentinas. Uma pena que a equipe que ela empurra não pareça merecer tamanha devoção, a não ser no Gauchão ou na Série B do brasileiro.

(Para a visão gremista da partida, clique aqui)

24 de abr de 2007

Machismo

Para quem acha que os tempos são outros em relação ao machismo (tá, os tempos são outros, mas não tão outros assim), veja esse comercial da Panex e preste atenção nos últimos três segundos:



"Uma nova geração de panelas para uma nova geração de mulheres"

A Quem Interessar Possa

Tá no site dos caras:

Recesso

A banda Los Hermanos comunica a decisão de entrar em recesso por tempo indeterminado. Por conta disso não há previsão de lançamento de um novo disco.

A pausa atende a necessidade dos integrantes de se dedicarem a outras atividades que vieram se acumulando ao longo desses dez anos de trabalho ininterrupto em conjunto. Não houve desentendimento ou discordância que tenha afetado nossa amizade tanto que continuamos jogando truco toda quinta-feira.

Por conta dessa decisão, mesmo após o término da turnê do "4", resolvemos fazer duas únicas apresentações no Rio de Janeiro, na Fundição Progresso nos dias 8 e 9 de junho. Até lá.

23 de abr de 2007

Ele e Ela

Possível esquete para teatro ou para aqueles quadros insossos do Fantástico:

Casal de amigos numa mesa de bar:

Ela: Ahhh, não agüento mais os homens! Vocês são tão falsos!

Ele: Como assim?

Ela: Vocês fingem serem quem não são, mentem descaradamente apenas para nos levar para a cama e não ligar no dia seguinte.

Ele: Mas...

Ela: Ah, lá vem um exemplar do gênero masculino defender os outros machos! Isso também me irrita demais, sabia? (pedindo outra cerveja para o garçom)

Ele: Eu só...

Ela: Mês passado, por exemplo: o Marcos, um cara que parecia ser um verdadeiro gentleman, me paquerou por umas duas semanas. Depois de muita insistência (mas muito gentil, sempre), ele finalmente me convenceu a ir ao cinema. Me deixou escolher o filme, acredita?

Ele: ...

Ela: Daí eu escolhi uma daquelas comédias românticas bem bobinhas e ele aceitou numa boa. Fomos, ele não se passou lá no escurinho, me levou até a minha casa e me deu um beijo suave como despedida. Na boca, claro! Estava adorando tudo aquilo, tanto que o convidei para entrar um pouquinho. Clima vai, clima vem, acabamos transando. Lá pelas 4 da manhã ele disse que tinha que ir embora e que me ligava. Estou esperando até hoje!

Ele: Será...

Ela: Será nada! Falei com a Solange, uma amiga minha que conhece a irmã dele, e ela me disse que ele é um baita galinha! Que vive apostando com os amigos quem será a próxima que ele vai comer, essas coisas que vocês, machos, devem viver fazendo. Por dentro é um tarado mentiroso. Por fora, um cavalheiro. É só fingimento! O mundo está virado em mentiras, e sabe por quê? Por causa dos homens e suas artimanhas para pegar mulher. Até tu deve fazer isso, não é?

Ele: Posso falar?

Ela (suspirando): Pode, fala.

Ele: Não defendo os homens. A maioria é falsa mesmo. A maioria quer sexo a qualquer custo, nem que seja mentindo descaradamente, se fazendo passar por bonzinho. Mas a mentira não é exclusividade masculina, ao que me parece. Diria até que somos tão prejudicados por ela quanto vocês.

Ela (curiosa): Hã.

Ele: Veja bem: quanto vocês, mulheres, gastam por mês com apetrechos que disfarçam a sua verdadeira aparência? São maquiagens que escondem rugas, lentes de contato coloridas para trocar a cor dos olhos, sutiãs para deixar os seios firmes, calcinhas que levantam tudo, calças que realçam volumes às vezes inexistentes e que escondem imperfeições, etc.

Ela: Mas...

Ele: E, no quesito mentira, isso não fica muito atrás do que os homens fazem. Sim, a maioria deles esconde suas vontades. Esconde o seu interior, apenas com um objetivo: conquistar. Mas não dá para negar que as mulheres também escondem muita coisa; escondem o seu exterior, apenas com um objetivo: conquistar.

Ela: É que...

Ele: Olha pra ti, por exemplo: eu garanto que essa roupa que você está usando lhe emagrece alguns centímetros, e que quando lavar o rosto vai parecer outra pessoa. E não precisa nem me dizer quanto você gasta por mês com o cabelo, mas eu quase garanto que deva ser mais do que eu gasto com comida...

Ela (atônita): ...

Ele: Mentir para conquistar parece ser algo do ser humano, independente do sexo, e talvez seja o que acaba com os relacionamentos. A gente se esconde atrás de algo para conquistar alguém e depois não consegue manter as aparências. Daí a outra pessoa descobre como a gente é (por dentro ou por fora), se decepciona e dá um pé na nossa bunda. É, a vida é complicada... (bebendo mais um gole)

Ela (pensando): Bicha...

20 de abr de 2007

Inter 1 x 0 Nacional

Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, RS
Gols: Fernandão (Int)

Libertadores é que nem vida em morro carioca: rateou, morreu. E o Inter rateou muito nesse ano. Foi praticamente X-9 de patrão* e morreu merecidamente.

Na sua última partida da Libertadores - e a primeira em que jogou bem -, o Inter conseguiu uma vitória simples em um jogo que precisava ser ganho por três gols de diferença. Fez um ótimo primeiro tempo, com várias chances desperdiçadas, mas só conseguiu marcar o seu golzinho num segundo tempo desesperado e já sem um jogador - Índio, expulso depois de utilizar um jogador do Nacional como tapete. O time uruguaio, por sua vez, veio para não levar mais de dois gols. Jogou com todos atrás, catimbando sempre que podia, e acabou levando a melhor.

Destaque para a torcida colorada, que apoiou incondicionalmente os noventa minutos, à exceção de quando Abel colocou Michel em campo (sacanagem, né, seu Abel?). É interessante lembrar que o Inter em nenhum momento ficou classificado ontem, já que o Velez fez um gol no Emelec antes do Inter abrir o placar.

Em suma, o Inter não saiu ontem da Libertadores. Ele só pagou pelos erros em jogos anteriores, quando por exemplo não foi capaz de vencer o Velez aqui ou quando tomou uma virada em dois minutos do Nacional, no Uruguai. A parte boa é saber que pelo menos a equipe foi desclasificada no grupo mais nivelado - por cima - desse ano na Libertadores. Na verdade isso só serve de consolo, porque X-9 que é X-9 tem que morrer.

(Para a visão gremista da partida, clique aqui)

* aquele que entrega os seus superiores à polícia.

19 de abr de 2007

Repostando...

Para aqueles que não tiveram o desprazer de conhecer o blog anterior, porque continua relevante. Para os que já conheciam, porque vale a pena ler de novo.

Saunas

Passei hoje pela Protásio de ônibus e vi uma casa com uma placa que dizia: "Sauna normal e finlandesa, calista, unhas", etc. Automaticamente pensei que se tratava de uma daquelas saunas que a pessoa vai para relaxar, dados os outros tratamentos que continham na placa. Porém, me lembrei que o Karandache (uma boate que fica na Av. Berlim - não, eu nunca entrei lá, eu a conheço porque trabalhava por perto) também tem sauna - e um monte de tipos que eu não vou lembrar agora. Daí fiquei pensando como deve dar confusão o fato da mesma palavra significar dois "serviços" tão diferentes... Tá, eu sei que os dois têm o mesmo objetivo - relaxar o paciente -, mas a forma de fazê-lo é muito diversa! Já notaram que com "massagem" é a mesma coisa? Tipo, o cara entra na sauna, fica pelado e espera ver um monte de mulher. De repente, começam a entrar vários caras daqueles que têm as costas cabeludas, que sentam do seu lado e começam a suar feito uns condenados!


É, mas além de piadas sem graça vindas de devaneios dentro de ônibus, a sauna também é coisa séria, principalmente na Finlândia - daí o "sauna finlandesa"! Pois é, além de passar frio e escutar Nightwish, eles adoram uma sauna. Segundo consta, "Sauna" é a palavra provinda da língua finladesa mais conhecida no mundo. E isso se deve à posição que a sauna ocupa na cultura finlandesa. Lá toda casa que se preze tem sauna. Os partos eram feitos dentro das saunas - alguns ainda o são. Para eles sauna não tem conotações eróticas, e sim sociais. Não é qualquer sauna do tipo turca ou sueca que os finlandeses consideram sauna. Eles têm até uma Associação Finlandesa da Sauna. Não ria, é sério.

17 de abr de 2007

300 Confusões

Nota: assisti o filme no fim-de-semana de estréia, mas só escrevo agora sobre ele por conta das polêmicas que andou causando. Pelo mesmo motivo, o texto é longo. Se você não gosta de textos longos, favor clicar aqui.

Não gosto quando superestimam algo. É mais ou menos como aquela coisa de alguém olhar para uma "obra" pintada por um macaco e encontrar nela uma analogia às angústias do mundo contemporâneo, um libelo contra os horrores da guerra, etc. Me parece que é exatamente o que está acontecendo com 300, de Zack Snyder, nos cinemas
do Brasil já há umas duas semanas.

E a inflada não é em relação à qualidade; aliás, na maior parte das críticas sobre o filme, o que menos se fala é sobre os seus méritos ou seus defeitos, mas sobre o suposto subtexto político belicista ou a suposta ode ao homossexualismo ou as inverdades e/ou anacronismos históricos que ele conteria.

Para começar, é bom lembrar que o termo "sétima arte" para o Cinema só surgiu em 1911, dezesseis anos depois da primeira exibição pública e paga, graças ao Manifesto das Sete Artes, de Ricciotto Canudo. Desde então, assim como outras "artes" - música e literatura, particularmente -, o Cinema sempre se viu oscilando entre o "popular" e a "arte", como se as duas fossem água e vinho, ou como se uma anulasse a outra. Daí que sempre que surge uma obra mais "popular", o pessoal da "arte" já abre o bocão. Exemplos atuais disso estão no funk, na auto-ajuda - para música e literatura, respectivamente - e nos blockbusters, para o Cinema.

O Blockbuster (ou Arrasa-Quarteirão, literalmente) é uma classificação dada aos filmes que têm uma bilheteria muito, muito grande. O termo foi usado no cinema pela primeira vez em 1975, quando Tubarão conseguiu a façanha de ser o primeiro filme a ultrapassar os 100 milhões de dólares em bilheteria. Atualmente convencionou-se como blockbuster aquele filme que fatura mais de 200 milhões de dólares nos EUA, ou 400 milhões no mundo todo. A cada filme desses uma legião de mal-amados vocifera contra defeitos aparentemente importantíssimos, humilhando o dito cujo e preferindo assistir aquele lançamento iraniano, muito melhor (parênteses: não estou criticando o cinema iraniano. Apenas estou fazendo uma constatação, a de que quem critica blockbusters parece ser obrigado a amar filmes cult, principalmente os iranianos, sei lá por quê). Temos aí estabelecidos então dois tipos de filme: o sério, aquele que se esforça em soar real, aquele que é arte, e o "de arreganho", aquele que para alguns só serviria para imbecilizar a quem os assiste.

Pois o pessoal se esquece de uma coisa chamada suspensão da incredulidade. Em termos bem simples, isso significa que quando a gente assiste um filme, sabemos que é um filme. Logo, suspendemos nossa incredulidade e não damos tanta bola ao fato de o mocinho matar trinta bandidos com um canivete e uma caneta (?) ou algo do gênero. Afinal, é só um filme. Esse recurso é amplamente utilizado para ser possível assistir, por exemplo a filmes de super-heróis.

Veja bem, não estou dizendo que não existam filmes ruins ou filmes ideológicos. Apenas quero dizer que nem sempre um filme se dá tanta importância quanto ele acaba tendo. Veja por exemplo o caso de Cannibal Holocaust, que era só para ser um filme de terror e acabou causando a prisão do seu diretor por acusação de assassinatos. Nesse sentido, o caso de 300 me parece exemplar. Talvez o filme nem rendesse tanto se as pessoas parassem de procurar cabelo em ovo. Ou nos peitos dos atores do filme.

Depois dessa longa introdução vamos ao filme em si. 300 não é ruim, longe disso: contando a história da Batalha das Termópilas a partir da fantasiosa graphic novel de Frank Miller, o filme nos brinda com uma produção impecável, visualmente falando. Da fotografia à direção de arte, 300 nos leva para dentro da obra de Miller, reproduzindo de maneira muito fiel a estética dos seus quadrinhos - o que não deixa de lembrar Sin City. As batalhas são coreografadas quase como um balé e de maneira tão caprichada que os caras no fundo da tela estão lutando também, e não apenas sendo coadjuvantes. Tudo é esteticamente belo no filme, mesmo os símbolos de violência: do sangue e das perfurações das lanças à árvore de mortos, os quadros montados pela equipe são contagiantes.

Porém, o que o filme tem de fiel no quesito visual não o tem tanto assim no textual. Ao introduzir uma longa seqüência com a
a rainha Gorgo, esposa do rei Leônidas, os realizadores pisaram feio na bola e fizeram com que qualquer acelerada na "adrenalina" do filme fosse rapidamente colocada na velocidade "tartaruga manca". Explicando resumidamente a estrutura do filme: introdução, batalha, conversa furada da rainha Gorgo, batalha, conversa furada da rainha Gorgo, batalha, conversa furada da rainha Gorgo, batalha, conversa furada da rainha Gorgo, fim. Isso torna tudo muito truncado, sem nunca decolar de vez. É claro que o filme engrena - e nesse sentido as cenas de batalha ajudam muito -, mas acaba sendo como um carro que pode ir a 300 km/h e só vai a 100 km/h.

Para terminar, vamos aos supostos "problemas" externos ao filme:
subtexto político belicista, ode ao homossexualismo e inverdades e/ou anacronismos históricos.

Subtexto político belicista

Teve gente que viu no filme uma propaganda subliminar à provável campanha belicista de George W. Bush contra o Irã. Isso porque a cultura ocidental seria totalmente derivada dos gregos e o Irã é localizado no mesmo local onde era a Pérsia de Xerxes.

Céus, quanta besteira! Em primeiro lugar, dizer que nossa cultura ocidental deriva diretamente da grega é, no mínimo, exagero. Se fosse assim não seríamos cristãos e ainda viveríamos em cidades-estado. Todos os conceitos que nós apropriamos dos gregos chegaram através de filtros que os deturparam tanto que só restou, na grande parte dos casos, uma sombra do que foram na Grécia Antiga. Nem o conceito de democracia é o mesmo, já que os ocidentais preferiram a democracia representativa para poderem curtir o sedentarismo numa boa. E o fato de o Irã ser no mesmo local da Pérsia... Para começar, a Pérsia era maior do que o Irã é hoje. Ou seja, os iranianos estão numa pequena parte do que foi o reino persa. Mais uma vez parece haver uma transposição direta, quando na verdade o que existe não é tão direto assim.

No fim, tudo é uma questão de ponto de vista. Afinal, eu poderia dizer que o filme é, na verdade, uma mensagem ao povo do Irã para resistir aos ataques dos americanos. Isso porque o filme trata de um insano com o maior poder bélico do mundo - Bush -, que tenta dominar um povo com um exército infinitamente menor - o Irã -, mas que resiste bravamente. O ataque, que parecia fácil e rápido, demora mais e é mais difícil do que o pensado, o que dá moral suficiente aos que resistem para que eles derrotem o gigante - opa, aí já podemos até colocar o Iraque!

Enfim, cada um lê do jeito que quer.

Ode ao Homossexualismo

Qualquer um já sabe, nos dias de hoje, que nós somos muito mais caretas hoje em dia do que os nossos antepassados da Antigüidade. Afinal, os romanos promoviam bacanais muito mais hardcore do que qualquer carnaval brasileiro e os gregos encaravam o homossexualismo numa boa, sem medo de ser feliz. Aliás, eu poderia dizer que o filme até trata pouco sobre o tema, visto que deveria ter mostrado, no mínimo, o Leônidas carcando alguém do seu grupo. Veja essa imagem, uma pintura de Jacques-Louis David sobre a Batalha das Termópilas, datada de 1814, e veja se o filme é que é exagerado na bixice.

Inverdades e/ou anacronismos históricos

Leia o parágrafo sobre
suspensão da incredulidade e acompanhe comigo: tudo bem existir um gigante deformado que parece o Slot no filme, mas ter erros históricos é um absurdo, um desserviço à História! Gente, filme não é história. Nenhum filme é histórico, nem aqueles que dizer ser. Isso porque a História é uma seleção (de fatos, de épocas, de fontes) e essa seleção é subjetiva, pessoal. Logo, se eu fizer um filme sobre a Revolução Francesa ele vai ser "historicamente" diferente de um que você fizer. Terá outros enfoques, tomará algumas liberdades ou não, mas com certeza não as mesmas, etc. Não espere ir ao cinema e ter uma aula de História. Às vezes nem na faculdade você consegue uma, acredite.

Enfim, dê uma chance ao cinema entretenimento: vá ver 300, pois ele tem suas qualidades. Se mesmo assim você não quiser vê-lo, outro dia eu te indico um iraniano tri bom.

FICHA TÉCNICA:

300 (2007) - Nota: B
Direção: Zack Snyder. Com: Gerald Butler, Rodrigo Santoro, Lena Headey, Dominic West, David Wenham, Vincent Regan, Michael Fassbender, Andrew Tiernan.

13 de abr de 2007

Vovô viu a uva

Todo mundo já viu o vídeo do Lasier Martins tomando choque na Festa da Uva. Esse será provavelmente o único fato pelo qual ele será lembrado na posteridade (além de ficar culpando o PT por tudo o que acontece no mundo, desde o Talibã até o aquecimento global e a eliminação do Inter no Gauchão). Entretanto, provando ser um homem humilde que não quer ser lembrado apenas por um lado de sua vasta obra, mas por ela como um todo, o grande "formador de opinião" da RBS renega a fama e desdenha uma megacorporação:

Lasier afirma que episódio foi "lamentável" e diz que "Youtube não tem graça"

Homem com H, seu nome é Lasier.

Para quem ainda não viu...

Vídeo Original



Funk do choque



Trash Remake



Cover

12 de abr de 2007

C***lho!!!

Para não ficar só no futebol, segue mais um vídeo tosco que faz a gente dizer C***lho!!!

Cúcuta 3 x 1 Grêmio

Estádio General Santander, Colômbia
Gols: Bustos 42'1T, Blás Perez 28'2T, Del Castillo 42'2T (Cúcuta); Diego Souza 5'2t (Grêmio)

Antigamente a TV Globo costumava passar filmes na quarta à noite. Hoje ainda é assim, mas apenas nos raros dias em que não há nenhum jogo de futebol intere$$ante. Me lembro que os filmes que mais gostava de assistir eram os de terror. Bem, ontem a Globo - no caso, a RBS - transmitiu um terror, mas encarnado em uma partida de futebol.

Jogo chato, tentando sempre fazer o telespectador trocar de canal ou dormir, Grêmio e Cúcuta era uma daquelas partidas em que o empate parecia servir às duas equipes. O pior é que não servia direito à nenhuma. O terror de todos os espectadores se tornou um terror mais para os gremistas quando, aos 43 do 1º tempo, os colombianos abriram o marcador numa falta bem cobrada - aliás, a única coisa digna de elogio da primeira etapa.

No segundo tempo o Grêmio até esboçou uma reação empatando o jogo e até mesmo quase virando, mas assim como Jason, a equipe não decepcionou os amantes do bom terror. O jogo voltou a testar a paciência de quem o assistia e logo viriam os dois fatídicos gols colombianos, justo na semana em que teremos sexta-feira 13. Resultado: todo mundo embolado e com chance de se classificar no grupo 3. Até o Grêmio.

O Grêmio conseguiu se complicar em um dos grupos mais fáceis da Libertadores. Agora, é ganhar em casa. Caso contrário, o clima no Olímpico será de permanente Halloween.

(Para a visão gremista da partida, clique aqui)

11 de abr de 2007

Emelec 1 x 2 Inter

Estádio George Capwell, em Guayaquil, Equador
Gols; Yarlei (int) 37’ 1ºt; Arroyo (eme) 46’ 1ºt; Alexandre Pato (int) 6’ 2ºt.

Às vezes, no futebol, só o resultado interessa - na verdade, na maioria das vezes. Ganhamos e estamos vivos. Foi um jogo ruim, mas os três pontos - que valem simbolicamente uns cem - estão garantidos.

Se o Emelec jogasse o gauchão provavelmente seria rebaixado, e ontem não fez nada mais do que provar essa tese. Jogou mal, deu espaços demais e proporcionou cenas bizonhas. Porém, o Inter ainda assim não jogou bem: nervoso, errou muito, mas foi capaz de pelo menos fazer mais gols do que levar, o que já é um avanço em relação aos últimos jogos.

Resumindo o jogo: o Emelec começou muito mal e o Inter começou nervoso, dando oportunidades de graça para os adversários. O primeiro gol colorado, ainda no primeiro tempo, nasceu de uma bela jogada de Pato e Fernandão para a conclusão de Iarley, em impedimento - o que sempre torna o gol mais bonito, pelo menos na Libertadores. No fim da primeira etapa o colorado fez a linha burra mais burra dos últimos jogos - e olha que eles estavam há tempo tentando fazer uma assim - e cederam o empate. Porém, logo no início do segundo tempo Pato deu um toquinho com categoria para desempatar, o que levou o Emelec a sair com tudo e deu muitos espaços para os gaúchos. Estes não souberam aproveitar e ainda quase tomaram um sufoco no final da partida, mas os adversários eram tão desqualificados que nem com o Clemer no gol a sua torcida acreditava em alguma coisa.

Enfim, três pontinhos que mantém o time vivo. Ainda ligado nos aparelhos, mas vivo.

(Para a visão gremista da partida, clique aqui)

10 de abr de 2007

MD NÃO recomenda

Um tempo atrás estava eu e uma pequena turma zapeando pelos canais da NET, de madrugada, quando vimos um programa na Rede TV! chamado Insômnia. Tosco é elogio, já que ele consiste no seguinte: um show ao vivo à 1h da manhã, no qual quatro "apresentadores" (dois homens e duas mulheres - uma delas é a Jaqueline, aquela que era apresentadora infantil no SBT e mês passado foi capa da VIP) se revezam num palco minúsculo tentando convencer o pobre telespectador a ligar para um número de celular e jogar os joguinhos do programa. Os tais jogos são bem ao estilo programa de auditório do Silvio Santos: montar uma palavra com tais letras, resolver problemas de lógica, etc. Até aí, tudo bem. O problema é que a estrutura do show é menos do que amadora: os apresentadores repetem a mesma frase dez, vinte vezes, pedem por favor para ligarem, se atrapalham, falam errado, e tudo o mais que não deveria constar em nenhuma apostila de "Como apresentar um programa ao vivo, mesmo que seja à 1h da manhã e na Rede TV!". Os cenários são ridículos, parece vídeo da Al-Qayda, e às vezes eles usam umas fantasias que parecem ter sido compradas nos camelôs. Além disso, quem faz o programa não deve ter nem o 1º grau completo (não que isso seja defeito, não me interpretem mal, apenas sigam meu raciocínio). No tal dia em que assistíamos o programa, o jogo era montar uma palavra - não me lembro qual - com algumas letras, sem repeti-las. Eis que a gente, no maior sem-ter-o-que-fazer, começou a tentar fazer a tal palavra. Em vão. Não saía nada. Uma das pessoas chegou a falar uma, mas logo alguém respondeu "não pode ser, essa precisa de dois "o" e só tem um ali". Enfim, ficamos esperando para ver o resultado. Depois de quase uma hora daquele inferno de "por favor, liga, venha ganhar mil reais", finalmente a linha foi liberada para alguém participar no ar. Eis que liga uma senhora e fala aquela palavra que uma das pessoas que estava comigo já havia falado mas que, repito, TINHA UMA LETRA A MENOS! E não é que ela acertou? Cheguei a duvidar de ter ouvido o pessoal dizer que não se podia repetir as letras, até que vi essa foto aí de baixo no Jacaré Banguela. Fiquei mais aliviado, confesso. E mais decidido a NÃO recomendar esse programa, a não ser que você queira rir de algo muito, mas muito tosco.

9 de abr de 2007

Mais Salimena

Agora o Salimena deu para fazer tirinhas só com zumbis. Isso não afetou nem um pouco o seu humor pra lá de peculiar, como você pode conferir na tirinha abaixo e em todo o resto do site:

3 de abr de 2007

Páscoa e religiosidade

Vem chegando mais uma Páscoa. Como todos os anos, milhares de pessoas vão aos mercados e supermercados em busca de um peixinho para comer na Sexta-Feira Santa. Por que mesmo? Ah, porque elas são católicas. Mas seria isso resposta suficiente?

O Brasil é considerado o país com o maior número de católicos do mundo. Hum, acho que não. Dizer que é católico é fácil; difícil é fazê-lo. Isso porque, como em todas as religiões, ser católico é seguir à risca o que os seus regulamentos mandam e ponto final. Sem discussão. Afinal, ter fé é "crer sem ter visto", não é mesmo?

Portanto, seguindo essa lógica, o católico "roots" - e o único a ter o direito de dizer "sou católico" - não poderia transar antes do casamento, devendo só fazê-lo com o objetivo da procriação, além de não usar métodos anti-concepcionais. Isso só para usar alguns exemplos do que o Papa (a entidade máxima do catolicismo) prega quase todos os dias.

"Ah tá, então eu não posso fazer mais nada?" Infelizmente, para ser um católico mesmo, você só pode fazer o que a sua religião permite. É por isso que todo mundo folga nos carolas, naqueles evangélicos que não têm televisão em casa, no judeu esteriotipado... Quando na verdade, religiosamente falando, quem deveria ser motivo de chacota são as pessoas que se dizem de uma religião mas não fazem nada - ou quase nada - do que ela prega. E esse é exatamente o caso do brasileiro. Quantas pessoas eu conheço que são "católicos não-praticantes"?

Mas e o jejum, o que tem a ver com isso? É que o jejum é o jeito mais fácil de mostrar respeito a Jesus, ao catolicismo, a sua fé, ou qualquer outra coisa do gênero. E só precisa fazer uma vez por ano, além de render um peixinho que alguém da família faz que é uma beleza...

Em tempo: nem isso é "catolicamente" correto. Há muito tempo atrás, o jejum (que serve para honrar os quarenta dias em que Jesus ficou sem comer no deserto) significava não comer nada mesmo. Ao longo do tempo isso foi mudando até o jeito que é hoje, quando "a Igreja pede jejum e abstinência de carne na Sexta-Feira Santa e na Quarta-Feira de Cinzas". Veja bem, temos duas coisinhas delicadas aí: em primeiro lugar, o jejum e a abstinência de carne são em dois dias, não apenas em um; em segundo, jejum e abstinência de carne são coisas diferentes. Jejuar consiste em tomar uma só refeição diária completa, na hora de costume: pela manhã, ao meio-dia ou à tarde, com duas refeições leves no restante do dia. Além disso, há a abstinência da carne, que deve ser seguida também de algo que a gente tem o hábito diário de consumir. Isso porque "Praticar a abstinência é privar-se de algo, não só de carne. Por exemplo, se temos o hábito diário de assistir televisão, fumar, etc, vale o sacrifício de abster-se destes itens nesses dias."

Então, não me venha com católico não-praticante. Quer comer peixe, coma. Mas arrume outra desculpa da próxima vez, ou pare de transar e vá fazer filhos.

2 de abr de 2007

Luis Ferreira Fotografia

Blog bem legal que o MD recomenda para quem curte fotografias: Luis Ferreira Fotografia. Trata-se de um português de 25 anos, especialista em tirar fotos de insetos e plantas (ou fotografia de natureza e macrofotografia). E que fotos!

Músicas do Mês

Los Hermanos - Dois Barcos - Integrante do 4, o mais recente disco dos caras, Dois Barcos é uma música e tanto: combinando uma atmosfera instrumental crescente que envolve o ouvinte e uma letra belíssima com uma mensagem metafórica única ([...] e se já não sinto os teus sinais / pode ser da vida acostumar / será, morena?), a música quase me hipnotizou nesse mês que passou. É ouvir e se deixar levar mar adentro.

Silverchair - Without You - Banda boa, essa Silverchair. Os caras foram amadurecendo ao longo da sua curta discografia até chegar ao apse criativo com o Diorama, disquinho que mostra bem uma certa "evolução" da carreira dos caras, de uma banda grunge super influenciada por Pearl Jam e Nirvana (a ponto de compor música muuuito parecidas com a dessas bandas) a uma que, sem abandonar a distorção, acrescentou naipes de metais e orquestrações muito bem integradas à música. Quanto à música em questão: Letra bacana, estrutura certinha, e... que riff! Destaque o final da música, ponto alto e que deixa aquela vontade de balançar a cabeça. A boa notícia é que está saindo o novo disco deles, Young Modern. Êêêêê!!

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